Eu contra os filmes - YabloG!

Eu contra os filmes

janeiro 28th, 2005 | Por Fábio Yabu em Resenhas

Tem gente que diz que eu sou chato com filmes, que só sei falar mal. Mas não é isso, em absoluto. Meu problema é com filmes que seguem obsessivamente os tais “três atos”, introdução, conflito e resolução, “gravadas em placas de bronze por Syd Field” (Manual de Roteiro, da Fic, lançado pela Conrad ano passado).

É sempre a mesma coisa, geométrica, milimetrica e entediantemente chata! Nos primeiros 20 minutos, temos o primeiro ato, onde somos apresentados ao personagem principal e seu problema. Junto com o problema temos a tal “sacadinha número 1″. Depois, temos o segundo ato, com talvez uma “sacadinha número 2″ e o personagem partindo para o seu desafio. Depois, temos a resolução, onde o personagem se lembra das “sacadinhas” número 1 e 2, e consegue matar o filme, para o deleite da platéia e desespero da minha parte.

O que eu quero dizer é: por que raios nos últimos momentos do filme o personagem principal tem que se lembrar daquilo que alguém falou pra ele nos primeiros 20 minutos, ou perceber que o vilão tem o mesmo cagüete do seu amigo gago de infância, convenientemente escondido lá no começo da história? Pra quê? Pra você falar “Ahhhh”? Eu não. Eu digo “Méeee”.

É chato. Massante. Não te desafia, não te leva para nenhum lugar novo. Pode analisar, a grande maioria dos filmes é assim. Nem todos são ruins, confesso, como “O Exterminador do Futuro 2″ e “Os 12 macacos”. Mas acontece que esse modelo já deu o que tinha que dar. Hoje em dia não rola assistir a “Piratas do Caribe”, “Demolidor”, “Minority Report”, “Eu, Robô” e tantos outros que só procuram seguir a regrinha sagrada e pronto. Temos um filme ruinzinho, mas que ainda surpreende um ou outro gato pingado.

Por isso prefiro filmes que não seguem essa regra, e por isso mesmo são mais soltos, espontâneos, naturais, honestos. Veja por exemplo o filme da minha vida, “Encontros e desencontros”. Qual é o “desafio dramático” do personagem principal? Aliás, quem é o personagem principal? Cadê as sacadinhas número 1 e 2? Não tem nada disso, e o filme é mágico. Ou então, “Amnésia”, aquela doideira alucinante e muito louca. “O Clube da Luta”, “O Agente da Estação”, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança”, “Pulp Fiction”, “Cidade de Deus”, e tantas outras obras-primas que jogam no lixo a tal fórmulazinha mágica. Mesmo “Homem-Aranha 2″, é genial justamente porque é ousado, não é preso a tantas convenções, o Homem-Aranha só sai na porrada com o Dr. Octopus depois da metade do filme, o filme é lento, não é só porrada, e flui que é uma beleza. Tem é claro uma “sacadinha” ou outra, mas usadas adequadamente para contar a história, não pra arrancar um “Ahhhh” sonolento da platéia.

Aliás, sonolento tô eu. Boa noite, crianças.

Tau!

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