A Maldição do Super-Homem - YabloG!

A Maldição do Super-Homem

agosto 4th, 2006 | Por Fábio Yabu em Resenhas

Na manhã de 17 de junho de 1959, os Estados Unidos acordaram com uma trágica notícia: o Superman havia morrido. George Reeves, que interpretava o kryptoniano na série de TV havia sido encontrado em seu quarto, morto com um tiro na cabeça. O relatório da polícia concluiu que o ator havia se suicidado, possibilidade desacreditada por sua mãe, Helen Lescher, que iniciou por conta própria uma investigação infrutífera.

Esse foi apenas um dos estranhos fatos envolvendo atores ligados ao papel do Homem de Aço. O mais famoso deles sem dúvida foi Christopher Reeve, que interpretou o Superman na famosa série de filmes. Após sofrer um acidente de cavalo em 1995, o ator ficou tetraplégico e veio a morrer de insuficiência cardíaca em 2004. Em março de 2006, sua esposa Dana Reeves, que não fumava, morreu de câncer no pulmão.

Margot Kidder, que atuou como a Lois Lane ao lado de Reeve, foi vítima de psicose e hoje está em tratamento contra o distúrbio bipolar, que causa variações drásticas de humor. Já Marlon Brando, que interpretou Jor-El nos mesmos filmes, tem seu próprio histórico de tragédias: em maio de 1990, seu filho matou a tiros o namorado da irmã, que entraria em depressão e viria a se suicidar cinco anos depois, aos 25 anos. Marlon Brando morreu aos 80 anos, vítima de um debilitado quadro de saúde nos pulmões, coração e fígado.

A tal “maldição” não poupou nem os seriados mais recentes do herói. Poucos atores que vestiram a capa vermelha vieram a ter algum sucesso após o encerramento de suas séries. A excessiva notoriedade causada pelo manto do Superman atrapalhou e muito a carreira de Gerard Christopher e John Haymes Newton, que interpretaram o Superboy na série de TV dos anos 80, e também de a Dean Cain, o Homem de Aço de “Lois e Clark – As novas aventuras do Superman”, de 1993. Já Lane Smith, que interpretava o editor do Planeta Diário no mesmo seriado teve uma morte dramática: diagnosticado com a Esclerose Lateral Amitrófica, mesma doença que tirou a fala e os movimentos do cientista Stephen Hawking, morreu em 2005 aos 69 anos.

Diante de fatos tão chocantes, fica no ar a pergunta: existe mesmo uma maldição do Superman? Reza a lenda que Keanu Reeves, o Neo de Matrix foi apenas um dos muitos atores que declinaram o papel por medo da tal maldição. Superstição ou não, é preciso também considerar mais alguns fatos relevantes quanto às suas “vítimas”. O mais óbvio é que o personagem foi criado há quase 70 anos, e é natural que muitos dos envolvidos em todas as suas aparições na mídia estejam mortos hoje em dia, vítimas de maldição ou não.
A superexposição causada pelo papel é frequentemente citada como fator que encerrou as carreiras de muitos dos Super-Homens da TV e do cinema. Mas esse fato pouco teria a ver com uma maldição, já que muitos outros atores enfrentaram problemas parecidos em papéis diferentes, como Mark Hammil, o eterno Luke Skywalker.

Já Teri Hatcher, a Lois Lane de “Lois e Clark”, também encontrou problemas depois que a série foi encerrada em 1997. Ela chegou a ser uma Bond Girl ao lado de Pierce Brosnan em 007 – O Amanhã nunca morre, e depois veio a passar alguns anos na obscuridade. A sorte de Teri mudou ao ser escolhida para um papel numa série desdenhada por seis emissoras incluindo a Fox e a HBO, que acabou sendo comprada pela ABC: Desperate Housewives, um dos maiores sucessos da TV nos anos recentes. No papel de Susan Mayer, hoje ela é uma das atrizes mais elogiadas e bem pagas da TV americana.

Há outros fatos que contestam a maldição e raramente são lembrados pelos supersticiosos de plantão. Apesar de ter perdido os movimentos do pescoço para baixo, Christopher Reeve não deixou de lutar pela verdade e justiça. Ele se tornou um grande defensor dos direitos dos deficientes, e um dos mais famosos articuladores a favor das pesquisas com as células tronco nos EUA. Sua fundação Christopher and Dana Reeve Foundation realiza pesquisas pela busca da cura da paralisia enquanto cria programas de melhoria de qualidade de vida dos deficientes. Talvez sua imagem jamais seja desvinculada do papel que o tornou famoso, mas foram seus últimos anos que mostraram à humanidade seu lado Super.

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