
(Desculpem a crítica tardia, tenho tido pouco tempo de ir ao cinema. Cabines então, nem pensar. Mas está aqui, e como vocês verão, é de coração!)
A Dama na Água é um filme mágico. Mas como toda a mágica, você tem que acreditar nela para que ela funcione.
Acredite. Vá ao cinema com a mente aberta; não espere um final mirabolante, sustos a toda hora, não busque pistas escondidas, não tente explicar e nem entender nada. Esqueça do marketing equivocado do filme, não se trata do novo Sexto Sentido. Esqueça dos seus problemas e apenas acredite. Sente-se na poltrona com essa atitude e você certamente terá uma experiência memorável.
A Dama na Água é um conto de fadas atemporal, uma releitura de arquétipos que todos nós lembramos (ou deveríamos). O reino vira um condomínio onde o zelador Cleveland (Paul Giamatti, excelente) cuida de seus habitantes excêntricos com rotinas que beiram a obsessão. O lago vira a piscina do condomínio, a princesa que busca ajuda (Bryce Dallas Howard) vira a personagem que dá nome ao filme. O curandeiro gentil, o valente cavaleiro, o lobo mau, está tudo costurado estrategicamente na história, escondido em camadas à mesma maneira vista em Sinais e Corpo Fechado, filmes cujas semelhanças se limitam à indiscutível qualidade técnica de Shyamalan como diretor.
Não vou comentar aqui sobre as alardeadas críticas negativas ao filme. Na sessão em que eu estava, pessoas resmungavam, se levantavam e saíram xingando. Já eu estava me deliciando, ouvindo com atenção a cada detalhe, aguardando ansioso pela próxima página e pelo final feliz, que veio inundado por lágrimas. Ao acender das luzes, alguns ainda resmungavam, mas olhando ao redor era possível ver sorrisos satisfeitos, talvez não tão apaixonados quanto o meu, mas sempre dizendo “Ah, eu gostei…”. Será que a felicidade é só um ponto de vista?
Talvez. Ao lembrar de filmes infantis recentes como Shrek, Os Incríveis e Monstros S.A., lembro-me da criança que eu era. A Dama na Água é um tipo de filme que me lembra da criança que sou; do quanto é bom (e necessário) acreditar em fadas, guardiões, finais felizes e, principalmente na moral da história que, pelo visto, poucos entenderam.
Meu ranking atualizado de filmes de M. Night Shyamalan:
1. Corpo fechado (Unbreakable) – O melhor! Um filme de super-herói como nunca se viu, simplesmente arruinado pelo título em português. Arruinado! Um título que deu uma expectativa absolutamente errada às pessoas, que só prejudicou o filme. Tem gente que até hoje não viu porque acha que é filme de terror. Direção primorosa, fotografia belíssima, e um dos melhores roteiros hollywoodianos que já vi.
2. A Dama na Água – Acho que não preciso falar mais nada
3. Sinais - Uma maravilhosa história sobre fé disfarçada de filme de ET. Na minha opinião, brilhante! Apesar disso, começou aqui uma estranha obsessão da crítica em perseguir o diretor, numa estranha “maldição do Sexto Sentido”. Todo mundo esperava o próximo Sexto Sentido sem perceber que os filmes de Shyamalan podem oferecer muito mais.
4. O Sexto Sentido – junto com O Chamado, um dos poucos filmes de suspense hollywoodianos dignos de nota dos últimos 10 anos. Uma pena que foi feito antes de Unbreakable. Se a ordem tivesse sido inversa, talvez hoje não existisse a maldição.
5. A Vila – Só não considero um ótimo filme porque acabei desvendando o mistério (por mais que eu tentasse não fazê-lo) lá pelo meio. Novamente, o uso das metáforas para contar uma história relevante é o grande atrativo. Pena que nem todo mundo entendeu.

“I’m not drinking fuckin’ merlot!!!!!”

Blog pessoal de Fábio Yabu, desenhista e autor de livros infantis, criador de "Combo Rangers", 







Mr. Noin (a.k.a. Leal) |
sexta-feira, 8th setembro 2006 at 5:43 pm