setembro/8/2006

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(Desculpem a crítica tardia, tenho tido pouco tempo de ir ao cinema. Cabines então, nem pensar. Mas está aqui, e como vocês verão, é de coração!) :P

A Dama na Água é um filme mágico. Mas como toda a mágica, você tem que acreditar nela para que ela funcione.

Acredite. Vá ao cinema com a mente aberta; não espere um final mirabolante, sustos a toda hora, não busque pistas escondidas, não tente explicar e nem entender nada. Esqueça do marketing equivocado do filme, não se trata do novo Sexto Sentido. Esqueça dos seus problemas e apenas acredite. Sente-se na poltrona com essa atitude e você certamente terá uma experiência memorável.

A Dama na Água é um conto de fadas atemporal, uma releitura de arquétipos que todos nós lembramos (ou deveríamos). O reino vira um condomínio onde o zelador Cleveland (Paul Giamatti, excelente) cuida de seus habitantes excêntricos com rotinas que beiram a obsessão. O lago vira a piscina do condomínio, a princesa que busca ajuda (Bryce Dallas Howard) vira a personagem que dá nome ao filme. O curandeiro gentil, o valente cavaleiro, o lobo mau, está tudo costurado estrategicamente na história, escondido em camadas à mesma maneira vista em Sinais e Corpo Fechado, filmes cujas semelhanças se limitam à indiscutível qualidade técnica de Shyamalan como diretor.

Não vou comentar aqui sobre as alardeadas críticas negativas ao filme. Na sessão em que eu estava, pessoas resmungavam, se levantavam e saíram xingando. Já eu estava me deliciando, ouvindo com atenção a cada detalhe, aguardando ansioso pela próxima página e pelo final feliz, que veio inundado por lágrimas. Ao acender das luzes, alguns ainda resmungavam, mas olhando ao redor era possível ver sorrisos satisfeitos, talvez não tão apaixonados quanto o meu, mas sempre dizendo “Ah, eu gostei…”. Será que a felicidade é só um ponto de vista?

Talvez. Ao lembrar de filmes infantis recentes como Shrek, Os Incríveis e Monstros S.A., lembro-me da criança que eu era. A Dama na Água é um tipo de filme que me lembra da criança que sou; do quanto é bom (e necessário) acreditar em fadas, guardiões, finais felizes e, principalmente na moral da história que, pelo visto, poucos entenderam.

Meu ranking atualizado de filmes de M. Night Shyamalan:
1. Corpo fechado (Unbreakable) – O melhor! Um filme de super-herói como nunca se viu, simplesmente arruinado pelo título em português. Arruinado! Um título que deu uma expectativa absolutamente errada às pessoas, que só prejudicou o filme. Tem gente que até hoje não viu porque acha que é filme de terror. Direção primorosa, fotografia belíssima, e um dos melhores roteiros hollywoodianos que já vi.
2. A Dama na Água – Acho que não preciso falar mais nada
3. Sinais - Uma maravilhosa história sobre fé disfarçada de filme de ET. Na minha opinião, brilhante! Apesar disso, começou aqui uma estranha obsessão da crítica em perseguir o diretor, numa estranha “maldição do Sexto Sentido”. Todo mundo esperava o próximo Sexto Sentido sem perceber que os filmes de Shyamalan podem oferecer muito mais.
4. O Sexto Sentido – junto com O Chamado, um dos poucos filmes de suspense hollywoodianos dignos de nota dos últimos 10 anos. Uma pena que foi feito antes de Unbreakable. Se a ordem tivesse sido inversa, talvez hoje não existisse a maldição.
5. A Vila – Só não considero um ótimo filme porque acabei desvendando o mistério (por mais que eu tentasse não fazê-lo) lá pelo meio. Novamente, o uso das metáforas para contar uma história relevante é o grande atrativo. Pena que nem todo mundo entendeu.

jamladyinwater256.jpg
“I’m not drinking fuckin’ merlot!!!!!”


10 Comments

  • Mr. Noin (a.k.a. Leal) |

    sexta-feira, 8th setembro 2006 at 5:43 pm
     

    Eu tô querendo ver esse filme faz um tempão já. Admiro bastante o M. “Noite”, não só pelas suas “surpresas”, mas pelo jeito dele contar histórias. Nem li ainda o que você escreveu aí em cima, deixarei para depois que eu ver o filme, mas só pelo título já deu para saber que é um bom filme e que realmente não devo levar em conta a bilheteria para julgar isso (Superman que o diga).

    obs: Tá ficando “importante”, hein? Suas Princesas estavam lá na página inicial do UOL, com um certo destaque até, hehe.

