Avril - YabloG!

Avril

setembro 29th, 2005 | Por Fábio Yabu em Crônicas

Dizem que cada geração tem o ídolo que merece. A afirmação geralmente é seguida de um “no meu tempo…” que deixa de lado fatores sociais, políticos e econômicos que heterogenizam as décadas e a cultura pop. Justifica-se apenas pelo saudosismo e natural rejeição do novo por quem está vendo o bonde da vida passar.

Para alguém que já se aproxima de uma idade em que tudo que se refere ao passado é “no meu tempo”, assistir ao show da cantora Avril Lavigne em São Paulo foi uma experiência rica, curiosa, e por que não, divertida?

Em torno de 40.000 fãs se reuníram numa tarde nublada no Estádio do Pacaembu para assistir a cantora recém saída da puberdade que muitos deles nem ainda alcançaram. A grande maioria do público era formada por crianças e pré-adolescentes, meninas vestidas e penteadas a caráter acompanhadas pelos pais. Alheias à histeria que se instalou no instante em que os primeiros acordes de Sk8ter Boi foram ouvidos, crianças pequenas corriam e brincavam de pega-pega na pista.

Apesar de curto, com pouco mais de uma hora e quinze minutos, o show deixou a todos satisfeitos. Os grandes hits como I’m with you, He wasn’t, Losing Grip, Nobody’s Home e também covers de Blink 182 (All the Small Things) e Blur (Song 2) foram cantados em uníssono e alto e bom inglês pelo público. Entre um sucesso e outro, Avril também arriscava solos de bateria, violão e piano que, se não são demonstrações de um primoroso talento, ao menos a diferenciam de suas concorrentes loiras, rebolantes e siliconadas.

Entre as imagens curiosas que definem o show e também a primeira geração criada à base de Internet e TV a cabo, está um garoto de 6 anos cantando o hit Complicated com impressionante fluência e centenas de pontinhos luminosos na pista formados não por isqueiros ou flashs de máquinas fotográficas, mas visores de celulares e câmeras digitais, cujas fotos a essa hora já povoam milhares de blogs e flogs internet afora.

Saem as brigas, desmaios, cerveja e cheiro de cigarro tão comuns em shows desse tamanho e entram as famílias felizes, sorvetes e cachorros-quentes. A calmaria na entrada e saída espelham a rebeldia sem causa de quem, de mãos dadas com os pais e irmãos, ainda não tem lá muito do que reclamar.

Quem dera se fosse sempre assim.

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