Livro novo
Mais algumas do livro novo, já que devo ficar uns dias sem postar:




Harry Potter e Nárnia
Bom, já que fiquei devendo comentários sobre dois dos maiores blockbusters da temporada, resolvi falar de ambos e fazer algumas comparações.Pra começar, eu esperava mais de ambos. Primeiro, Harry Potter.
Veja bem, todo mundo sabe que eu não sou nenhum adorador fervoroso da série. Acho tudo comercial demais, grandioso demais, ambicioso demais. Não acredito em clássicos que nascem da noite para o dia, que viram febre e depois tendem a entrar em declínio para serem substituídos como massa de tomate numa prateleira de supermercado.
Porém confesso que gostei bastante do terceiro filme, porque mesmo não tendo lido o livro, consegui acompanhar a história, me envolver e sentir como se estivesse sim, assistindo a um FILME e não um livro filmado, como é o caso do primeiro.
Infelizmente esse deslize é cometido no quarto filme. Não, não li o livro, nem tenho vontade de ler. Por isso acho que o filme tinha a obrigação de me agradar. Mas é longo demais, dá voltas demais, enrola demais. Entendo que seja uma história adaptada de um livro longo, mas adaptar é isso mesmo, cortar, aparar, decepar. Eu tiraria facilmente uns 40 minutos do filme.
Achei também que os atores estavam melhor dirigidos no terceiro filme. Basta comparar as cenas da Hermione, que vez por outra solta uns grunhidos totalmente desnecessários que deixam a personagem ainda mais chata.
Mas o filme tem sim seus méritos, vai. Eu não compraria o DVD, mas acho que a ida ao cinema valeu a pena pelos efeitos e pela boa história que acabou se perdendo na direção e roteiro confusos. É também curioso notar a verdadeira ode à puberdade que o filme se transformou. Aquele Krum está mais para The O.C. do que Harry Potter, mas enfim.
Bom, já As Crônicas de Nárnia tem exatamente o mesmo problema de Harry Potter. Não é porque é “Disney” como adoram dizer pejorativamente. É porque é como se fosse um livro filmado. Passagens longas demais, personagens literais demais, e ainda com uma enorme desvantagem chamada Senhor dos Anéis, que transformou qualquer cena de batalha que veio depois em lugar comum. Mesmo tratando-se de uma história completamente diferente, o “cheiro” do filme já é meio velho, datado. Apesar dos efeitos soberbos, a direção de arte e fotografia deixam muito a desejar, deixando o filme sem personalidade, comum, normal. Achei bem fraquinho.
Um filme que acho que fez um trabalho soberbo na adaptação de um livro foi “Desventuras em Série“. Esse sim deveria ser o referencial e divisor de águas para as adaptações infantis. O filme corta o que tem que cortar, afinal são três livros em duas horas, é contado de uma maneira sucinta e sem exageros e ainda tem uma direção de arte que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Sem dúvida dá um banho em Harry Potter e Nárnia juntos.
Juliana
Esses dias eu estava na Saraiva Megastore do Shopping Morumbi quando me vi numa dessas situações das quais até tentamos tirar uma lição, mas no fundo, a própria experiência, no momento em que ocorreu e somente nele, nos leva a patamares mais confortáveis de consciência. Como se, naquele momento, tivéssemos um pequeno lapso e pudéssemos ver uma pequena explosão acontecendo bem diante dos nossos olhos, para então sumir e nos deixar sem palavras, apenas com um sorriso. Desse sorriso tiramos conclusões, precipitadas, inúteis, que em nada se comparam à beleza daquele momento especial.
Eu olhava os livros infantis quando de repente ouço a voz de uma menina chamando pela atendente, bem ao meu lado. Não sei se ela ouviu ou não, prefiro acreditar que não, pois ela simplesmente saiu andando, e a garota ficou sem atendimento. Como eu estava ali do lado, falei “Olha, eu não trabalho aqui, mas se você quiser eu posso te ajudar!”.
Então ela perguntou: “Sobre o que é esse livro?”. Folheei, falei por alto o que era, e ela seguiu “e esse?”, “pra que serve esse?”, “e esse”?, até que vimos uns seis ou sete livros antes de sua vó vir buscá-la. As perguntas não cessaram, e lá pelo nono livro, ela pegou na minha mão e não quis largar mais, por mais que sua avó estivesse com pressa, prometendo voltar ali no Natal para comprar os livros que ela quisesse.
Após muita insistência, “deixa o moço, ele está com pressa!”, “tô não, senhora!”, respondi, “vamos embora, Juliana!”, ela finalmente largou. Me deu um gostoso abraço, um beijo no rosto e disse “tchau”.
Juliana não queria voltar ali para o Natal, apenas alguém que visse os livros com ela. Talvez a atendente não a tivesse ouvido, talvez a tivesse ignorado mesmo ou fechado os olhos para o fato daquela menina de 13 anos ser deficiente mental. Qualquer que tenha sido o seu motivo, ela me deu um a mais para sorrir naquele dia.
Mea Culpa
Essa é uma daquelas idéias que depois de um tempo você agradece por não terem ido para a frente (não foi minha, veja bem! Foi da fábrica de brinquedos!). Esse anúncio nunca foi publicado… e nem finalizado, na verdade. Vamos dizer que ele… sofreu um acidente quando esquiava. =P
Atendendo a pedidos, aqui está a imagem em alta resolução.

