Sobre a esperança, com a qual tive uma discussão muito séria
A vida é cheia de coisas estranhas. A regra número um, segundo os budistas, é não querer nada dela que ela te dá tudo.
Não que exista algum fiscal celestial anotando o que a gente quer e o que não quer num bloquinho de papel para decidir se vamos ter ou não. Ou que seja uma pegadinha, ironia do destino, nada disso. Depois de muito pensar a respeito, acabei entendendo que as coisas simplesmente, são. E é aí que está o pulo do gato.
Os manuais de sobrevivência avisam: a esperança é a pior inimiga de um náufrago. Não tente nadar até a praia, não espere ser resgatado milagrosamente, não espere pela divina providência. Aparentemente pessimista, esse pensamento pode no mínimo, te tirar de muitas enrascadas. Não ter esperança é a melhor forma de tê-la, quando ela se torna um plano, um objetivo, um desejo de sobreviver.
Tem gente que durante anos espera por resgates, telefonemas, beijos e amores que jamais chegam. Alimentam sentimentos sinceros mas infundados (e quais não são?), constróem fantasias, castelos de cartas, mundos. Confortam-se com pensamentos otimistas e esperançosos, encontram algo tão íntimo e sincero dentro de sua esperança que podem fechar os olhos, sorrir e… esperar.
Esperar sofrendo, esperar amando, esperar sentado, esperar olhando pro teto, esperar esperando mesmo, pra no final descobrir que mesmo esperar esperando é uma ação, e pra ela existe uma reação, que pode ser um aprendizado, duro, mas valioso: às vezes ter esperança não é uma boa idéia.
Liga da Justiça

Aquaman

O cara da feira da fruta

Flash

Chefe Apache, exemplo de caráter, homem, mito, índio, sinônimo de super-heroísmo! O mais famoso dos Superamigos!

Lanterna Verde

Ajax

Mulher-Maravilha

Esse não lembro o nome.
A vida de Pi

Já faz um tempinho que queria comentar mais profundamente sobre esse livro, e cá estou. A vida de Pi, de Yann Martel, conta a história de Piscine Pattel, um menino de 16 anos filho do dono de um zoológico na Índia.
Pi, como é chamado carinhosamente, é um apaixonado devoto do islamismo, hinduísmo e cristianismo, seguindo de coração todos os ensimamentos das três religiões. Seu conhecimento sobre os animais é “enciclopédico”.
Um dia, sua família decide se mudar da Índia para o Canadá. A viagem é feita de navio, transportando junto vários animais, ex-moradores do zoológico. Então, uma terrível tragédia acontece: o navio afunda e somente Pi, um orangotango, uma zebra com a pata quebrada, uma hiena, moscas, um rato e um tigre de bengala chamado Richard Parker sobrevivem. Todos se amontoam num bote salva vidas e então… e então, meus caros amigos, começa uma das histórias mais bonitas que já li nos últimos tempos.
A vida de Pi é uma história sobre animais, vontade de viver, verdade, triunfo e sobre como cada um tem o direito de escrever a própria história ao invés de se deixar levar pelo destino. Ao contrário do que pode parecer, não se trata de uma fábula esopiana. O livro é assustadoramente real. Durante os mais de 200 dias de viagem em alto mar, Pi precisa se preocupar em não ser devorado pelo tigre Richard Parker. Cada capítulo bem sucedido nessa missão é um triunfo, tanto para Pi quanto para o leitor. E o final vai fazer você perder o rumo de casa.
Tem no Submarino. Leia antes que vire modinha.
Lixo
O ser humano tem uma notória capacidade de tentar resolver os problemas da maneira inversa, atacando o sintoma ao invés da doença.
Esses dias eu estava assistindo TV, quando uma entusiasmada reportagem sobre reciclagem foi exibida. Nossa, como a repórter sorria. Dava gosto de ver. Na dita matéria, era mostrado como a reciclagem de garrafas plásticas, latinhas de refrigerante e papel velho ajudavam a uma comunidade pobre, que era ensinada a recolher o lixo do rio e transformá-lo em araras, vestidos, canecas e máscaras de papiê-machê. Até um vestido feito de camisinhas foi mostrado que, não sei quanto a vocês, mas me deixou um tanto quanto enojado.
No final, tudo era lindo e maravilhoso. O rio talvez tenha até ficado um pouquinho mais limpo, as famílias ganharam uns trocadinhos e todos ficaram felizes a sorrir, pois haviam aprendido a bela lição da reciclagem do lixo.
Só haviam se esquecido de um detalhe.
Não foram eles quem sujaram o rio, não foram eles quem emporcalharam suas margens com garrafas pet e camisinhas usadas. Eles estavam ocupados demais passando fome e bebendo água suja.
Sabe quem foi?
Fui eu, oras.
Portanto, quero a minha parte em araras feitas de plástico e máscaras de papiê-machê (o vestido de camisinhas eu dispenso). Quem eles pensam que são? Esses pobres, sem estudo, saneamento básico, educação e água potável? Já não basta enfeiarem a cidade, lotar os ônibus e hospitais públicos, ainda querem pegar o MEU lixo e transformar no que quer que seja?
Acho essas iniciativas de uma ingenuidade tão grande que quase me soam como crueldade. Elas ensinam os pobres a reciclar o lixo dos ricos, dando a eles potinhos de Yakult e embalagens de Toddynho em troca de um contentamento vassalo, enquanto eu vivo um estilo de vida insustentável ecologicamente, sujo, poluo, solto pum e produzo quase uma tonelada de lixo por ano.
É muito (e cada vez mais) fácil fechar os olhos e jogar a responsabilidade e o preço por nossos atos em cima dos mais pobres. Acontece que a natureza, ao contrário do homem, cobra seu preço de maneira homogênea e verdadeiramente democrática.
Mãe e filha
Esboço e arte-final de um desenho para o Dia das Mães. Dizem que a relação humana mais próxima que existe é a de mãe e filha, então tentei fazer um desenho muito sincero, como se as duas fossem grandes confidentes. Por isso as roupas brancas e simples. E a mãe da Polvina é “gordenha” mesmo. Até o dia das mães tem mais!





