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Vizinhos

Publicado em Janeiro 31st, 2005 in Amenidades by Fábio Yabu

A humanidade em geral, me assusta. Se tem 46 cromossomos, já é motivo pra eu olhar torto. Agora, tem um tipo específico de ser humano que me assusta mais que a menininha de “O Chamado”. São os vizinhos.

Já reparou? Tem coisa mais assustadora que vizinho? Você olha pela janela, vê aquele tiozão sem camisa, sentado no sofá vendo o Jornal Nacional. Brrrr! E no elevador, então? Você entra, fala “bom dia!” e as pessoas respondem com aquele olhar esquisito. Se for o tiozão então, eu nem entro, vou de escada.

E quando o vizinho te liga? Cara, meu condomínio tem exatos 288 apartamentos. Interligados por um sistema de ramal. Para falar com a portaria, o zelador, ou o vizinho, basta discar o número do prédio seguido do número do apartamento.

Toda vez que o ramal toca eu me escondo. Só pode ser vizinho! Eles me acharam!!

Quando vizinho te liga, nunca pode ser coisa boa. Ou é pra vender doces de Minas, ou é pra vender Natura, ou é pra chamar pra reunião de condomínio ou então pra brigar.

Certa vez, um vizinho pediu para o segurança me avisar que o táxi que eu tinha pego bateu no carro dele. Dado o recado, usei o ramal para ligar pro sujeito e dizer: “Será que eu posso ir aí no seu apartamento?” e tudo o que eu queria era obviamente me desculpar.

- “Peraí! Pera aí embaixo que nós vamos conversar! Lá na portaria! Tô descendo!!”

Ai, meu Deus. Daí o cara desce, eu desço também, vamos até a portaria, felizmente cercada de seguranças. Daí o cara começa:

- Porque isso foi um absurdo! O táxi bateu no meu carro, e agora? As câmeras filmaram tudo, pode ver!! Mostra pra ele! Mostra! - apontando pro guardinha na guarita.

- Tá bom, tá bom, não precisa mostrar nada, eu acredito em você. Me fala em quanto vai ficar o conserto.

- Você não tá entendendo!! O carro BALANÇOU com o impacto! Tá tudo gravado!

- Tá bom, não faz mal, me fala quanto foi. Aceita cheque?

- Porque eu moro aqui faz sete anos e tô saindo mês que vem!! Não quero arrumar confusão agora, mas isso foi um absurdo, o condomínio proíbe entrar de táxi e…

E o cara falou, falou, falou. Fiquei até sabendo qual era a velocidade da câmera, de onde ele vinha, pra onde ele ia. E tudo o que eu queria era fazer a porcaria do cheque e subir…

Humanos. Humpf.

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Eu contra os filmes

Publicado em Janeiro 28th, 2005 in Filmes by Fábio Yabu

Tem gente que diz que eu sou chato com filmes, que só sei falar mal. Mas não é isso, em absoluto. Meu problema é com filmes que seguem obsessivamente os tais “três atos”, introdução, conflito e resolução, “gravadas em placas de bronze por Syd Field” (Manual de Roteiro, da Fic, lançado pela Conrad ano passado).

É sempre a mesma coisa, geométrica, milimetrica e entediantemente chata! Nos primeiros 20 minutos, temos o primeiro ato, onde somos apresentados ao personagem principal e seu problema. Junto com o problema temos a tal “sacadinha número 1″. Depois, temos o segundo ato, com talvez uma “sacadinha número 2″ e o personagem partindo para o seu desafio. Depois, temos a resolução, onde o personagem se lembra das “sacadinhas” número 1 e 2, e consegue matar o filme, para o deleite da platéia e desespero da minha parte.

O que eu quero dizer é: por que raios nos últimos momentos do filme o personagem principal tem que se lembrar daquilo que alguém falou pra ele nos primeiros 20 minutos, ou perceber que o vilão tem o mesmo cagüete do seu amigo gago de infância, convenientemente escondido lá no começo da história? Pra quê? Pra você falar “Ahhhh”? Eu não. Eu digo “Méeee”.

