YabloG!

Batman, o Lanterna Verde!

Publicado em Agosto 25th, 2008 in Amenidades by Fábio Yabu

No dia mais claro! Na noite mais escura, densa, whatever! Aaah eu tô maluco! Estou sem palavras, estupefato! Eu achei que conhecia a felicidade! Mas não! Ela veio batendo hoje à minha porta, como uma luva de boxe gigante saída diretamente de um anel energético, nocauteando minha miséria e fazendo-me ver estrelas da pura plenitude alcançada no Nerdvana.

É o que eu sempre digo! Nessa vida a gente tem que ser correto, perseverante e nunca desistir dos nossos sonhos! Quem sabe a vida não te recompense com uma belezinha dessas: o Batman como Lanterna Verde!!!!

Bruce Wayne, meu quadragésimo boneco de Lanterna Verde, foi recebido com alegria pelos outros membros da Tropa, e será tratado como todo o respeito e glória que um defensor do universo merece. High fiiiiiives! _o/

P.S.: Desculpem a falta de posts recentes. Estou trabalhando no meu livro novo, “A Balada da Princesa Esquecida”, no meio de um inferno astral CRASSE A. Mas o Batman prometeu dar uma força!

P.S.2: Nessas horas eu me sinto meio Tom Hanks, em “Quero ser Grande”. Meu eu criança ficaria orgulhoso em ver a voracidade com que gasto nosso dinheiro em brinquedos e jogos. Dinheiro que ganhamos escrevendo, desenhando e ficando acordados até tarde todo dia!!!

P.S.3: Sim, eu sou extremamente imaturo. Não gostou? Uma palavra pra você: Bi-A-tch!

P.S.4: Viu?

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Turma da Mônica Jovem - Review e desabafo

Publicado em Agosto 18th, 2008 in Livros e Gibis by Fábio Yabu

Antes de mais nada, cabe aqui uma declaração: eu fiquei MUITO receoso quanto a escrever esse texto. Os motivos são vários: primeiro, porque a figura do Maurício de Sousa é quase imaculada. É difícil criticar alguém tão querido e carismático. Ainda mais somando a isso o segundo motivo, que é a simples, inexorável e inegável verdade de que, mesmo sem ter a menor idéia disso, Maurício de Sousa me inventou.

Bobo de quem achava que minha principal influência quando criei os Combo Rangers eram os mangás. O traço dos personagens, o olhão grande, as cores, as casinhas e cenários simples com árvores e pedras milimetricamente posicionados ao fundo. Tudo chegou pra mim numa caixa do Bairro do Limoeiro, onde coloquei meus gostos e experiências pessoais. Esse conteúdo, moldado pelo tempo, conquistas e decepções do meio do caminho, é guardado hoje como uma herança de valor inestimável.

Estive na presença dele em algumas oportunidades. A primeira foi numa reunião em 2000, na época em que eu trabalhava numa empresa de internet. A idéia seria refazer o site da Turma da Mônica. Fiz uma proposta bacaninha, acho que ele até gostou, mas como você pode ver, até hoje o lance não foi pra frente. Sem ressentimentos, como você bem sabe, fazer sites nunca foi meu sonho. Ele nem deve se lembrar das outras vezes em que nos cruzamos, em feiras, palestras e premiações. Eu também nunca tive a cara de pau de chegar e puxar assunto. Também, falar o que? “E aí? Continua lá com os desenhos? Tá na correria?”

Recentemente, algo que me deixou muito emocionado foi ter sido citado numa história da Turma sobre os quadrinhos no Brasil. Eu nunca liguei pra prêmios, indicações e o diabo a quatro; quando sai matéria sobre mim na imprensa em nem leio, mas sair numa revista da Turma da Mônica foi inesquecível.

Enfim, tem gente que não gosta, que fala mal, que chama ele de monopolista e o escambau. Eu continuo achando Maurício de Sousa o cara, e sempre serei grato pelos anos de diversão que os gibis e filmes da Turma da Mônica me deram. Continuarei escondendo referências aos personagens dele em meus trabalhos. Continurei sendo um fã babão, sem coragem de puxar assunto da próxima vez.

Mas não vou conseguir engolir a “Turma da Mônica Jovem”.

