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Menina de Ouro - O filme à prova de macho

Publicado em Março 28th, 2005 in Filmes by Fábio Yabu

Acabei de voltar do cinema, fui assistir “Menina de Ouro”, o vencedor do Oscar ou “o Prêmio da Academia”, como a TNT adora dizer.

Direção? Linda, maravilhosa. Palmas para Clint Eastwood. Atuações? Perfeitas. Hillary Shwank continua mandando bem, e deve ter merecido o Oscar de melhor atriz mesmo.

Só que o filme… o filme? Um lixo.

Clint Eastwood tentou fazer o que eu chamo de “filme à prova de macho”, que aproveita todas as oportunidades possíveis para arrancar lágrimas e soluços da platéia. Quando tudo já está suficientemente ruim pra te deixar de mau-humor por uma semana, eles vão lá e pioram mais ainda. A troco de quê? Não sei. Mais lágrimas, acho. Eu olhava à minha volta e os marmanjos choraaavam. “Eu pareço ridículo assim também quando eu choro no cinema?” - me perguntei. Certamente, sim.

A personagem de Hillary Shwank, apesar de muito bem interpretada, não tem profundidade nenhuma. É só um produtinho, uma caricatura pra fazer você ter pena da pobre menina que quer ser lutadora de box. É lógico que não faltam problemas. É lógico que a família dela é nojenta e vagabunda, é lógico que ela vive num muquifo, é lógico que o treinador durão vai ensiná-la a lutar. É clichê em cima de clichê, recheado de situações dramáticas, muitas delas sem sentido algum, e com um final que… oh my. Desconexo. Antagônico. Piegas. Ruim. Afe…

Não, não, não. Quase levantei do cinema e fui embora.

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Conversa

Publicado em Março 28th, 2005 in Crônicas by Fábio Yabu

Eu queria falar com você há tanto tempo…

Bom dia! Oi! O que você acha? Olha… Boa noite… até amanhã.

Tanta coisa que eu te disse sem você estar lá. Coisas importantes, bobagens, piadas, fofocas. Não precisava ter falado, mas eu falei e de alguma forma eu achava que você iria escutar.

De alguma forma eu acreditava, como eu antes acreditava que a capa do Super-Homem era um tapete mágico, que a gente vivia no centro do planeta, que o mundo tinha no máximo 20 anos e que inglês era português ao contrário.

Depois de tanto tempo, de tanta coisa dita e não dita, acabei gastando as palavras. O assunto não acabou, mas as palavras sim. Contraditório para um escritor, não?

O fato é que eu ainda tenho tanta coisa pra te dizer. Sobre os meus pais, meus irmãos, a minha vida. As pessoas com quem conectei, as vezes que sorri, que chorei, que toquei almas que hoje não estão mais aqui. Eu queria te falar sobre o amor e tudo que descobri sobre ele. O quanto Shakespeare arruinou meus dias com suas idéias desiludidas, e no quanto eu teimei e ainda teimo em acreditar nesses dois últimos.

Queria te contar tudo o que fiz numa vez que resolvi andar em linha reta e só fui parar 10 quilômetros depois. Da vez que fechei meus olhos e vi uma enorme luz branca me envolvendo, do barato natural que deu em mim quando sentei em flor de lótus e tentei ver o amor.

Das pazes que fiz, das desculpas que pedi, e da meia dúzia de gatos-pingados que ainda não me convenceram. Das músicas da Lisa Loeb que ouvia em loop, dos filmes que eu deixava tocando no DVD enquanto eu trabalhava, só pra poder ouvir os diálogos, over and over again.

Queria comentar com você sobre os filmes que vi. Sobre os que quero fazer e sobre os papéis de desisti de representar.

Também te dizer o quanto você é importante para mim, mesmo que eu tenha deixado de acreditar em você.

Mas eu vou continuar te procurando.

Quando eu achar, vamos ter muito o que conversar.

