Escola - YabloG!

Escola

janeiro 15th, 2005 | Por Fábio Yabu em Crônicas

Eu confesso. Nove anos depois de concluir o colegial, eu admito publicamente: eu sempre fui um péssimo aluno.

Mesmo que na primeira série tenha sido o aluno do ano. Mesmo que na segunda eu não tenha tirado uma única nota que não fosse “A” em todas as provas, de todos os bimestres. Mesmo que eu tenha ganhado inúmeros concursos de desenho e redação, esse monte de baboseira que ensina a competir ao invés de cooperar. Mesmo que eu tenha ganhado bolsas de estudo por meu desempenho em inglês. Mesmo que eu tenha passado em primeiro lugar num “vestibulinho”, mesmo que eu tenha dormido numa das cinco provas de vestibular que prestei e passado em todas. Minhas notas nunca eram diferentes de A a B ou 8 a 10. A primeira nota vermelha veio por pura farra no segundo colegial. Apenas para saber como era. Quando eu vi que não doía, mandei ver e meu boletim começou a gangrenar. Mas era só eu mexer um dedinho e pimba, literalmente tudo ficava azul e eu passava de ano direto, pronto para fazer tudo de novo no ano seguinte…

Eu sempre ia bem em tudo e sempre fui um péssimo aluno (na minha concepção, é claro, os professores me adoravam) porque a escola nunca foi um desafio para mim. Sempre levei a escola com a barriga, mesmo que ela só tenha aparecido aos 19 anos. Abria o caderno meia hora antes da prova e já bastava para tirar um 8, 9. Dez talvez, mas daí teria que ser duas ou três horas antes. Tinha dia que eu nem levava caderno pra aula. Pra quê, gastar papel? Eu já sabia as regras do jogo, a escola queria de mim um 10 e eu seria deixado em paz, para desenhar, ouvir música no walkman, ler gibis, conversar e jogar tarot no recreio. Eu dava pra ela o 10 que ela queria, eu eu tinha todas as mordomias que os “bons” alunos tinham. Eu era praticamente um deputado, um marajá, mamando nas tetas do governo e da diretora (que nojo!).

Por isso que eu acho que a escola não deu certo para mim. Acho que Escola não tem que ser massante, repressora, controladora, negociadora. Tem que desafiar, conquistar, mostrar caminhos ao invés de dogmas. Não tem que ensinar a ser “competitivo”, nem “preparar para o mundo de hoje”. Deus me livre colocar o meu filho numa escola que prepara ele pra um mundinho que nem esse. Eu quero que ele seja “cooperativo” e “mude a zona que está lá fora, urgente, antes que eu me mude para Birigui”.

Os melhores professores que eu já tive na vida eram aqueles que saíam de trás da mesa e sentavam junto com os alunos. No mesmo nível, de igual para igual, como todo ser humano deveria ser. Pena que tive poucos.

Eu tive um professor na faculdade que dava nota 10 para todo mundo da sala e presença em todas as aulas. O que ele pedia em troca? Que quem não estivesse a fim da aula se levantasse e saísse. Essa é uma das atitudes mais sensatas que já vi em um professor, num mestre. Porque é claro, quem ia para a faculdade para fumar, beber e zonear, levantava na hora. Só ficava quem realmente queria aprender, eu incluso, com mais quatro ou cinco pessoas… de 30.

Quer mais uma prova de que eu sempre fui um péssimo aluno? Minhas professoras sempre disseram que eu era bom em redação. Só não percebiam que eu dava uma maqueada no final, que eu sempre colocava uma gracinha ou algo besta só pra não perceberem que eu não sabia como terminar o texto. Eu as chantageava com uma gracinha. Trocava, na cara dura, um 10 por uma risadinha.

E continuo fazendo isso, até hoje.

Viu?

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