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Princesas do Mar - Uma sombra na água

Publicado em Fevereiro 27th, 2006 in Trabalhos by Fábio Yabu

É título do meu segundo livro, que deve chegar às livrarias em maio. Apesar da presença de uma trama principal, que se divide de maneiras diferentes entre os diversos personagens, acho que o livro é muito mais ligado nos personagens e em suas emoções do que na trama em si. Por isso foi tão difícil escolher o título, que só “saiu” durante o processo de diagramação (meu tempo já havia se esgotado!).

A única premissa que segui foi da imprevisibilidade da vida, amenizada e romantizada para um livro infantil. Apesar disso, tive que escrever e ilustrar cenas de dor e lágrimas, praticamente ausentes no primeiro livro, mas muito abundantes no segundo. É claro que também coloquei um final feliz, mas não porque manda a etiqueta, e sim porque a vida oferece finais felizes para alguns e outros nem tanto. Justamente por isso não é um final feliz para todos os personagens.

E essa é uma das coisas que eu não pretendo falar numa entrevista a não ser que eu deslize e me esqueça. Mas uma das imagens que me ressoaram na mente quando rascunhei as primeiras páginas foi a do massacre de Beslam, que marcou para sempre a data do meu aniversário. Como a tragédia pode atingir as pessoas mais improváveis e mais inocentes, do nada, ao acaso. O nome do livro era “O dia em que a manhã não veio“, mas achei meio dramático demais e muito extenso. Não se preocupe, não teremos terroristas no segundo livro das Princesas do Mar, não se trata de uma versão Ultimate. Acho que continua sendo um livro até certo ponto inocente, mas muito mais carregado de reflexões sobre o mundo atual do que o primeiro. Também acho que nele me encontrei como escritor, e me fortaleci para o que considero o meu próximo desafio: fazer do terceiro livro das Princesas do Mar o melhor da série. Já tenho toda a história rascunhada na cabeça, preciso só terminar os ajustes no segundo para finalmente passar para o papel. A grande vantagem de fazer isso é que finalmente vou poder dormir em paz, já que estou tão empolgado com ela que mal consigo desligar a mente à noite. =)

Abaixo, a capa, que ainda vai ter algumas modificações mas é basicamente isso.

capa_full9.jpg

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Birigui continua linda!

Publicado em Fevereiro 26th, 2006 in Amenidades by Fábio Yabu

Após três dias de visita à minha amada Birigui, estou de volta à São Paulo. Vamos a alguns fatos curiosos que ocorreram durante a minha jornada:

  • Tomei um Frutare de uva e meu palito veio premiado!! Troquei o palito por um de limão e… adivinhem? Também veio premiado! Só não troquei de novo pra não ficar gordinho. Mas o palito está aqui. Acho que vou pendurar no pescoço.
  • Estou viciado em Nina Simone. É uma delícia viajar ouvindo Nina Simone.
  • Esqueci meu “Ensaio sobre a lucidez“, do Saramago, no hotel. Mas não se preocupem, o tiozinho guardou pra mim, já que devo retornar em breve.
  • Vodka, suco de pêssego e vinho pode ser uma combinação deliciosa, mas não é pro meu fígado. Pra quem quiser aprender, misture: vodka + suco de pêssego bem devagar depois vinho tinto, num daqueles copinhos de shot usados para bebidas como tequila. Se der certo, os três líquidos não vão se misturar. Beba de uma vez só e descubra se o fígado realmente é o único órgão que se regenera! A receita se chama “Te pego na subida” (por que será?) e foi ensinada pela minha linda prima Karina.
  • Desde que me conheço por gente, visito Birigui, onde passei as melhores férias da minha infância. Pela primeira vez, me hospedei num hotel, o famoso e tradicionalíssimo Arco Verde, ao invés da casinha da minha Ba-chan. Olha, o hotel não é lá grande coisa, mas o atendimento é cordial e a localização é ótima. Além do mais, é um dos cartões postais da cidade. Fica na Rua das Saudades, a duas quadras da Sorveteria Alaska, quatro da casa da minha Ba-Chan e umas seis da rodoviária. Quem quiser conhecer, o site é http://www.hotelarcoverde.com.br/fotos.htm
  • A grande novidade gastronômica da cidade é o tal do Milkshake de Ovomaltine do Chiquinho. Infelizmente não pude provar, mas metade da cidade comentou. O Chiquinho, pra quem não sabe, fica na Rua Barão do Rio Branco, um pouquinho depois da Galeria.
  • Vi também a casa dos Smurfs. Fica na frente do Panela de Ouro, procure lá que você acha. Não, não foi depois que tomei o “Te pego na subida“.