A idéia era ótima, sabe. Eu sou daqueles fãs das antigas que sonhava em saber como a história da Mônica continuaria no futuro. Em algumas edições especiais, deu-se a entender que já havia coisas minimamente pensadas, como um futuro casamento entre a Mônica e o Cebolinha, que daria origem a um filho de 5 fios de cabelo, dentuço e superforte. Esse tipo de brincadeira é saudável, estimula a imaginação e mostra que personagens são coisas vivas, que moram no coração de seus fãs e transcendem seu criador. São como filhos, aos quais você dá o seu melhor e espera que ganhem o mundo.

E não é nada disso que acontece em Turma da Mônica Jovem. A história, que parte da premissa da Turma adolescente não aproveita em nada a essência viva dos personagens. Sim, eles cresceram, como diz a capa, mas viraram o quê? A Mônica está simplesmente irreconhecível, e não é o fato dela ter seios que me incomoda. Mas o fato dela renegar que já foi baixinha, gorducha (felizmente ainda é dentuça), ter usado vestidinho vermelho, o fato dela viver justificando as próprias ações, falando o tempo todo que cresceu, que é mocinha, que é isso, que é aquilo.

Os personagens simplesmente sumiram. Tudo bem o Cebolinha ter cabelo e não falar mais elado. Tudo bem o Cascão tomar banho. Mas o que me entristece é não ver mais aquele garoto sarcástico e genial, com seus planos infalíveis que eram sempre arruinados pelo amigo atrapalhado e com deliciosas falhas de caráter. Cebolinha e Cascão foram condenados à palidez da normalidade. A Magali, coitada. Agora dona de curvas voluptuosas, ela sempre foi o Aquaman da Turma, charmosa, mas meio deslocada. Tire dela o amor por melancias e o que sobra? Melancia nem engorda, poxa.

Mas quem mais sofreu foi a dona da rua. O carisma da Mônica estava no fato dela ser meio rabugenta, grossa e sentar a mão em quem pisasse no seu calo. Eu simplesmente não sei explicar quem é essa Mônica nova. Ela não parece mais a menina mais forte do mundo, mas apenas uma escrava da conveniência dos diálogos e insuportáveis clichês extraídos do que tem de pior nos mangás japoneses. Em meus sonhos mais desvairados eu nunca pensei que o futuro da Turma da Mônica era combater vilões do Japão feudal. Nunca imaginei ver dragões, robôs gigantes, vilões que atacam com ideogramas. A cada página que eles apareciam meu pesar aumentava. A revelação de que os pais da Turma são samurais japoneses (!!!) reencarnados (!!!!!) quase me levou às lágrimas.

Não era pra ter sido assim. Não era. O Louco não era para ser reduzido ao excêntrico professor da turma. O Capitão Feio - agora “Poeira Negra” (?) não devia ser o capacho de uma vilã japonesa, e, por Deus, como o Anjinho não devia ter virado “Céuboy”. Isso nem sequer é um nome!

As possibilidades eram infinitas. Poderíamos ter tido um Tintin brasileiro, um Anos Incríveis em quadrinhos, sei lá, qualquer coisa que retratasse com mais dignidade o futuro dessa Turminha tão amada, nessa fase tão difícil que é a adolescência. Sem as desnecessárias concessões aos mangás, dos quais a Turma nunca dependeu. Sem a insuportável mania de mostrar a adolescência como algo feliz e saltitante, porque não sei se você já percebeu, mas ela simplesmente não é isso! Adolescência é uma merda, tudo bem que é uma época de descobertas, mas precisava ser tudo de uma vez? De onde saiu esse monte de pêlos, em quem eu confio, o que eu sou, por que diabos eu faço tantas perguntas ao invés de simplesmente viver? É claro que adolescente é taxado de idiota, eles andam, se vestem e agem como idiotas porque estão gritando por dentro. São seres complexos e, por incrível que pareça, profundos. Não são, nem de longe, esse disparate sem cores e sem graça que da Turma da Mônica carrega só o nome e dela não é nem sombra.

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Prison Break - Nova imagem

Publicado em Agosto 14th, 2008 in Sem categoria, TV by Fábio Yabu

Ah, a quem eu estou querendo enganar? Eu acho que Prison Break deveria ter terminado na segunda temporada, acho que a terceira foi um show de vergonha alheia, mas como, me diga, COMO resistir sabendo que minha querida Sara Tancredi está de volta?