É chato. Massante. Não te desafia, não te leva para nenhum lugar novo. Pode analisar, a grande maioria dos filmes é assim. Nem todos são ruins, confesso, como “O Exterminador do Futuro 2″ e “Os 12 macacos”. Mas acontece que esse modelo já deu o que tinha que dar. Hoje em dia não rola assistir a “Piratas do Caribe”, “Demolidor”, “Minority Report”, “Eu, Robô” e tantos outros que só procuram seguir a regrinha sagrada e pronto. Temos um filme ruinzinho, mas que ainda surpreende um ou outro gato pingado.

Por isso prefiro filmes que não seguem essa regra, e por isso mesmo são mais soltos, espontâneos, naturais, honestos. Veja por exemplo o filme da minha vida, “Encontros e desencontros”. Qual é o “desafio dramático” do personagem principal? Aliás, quem é o personagem principal? Cadê as sacadinhas número 1 e 2? Não tem nada disso, e o filme é mágico. Ou então, “Amnésia”, aquela doideira alucinante e muito louca. “O Clube da Luta”, “O Agente da Estação”, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança”, “Pulp Fiction”, “Cidade de Deus”, e tantas outras obras-primas que jogam no lixo a tal fórmulazinha mágica. Mesmo “Homem-Aranha 2″, é genial justamente porque é ousado, não é preso a tantas convenções, o Homem-Aranha só sai na porrada com o Dr. Octopus depois da metade do filme, o filme é lento, não é só porrada, e flui que é uma beleza. Tem é claro uma “sacadinha” ou outra, mas usadas adequadamente para contar a história, não pra arrancar um “Ahhhh” sonolento da platéia.

Aliás, sonolento tô eu. Boa noite, crianças.

Tau!

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Filmes

Publicado em Janeiro 21st, 2005 in Filmes by Fábio Yabu

Nos últimos dias dei uma surtada e vi um monte de filmes, alguns que já deveria ter visto, outros que acho que não precisava ter me dado ao trabalho. Vamos lá, alguns rápidos comentários a respeito deles:

Meu tio matou um cara
Filmes sobre adolescentes geralmente são com os jovens fazendo reflexões improváveis e bem colocadas sobre a vida, ou então falando de sexo e peidos. “Meu tio matou um cara” não se encaixa em nenhuma dessas categorias, aliás, não se encaixa em nada: você não sabe se é uma comédia, se é um filme romântico ou policial. Achei fraco, bem fraco. Atuações ruinzinhas, diálogos repetidos e sem graça e uma trama bem bestinha. Espere sair em DVD…

Uma noite alucinante (Evil Dead 2 - Dead by dawn)
Finalmente me redimi de um grande erro: nunca ter assistido Evil Dead. Sangue jorrando pra tudo quando é lado e muito humor negro justificam a fama desse filme como um dos maiores clássicos dos filmes de horror de todos os tempos. Fabuloso!

Um drink no inferno (From dusk till dawn)
Tudo bem, eu já assisti a esse filme umas 30 vezes e acredito que saiba todos os diálogos de cabeça. Mas é sempre bom compartilhar essa alegria com os amigos, e essa semana assisti novamente em DVD com meu querido amigo Alexandre. Ambos acabamos concordando que o primeiro filme de Quentin Tarantino é “Pulp Fiction”, e o segundo, “Um drink no inferno”. Bem mais legal que Kill Bill, tá?

O chamado (The Ring)
De novo? É, de novo! Me deu vontade de ver filmes de terror e mandei ver logo nesse que é um dos melhores dos últimos anos. Vi pela terceira vez, e o filme continua assustador e fascinante. Só espero que a continuação faça jus ao primeiro. Cara, eu me lembro das pessoas berrando de medo no cinema nos últimos minutos do filme. Berrando mesmo, de pavor. Quando vi pela primeira vez, fiquei quase uma semana com aquela maldita menina na cabeça. Eu tinha medo de olhar para as janelas, os espelhos e ver a danada lá! Maior legal!!! Seven days!

Antes do amanhecer/Antes do pôr-do-sol (Before Sunrise/Before Sunset)
E o melhor ficou por último. Assisti na mesma semana “Antes do amanhecer” e “Antes do pôr-do-sol”, para poder aproveitar ao máximo a história de Jesse e Celine, dois estranhos que se conhecem num trem na Europa e descobrem que têm muitas coisas em comum. O encontro muda a vida dos dois para sempre. Tudo é um grande diálogo entre eles. Imagina, ficar olhando pra um cara e uma moça falando sem parar durante quase duas horas e depois uma hora e meia?