Enfim, Birigui continua linda! Mesmo com todo o desenvolvimento industrial que trouxe progresso à “Cidade Pérola” e seus habitantes, ela continua sendo um lugar calmo e pacato para se viver e trabalhar, onde trânsito e poluição só são conhecidos pela TV e o último sequestro, que data de uns 2 anos atrás, ainda é assunto na cidade. Visite e apaixone-se!!

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Lost - O que esperar da segunda temporada

Publicado em Fevereiro 17th, 2006 in Lost, TV by Fábio Yabu

lost-season-2_1.jpg

Atenção! Vou dividir esse texto em três partes: a primeira para quem já terminou de ver a primeira temporada, a segunda para quem ainda não terminou, ambas SEM SPOILERS. A terceira parte é COM SPOILERS sobre os personagens da segunda temporada e só é recomendada para… bem, não é recomendada para ninguém que não tenha assistido à segunda temporada, ou seja, não serve pra nada. Eu devia é estar escrevendo meu terceiro livro ao invés de perder tempo com essa bobagem… mas enfim.

Preparados? Então vamos lá!

Pra quem já viu a primeira temporada:

A chamada da AXN não poderia ser mais bem acertada: TUDO MUDARÁ. Se você acha que já tem mistérios o suficiente sobre a escotilha, os números, os outros e o monstro Lostzilla prepare-se: vem muito mais por aí.

Muitas respostas são reveladas logo nos primeiros capítulos da segunda temporada, inclusive o que há dentro da escotilha. Descobrimos mais coisas sobre “os outros”, mas eles talvez não sejam bem o que esperamos. Em dado momento da série, alguns se perguntam se não há muitas respostas num período muito curto de tempo, só para descobrir que mais e mais perguntas surgem a cada episódio. Ô seriado porreta!

E a qualidade? Cai?

Felizmente, Lost não sofre da síndrome da segunda temporada, à qual muitas séries acabam sendo canceladas pois não conseguem prender seus telespectadores. Nesse quesito, Lost é um verdadeiro calabouço. A segunda temporada começa de forma genial, mantém-se muito bem nos três primeiros capítulos depois dá uma caída na qualidade por uns dois ou três episódios antes de voltar à velha forma. Atualmente no décimo quarto episódio, assistí-la é um vício compulsivo para milhares de fãs.

O grande mérito dos produtores foi ter dado uma nova direção à série antes mesmo que ela começasse a dar sinais de cansaço. Ainda muito ligada aos personagens, principalmente Locke e Jack, a série agora traz desafios psicológicos tão grandes para eles que sobreviver na ilha passa a ser, definitivamente, o menor de seus problemas.

E a **** dos números?

Você vai continuar ouvindo falar MUITO neles.

Teremos novos personagens?

A segunda temporada aumenta consideravelmente o universo de personagens da primeira. Teremos novos e importantes personagens esporádicos e alguns fixos que injetam sangue novo na história.

Alguém morre?

A contagem de corpos continua com um personagem muito querido dando adeus ao elenco.

Pra quem não viu a primeira temporada:

Prepare-se e não perca um só episódio: os primeiros episódios da segunda temporada fazem TUDO valer a pena. Sem mais por enquanto para não estragar surpresas.

Pra quem quer spoilers de montão!!

Só para quem já está vendo a segunda temporada. Eu avisei, hein? Para ler, marque o texto em branco abaixo:

Ana Lucia

Interpretada pela mulher-macho Michelle Rodriguez, de Swat, Resident Evil e Velozes e Furiosos, filmes em que fez exatamente o mesmo papel. Latina durona, cheia de frases de efeito e um rostinho que… ai, ai. E o sorriso então? E as pernas? E a…?

Ah, Ana Lucia… encheu o Sawyer de porrada, manda até no Mr. Eko e tem frases de efeito que deixariam as Gilmore Girls sem fala. Mais durona que ela, só Chuck Norris.

Frase de efeito: “Quando eu mandar você fazer algo, você faz. Eu digo ande, você anda. Eu digo pare, você para. Eu digo pule, o que você diz?”

Mr. Eko, Zé Pequeno, Jesus Stick

Simplesmente a melhor coisa da segunda temporada. Mr. Eko é interpretado magistralmente por Adewale Akinnuoye-Agbaje (duvido você falar três vezes, aliás, uma vez só tá bom), de Oz e A Identidade Bourne.