(Ela fez um boob job ou é só Photoshop mesmo??)

E tem mais! Ainda teremos T-BAG usando um POWER MUSTACHE!

Será que Teodoro vai ser o novo diretor de Sona? Eu aposto que sim!

Veja a imagem ampliada no Omelete

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Princesas do Mar no seu Claro!

Publicado em Agosto 13th, 2008 in Trabalhos by Fábio Yabu

Olha o jabá aí! Olha o jabá!!!!!!

Quer baixar papéis de parede e screensavers EXCRUSIVOS no seu Claro? Então envie a palavra PrincesasDoMar ou POLVINA para 250. Seu celular vai ficar muito mais bonito de lindo, e eu vou garantir o leitinho das crianças! Você também pode baixar no portal Claro Idéias.

High fives!!

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O juramento do Lanterna Verde

Publicado em Agosto 13th, 2008 in Livros e Gibis by Fábio Yabu

Green Lantern\'s Oath

Uma coisa que sempre me incomodou nos gibis brasileiros é algo que pouca gente reclama: a tradução. Os mangás então, nem se fala. Apenas um ou outro se salva. Na minha modesta opinião, traduções devem ser feitas por escritores, e não simplesmente, tradutores.

Enfim, não vou ficar aqui apontando as falhas alheias, até porque não tenho acompanhado quase nada que sai por aqui. Mas uma coisa que sempre me incomodou muito foi a tradução sem pé nem cabeça do juramento do meu herói favorito, o Lanterna Verde. A versão mais conhecida em língua inglesa, pra quem não conhece, é:

In brightest day
In blackest night
No evil shall escape my sight
Let those who worship evil’s might
Beware my power, Green Lantern’s Light

Em vídeo também é muito estáile:

Segundo a Wikipedia, a primeira versão do juramento em português foi publicada na revista Superamigos e vinha como:

“No dia mais claro
Na noite mais densa
O mal sucumbirá
Ante a minha presença

Da lanterna vem
o dom da paz
Para disseminar a luz
Que a justiça traz

Quem quer o mal
tudo perde
Ante ao poder
do Lanterna Verde”

Logo, o juramento foi condensado na seguinte forma, que foi a primeira que conheci, aos 9 ou 10 anos de idade:

No dia mais claro
Na noite mais densa
O mal sucumbirá ante à minha presença
Quem comete a maldade tudo perde
Frente aos poderes do Lanterna Verde

Noite mais densa?? Desde quando noite é “densa”? A palavra ainda perde a conotação das cores trazida na versão original, que opõe “brightest” a “blackest”, elementos que sempre foram utilizados nas histórias do personagem. “A noite mais negra” (Blackest Night) é o nome da próxima saga, onde aparecerão os Lanternas usando anéis “negros” - e não “densos”.

Só recentemente eu percebi que “tudo perde” deveria rimar com “Lanterna Verde”. Eu também não me lembro de ter visto o verbo “sucumbirá” em nenhum outro lugar. Soa muito mal, formal demais, né? Mas, como essa foi a primeira versão do juramento que conheci, até dou um desconto.

Recentemente, a Panini trouxe uma nova versão, talvez por algum conflito de direitos autorais com a Abril:

No dia mais claro
Na noite mais densa
Nenhum mal escapará ao meu olhar
Todo aquele que venera o mal há de penar
Quando o poder do Lanterna Verde enfrentar

Eu acho essa um pouco melhor, mas o “densa” continua me incomodando. “Há de penar” também acho bem feinho, parece “depenar”. Já vi o Lanterna Verde esmurrando seus inimigos com luvas de boxe e gatinhos gigantes, mas nunca o vi depenando ninguém.

Se adaptar as palavras para formar as rimas não parece uma boa solução, traduzir ao pé da letra também não é lá muito inteligente, como pudemos ver na versão do desenho da Liga da Justiça:

“No dia mais claro
Na noite mais escura
Nenhum mal escapará à minha visão

E aqueles que cultuam o mal
Temam o meu poder
A luz do Lanterna Verde!”

Traduzindo ao pé da letra, as rimas vão pra cucuia.

Enfim, foram anos à espera de uma tradução que capturasse a essência do juramento original, criado em por Alfred Bester nos anos de 1940. Como acho que não vai rolar, resolvi fazer a minha própria versão. Que é claro, não tem a menor intenção de substituir o juramento em mídia alguma, mas acho que foi um exercício legal de rima e métrica - algo bem importante para mim, já que devo lançar um novo livro de poesia em breve.

