Meu jeito de escrever
Não sou muito de seguir manuais, guias ou mesmo cursos. Mas costumo “ler o mapa mesmo que eu não vá seguí-lo”. Acho que o aprendizado, principalmente na minha área de atuação é algo muito pessoal, quase sublime. Por isso, não faça como eu se você quer construir pontes ou operar tiróide. Um livro muito bacana que estou devorando chama-se “Picture Writing: a new approach to writing for kids and teens”, sem em edição em português. Se tiver interesse de ler em inglês, procure na Amazon. O livro compara o processo criativo de diversos autores, e foi o que achei mais próximo do meu, que vou tentar elucidar um pouco aqui. Mas cuidado, a primeira regra para se alcançar a “inspiração” é justamente não buscá-la, a segunda é não se prender a fórmulas.Antes de começar a escrever qualquer coisa, eu fujo do papel ou do computador. Tento levar minha mente para outros lugares, sintonizar outras estações. Leio, medito, jogo videogame, vou ao cinema, vou caminhar, durmo. É como se eu estivesse me preparando para uma maratona para a qual meus músculos devem estar descansados.
Quando eu consigo fazer isso, pensar em outras coisas - ou então não pensar em nada - é que a brincadeira realmente começa. Por isso que eu sempre digo, não adianta ficar procurando um estalo mágico ou algo do gênero. Esse estalo mágico, a inspiração propriamente dita na verdade começou lá atrás, quando eu não estava muito preocupado com nada disso.
É como a história em que Isaac Newton descobriu a gravidade. Ele estava sentado ao pé de uma macieira quando uma maçã caiu em sua cabeça, o que o fez concluir que ela havia sido puxado pela força gravitacional. Mas não é que a maçã fez com que ele tivesse feito a descoberta, ela apenas serviu como estopim para todo o conhecimento prévio, estudos e teorias que ele já tinha anteriormente. Nesse caso, a maçã é a tal da misteriosa inspiração. Como vêem, uma coisa não funciona sem a outra.
Bom, no meu caso, as idéias começam a surgir na minha cabeça através de conceitos, formas, antes de virar palavras. Quando as palavras vêm, muitas vezes já aparecem parágrafos inteiros, ou mesmo posts no blog. Eu só chego no computador e digito tal qual está na minha cabeça. Como o corredor, que antes de entrar na pista, já a percorreu centenas de vezes mentalmente.
Então, começo a passar as coisas para o papel ou para o computador. Ao escrever um pouco, páro e volto ao estágio inicial. E esse processo de escreve - para - escreve - para se repete várias vezes até que o trabalho esteja pronto. Às vezes, estou MUITO inspirado, e vejo que tenho gás para escrever 10, 20 páginas. Mas quando isso acontece, escrevo 5 ou 8 e então paro novamente. Meio que pra não “quebrar o encanto”.
Uma pessoa que faz algo parecido é meu amigo Marcelo Duarte, do Guia dos Curiosos. Ele me disse que muitas vezes deixa o texto “dormir” por três dias. E é assim mesmo que funciona.
Escrever é uma atividade atemporal, na qual você usa o lado direito do cérebro, também atemporal. Escrever um livro pode levar anos. Nada mais justo, já que bons textos são lidos e lembrados por décadas, ou séculos.
Bom, já estou me preparando para o meu próximo livro. Adivinha o que vou fazer agora? Qualquer coisa, menos escrever. ^_~
Menina dos olhos

O que esperar de uma comédia romântica cujo cartaz de divulgação mostra o canastrão Ben Affleck estampando um sorriso maroto no rosto enquanto encara uma menininha simpática?
Menina dos olhos (Jersey Girl, 2004) é o filme em que o nerd Kevin Smith resolve deixar seus gibis de lado e contar uma história sobre gente comum, esquecendo os tipos estranhos presentes em seus filmes anteriores. O resultado não poderia ser outro: um filme comum. O que não quer dizer que ele seja ruim. Pelo contrário, ao deixar a nerdice de lado, Smith consegue contar uma história simples e honesta. Previsível, é verdade, mas divertida e, em certos pontos, até comovente.
Ollie Trinkle (Ben Affleck) é um bem sucedido relações públicas de uma grande gravadora, que se apaixona por Getrude Steiney (Jennifer Lopez). Mas, de repente, ele é atingido por uma maré de azar e vai parar no fundo do poço, sem emprego, sem casa e com uma filha nos braços para criar. Ajudado por seu pai Bart (George Carlin), ele tem que se ajustar à sua nova realidade e cuidar da pequena Gertie (Raquel Castro, incrivelmente parecida com Lopez). No caminho, eles conhecem Maya (Liv Tyler), candidata a nova namorada de Ollie e porta-voz das piadinhas sobre masturbação presentes em todos os filmes do diretor.