Frase de efeito: “Mr. Eko é o c*****! Meu nome é Zé Pequeno, p***!” (ok, ele não fala isso, mas bem que poderia)

Desmond

Esse sim é meu BROTHA!! O resto é colega! Interpretado pelo filho um escocês com uma peruana, Henry Ian Cusick era bem desconhecido até interpretar o sinistro personagem ligado ao passado de Jack que chama todo mundo de brotha. Dizem que ele vai voltar em episódios futuros.

Frase de efeito: “See ya in another life, BROTHA!”

Barba, Mendigo do Pânico, Zeek, Mr. Friendly

Esse sinistro personagem ainda não teve seu nome revelado e só participou rapidamente de dois episódios. Aparenta ser o líder dos Outros. Sequestrou Walt, botou Jack, Locke, Sawyer e Kate pra correr e ainda conhece todos os sobreviventes pelo nome… isso sem tomar um único banho!

Frase de efeito: “Essa não é a sua ilha. É a nossa ilha.”

Rousseau, French Chick

A dona da sinistra voz ouvida no primeiro episódio ainda não deixou claro se é inimiga ou aliada, e aparece esporadicamente para ajudar nossos heróis. É uma espécie de Power Ranger Verde.

Frase de efeito: “Ele é um deles!” (ela só fala isso…)

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Mundo bizarro

Publicado em Fevereiro 17th, 2006 in Amenidades by Fábio Yabu

Enquanto o chargista que fez as caricaturas do profeta Maomé foi jurado de morte pelos muçulmanos, o cara que faz as propagandas da Colgate continua solto. Não dá pra entender.

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Bambi 2 - O grande príncipe da floresta

Publicado em Fevereiro 16th, 2006 in Filmes by Fábio Yabu

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O grande barato de ser criança está no olhar. Ver absolutamente tudo o que está ao redor com surpresa e curiosidade. Walt Disney sabia disso. Sua genialidade nunca esteve no roteiro, nem mesmo no traço, que, segundo reza a lenda, não era lá grandes coisas. Mas sem dúvida foi o homem certo na hora certa, que aproveitou seu momento e reciclou velhas fábulas infantis em clássicos do cinema, reinventando-os com sons e cores até então jamais vistos.

Bambi, de 1942, foi o quinto longa-metragem de Walt Disney para a telona. A história, totalmente circular, causa encanto e nostalgia até hoje justamente por mostrar o mundo, com tudo o que tem de bom e ruim, pelos olhos de uma criança, no caso, um filhote de cervo. Os primeiros passos, a primeira chuva, as estações do ano, a perda de um ente querido e, finalmente, a idade adulta e a chegada dos filhos (parte do filme estranhamente esquecida por todos).

Nos dias de hoje, Bambi pode parecer uma aberração para os padrões quadradinhos da indústria. Sua mãe morre a tiros, seu pai parece pouco se lixar para ele e o filme não traz nenhum discurso ressaltando a importância do diálogo entre pais e filhos. Nada disso é um defeito a ser corrigido; trata-se apenas do retrato de uma época, uma indústria, um criador e, é claro, da própria história original, publicada em 1923.

Mais de seis décadas depois, resolveu-se consertar o que não estava quebrado. Não existe um propósito claro para a existência de Bambi 2. Trata-se de um remendo desnecessário, que preenche a lacuna entre a infância e a adolescência do personagem mostrados no original. A seqüência também passa por uma “malufização” e refaz a imagem do pai. Antes totalmente frio, incapaz de dizer uma palavra ao filho que acaba de perder a mãe, ele é transformado em uma figura terna, um herói. É a atual obsessão estadunidense de se discutir a relação com os próprios filhos.

A animação, apesar de a rigor ser bem feita, tem erros crassos e cenas preguiçosas, com personagens sem sombras e animais correndo em loop ao fundo. Os recursos digitais usados para fazer os cenários parecem não ter aproveitado os mais de 60 anos de vantagem e conseguem ser inferiores aos do original. Anos que também trataram de contaminar o roteiro com toda a “contemporaneidade” hollywoodiana e seus clichês obrigatórios como o reencontro em sonho com a mãe morta, uma piada sobre flatulência e até um vilão que faz piada sobre a sexualidade de Bambi (!!!). Morte e ressurreição causada por uma lágrima? Pode apostar!