Criei uma tradução quase ao pé da letra, só que mais fiel ao original, respeitando sua métrica e rimas (ABBBB):

Na mais clara manhã
No mais escuro anoitecer
Nenhum mal escapará ao meu dever
O seguidor do mal deve temer
O Lanterna Verde e seu poder

E aí, o que você acha?

(Eu sei, esse foi o post mais nerd de todos os tempos. Mas eu PRECISAVA escrever isso, entende???)

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Zombie Harmony

Publicado em Agosto 8th, 2008 in Bobeirinhas by Fábio Yabu

Sempre quis sair com um(a) zumbi e não sabia como? Tente o ZombieHarmony, o primeiro site de encontros exclusivo para zumbis!! :D

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Fattoman

Publicado em Agosto 8th, 2008 in Amenidades by Fábio Yabu

Da série “Personagens meus que não dariam um bom livro infantil”.

Fiz na toalha de papel do restaurante, vai. :P

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Bonus Stage: Um Exterminador sem Futuro

Publicado em Agosto 1st, 2008 in Um maluco na Califórnia!, Viagem by Fábio Yabu

Uma das coisas que mais gosto nos países ricos é a sensação de segurança que se tem nas ruas. Assaltos são rarissimos, até porque tem câmera pra todo lado. Por isso, praças e espaços públicos são locais seguros e limpos, ao contrário de São Paulo.


Yerna Buena Gardens
Na tarde de quarta-feira, bateu aquele soninho depois do almoço e, como eu estava perto de Yerna Buena Garden, um jardim super bem cuidado entre o Metreon e o Museu de Arte Moderna, resolvi tirar uma pestana. Deitei na grama e relaxei nos braços de Abraham Lincoln quando fui acordado por gritos. Nem deu tempo de levantar, quando fui ver, eu já estava cercado por um monte de nativos que saíram de trás das árvores gritando palavras inconpreensíveis.

Todos vestiam verde e carregavam cartazes. Seriam eles a Tropa dos Lanternas Verdes? Infelizmente não tive tanta sorte. Eles eram parte da AFSCME, e resolveram protestar contra o Governator Schazenneger bem na hora que eu tava dormindo! Sacanagem!


Mas o lance ficou surreal quando começaram a gritar: “Terminate the Terminator!” (”Extermine o Exterminador”). Se liga no vídeo:

O Schaza, veja você, quer cortar os salários de trabalhadores da Califórnia e, se tem uma coisa que os americanos odeiam é que mexam no bolso deles. E não me admira que eles não estejam conseguindo nada, porque eles simplesmente não sabem protestar. Ao invés de berrar, fazer panelaço, queimar bonecos do T-800, eles ficam cantando e inventando gritos de guerra na hora. Sem sujeira, sem baderna, sem graça. Eles têm muito que aprender com nossos hermanos argentinos, esses são uns baderneiros campeões.

No final acabei ficando com pena deles e resolvi dar uma forcinha. Peguei um cartaz nas mãos e integrei o coro “Terminate the Terminator!”, “Shame on you, Arnold!” e o excelente “We will be baaaaack!”. Teve umas sistahs que até quiseram tirar foto comigo, olha só.

ONE UNION, ONE FIGHT!
ESTAMOS DE OLHO, ARNIE!!!

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Vol. 2, Ep. 02 - Fabio? Like the actor?

Publicado em Agosto 1st, 2008 in Um maluco na Califórnia!, Viagem by Fábio Yabu

Amanhã já pego meu vôo de volta, e San Francisco novamente vai deixar saudade, ainda que eu tenha conseguido ver mais coisas dessa vez. Vai ser uma viagem longa e cansativa: daqui volto para San Diego. De lá, vou pra Houston, onde fico 4 horas bundando. Depois, serão mais 10 horas de vôo até São Paulo. Pra passar o tempo, estou levando o livro novo do Amit Goswami, que relaciona física quântica com criatividade. Bem Sheldon (The Big Bang Theory) mesmo, falaí. Mas a diferença entre eu e ele é que eu preciso ler 4 ou 5 vezes a mesma página pra começar a entender alguma coisa. :/

San Francisco tem contrastes muito curiosos. Três bondinhos operam da mesma forma há mais de 100 anos, e dividem espaço nas ruas com SUVs gigantescas e seus motoristas pequeninos. Andar de bondinho é viajar no tempo. Eles são barulhentos e desconfortáveis, mas muito charmosos e em perfeito estado de conservação. São feitos de madeira e metal, e todos os seus textos são pintados cuidadosamente à mão. Ao final de cada curta viagem de 15 minutos, o operador posiciona o bonde em cima de um enorme disco de madeira giratório, desce e empurra pro lado oposto, pra poder voltar. Afinal, pra que inventar a marcha-ré se você pode girar um bonde com as próprias mãos?