E é maravilhoso. Os filmes passam voando, e quando termina você anseia por muito mais. Mais uma prova de que o cinema (e a vida) não são feitos de fórmulas prontas, roteiros manjados, pontos de virada, atos, sacadinhas. Viva a espontaneidade e a sinceridade!

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Meu primeiro livro

Publicado em Janeiro 21st, 2005 in Amenidades by Fábio Yabu

Antes de escrever o livro das Princesas do Mar, eu já havia escrito um livro. Foi no final do terceiro colegial, junto com meu amigo Fabiano. Relatamos secretamente tudo o que havia acontecido durante aquele mágico ano de 1996. No final do ano, entregamos uma cópia para cada um da nossa turma, nossa “Galerinha Fera”.

Após nos despedirmos na praia, com um monte de sonhos na cabeça e já marcando o próximo encontro, voltei para casa com um enorme sentimento de perda. Guardei o livro junto com meus gibis velhos e nunca mais o toquei.

E ele está lá, até hoje, guardado em Santos. Esse fim de semana voltei pra lá e resolvi dar uma arrumada no armário, quando o encontrei. Bastou uma página, um “Yabu, Feliz 97!” para que eu fechasse o livro rapidamente e guardasse bem no fundo do armário.

Não dá. Algumas memórias têm que ser guardadas para sempre e lembradas vagamente. Tem coisas que não podem ser reconstruídas. Ler novamente aquelas páginas, tão ricas em detalhes, tão descritivas e passionais vai trazer cores, sons e cheiros a memórias que já são suficientemente dolorosas nos tons suaves que pintei em minha mente.

Ano que vem vai fazer 10 anos. Ouch. Isso dói.

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Escola

Publicado em Janeiro 15th, 2005 in Crônicas by Fábio Yabu

Eu confesso. Nove anos depois de concluir o colegial, eu admito publicamente: eu sempre fui um péssimo aluno.

Mesmo que na primeira série tenha sido o aluno do ano. Mesmo que na segunda eu não tenha tirado uma única nota que não fosse “A” em todas as provas, de todos os bimestres. Mesmo que eu tenha ganhado inúmeros concursos de desenho e redação, esse monte de baboseira que ensina a competir ao invés de cooperar. Mesmo que eu tenha ganhado bolsas de estudo por meu desempenho em inglês. Mesmo que eu tenha passado em primeiro lugar num “vestibulinho”, mesmo que eu tenha dormido numa das cinco provas de vestibular que prestei e passado em todas. Minhas notas nunca eram diferentes de A a B ou 8 a 10. A primeira nota vermelha veio por pura farra no segundo colegial. Apenas para saber como era. Quando eu vi que não doía, mandei ver e meu boletim começou a gangrenar. Mas era só eu mexer um dedinho e pimba, literalmente tudo ficava azul e eu passava de ano direto, pronto para fazer tudo de novo no ano seguinte…

Eu sempre ia bem em tudo e sempre fui um péssimo aluno (na minha concepção, é claro, os professores me adoravam) porque a escola nunca foi um desafio para mim. Sempre levei a escola com a barriga, mesmo que ela só tenha aparecido aos 19 anos. Abria o caderno meia hora antes da prova e já bastava para tirar um 8, 9. Dez talvez, mas daí teria que ser duas ou três horas antes. Tinha dia que eu nem levava caderno pra aula. Pra quê, gastar papel? Eu já sabia as regras do jogo, a escola queria de mim um 10 e eu seria deixado em paz, para desenhar, ouvir música no walkman, ler gibis, conversar e jogar tarot no recreio. Eu dava pra ela o 10 que ela queria, eu eu tinha todas as mordomias que os “bons” alunos tinham. Eu era praticamente um deputado, um marajá, mamando nas tetas do governo e da diretora (que nojo!).

Por isso que eu acho que a escola não deu certo para mim. Acho que Escola não tem que ser massante, repressora, controladora, negociadora. Tem que desafiar, conquistar, mostrar caminhos ao invés de dogmas. Não tem que ensinar a ser “competitivo”, nem “preparar para o mundo de hoje”. Deus me livre colocar o meu filho numa escola que prepara ele pra um mundinho que nem esse. Eu quero que ele seja “cooperativo” e “mude a zona que está lá fora, urgente, antes que eu me mude para Birigui”.

