Em boa companhia - YabloG!

Em boa companhia

julho 20th, 2005 | Por Fábio Yabu em Resenhas

Quando você pega um filme, um livro ou algo que o valha, deve ajustar o seu nível de percepção da realidade para o que é proposto pela obra. Do contrário, só assistiríamos a documentários. Ajustada a sua percepção, torna-se possível assistir a qualquer tipo de obra, crível ou não, desde musicais a comédias românticas. Essa é uma das coisas mais legais do processo criativo, convencer a audiência de uma mentirinha e assim fazê-la rir ou chorar.O problema é quando uma obra oscila demais entre o real e a fantasia, não se define e se perde em seu propósito sem justificativa aparente. Um ótimo exemplo é “Em boa companhia”, uma comédia quase-romântica com Dennis Quaid, Topher Grace (o Eric de That 70′s Show) e a gracinha da Scarlett Johansson.

O filme se perde. Ele tenta explicar de forma simples (quase banal) o dia a dia das empresas que são compradas e vendidas pelos grandes conglomerados de mídia que estão dominando o mundo. Começa legal, tem cenas interessantes mas quando parece que o negócio vai melhorar… derrapa vergonhosamente, utilizando recursos primários como os protagonistas andando por NY conversando enquanto uma música romântica impede que a audiência ouça o que eles estão dizendo. Saída simples para roteiristas que não conseguem ou não querem escrever diálogos inteligentes.

Scarlett Johansson está meio perdida, na verdade sua personagem Alex tem uma participação muito pequena na trama, quase um enfeite chique (e com lábios maravilhosos). Todo o lance gira mais em torno de Topher Grace (ótimo por sinal) e Dennis Quaid, as discussões sobre jovem versus velho, on versus offline, família versus trabalho… discussões que poderia ter algum conteúdo inteligente, mas são fracas, insípidas e não trazem nada de novo para alguém minimamente esclarecido.

O inevitável final feliz é irritantemente previsível.

O filme tem lá seus méritos também. Nele podemos ver Topher Grace crescer como ator, a edição tem seus momentos interessantes e Scarlett Johansson na tela nunca é demais. Acho que é crueldade dizer que “Em boa companhia” é um filme “Sessão da Tarde”, mas eu o enquadraria facilmente naquela categoria de filmes para se ver num sábado à noite ao lado de quem você… hã, talvez nem goste tanto assim.

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