Como em todo filme de Kevin Smith, o destaque fica para os diálogos, sempre bem escritos. Desta vez, até há algumas referências ao seu habitual nerdismo, mas as falas são mais profundas e sinceras, sem pieguices. As atuações estão dentro da média, incluindo o fraco Affleck, que desde Gênio Indomável vem repetindo o mesmo papel.
Não se assuste também com a aparição quase relâmpago de Jennifer Lopez: após o fiasco Contato de Risco (Gigli, 2003), em que ela contracena com Ben Affleck, e todos os “casa-não casa” com o ex-noivo, os produtores resolveram apagar ao máximo a sua imagem do filme, inclusive cortando cenas. Nem o material de divulgação escapou: só quem está acostumado a ler as letrinhas miúdas consegue encontrar o nome da atriz no pôster do filme!
Menina dos olhos é um filme seguro, sem grandes reviravoltas, genialidade ou mesmo inteligência. Todos os clichês de dramas/comédias envolvendo pais e filhos estão lá: a dificuldade de pai e filha se entenderem, a saudade da esposa/mãe, a discussão familiar inflada, a apresentação escolar da filha versus o compromisso profissional do pai. Recursos simples, já utilizados até em comerciais de TV, mas que nas mãos de alguém minimamente competente costumam funcionar. E esse é o caso de Kevin Smith, que pode ser nerd mas de bobo não tem nada.
Menina dos olhos
Jersey Girl
EUA, 2004 - 102 min.
Comédia romântica
Direção e roteiro: Kevin Smith
Elenco: Ben Affleck, Raquel Castro, Liv Tyler, Jennifer Lopez, George Carlin, Betty Aberlin, Matt McFarland, Sarah Stafford, Paul Litowsky
Osamu Tesuka - Uma biografia mangá
Sem clichês, poxa vida. Não é um livro sobre mangá, nem animes, nem cultura pop japonesa ou qualquer uma dessas tralhas inúteis.
É um livro sobre paixão, sobre a vida, e como ela passa rápido diante dos nossos olhos. Doz zero aos sessenta, um pulinho.
Ao ler a publicação da Conrad, você vê uma vida passando diante de seus olhos. É como sentar numa máquina do tempo e ver o nascimento de um menino magrinho, descabelado, apaixonado por insetos e por desenhos, que sobrevive a um Japão em guerra, a uma doença grave que quase lhe tomou os dois braços, se forma médico e se torna um dos quadrinhistas mais influentes de todos os tempos. Tudo isso movido a uma paixão sobre-humana, pela arte, pela vida e sentimentos humanos. Algo muito difícil de se ver hoje em dia, principalmente no mercado que Osamu Tesuka praticamente criou sozinho.
O que Osamu Tesuka fazia era arte, era expressão e determinação humanas em seu sentido mais profundo.
Às vezes me perguntam se tenho bronca desse ou daquele anime. Não é isso. Não sou puritano. Mas, se eu ler 10 mangás, eu quero que pelo menos 8 tenham algum significado na minha vida. Senão, qual é o sentido? Pra que eu vou ler se daqui a uma semana já esqueci tudo, se quando eu acordar amanhã de manhã não vou me lembrar do que li e resolver fazer algo de bom com aquilo?
Eu tenho muita pena dessas pessoas que vivem e sonham com aquele monte de mangás irrelevantes e vazios, que carregam uma mochila entupida de papel preto e branco e um cérebro carente de idéias e sonhos. Tenho certeza que Osamu Tezuka acha o mesmo lá de onde ele está.
Pra essas pessoas, eu recomendo fortemente a biografia do Mestre. E uma visita ao terapeuta também.
O melhor jogo sobre o nada
Meu, Spider-Man 2 é simplesmente o melhor jogo sobre o nada, o Seinfeld dos videogames!
O gráfico é tosco para a geração 128 bit. Os desafios são bem facinhos, a história é bestinha mas… cara!
É bom demais!! O melhor do jogo é não fazer NADA!
Só ficar numa boa, pulando de prédio em prédio, andando por cada rua da impressionante cidade de Nova York reconstruída digitalmente, com todas as suas ruas, avenidas e pontos turísticos. Subir o Empire State, se jogar lá de cima só pra ter o gostinho de, no último segundo, soltar uma teia e continuar deslizando por entre os prédios…
Eu levei horas para encontrar alguns lugares como o Central Park (que é enorme!!) e o MOMA - Museum of Modern Art. É impressionante, a cidade inteira está no jogo!
E sabe o que é o mais legal?
Passar por aqueles pedestres desesperados, gritando “HOMEM-ARANHA, HOMEM-ARANHA, ME AJUDE HOMEM-ARANHA!!”, lembrar dos saudosos Sobrinhos do Ataíde e soltar um sonoro “NHÉUM!”
Bwhahahaahha!




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