Os melhores professores que eu já tive na vida eram aqueles que saíam de trás da mesa e sentavam junto com os alunos. No mesmo nível, de igual para igual, como todo ser humano deveria ser. Pena que tive poucos.

Eu tive um professor na faculdade que dava nota 10 para todo mundo da sala e presença em todas as aulas. O que ele pedia em troca? Que quem não estivesse a fim da aula se levantasse e saísse. Essa é uma das atitudes mais sensatas que já vi em um professor, num mestre. Porque é claro, quem ia para a faculdade para fumar, beber e zonear, levantava na hora. Só ficava quem realmente queria aprender, eu incluso, com mais quatro ou cinco pessoas… de 30.

Quer mais uma prova de que eu sempre fui um péssimo aluno? Minhas professoras sempre disseram que eu era bom em redação. Só não percebiam que eu dava uma maqueada no final, que eu sempre colocava uma gracinha ou algo besta só pra não perceberem que eu não sabia como terminar o texto. Eu as chantageava com uma gracinha. Trocava, na cara dura, um 10 por uma risadinha.

E continuo fazendo isso, até hoje.

Viu?

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Para denunciar os males da verdade e do amor!

Publicado em Janeiro 14th, 2005 in Crônicas by Fábio Yabu

Bom, já perdi as contas de quantas maldades já fiz desde que virei supervilão. Já acabei com os Superamigos, as Meninas Superpoderosas e agora adiciono mais um objetivo à minha listinha de atrocidades: vou capturar o Pikachu.

Para isso, me alistei à Equipe Rocket, e, como meus colegas Jesse e James, vou denunciar os grandes males da “verdade” e do amor.

Para começar, “verdade” deveria sempre ser escrita entre aspas. Não existe “verdade”, muito menos absoluta. Quem disser que está dizendo uma “verdade” incontestável, certamente está mentindo, mesmo que muitas vezes não saiba disso.

Antigamente, a verdade era que a Terra era plana. Que, se você navegasse num navio em linha reta por muito tempo, cairia num abismo cedo ou tarde. E era incontestável, porque afinal, fazia sentido. E o mundo era um lugar mais seguro. Foi só descobrirem que a Terra era redonda que deu no que deu.

Newton achava que o tempo era uma linha reta, que corria em paralelo com o espaço. E comprovou por A+B, e funcionou. Virou uma verdade. Foi só chegar o Einstein e pronto, o espaço-tempo virou uma coisa só, curva. A prova? Mais cálculos. E mais verdades. Ele por sua vez achava que “Deus não joga dados com o Universo”. E não é que o Stephen Hawking comprovou que ele joga?

Aliás, sobre Deus dizem muitas outras verdades metafísicas. Cada povo tem a sua, basta escolher, pôr na sacola e levar. Alguém está errado? Acho que não. Até os ateus tem sua dose de verdades.

A verdade são apenas palavras sem valor que lhe são ditas. A única maneira de experimentar a verdade, ou pelo menos chegar razoavelmente perto dela, é descobrindo-a por si só, sem palavras. Do contrário, alguém pode (e vai) desmentí-la, cedo ou tarde.

Você não encontra Deus numa igreja, numa bíblia. Encontra indícios dele, pistas soltas, às vezes sem valor. Mas procure dentro de si. Experimente a verdade por si mesmo e você verá o quanto as palavras são inúteis e desajeitadas.

O zen, por exemplo. Ninguém pode explicar o que é o zen, o que é meditação. Já está dentro de você. Tudo o que for dito serão mentiras, porque o zen é o nada mais puro e mais pessoal que uma pessoa pode experimentar.

Escola? Valha-me Deus, ninguém ensina nada em escolas, principalmente aqueles professores demasiadamente presos em “verdades”, provas, chamada oral. Uma prova não prova nada, apenas que você estudou feito um louco no dia anterior e acertou um punhado de questões sobre a tabela periódica numa folha de papel. Agora me diga, qual é a divisão nuclear do carbono? O que fez José Bonifácio, mesmo? Que eu saiba era o nome do meu vizinho em Santos… verdade, ou não?

