outubro/31/2005

Agora, sabe o que me deixa nervoso? Repórteres despreparados e suas perguntas retóricas, que tornam o ato de dar uma entrevista algo sacal. Perguntas do tipo:- Como você se sente desenhando seus personagens junto com essas crianças?

A resposta que eu queria dar:

- Mas que pergunta estúpida! Não tinha nada mais inteligente pra me perguntar, não? Não vou nem responder, se vier com mais uma dessas eu chamo o segurança.

A resposta que eu dei:

- Ah, é muito legal… é super gostoso ter todo esse carinho do meu público.

- De onde você tirou a idéia de escrever seu livro?

A resposta que eu queria dar:

- Como assim, de onde eu tirei a idéia? Você acha que é assim? Que eu não tinha nada melhor pra fazer da vida e resolvi começar a ter idéias? Que vou responder algo como “ah, eu sempre gostei de escrever e desenhar… sempre gostei do mar… então, fiz um livro!”. A vida não é assim não, meu filho! Segurança, acompanhe o cavalheiro até a porta.

A resposta que eu dei:

- Bom… eu sempre gostei de escrever e desenhar… sempre gostei do mar… então… fiz um livro.

- Só pra terminar, que dica você dá para a criançada ler mais?

A resposta que eu queria dar:

- Desligar a TV no horário do seu programa já seria um ótimo começo.

A resposta que eu dei:

- Bom… ler sempre é bom, né? Então… bem, então leiam bastante!!

- Muito obrigado, Flávio!

- É Fábio.

- Muito obrigado, Fábio! Depois a gente edita.

- Imagine! Que horas vai passar? (sorrindo falsamente, pensando “não vou assistir, mesmo…”).


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