Livestrong e os picaretas
Tudo começou com a pulseirinha amarela que simbolizava a luta do ciclista Lance Armstrong contra o câncer. Diagnosticado com a doença em 1996, o atleta lutou durante 8 anos até encontrar a cura. Nesse meio tempo, venceu inúmeras corridas, incluindo seis vezes o Tour de France e foi reconhecido como um dos maiores atletas do mundo.
Armstrong criou uma fundação que ajuda jovens com câncer com a ajuda da Nike, que doou 1 milhão de dólares para o início do projeto. Através das pulseirinhas amarelas com a inscrição LIVE STRONG (Viva Forte), a fundação arrecada fundos para ajudar milhares de jovens a lutar contra a doença. Mais de 40 milhões de pulseiras já foram vendidas no mundo todo, e provavelmente você conhece alguém que a tenha.
Muitas outras pulseirinhas foram criadas desde então. De diversas cores e inscrições, defendem e arrecadam fundos para causas como o racismo (preta e branca), o câncer de mama (rosa), aids (vermelha), e tudo quando é cor e causa que você imaginar. É bonito usá-las, é bonito defender uma causa.
E é claro, não demoraria muito até que as pessoas começassem a ter “idéias”.
Dê uma olhada no Mercado Livre. O que tem de gente vendendo as pulseiras como artigos de luxo, por 10 vezes o valor original. Nas ruas, em lojas, camelôs. É só ir e escolher qual você quer, com a diferença que você não está ajudando ninguém além do sem-vergonha que resolveu tirar uma vantagem dessa repentina onda de solidariedade fashion.
O fim da picada foi quando eu estava na Fnac olhando as revistas e pasmei quando vi uma revista infantil trazer uma coleção(!) de umas oito(!) imitações das pulseiras coloridas, com inscrições como LOVE (amor), HOPE (esperança), etc, totalmente MEANINGLESS (sem sentido). Como todos, inclusive os editores da revista, sabem, as crianças são muito suscetíveis às manias impostas pela mídia e sim, elas adoram as pulseiras LIVESTRONG, mesmo não entendendo direito o que significam. Meu sobrinho me enche o saco por causa da tal pulseira contra o racismo, que sei lá onde vende a oficial, se é que vende por aqui!
Então, fica aí a dica. Não dê seu dinheiro para picaretas. As pulseiras LIVESTRONG são vendidas através desse site aqui, que também entrega no Brasil. Dizem que também vende na Daslu, mas fala sério, o “totem da desigualdade social” é quase tão revoltante quanto os manés que vendem as pulseiras no Mercado Livre…
Maternidade
Ontem eu ouvi algumas das declarações mais inteligentes, sinceras e corajosas vindas de uma mulher. Foi mais ou menos assim:
- Na boa, eu acho que tudo isso que falam sobre maternidade é besteira, poesia, romance. Esse negócio que a mulher grávida ama o filho desde o momento da concepção, tudo bobagem. Vou te falar: você fica gorda. Feia. Cheia de estrias. Tem que ir no banheiro toda hora. Tem enjôo. Não pode trabalhar nem fazer as suas coisas direito. Até que um dia, por onde passa um limão sai uma melancia. Você fica lá f*dida, estourada, cheia de pontos e todo mundo só quer saber do bebê. Só que quem vai cuidar dele é você. É incrível como ninguém liga pra mãe depois que o filho nasce, cara!
- Mas e essa história de chorar quando vê o filho pela primeira vez?
- É claro que você chora. Aquele negócio ficou te enchendo o saco durante 9 meses, de repente saiu de você e te deixou toda estourada. Você se sente estranha, vazia, olha e fala tipo “É isso?”. A partir daquele dia aquilo vai ser a sua vida. É claro que você chora.
Depois aquele negócio, aquela “coisa”, que não, não é o seu filho, fica chorando, cagando e esperneando a noite inteira. Detona ainda mais com os seus peitos. Amamentar dói pra c*cete, sabia? E depois pra voltar ao normal?
Amor vem com o tempo. Dizer que você ama assim, sem mais nem menos, é bobagem, uma ofensa. O que você tem é instinto, responsabilidade, um monte de coisas importantes que não tem nada a ver com amor.
- Mas mulher que perde o filho antes de ele nascer geralmente fica arrasada. Isso não é amor?
- Não, isso é projeção, só! O “bicho” ainda não nasceu, ainda não tem sentimentos, ainda não tem nem uma cara pra olhar pra você. Mas você imagina, projeta o que ele vai ser quando crescer, se vai ser bonito, se vai pra faculdade, como vai viver. Isso não é amor, é expectativa. Amar se aprende. Quando te tiram a expectativa, é lógico que é uma m*rda.
(…) Bom, mas aí beleza. Nasceu a “coisa”. Com o tempo, a criança vai crescendo, vai virando gente, virando seu filho. Aí é que a brincadeira começa. Aí é que você passa a amar e ela passa a ser seu filho mesmo.
Você toca, cheira, sente, ri, interage, fica p*ta. O cheiro que eu mais gosto de sentir é o bafo da minha filha quando ela acorda. Saber que ela tá lá, linda, viva, gostosa (a menina tem 6 anos). Hoje ela é a minha vida, e é por respeito a todo esse amor que eu sinto por ela que eu acho muita sacanagem viverem dizendo por aí, a torto e a direito que o amor é poético, romântico, à primeira vista. Ninguém ama ninguém à primeira vista, nem filho, cara.
Tinha mais duas mães naquela mesa, e ambas concordaram em gênero, número e grau com minha desbocada nova amiga. Sinceramente sou muito propenso a concordar com elas, mas não me vejo numa posição muito confortável em opinar já que não sou pai e muito menos mãe. Mas sem dúvida foi uma opinião interessante e muito bem defendida.




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