Minha teoria (furadíssima) sobre LOST - YabloG!

Minha teoria (furadíssima) sobre LOST

julho 17th, 2005 | Por Fábio Yabu em Resenhas

Após analisar (prematuramente, afinal estamos ainda na primeira temporada) Lost, comecei a traçar alguns paralelos e gostaria de postar aqui algumas conclusões que acho cabíveis e resolvem, pelo menos em parte, o mistério da ilha.É lógico que isso se trata apenas de uma teoria, como tantas outras que devem pipocar Internet afora. Como tudo na vida, principalmente séries de TV e esse que vos fala, peço que não levem muito a sério. Se você perdeu algum episódio até o vigésimo (Do no Harm), tome cuidado que o texto a seguir é repleto de spoilers. Todas as conclusões foram tiradas dos fatos apresentados até então, já que estou acompanhando a série apenas pelo AXN e não baixando pela Internet (não parece, mas tenho mais o que fazer).

Preparados? Vamos lá.

A primeira premissa que essa teoria adota é que os roteiristas adoram confundir a cabeça do público e vir com algumas soluções meio mirabolantes, sem pé nem cabeça às vezes. Apesar disso, até agora não vi nada muito viajante como o final de Felicity, também criada por JJ Abrams (pra quem não lembra, ela volta no tempo no último episódio(???).

Um exemplo de como a série traz elementos que propositadamente confundem a audiência é o episódio que mostra o casamento de Jack. No começo, alguns até pensaram que ele fosse gay. No meio, todos achavam que ele largaria a noiva em pleno altar, só para depois percebermos que era tudo armação dos roteiristas e soltarmos um “aaaahhh”, aliviado.

A segunda premissa é a de que Lost é uma série que tem um pé firmado fortemente na realidade e outro nem tanto, mas ainda assim, seguindo uma lógica muito bem estruturada.

A terceira é de que a série se trata dos personagens e NÃO da ilha. Afinal, cada episódio é dedicado quase que inteiramente a um personagem específico. O passado de cada um, as circunstâncias que levaram a pegar aquele maldito vôo, o seu comportamento e busca pessoal. Acredito que essa seja a chave para desvendarmos grande parte do mistério de Lost.

Tendo essas três premissas em mente, podemos então formular as bases da teoria.

A meu ver, sim, a ilha tem um poder misterioso. Especificamente, ela realiza desejos. É a única explicação lógica para que Locke tenha voltado a andar após a queda do avião.

Ainda falando do extraordinário, é bem óbvio que Locke também tem algum tipo de poder. Ele no mínimo tem o dom da clarividência. Assim como Walt, ele percebeu o poder da ilha. Por isso ele previu a morte de Boone e guiou os outros personagens em suas buscas pessoais.

Walt também tem um poder. Ele simplesmente atrai animais com o pensamento. Como? Não sei. Eles aparecem do nada? Acho que não. Em algum lugar eles estavam. Como diz Yann Martel em A vida de Pi: “Se pegassem a cidade de Tóquio e a virassem de cabeça para baixo, iam se espantar com todos os animais que cairiam: texugos, lobos, jibóias, varanos, crocodilos, avestruzes, babuínos, capivaras, javalis, leopardos, manatis, ruminantes em números incontáveis. Não há a menor dúvida de que girafas e hipopótamos selvagens vivam em Tóquio há séculos sem terem sido vistos por uma única alma”. No mesmo livro, conta que “é segredo guardado a sete chaves entre diretores de zoológicos a fuga, em 1971, do urso polar Bara do Zoológico de Calcutá. Jamais voltamos a ter notícias dele (…). Desconfiamos que esteja vivendo livremente às margens do rio Hugli.”

Portanto, por algum motivo obscuro, Walt atrai animais. Talvez ao mentalizá-los ele consiga criar algum tipo de conexão mental, já que em sua casa na Austrália ele atraiu um pássaro e na ilha o urso apareceu após ele ler uma revista do Lanterna Verde onde havia um urso polar. Lembre-se também de que ele sempre consegue encontrar o cachorro na ilha. Tirando seu poder misterioso e o fato de ter um gosto duvidoso para gibis, Walt parece ser um menino legal.

