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Minha casa da madrinha

Publicado em Janeiro 28th, 2004 in Crônicas by Fábio Yabu

A Casa da Madrinha, de Lygia Bojunga Nunes é um livro que conheci tarde, quando muito do meu pensamento já havia sido atrasado e cristalizado pelo mundo em que vivemos e pela vida adulta que veio tão de repente.

Mas felizmente, ainda há algo em mim capaz de entender pelo menos uma parte dessa obra tão importante e complexa.

A história fala de um menino, Alexandre, e seu pavão, que partem em busca da casa da madrinha, um lugar mágico, onde todos os seus sonhos podem ser realizados. Não quero falar muito do livro, pois só mesmo lendo para entender.

Me perguntei como seria a minha casa da madrinha… como seria um lugar mágico de onde eu não precisaria sair nunca mais.

É uma casa, não muito grande, não. É maior em comprimento do que em largura, e tem quatro quartos, uma sala grande, uma cozinha e um quintal enorme, com uma parte coberta e uma descoberta. Nesse quintal, apelidado de “barracão”, tem bicicletas, alguns quartinhos para guardar tranqueiras e um onde ficam livros e gibis de todo tipo. É pequeno, mas lá cabe tudo o que já foi escrito e o que ainda não foi.

No barracão também tem uma árvore, alta e formosa, que dá frutas de todo tipo. É. É só subir e pegar. Bom pra dias em que você está indeciso sobre o que comer. Debaixo dessa árvore, fica a casinha do cachorro, que não tem nome. É um filhote de pastor alemão, lindo, que nunca cresce, nunca deixa de brincar e nunca fica doente.

Os quartos são confortáveis, com camas macias e quentinhas, perfeitas para aconchegar quem a gente ama e quer bem. Parece que é o seu coração que esquenta a cama, pro seu pai, pra sua mãe. É legal.

A cozinha é como qualquer outra, com fogão, panelas e tal. Os armários estão sempre cheios, você nunca precisa fazer supermercado.

Na sala, tem uma mesa grande, que não é muito usada, porque se come no sofá mesmo, a não ser quando tem visita. A mesa é mais usada por mim mesmo, para desenhar e escrever. Se bem que, quando estou a fim, pego o notebook e vou escrever no quarto, ou no barracão.

Mas o mais legal da minha casa da madrinha, é que, apesar de você nunca precisar sair de lá. de vez em quando você pode ir dar uma volta num ENORME campo com um lago que fica bem em frente à casa. Lá é um lugar lindo, ensolarado, onde bate um vento geladinho. Dá pra ler, brincar, correr, nadar, pescar. Dá pra fazer quem você ama feliz. Quando não tem ninguém na casa, estão todos lá. E vice versa.

Você sempre sabe que eles estarão lá. Sempre.

E todos os dias são felizes, na minha casa da madrinha.

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