O novo filme é ideologicamente antagônico ao primeiro. Nada mais tem cheiro de novo, nem para adultos nem para crianças, hoje muito mais espertinhas do que há sessenta anos. Com motivos de sobra, Bambi 2 entra com todas as glórias para o hall das sequências constrangedoras e caça-níqueis da Disney.

Bambi II - O grande príncipe da floresta
Direção: Brian Pimental
Vozes no original: Patrick Stewart, Alexander Gould, Andrea Bowen, Anthony Ghannam

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Fatos sobre Chuck Norris

Publicado em Fevereiro 14th, 2006 in Bobeirinhas by Fábio Yabu

Traduzidos livremente do genial ChuckNorrisFacts.com, que você deveria visitar agora mesmo:

  • Chuck Norris faz as cebolas chorarem.
  • Chuck Norris escova os dentes com arame farpado.
  • Quando Chuck Norris faz flexões, ele não está empurrando seu corpo para cima, e sim empurrando a Terra para baixo.
  • Chuck Norris já contou até o infinito - duas vezes.
  • Chuck Norris não dorme. Ele espera.
  • Chuck Norris é a razão pela qual Wally se esconde.
  • Chuck Norris não usa relógio. ELE decide que horas são.
  • Chuck Norris precisa de dublês nas cenas de choro.
  • Armas não matam as pessoas. Chuck Norris mata as pessoas.
  • Chuck Norris não caça. Chuck Norris mata.
  • Certa vez Chuck Norris comeu um bolo inteiro antes que seus amigos dissessem que havia uma stripper dentro.
  • Chuck Norris pode dividir por zero.
  • Uma imagem vale por mil palavras. Uma de Chuck Norris, um bilhão.
  • Chuck Norris sabe a exata localização de Carmen San Diego.
  • Chuck Norris pediu um Big Mac no Burger King… e ganhou um.
  • Chuck Norris inventou a cesariana depois que saiu da barriga de sua mãe a chute.
  • O Triângulo das Bermudas costumava ser o Quadrado das Bermudas… até Chuck Norris chutar uma de suas pontas fora.
  • James Cameron queria que Chuck Norris fosse o Exterminador do Futuro. Mas mudou de idéia ao perceber que o filme se tornaria um documentário, então resolveu contratar Arnold Schwarzenegger.
  • O texto original de “O Senhor dos Anéis” tinha Chuck Norris no lugar de Frodo Bolseiro, e possuía apenas 5 páginas, já que Chuck Norris chutou a bunda de Sauron no meio do primeiro capítulo.
  • Se, por um incrível paradoxo espaço-temporal Chuck Norris enfrentasse a si mesmo, ele venceria. Ponto.
  • Chuck Norris está processando o site MySpace por roubar o nome que ele usa para tudo ao seu redor.
  • Chuck Norris não brinca de ser Deus. Brincar é para crianças.
  • Chuck Norris pode queimar formigas com uma lente de aumento. À noite.
  • Chuck Norris destruiu a tabela periódica. Para ele, só existe o elemento “surpresa”.
  • Chuck Norris pode julgar um livro pela capa.
  • Chuck Norris disse “Não” às drogas. Se ele dissesse “Sim”, a Colômbia entraria em colapso.
  • Quando Deus disse “Faça-se a luz!”, Chuck Norris disse “Diga por favor!”
  • Quando Bruce Banner fica nervoso, ele vira o Hulk. Quando o Hulk fica nervoso, ele vira Chuck Norris.
  • 4 de julho é o Dia da Independência americana. E o aniversário de Chuck Norris. Coincidência? Acho que não.
  • O universo está em constante expansão. Tentando fugir de Chuck Norris.
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Lost - O que esperar da primeira temporada

Publicado em Fevereiro 7th, 2006 in Lost, TV by Fábio Yabu

Como todos devem saber, a GloBBBo está exibindo a primeira temporada da minha série dramática favorita, Lost. Para ajudar a situar a vindoura legião de fãs, preparei um pequeno guia sobre a série e seus personagens, sem spoilers. Quando a segunda temporada for exibida pelo AXN, tratarei de fazer o mesmo.

Bom, vamos lá:

O que é?
Lost é uma série dramática diferente de tudo o que você já viu na TV, a começar pelo número de personagens: são ao todo 48 sobreviventes de um desastre de avião, dos quais conhecemos a fundo por volta de 10.

A história começa com a queda do avião da Oceanic Airlines, partido de Sydney com destino a Los Angeles. Após se partir ao meio em pleno vôo, as partes do avião caem sobre uma ilha e milagrosamente muitos de seus passageiros sobrevivem.