Nem o nascer do Sol escapa. Eu poderia dizer um monte de coisas sobre o nascer do Sol, que tanto gosto de olhar. Que as nuvens ficam roxas depois vermelhas, que as cores à minha volta ficam mais vibrantes, que o ar é geladinho mas vai esquentando devagar, que ao lado de quem você ama tudo fica mais colorido e o sol brilha ainda mais. Bonito? Talvez. Verdade? De jeito nenhum. Tenho certeza de que se você ver o Sol nascer, dependendo do dia, da hora, do humor, terá uma leitura totalmente diferente e, digamos, verdadeira.

Briga de namorado. “Ah, você sempre acha que está certo(a)!” e vice-versa. Um lado acha que o outro acha que é dono da verdade, quando os dois têm sua porção de culpa, de verdade, de mentiras. Engraçado que quando as pessoas percebem isso os relacionamentos ficam ou melhores ou piores. Deve ser a tal da verdade, que faz com que a pessoa pare de imaginar ou julgar o que a outra está pensando.

E o dinheiro? É uma das maiores mentiras já criadas pelo homem. Quer ver? Tire mil reais da poupança e deixe na gaveta. Daqui a 5 anos, quanto você vai ter lá dentro? Mil reais, certo? Errado! Alguém inventou uma “verdade” chamada juros, que “come” seu dinheiro, por mais que as notas tenham ficado guardadas bonitinhas dentro da gaveta. Intactas.

Juros, tempo (ou a falta dele), pressa, stress, mentiras, poesia, religião… tudo são pequenas “verdades” criadas pelo homem. Até o amor, que sempre foi avacalhado pelos poetas, românticos e pela Legião Urbana.

Não que o amor não exista. Aliás, eu acho que sou um dos poucos entusiastas a respeito dele. E se você também é, há de convir que o amor verdadeiro não precisa e nem exige palavras, poesias, provas. É como o amor de mãe. Minha mãe nunca me escreveu uma carta de amor, e confesso que seria meio estranho se ela o fizesse. E não há palavra que expresse o sentimento sagrado que nos une. Talvez “porescapricitosetildatitimentesca”, mas essa não vale porque eu acabei de inventar.

Mais um motivo para tomar cuidado com as palavras, tão traiçoeiras. Dizer e ouvir que se ama alguém é deveras perigoso. É muito mais seguro e sensato não se preocupar muito com elas e sim com a ação.

Então, quando o assunto for verdade ou amor, fique sempre com um pé atrás. No caso desse texto, com os dois. Não acredite em verdades, em extremos, em convenções, em estatísticas, tabelinhas, infográficos, nada disso. É melhor ficar quieto e descobrir essas coisas, tão importantes, por si só. Olhando, procurando, sentindo, respirando, vivendo.

Enquanto isso, vou atrás do Pikachu.

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O Pequeno Príncipe

Publicado em Janeiro 11th, 2005 in Livros e Gibis by Fábio Yabu

Sabe quando você sabe que um livro é bom? Quando depois de lê-lo você começa a associar com tudo que está à sua volta.

Um dos livros que têm esse poder fenomenal é o Pequeno Príncipe, que certamente você já leu, do contrário eu já teria apertado um botãozinho escondido na minha cadeira e te mandado pro meu calabouço, com direito a um som engraçado e risadas forçadas ao fundo.

É um livro mágico, assustadoramente simples e transformador. Alegre e triste, muito triste. Ele te abre os olhos e faz ver que as pessoas não podem reconhecer o desenho número 1, porque foram corrompidas e diminuídas pela sociedade. Porque deixaram de ser pessoas e se tornaram empregos, deixaram de ver o próximo e passaram a ver só roupas. Por isso faço questão de usar camisetas surradas e calças amassadas na maior parte do tempo. Escandalizei algumas pessoas muito queridas no último Ano Novo, ao aparecer com uma velha camisa branca da Hering. Ficaram tão preocupadas com o que eu vestia que quase esqueceram de comemorar. E é lógico, isso só serviu pra eu fazer ainda mais birra e continuar esculhambado. Oras.

Não que eu ande “maloqueiro” o tempo todo. Bom, na verdade eu ando. Mas e daí? Eu não sou o que visto. As roupas não fazem o homem, e se o porteiro do meu prédio quiser continuar achando que eu sou o “rapaz da informática”, fazer o quê?