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Meu problema com Nemo

Publicado em Março 28th, 2005 in Filmes by Fábio Yabu

Após assistir novamente “Procurando Nemo”, finalmente descobri o que me incomoda no filme e o que na minha opinião o faz infinitamente menor que “Os Incríveis”.

Em “Procurando Nemo”, a história é totalmente linear, sem altos e baixos, sem nuances, sem tons nas emoções e evoluções dos personagens. É uma história excessivamente segura, na qual você pode tranquilamente dormir na metade e acordar no final sem ter aquela sensação de que perdeu alguma coisa. O filme é quase uma colagem de situações improváveis acontecendo com os personagens, que acabam se solucionando rapidamente mas não adicionam nada nem a eles, nem à história.

Mas a grande falha está nos personagens. Nemo, o personagem principal, é um deficiente físico. Mas a sua “nadadeira da sorte” não lhe traz nenhum tipo de desafio, ou seja, o roteiro não ousa, a nadadeira está lá por estar, não faz diferença. As crianças não o maltratam nem o discriminam por ele ser diferente. Isso seria ideal num mundo ideal, mas é só dar uma olhada nos comentários desse blog para ver que o mundo está longe de tal condição.

Além de tudo, Nemo é muito linear em suas emoções, o máximo que o roteiro extrai dele é um “eu te odeio” despropositado, forçado e perdido no meio da história. Não dá pra “acreditar” que ele existe, seus defeitos são fabricados e pasteurizados como simples detalhes de sua personalidade. Basta comparar com o Flecha, dos Incríveis, esse sim, um garoto crível, metido, chatinho e apaixonante. Com o perdão do trocadilho, Flecha dá um banho no Nemo.

Já o Marlin, o pai no Nemo, é outro personagem muito fraco, passivo, que não evolui durante a história. Pensa bem, para alguém que passa um filme inteiro tentando salvar o filho, esperava-se um pouco mais de carisma, não? Mas ninguém lembra do Marlin ao pensar em “Procurando Nemo”. Para mim, isso já serve para invalidar a história toda. Tudo bem, ele aprende a ouvir o filho mas… só. Ele não ensina e não mostra nada para o público, como o Sr. Incrível, que tem um milhão de defeitos, é vaidoso, apegado e mente para a mulher.

Mas é claro, eu não deixo de tirar o meu chapéu para a impressionante qualidade gráfica do Nemo. Plasticamente ele é sublime, mas só. Os Incríveis consegue ser tão belo quanto e ainda trazer uma história e personagens (In)críveis (como eu odeio trocadilhos…).

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X-Men

Publicado em Março 22nd, 2005 in Livros e Gibis by Fábio Yabu

Faz anos que não leio um gibi dos X-Men. Esses dias estava na banca e dei uma folheada nas revistas, e sabe o que eles estavam fazendo? Jogando basquete! É por isso que não salvaram o mundo até hoje. Ou eles estão na piscina, ou estão jogando basquete, desde 1963! Pode conferir!

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Conexões

Publicado em Março 9th, 2005 in Crônicas by Fábio Yabu

Sabe o que me fascina nas pessoas?

Não é a beleza, não é uma pele sedosa, a cor dos olhos, o sorriso, o lápis preto nos olhos tristes que escondem tanta coisa… não é o jeitinho de andar, de falar, de rir e sorrir.

Não é nem mesmo o papo, o assunto.

Não importa o quão ruim são os candidatos a American Idol, ou o quão lindo é o “Antes do Amanhecer”, nem qual é o melhor episódio do Seinfeld, ou as opiniões adversas sobre política e religião, nem mesmo as coisas que fizeram nossa visão ficar turva e a gente ver quem realmente importava para nós. Não. Nada disso importa. Tudo é apenas desculpa, cenário, para algo muito maior acontecer, e é isso que me fascina nas pessoas.