Antes completamente desconhecidos, agora eles precisam se unir para sobreviver e desvendar os mistérios da ilha, que incluem árvores que se contorcem violentamente, seres que gritam e sussurram à noite e toda sorte de bizarrices.

O que não é?
Por mais estranhos que possam parecer os fenômenos, Lost não é uma série de bizarrices inexplicáveis como Arquivo-X. Um dos grandes trunfos são os personagens. Cada episódio trata de um deles, mostrando quem ele é e o que fazia antes da queda do avião. Dessa forma, um intrincado quebra-cabeças vai se formando, quando a uma certa altura você percebe que nada - e nem ninguém - está ali por acaso.

Quem criou?
JJ Abrams, criador de Alias e Tristicity, digo, Felicity, em parceria com Damon Lindelof e Jeffrey Lieber.

JJ Abrams tem um currículo televisivo invejável, pois além de atualmente ser o produtor mais badalado dos EUA, revelou ao mundo Jennifer Garner em Alias. Apesar disso, ele também já deu suas derrapadas na vida. Alguém aí se lembra do final de Felicity? Eu nunca vou esquecer, já que ela simplesmente volta no tempo numa série que até então era tão científica e profunda quanto sua contemporânea Dawson’s Freak. Hoje estou mandando ver nos trocadilhos.

Na verdade esse é meu único medo, certamente compartilhado por milhões de telespectadores ao redor do mundo. Que, no último episódio da série JJ Abrams invente uma desculpa estapafúrdia do tipo “eles estavam mortos desde o primeiro episódio”, “eles estavam no inferno” ou “num reality show perverso exibido por alguma emissora de TV”. Felizmente, essas três hipóteses já foram negadas pelos produtores.

O que são os tais números?
Nunca numa série de TV um elemento teve tanta repercussão quanto os misteriosos números de Lost. 4, 8, 15, 16, 23, 42. É tudo o que você precisa saber.

Quem é quem?
Abaixo, algumas informações sem spoilers de alguns dos personagens principais.

 Jack: um médico bonitão, interpretado por Mattew Fox, de Party of Five. É o líder do grupo, um cara centrado, cético, que às vezes tem uns ataques de histeria. Mas é um bom rapaz.

 Locke: foi considerado pelos americanos o personagem mais sinistro da TV. Fique de olho nele. É um caraquinha estiloso, interpretado pelo famoso Terry O’Quinn, do qual eu nunca havia ouvido falar.

 Kate: mundialmente conhecida como a versão bonita da Alanis Morissette. Evangeline Lilly é um dos melhores motivos para se ver TV hoje em dia. A moça também é engajada e antes de ser atriz era modelo e se dedicava às causas humanitárias como a fome na África. Podia vir fazer uma caridade aqui em casa também…

 Sawyer: tudo o que uma pessoa tem de ruim ele tem: é egoísta, desonesto, salafrário, boca-dura… nenhuma mulher resiste, claro.

 Hurley: o gordinho mais carismático da TV é também peça chave em todo o mistério de Lost. Interpretado por Jorge Garcia, duuuude.

  Jin e Sun: um casal de coleanos que non fala inglês, né? E tem glaaande segledo, né?

 Claire: o sotaque australiano fica quase suportável na voz da bela Emilé de Ravin, uma loirinha tão gracinha que parece que vai quebrar.

 Charlie: interpretado pelo ex-hobbit Dominic Monaghan, é um roqueiro fracassado e caído no esquecimento, quase um Dado Villa-Lobos inglês (maldade).

 Boone: aparentemente não tem muitos mistérios além de como ele faz para manter a sobrancelha levantada daquele jeito. Interpretado por Ian Sommerholder, que vivia fazendo pontas em séries como Smallville, onde interpretou um jovem problemático (e quem não é naquela cidade?) que namorou Lana Lang (e que não namorou?) que teve muitos problemas com Lex Luthor (e quem não teve?). Obviamente foi ajudado por Clark (e quem não foi?) antes de morrer (e quem não morre em Smallville???). Acho que ele fez Dawson’s Creek também… ah, não. Foi aquele filme com o Dawson, “The Rules of Atraction”.

 Shannon: parece que está provado, ser loira e gostosa aumenta suas chances de sobreviver a uma queda de avião. O que não é ruim de forma alguma, Maggie Grace é uma… graça. Esse trocadilho foi péssimo.

