Meu jeito de escrever - YabloG!

Meu jeito de escrever

outubro 28th, 2004 | Por Fábio Yabu em Crônicas

Não sou muito de seguir manuais, guias ou mesmo cursos. Mas costumo “ler o mapa mesmo que eu não vá seguí-lo”. Acho que o aprendizado, principalmente na minha área de atuação é algo muito pessoal, quase sublime. Por isso, não faça como eu se você quer construir pontes ou operar tiróide. Um livro muito bacana que estou devorando chama-se “Picture Writing: a new approach to writing for kids and teens”, sem em edição em português. Se tiver interesse de ler em inglês, procure na Amazon. O livro compara o processo criativo de diversos autores, e foi o que achei mais próximo do meu, que vou tentar elucidar um pouco aqui. Mas cuidado, a primeira regra para se alcançar a “inspiração” é justamente não buscá-la, a segunda é não se prender a fórmulas.Antes de começar a escrever qualquer coisa, eu fujo do papel ou do computador. Tento levar minha mente para outros lugares, sintonizar outras estações. Leio, medito, jogo videogame, vou ao cinema, vou caminhar, durmo. É como se eu estivesse me preparando para uma maratona para a qual meus músculos devem estar descansados.

Quando eu consigo fazer isso, pensar em outras coisas – ou então não pensar em nada – é que a brincadeira realmente começa. Por isso que eu sempre digo, não adianta ficar procurando um estalo mágico ou algo do gênero. Esse estalo mágico, a inspiração propriamente dita na verdade começou lá atrás, quando eu não estava muito preocupado com nada disso.

É como a história em que Isaac Newton descobriu a gravidade. Ele estava sentado ao pé de uma macieira quando uma maçã caiu em sua cabeça, o que o fez concluir que ela havia sido puxado pela força gravitacional. Mas não é que a maçã fez com que ele tivesse feito a descoberta, ela apenas serviu como estopim para todo o conhecimento prévio, estudos e teorias que ele já tinha anteriormente. Nesse caso, a maçã é a tal da misteriosa inspiração. Como vêem, uma coisa não funciona sem a outra.

Bom, no meu caso, as idéias começam a surgir na minha cabeça através de conceitos, formas, antes de virar palavras. Quando as palavras vêm, muitas vezes já aparecem parágrafos inteiros, ou mesmo posts no blog. Eu só chego no computador e digito tal qual está na minha cabeça. Como o corredor, que antes de entrar na pista, já a percorreu centenas de vezes mentalmente.

Então, começo a passar as coisas para o papel ou para o computador. Ao escrever um pouco, páro e volto ao estágio inicial. E esse processo de escreve – para – escreve – para se repete várias vezes até que o trabalho esteja pronto. Às vezes, estou MUITO inspirado, e vejo que tenho gás para escrever 10, 20 páginas. Mas quando isso acontece, escrevo 5 ou 8 e então paro novamente. Meio que pra não “quebrar o encanto”.

Uma pessoa que faz algo parecido é meu amigo Marcelo Duarte, do Guia dos Curiosos. Ele me disse que muitas vezes deixa o texto “dormir” por três dias. E é assim mesmo que funciona.

Escrever é uma atividade atemporal, na qual você usa o lado direito do cérebro, também atemporal. Escrever um livro pode levar anos. Nada mais justo, já que bons textos são lidos e lembrados por décadas, ou séculos.

Bom, já estou me preparando para o meu próximo livro. Adivinha o que vou fazer agora? Qualquer coisa, menos escrever. ^_~

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