Conexão. O jeito que elas vibram umas com as outras. As diversas maneiras de você ser você mesmo dependendo de com quem você está. As diferentes cores que a sua voz toma quando você conversa com seu melhor amigo, seu irmão, sua mãe, sua amiga, sua vida.

Todas as diferentes e longas conversas que você pode ter enquanto toma um café. Os diferentes, irrelevantes mas deliciosos assuntos que fazem você mergulhar madrugada adentro falando sem parar, todas as diferentes maneiras de olhar e andar pela Avenida Paulista, as piadas sem graça que só fazem sentido para você e para o outra parte, esteja ela no MSN ou na Brunella.

Quando vejo filmes, além de olhar para a tela eu olho para o rosto de quem está ao meu lado. Gosto de ver as reações, os sorrisos. Só não olho quando sei que estão chorando, porque isso é meio chato. Mas aposto comigo mesmo que sei quando as lágrimas vão começar a rolar. Por dentro, eu rio um pouquinho. E acabo chorando também.

Tem gente pra quem eu falo tudo e mais um pouco. Pra outros, tenho segredos. E pra uns raros, não preciso falar nada.

Mas com cada uma dessas poucas pessoas, que passam por mim e fazem com que eu vibre em frequências novas e coloridas, eu tenho uma relação única e especial. Graças a elas a minha vida tem cor, e a minha fascinação pelas conexões se renova a cada dia.

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Coelhinho da Páscoa…

Publicado em Março 9th, 2005 in Amenidades by Fábio Yabu

Eu acredito que as pessoas tenham boa vontade e que lá dentro elas queiram um mundo melhor. Mas acontece que nem sempre elas conseguem fazer isso direito.

Voluntariado, por exemplo. Já trabalho com isso há algum tempo, e acho que posso fazer alguns comentários a respeito.

Você já tentou ser voluntário alguma vez? Conseguiu? Acho que não.

É difícil. Pode procurar creches, ongs, o que for. Conseguir ser voluntário às vezes é quase tão difícil quando arrumar um emprego.

Porque as pessoas tem uma visão meio equivocada do voluntariado. Muitas vezes, fazem isso como um paliativo moral, para eximir-se da culpa da zona que está lá fora, para se auto perdoar por todos os famintos que nos pedem comida diariamente, ou o pior, “só pelos sorrisinhos das crianças”.

Daí elas procuram as ongs, orfanatos, creches, hospitais, e acabam mais atrapalhando do que ajudando. Chega na época da Páscoa, o pessoal do orfanato em que eu trabalho tem um trabalho desgraçado com as CENTENAS de doações de ovos de páscoa, número dezenas de vezes maior do que o número de crianças. As pessoas chegam na porta, deixam as caixas (ou mandam entregar) e vão embora. Muitas vezes acaba sendo melhor assim, porque alguns insistem em entregar os ovos pessoalmente para cada criança, sem imaginar que dezenas de pessoas já tentaram fazer o mesmo naquele dia, esquecendo de que criança tem que ter horário e quantidades certas para comer, principalmente as que são ou estão doentes. Depois as pessoas partem, só para aparecer de novo no Dia da Criança ou no Natal. Com caixas e caixas de brinquedos que acabam não sendo aproveitados devido à sua quantidade absurda, enquanto o leite em pó periga acabar a qualquer momento.

Não estou dizendo que é errado levar ovos de páscoa para crianças órfãs. É até legal. Mas não custa perguntar o que elas estão precisando. Muitas vezes é algo bem mais simples. Lá por exemplo precisamos de argila, massinha, leite em pó e bolas de futebol.

Voluntariado é coisa séria. Não é um programa de milhagem que vai te dar uma passagem para o céu, não é só levar presentes em épocas específicas do ano que acabou. Ser voluntário pra mim é entender que estamos todos no mesmo barco, que é “obrigatório” fazer algo voluntariamente pelo nosso planeta e nossos irmãos, antes que ele exploda e eles invadam nossas casas para nos tomar à força o que é por direito, de todos. Ou seja, ser voluntário é ser um pseudo-egoísta. É entender que para salvar a própria pele, precisamos salvar a todos.