 Michael: polivalente, o ator Harold Perrineau já fez papel de travesti e de operador da Nabucodonossor em Matrix Reloaded e Revolutions em interpretações que achei medianas. Também já interpretou um presidiário (como todo ator negro) em Oz e um ser meio andrógino em Romeo + Julieta. Como Michael, ele interpreta um arquiteto que nunca teve contato com o filho de 10 anos, que agora começa a conhecer na ilha. Bom, tempo eles vão ter de sobra.

 Walt: criança que não faz papel de meiga faz papel de louca ou de assombração. Qual deles Walt é? Brrrrr, esse moleque me dá medo.

 Sayid: um iraquiano no meio de um avião repleto de americanos, dá pra imaginar? Apesar do sotaque carregado, Sayid manda muito bem nos phrasal verbs e em umas conjugações verbais bem loucas que nem minha professora de inglês sabia fazer. É, outro mistério da ilha… Interpretado pelo excelente Naveen Andrews, é um dos personagens mais queridos da série.

French Chick: a voz ouvida no primeiro episódio. Éeeeee… essa é sinistra! Sem mais detalhes nem foto.

Episódios-chave:
Em geral, todos os episódios de Lost são bons. Alguns são fracos, e tem uns que são simplesmente sensacionais. Esses são os que você não pode perder de jeito nenhum, pois além de serem muito bem escritos, contém pistas do mistério envolvendo a ilha:

1-2: O piloto da série. Sem trocadilhos, é o piloto mesmo!!

4: Walkabout: Sobre Locke.

9: Solitary: Sobre Saiyd.

10: Raised by another: Sobre Claire.

11: All the best cowboys have daddy issues: Sobre Jack

14: Special: Sobre Michael e Walt. Brrrr…

15: Homecoming: Sobre Charlie.

18: Numbers: Sobre Hurley e os MALDITOS NÚMEROS! Esse é genial.

23, 24 e 25: Exodus, episódios finais da primeira temporada, que junto com o CSI de Tarantino foram a melhor coisa que passou na TV em 2005.

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A barata diz que é zen

Publicado em Fevereiro 1st, 2006 in Budismo by Fábio Yabu

Era um dia de meditação e aprendizado budista como qualquer outro. Sentados em flor de lótus, ouvíamos a voz tenra da monja, tão baixa que precisava ser amplificada por um microfone dentro daquela sala onde cabiam pouco mais de quarenta pessoas.Ela falava da experiência de Sidarta Gautama debaixo da figueira, onde ele meditou por muitos dias (alguns dizem sete, outros quarenta e nove) até atingir a iluminação e se transformar em Shakiamuni Buda, o “ser iluminado”. Independente das controvérsias históricas, a experiência de Buda tem transformado metade dos seres humanos planeta há mais de 2500 anos.

Por mais cercada de misticismo que possa parecer, na verdade a iluminação é uma experiência simples de ser explicada: é a percepção de que não existe um “eu” individual separado de todas as outras coisas e formas de vida. Que todos somos apenas um grande organismo vivo e pulsante, atemporal, supremo.

Eu não sou eu. Sou árvore, cachorro, grama, barata.

Eis que, como se fosse um gesto ensaiado, me aparece uma barata no meio do templo. Daquelas enormes, quase do tamanho de um bife. Para não estragar a meditação de todos, só olhei de rabo de olho e fechei os olhos.

Mas é claro que uma barata daquele tamanho não podia passar despercebida. Então as pessoas começaram a interromper suas meditações, a se levantar um tanto quanto confusos, afinal, estávamos falando de respeito à todas as formas de vida, não?

Ninguém sabia o que fazer. Mata, não mata? Assusta pra longe? Convida para um chá?

Então um rapaz levantou e disse com uma irritante ternura: “Deixa que eu pego ela… e levo ela lá pra fora!”. Como se a coitada fosse deixar aquele ser humano de 1,70m pegá-la em suas mãos cheias de dedos.

A barata obviamente fugiu, e após algumas risadas, a monja continuou seu discurso, não se esquecendo de dizer que a barata deve sim, ser respeitada como forma de vida, que essa era a experiência da iluminação que atravessou milênios para transformar aquele momento numa lição de vida.

Bom. Acabou a palestra. Todos se levantaram. Algumas moças e rapazes passavam as mãos pelo corpo e pertences perguntando “Ai, credo! Ela passou por aqui? Ela passou por aqui?”

E em algum lugar do cosmo, Buda pôs a mão no rosto e disse “putz”.

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