Até então, esses são os únicos elementos realmente extraordinários da série. O resto me parece bem evidentemente lógico e real. No episódio em que Sawyer é perseguido pelo javali, Locke sugere que o animal seria a reencarnação do homem que Sawyer matou na Austrália. Eu acho pouco provável, já que o fato ocorrera antes da viagem e estamos falando de um javali adulto. Ao que parece, a voz na cabeça de Sawyer era nada mais que sua mente lhe culpando pelo crime ou alguma ensolação, já que o loirão fica quase o tempo todo lendo no sol.

Sem esmiuçar muito o riquíssimo histórico de cada personagem, lembremos que Lost trata deles e não da ilha. Aparentemente eles possuem ligações em seus passados que podem ser explicadas (ou costuradas) com o poder da ilha de realizar desejos. É evidente a ligação de Hurley com Russeau, a maldita sequência de números. Ele também parece ser ligado a Locke, já que ao que parece ele era dono da fábrica de caixas onde este último trabalhava. Será que foram os números que levaram os três à ilha?

Será que foi o javali que atraiu Sawyer? Será que foi o vidente que enviou Claire para ter seu bebê na ilha? Será que foi Walt quem derrubou o avião? Como diabos eles estão vivos?

A resposta é simples: lá atrás, em algum momento da vida de cada um dos personagens, eles DESEJARAM a ilha e esta por sua vez os atraiu. Derrubou o avião e fez com que eles sobrevivessem. Hurley não queria encontrar a origem dos números? Encontrou. Mas o que isso tem a ver com os outros passageiros? Nada! Cada um está na ilha por um motivo diferente, para o qual ela própria é a resposta. Assim como Walt, que queria parar de mudar constantemente. Sayid, que queria viver em paz consigo mesmo. Boone, que queria que Shannon ficasse a salvo de seus relacionamentos doentios. Katie, que não queria ser presa. Jin (também conhecido como “hot korean guy”) queria fugir do pai de Sun e esta por sua vez queria se separar do marido. Charlie queria se livrar do vício, e assim por diante. Todos conseguiram o que queriam.

Essa teoria parece responder a várias perguntas. Muitas outras permanecem sem resposta, para os quais apenas tenho palpites como:

  • O que é o tal monstro?

Ao que parece, não há monstro, como Russeau mesma disse, e olha que ela mora lá há 16 anos. Talvez seja sim, uma girafa nervosa, como Hurley disse. Talvez algum animal atraído por Walt. Mas eu duvido que venhamos a ver um Mapiguari ou um tiranossauro na próxima temporada.

  • Mas então, quem comeu o piloto???

Ih, ó o cara…

  • E aquela máquina que Locke encontrou?

Não faço a menor idéia.

  • Se a ilha realiza desejos, por que Jack não conseguiu salvar Boone?

A ilha realiza desejos, mas vamos com calma, né? Experimenta chegar daquele jeito num médico pra você ver o que acontece!

  • Por que o vidente disse que o bebê da Claire é especial?

Já foi num vidente? Eu já, e te garanto: eles falam isso pra todo mundo!!

  • Por que diabos eles nunca foram encontrados?

Aparentemente eles estão num lugar onde as ondas eletromagnéticas se confundem. O norte aponta para o lado errado. Há um avião preso nas árvores encontrado por Locke e Boone, talvez porque seus instrumentos de navegação tenham falhado. Acho realmente difícil um lugar assim ser encontrado por alguém.

  • Por que Russeau é tão… esquisita?

Pra alguém que perdeu a família e passou 16 anos sozinha numa ilha ela me parece muito bem! O que ela tem a perder ou a ganhar agora? Eu faria exatamente o mesmo e não faria a menor questão de contato humano.

  • Agora… a pergunta que não quer calar: como os cabelos deles permanecem tão bem cuidados após um mês na ilha?

Só te respondo se você me disser como a Kate se depila e como Shannon faz a sobrancelha!

Bom, como podem ver, minha teoria oferece respostas mas também tem seus furos, seus “veja bem”. Mas disso a série ja está cheia o bastante. Se estou ao menos próximo da verdade ou então perdi preciosas horas da minha vida digitando esse texto, só o tempo vai dizer!

A grande conclusão (ou viajada na maionese) a que cheguei é que Lost é um paralelo assustador com o mundo real. É a velha história de que cada um escolhe seu destino, o mundo em que quer viver. Seja apostando na loteria, seja tentando se livrar do vício ou procurando a paz interior, temos que estar preparados para o que vamos encontrar, se é que não vamos ser encontrados primeiro.

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