Amizade
Esses dias vi duas obras que me fizeram pensar sobre o sentido da amizade. A primeira é “A Sort of Homecomming”, uma HQ independente lançada nos EUA, que fala sobre dois grandes amigos separados pela morte. A segunda é o filme “Histórias de cozinha”, sueco (ou norueguês?), que fala sobre um pacato personagem chamado Folke, contratado para ficar o dia inteiro observando um velhinho em sua cozinha (Isak).
Ambos são muito legais e extremamente recomendados. Bom, mas como disse, eles me fizeram pensar sobre a amizade, coisa de que falei poucas vezes aqui.
Quando eu tinha 15 anos e estava no colegial, fiz os melhores amigos que imaginava que teria em toda a vida. Era a “Galerinha Fera”, o nome mais ridículo que consegui imaginar pra falar daquele sentimento tão bonito e importante que ligava umas 10 ou 12 pessoas.
Eu achava que aquilo nunca iria acabar, “que a gente ia ser amigo para sempre”, como costumava dizer, mas não foi bem isso que aconteceu. A vida veio, chegou de sopetão, como uma tempestade, e o vento acabou soprando um pra cada lado. Raramente encontro algum dos amigos da Galerinha, mas sempre me recordo com carinho dessa que foi a melhor época da minha vida.
Com o tempo, as amizades vão mudando. Do pátio do meu prédio, onde fiz os primeiros amigos, ao pátio da escola, à bomboniere onde a Galerinha Fera se reunia, às mesas de bar, às salas de reunião. Tudo muda, rápido demais, inclusive a gente.
Os amigos vem e vão. Você acaba se esquecendo de alguns, mesmo que tenha feito 3 anos de colegial com eles ou 4 anos de faculdade, mesmo que tenha dormido na casa deles várias vezes, ou ido à praia fazer castelos na areia.
A amizade, geralmente, não é eterna. Acaba com o tempo e com a vida.
Mas eu sei que nunca acaba: aquela necessidade enorme de conhecer novas pessoas, fazer novos amigos, ver novos rostos, ouvir novas vozes, que vão chegar e ir embora em questão de segundos, mas cada um vai deixar um pouquinho em você, que vai te mudar um cadinho, mesmo que seja esquecido.
É claro que alguns amigos, poucos e bons, ficarão para sempre. Esses são os mais preciosos, e eu cuido muito bem dos meus para nunca perdê-los.
Eu sou muito grato à Deus por todos os bons amigos que tive, tenho e vou ter. Dizem que gente “do bem” se atrai, e o fato de encontrar tanta gente “do bem” me faz feliz e querer ser alguém cada vez melhor, pra ter cada vez mais amigos, mais galerinhas feras, mais… figurinhas no Orkut! ^_~
A gente se vê, meus amigos.