As associações com o livro vão muito mais longe. Basta olhar à sua volta e ver que o mundo está cheio de bêbados, reis, homens de negócios. Cada um preso a um planetinha minúsculo. Às vezes eu me assusto quando vejo gente da minha idade, que cresceu e estudou comigo, mas que morreu, lá atrás e hoje é um corpo inerte numa baia de escritório. É difícil lidar com isso.

Mas não cabe a mim julgar ninguém. Cada um faz de sua vida o que acha que é certo. Eu vou sair por aí procurando o Pequeno Príncipe. Dizem que ele mora no fundo do mar. Talvez a Polvina o conheça, da próxima vez que eu encontrá-la vou perguntar.

Apenas um último comentário: pra mim, “O Clube da Luta” é o Pequeno Príncipe para adultos. Não acha? ^_~

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Ser roteirista/escritor

Publicado em Janeiro 9th, 2005 in Crônicas by Fábio Yabu

Eu queria ser matemático.

Seria bem mais fácil. O problema de ser escritor é que você fica o dia inteiro pensando numa história. Brincando com seus próprios sentimentos e frustrações, escondendo seu amor e sua dor nas suas palavras, numa terapia estranha e pra lá de dolorosa.

Não é fácil escrever, principalmente se você faz isso com o coração. Quantas vezes eu já fui o Fox, a Lisa, o Ken, e repetia para mim mesmo que as coisas tinham sim, que dar certo no final. Quantas histórias de dor foram disfarçadas de situações engraçadas envolvendo os Combo Rangers e agora, as Princesas do Mar.

Escrever é como uma doença. Aquilo começa pequeno, depois vai se espalhando. Pelo seu corpo, pela sua casa, pela sua vida.

Estou de saco cheio de me pegar na desagradável situação de estar roteirizando a minha própria vida… geralmente, sem um motivo aparente, sem um ganho real, motivado apenas pela estúpida força do hábito. Soltando frases de efeito, discutindo com palavras que não são minhas, fazendo conscientemente com que conversas evoluam para um sorriso e então um abraço apertado, ao som de uma baladinha adolescente.

É por isso que eu queria ser matemático. Ao invés de frases de efeito, eu comprovaria tudo com cálculos. Ao invés de narrações, eu faria gráficos. A vida seria muito mais fácil, eu não seria tão chato e talvez eu fosse um bocadinho mais sincero.

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Quem mexeu no meu….

Publicado em Janeiro 6th, 2005 in Livros e Gibis by Fábio Yabu

Está meio difícil ir a livrarias ultimamente. De um lado, temos a seção dedicada exclusivamente aos livros dedicados ao “Código Da Vinci”. Do outro, os livros dedicados ao um pouco mais antigo “Quem mexeu no meu queijo?”, que já tem até suas versões em Parmesão, Cheddar e Provolone à Milanesa.

As pessoas são estranhas. Compram o livro do momento esperando que ele vai mudar suas vidas, e é justamente aí que elas se enganam. Acho que, quanto mais o livro vende, menos chances ele tem de mudar a sua vida. Porque se fosse diferente, certamente o mundo mudaria completamente cada vez que o Ranking da Veja mudasse também.

Sempre que vejo um livro escrito “Como mudar isso”, “A verdadeira história de…”, “O segredo de…” já desconfio. Não acho que existam verdades absolutas ou verdadeiras histórias sobre ninguém, tampouco que alguém possa me ensinar como dar um jeito em minha vida. É claro que sempre temos lições para aprender, mas os maiores mestres que já tive jamais publicaram um livro sequer. E eles sem dúvida escreveram belas histórias.

E aqueles livros de fotos? Fotos de cachorros, de bebês, de girassóis. Perfeitos para amigo secreto e para a lata de lixo. Ainda bem que não ganhei nenhum. O único livro que ganhei no final do ano foi “O Melhor das Comédias da Vida Privada”, de Luis Fernando Veríssimo que, apesar de ser um best-seller, é uma delícia de ler.

Também estou lendo “O homem que amava as gaivotas” (é best-seller?), do Osho, um cara simples e poderoso cujas fábulas são como um soco no estômago. Você tem que ler, olhar para cima, fechar o livro e refletir se quiser aprender alguma coisa. Uma amiga minha leu “365 meditações diárias” em exatos 365 dias. Segundo ela, essa era a única maneira de aproveitar bem o livro, dando um tempo de 24 horas entre uma leitura e outra.

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