Por isso acho errado aqueles que dizem que ajudam pelos “sorrisinhos das crianças”. Acho sim, isso egoísta. Ajudar em troca do sorriso alheio, de alguma recompensa moral. Eu não saio de casa pelos sorrisinhos das crianças, e sim por um mundo onde eu e elas possamos sorrir juntos. Fazer criança sorrir é fácil, é só falar “pum”. Se quisesse só isso eu as entupiria de ovos de páscoa.

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Spanglish

Publicado em Março 3rd, 2005 in Filmes by Fábio Yabu

Quem já passou por Los Angeles, na Califórnia do “Governator” Arnold Schwarzenegger, certamente já se viu em situações em que fica difícil acreditar que aquilo ainda é território estadunidense. Maior cidade do Estado, LA é uma grande torre de babel, com imigrantes de mais de 140 países e 92 idiomas. Dentre eles, o espanhol é de longe o mais falado. Prova disso é a profusão de outdoors, estações de rádio e canais de TV criados para atender a comunidade hispânica, que corresponde a mais de 40% da população local.

É nesse cenário que o diretor e roteirista James L. Brooks (Melhor é impossível) situa Flor (a estonteante espanhola Paz Vega, de O outro lado da cama). Após ser abandonada pelo marido, a mulher decide se mudar do México para os Estados Unidos com sua pequena filha Cristina (Shelbie Bruce), em busca de melhores oportunidades.

Já em Los Angeles, elas vão morar numa comunidade hispânica. Os anos passam e Flor continua intocada pela cultura e língua americana, enquanto Cristina cresce, aprende o inglês e vira a tradutora da mãe. Tudo vai bem até o dia em que Flor percebe que precisa ficar mais próxima da filha, agora uma pré-adolescente, e troca seus dois empregos por um: o de empregada na casa da problemática família Clasky.

A mãe é Deborah (Téa Leoni), uma neurótica obcecada por ginástica e livros de auto-ajuda. John (Adam Sandler) é um proeminente chef, dono de seu próprio restaurante, pai dedicado e o típico cara bonzinho que Sandler já está acostumado a interpretar (e nós a assistir…). Completam a família a avó alcoólatra Evelyn (Cloris Leachman), a filha gordinha e complexada Bernie (Sarah Steele), o caçula Georgie (Ian Hyland) e o cão Champ.

Trabalhando para os Clasky, Flor tenta se manter neutra no meio dos conflitos familiares, mas a situação se complica quando eles resolvem passar três meses numa casa de praia em Malibu. Sem opção, Flor vai morar com a família provisoriamente, levando Cristina para o centro do furacão.

As discussões em espanhol-inglês são engraçadas, ainda mais com a tradução simultânea de Cristina. Mas o filme às vezes parece se perder em sua definição, indo do drama à comédia pastelão em segundos, incluindo uma constrangedora cena de sexo entre o casal Deborah e John. Quem for ao cinema atrás de uma comédia romântica, ou a nova produção estrelada por Sandler pode quebrar a cara. O longa é na verdade um drama (light, é verdade, mas ainda assim um drama) sobre a entrada de imigrantes nos Estados Unidos e principalmente das dificuldades de uma mãe em cuidar de sua filha numa cultura completamente diferente da sua.

Porém, para demonstrar tudo isso, o diretor acaba deixando muito de lado os personagens menores, como a filha Bernice, encantadora mas que some no meio do filme, e o filho George, esse sim mero figurante, sendo até menos importante que o cachorro da família. Talvez tenha sido “culpa” da presença de Paz Vega. Em seu primeiro filme hollywoodiano, a atriz espanhola se mostra capaz de arrancar suspiros tanto pela beleza quanto pela atuação, fazendo a platéia deixar de lado os visíveis problemas do roteiro.

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