Poder e dever
Enquanto os substantivos poder e dever possuem significados completamente diferentes, quando utilizados como verbos são bastante semelhantes. Deixando um pouco a etimologia de lado, consegui ver com mais clareza a tênue linha que separa os dois nesse final de semana.A entidade que sirvo realiza todos os anos um evento beneficente para arrecadar fundos para sua manutenção. Graças a um trabalho sério realizado ao longo de mais de 40 anos e à boa vontade de milhares de pessoas, esse evento é sempre um sucesso, e teve em sua última edição a presença de mais de 3000 pessoas, cujas contribuições em dinheiro ajudarão a manter alimentadas dezenas de crianças carentes pelos meses que virão.
Toda a realização desse grande evento depende da solidariedade e do trabalho de dezenas de voluntários, abençoados sejam. Mas é claro que nem tudo são flores, a natureza humana é cheia de nuances entre alguns aspectos admiráveis, e outros nem tanto. Observar e notar o contraste entre esses eles, mesmo em agrupamentos aparentemente homogêneos, me causa uma certa estranheza.
Pois bem. Estavam lá reunidos, em prol de uma causa nobre, mais de 50 voluntários, cheios de sorrisos e boa vontade que, veja bem, não questiono em momento algum. Porém, o que me causava certo incômodo era notar que, mesmo em trabalhos realizados de forma voluntária, as pessoas têm uma tendência enorme a seguir pelos caminhos mais fáceis e cômodos, como na hora em que apenas seis pessoas trabalhavam na árdua montagem das mais de 400 mesas, deitadas ou sentadas no chão empoeirado, enquanto cerca de vinte se preocupava em circular pelos corredores colocando bexigas em cima delas conforme suas montagens terminavam. Havia também uma pessoa extremamente preocupada com a cor das bexigas que, tão logo percebia não combinarem com a cor da toalha, prontamente punha a mão na massa e a trocava pela da mesa ao lado.
Nessa hora me perguntei qual era a diferença entre poder e dever, e percebi como as pessoas se acomodam quando se propõem a fazer o que “podem”. Ao final do evento, a cena se repetiu, quando uma minoria suava a camisa carregando e empilhando as exatas 4000 cadeiras, e um número muito maior se preocupava em recolher e estourar bexigas. Quando as bexigas acabaram, sobrou para seis gatos pingados que seguiram madrugada adentro recolhendo borracha colorida do chão enquanto os “estouradores” trataram de ir embora rapidamente tão logo seu “trabalho” terminou.
Não é preciso ir longe para buscar outros exemplos. Tão pouco precisamos nos esforçar muito para lembrar de tantos sábios, escritores, filósofos, budas e jesuses que insistentemente nos falaram sobre como é importante aproveitar ao máximo o potencial que nos é emprestado em sua plenitude. Sobre a clara diferença entre o poder e o dever. Se estiver difícil, tem ainda a máxima de nossas mães: “se é pra fazer alguma coisa, faça direito”.





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