San Francisco Cable Car
Bondinho de San Francisco


5 dólares pra ficar pendurado do lado de fora por 15 minutos!

Algumas ruas têm subidas cruéis, para as quais os bondinhos são uma mão na roda, enquanto outras são planas e equipadas com ciclovias. As leis californianas são rigorosas; atravessar fora da faixa dá multa e uso de maconha dá cadeia. Ainda assim, é possível encontrar gente puxando um baseado na rua, e pior, atravessando fora da faixa, veja você!

Lombard Street
Essa subida é estaile! Lombard Street

No pier de Embarcadero, velhinhos chineses (e mal humorados) pescam sossegados alheios à metrópole que os rodeia, sem falar uma única palavra de inglês. Ontem vi um brigando pra tirar um peixe enorme da água, ninguém conseguiu vê-lo mas, pela envergadura da vara e pelo tempo que levou para a linha arrebentar, devia ser um dos tubarões que povoam a baía de San Francisco. Bem feito pro velhinho, que começou a xingar todo mundo em chinês. Acho.

Sea Lion
Leões marinhos descansando sossegados em Fisherman’s Wharf

Market Street, San Francisco, CA, 94102
De um lado da Market St., peruas gastam dinheiro na Bloomingdale’s. Do outro, tiozinhos jogam xadrez.

Mas nem tudo é festa. Ainda que seja uma cidade muito segura, com câmeras e policiais para todo lado, San Francisco foi o lugar nos US and A com mais mendigos que conheci. Mas muitos MESMO, tipo em toda esquina tinha um ou dois. Muitos empurrando seus carrinhos de supermercado abarrotados de coisas. A Market Street, que tem as lojas mais chiques da cidade, tem muitos deles pedindo moedas em seus copos do Starbucks, alguns com cartazes engraçados como “Preciso de dinheiro para uma prostituta“.

My name is Fabio

É sempre assim: eu conheço um nativo, ele se apresenta, eu digo meu nome e ele fala: “Oh, Fabio? Like the actor?”. Yes, like the actor:


O outro Fabio

Eu, terrorista?

Mas eu não sou só confundido com atores cafonas. Como aqui em San Francisco venta pra diabo, um ventinho gelaaado, eu sempre andava na rua de capuz. Eis que entro numa loja, o segurança vem atrás de mim e pede pra eu tirar o capuz. Eu pergunto: “Por que?” e ele respondeu com todas as letras: “Porque com esse capuz você parece um terrorista”, e apontou para uma plaquinha na parede proibindo os clientes de usar capuz dentro da loja. Como vi que não era nada pessoal, concordei em tirar. Até porque, vai saber o que ia acontecer se eu não fizesse isso, né?

É estranho ver as novas atitudes que a paranóia anti-terrorismo tem trazido. Que diferença faz um capuz ou não se eu quisesse explodir uma loja? No aeroporto, além do incômodo de ter que tirar o sapatos para o raio-X, agora têm me pedido pra esvaziar os bolsos mesmo que não haja nada de metal neles. Em San Diego, pra tentar aliviar um pouco a tensão dos passageiros, alguns seguranças usam camisas floridas. Nos telões, um vídeo de como proceder no raio-x é exibido, com atores vestidos de coelhos e bonequinhos de Lego. Todos potenciais terroristas como eu.

(Update: estou no aeroporto de Houston agora, e o risco de ameaça terrorista foi aumentado de amarelo para laranja. Toda hora ficam anunciando no auto-falante e as telas de check-in ficam mostrando o tempo todo: CODE ORANGE - CODE ORANGE. Tô até com medo de digitar a palavra TERRORISMO e o Jack Bauer aparecer pra chutar a minha bunda.)

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