Crássicos: Eu contra a felicidade - YabloG!

Crássicos: Eu contra a felicidade

fevereiro 28th, 2005 | Por Fábio Yabu em Crônicas

Ah, essa vida de supervilão…

Já fiz muitas coisas terríveis. Não paguei a taxa do lixo, acabei com os fanzines, com os Superamigos, com o Natal, os sonhos e a Wanessa Camargo. Só não acabei com o Felipe Dylon porque.. bem, eu gosto daquela música “ôoo menina deixa disso…”

A minha próxima grande maldade é acabar com aquilo que a humanidade e os poetas mais querem: a felicidade.

Não quero que ninguém seja feliz. Nem você, nem eu, nem minha mãe, nem ninguém.

No novo mundo, construído à minha imagem, controle e semelhança, todo mundo vai ser japonês, careca, feinho e ninguém vai ser feliz.

A partir de agora, estou substituindo a felicidade pela plenitude.

Enquanto você fica aí, amarradinho, suspenso em cima de um enorme caldeirão incandescente que vai acabar com a sua felicidade, eu vou explicar qual é a diferença entre ser feliz e ser pleno. Pra começar, um segredo:

Essa história de ser feliz para sempre não existe. Ninguém é feliz para sempre ou mesmo por muito tempo. Nem mesmo as crianças. Do contrário, não nos preocuparíamos tanto em fazê-las felizes o tempo todo.

Pois a felicidade é uma coisa passageira, extasiante, gostosa, mas por definição, temporária. É algo que você até consegue se quiser, se buscar. Depois você acaba perdendo-a, e tendo que buscar em outro lugar.

Já a plenitude é diferente. Ela é permanente, serena, é um estado de graça que, por mais que você busque, você nunca alcança. Mas se ao invés disso, você deixar que ele venha até você, ah, pode crer que ele vem.

Tirar férias é ser feliz. Trabalhar com o que você gosta é ser pleno.

Assistir a um bom filme é ser feliz. Assistir ao nascer do sol é ser pleno.

Ler a um bom livro é ser feliz. Viver uma bela história é ser pleno.

Acabar com os Superamigos é ser feliz. Ficar o dia inteiro sentado no alto de uma montanha, tomando uma taça de vinho vendo o Aquaman ser chicoteado é ser pleno.

Ser pleno é ter todas as coisas que Mastercard não pode comprar.

Então, eu, no direito de supervilão e líder da Legião do Mal, revogo permanentemente a felicidade humana. A partir de hoje, todo mundo vai ser pleno. E tenho dito.

Agora, se me dão licença, tenho um homem-peixe para chicotear, ao som de “ôoo menina deixa disso…”.

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