     
  • Eeeee… esse eu vou ver. Mas só em casa…

    Poxa, mesmo desvendando o filme no meio também (A Vila), eu ainda achei ele melhor que Corpo Fechado. Não que Corpo Fechado foi ruim… mas… ah, essa é a minha opinião.

    Ah, cliquei ali em cima em “sobre o autor” e apareceu isso:

    Sorry, no posts matched your criteria, please try and search again.

     
  • A Vila perto de ser ótimo, Fabyabu?
    Eu quero ser como vc quando eu crescer, mas vc dizendo essas coisas desses filmes, fica dificil :P

     
  • Hahahaha, acho que você não gosta do Shyamalan, não é Cilon? :P

     
  • Fábio,

    Assisti hoje o filme e foi exatamente como disse: no final observei pessoas com cara de tacho sem ter entendido nada. Mas também já vi isso acontecer com Tarantino entre outros. Ainda bem que mesmo em Hollywood existe espaço para filmes que exigem um pouco mais de neurônios!

     
  • o.o estou chocada, simplesmente sai do cinema falando exatamente a mesma coisa que voce, yabu, falou sobre o filme A dama na agua, e novamente a amiga estranha que sempre le seu blog comentou cmg… o_õ mmm~
    Ahn…o moço da siciliano fikou olhando estranho pra mim e pra minha amiga… D: nos fizemos “festinha” qd achamos um de seus livros (detalhe: ele estava na nossa frente o tempo todo). Ahn… (que coisa mais inutil)~~

    XD ok so isso ( ? ). Vou ver se faço minha amiga comentar mais o_õ ela eh msm tarada por vc, ela decorou o nome de todos os personagens daquele seu livrinho….SEM NUNCA LER ELE >XD! Bye bye~

    p.s: Thaís, meu amor, ao ler isso, saiba apenas de uma coisa…Eu te amo (L) XDDDD ta??

     
  • Taty,
    Que legal!! Em que Siciliano foi isso? Fala pra sua amiga postar também, oras!!

     
  • vou deichar as críticas de lado e vou ver,tambem curti muito corpo fechado e vários amigos já tinham falado mal.

     
  • Sabe, eu não sou muito adepto de preconceitos. Então dizer que eu não curto o cara não é a verdade, eu jamais detestaria um filme por ser um filme dirigido por A ou B.

    Eu gostei de Sexto Sentido (achei o melhor filme dele), e de Corpo Fechado (embora não tenha visto o que o pessoal mais hardcore dos quadrinhos viu de tão foda nesse filme).

    Sinais é um filme ímpar, uma sacada muito boa.

    A Vila é que o problema. Resumidamente:
    má atuação, história arrastadíssima, final tão espetacular quanto um prego torto e, como se isso não fosse o bastante, ainda foi estragado pelo próprio contador da história (que decidiu que seria bacana contar o final antes da sequencia-climax do filme)

    Alias, ao invés de discorrer sobre o tema, vou postar o link de uma resenha mais profunda sobre o tema (:P)

    http://hbdia.blogspot.com/2005/02/quando-criana-eu-adorava-o-meu-super.html

    “Não me levem a mal, não quero desmerecer a desesperada tentativa da atriz em nos convencer que ela estava ao menos tentando atuar. Tenho certeza que Bryce Dallas Howard deve ter pesquisado muito pro seu papel; aliás, sua pesquisa foi tão intensiva e consumiu tanto tempo da garota que ela não teve tempo de aprender o básico sobre pessoas cegas: elas NÃO enxergam. Justamente por isso é que elas não encaram as pessoas com quem conversam, ou movimentam os olhos na direção de ruídos, ou piscam com frequência, ou conseguem enganar monstros fazendo-os caírem em buracos logo a sua frente, ou seja, coisas que Bryce faz o tempo todo durante o filme. Seria impossível concluir que essa menina era cega se não tivessem deixado isso explícito. Em um momento eu achei que a grande surpresa do filme é que ela passaria uma rasteira no Joaquim, jogaria a bengala na cabeça dele e diria “Aê mané, eu não sou cega não! Sacaneei!” Provavelmente, teria sido um final melhor”.

     
  • adorei o filme, mas qual eh a moral da historia? Serah que vai ter resposta pra essa minha pergunta nao tao inteligente? abraco!

     

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