O Clube dos Velhinhos
Esse foi um ano estranho.
Em todo o lugar que eu ia, encontrava um velhinho. Na padaria, no café, na livraria, no restaurante, no avião, no templo. Quando fui pra Paris fiquei 10 dias e não conheci ninguém a não ser… uma velhinha. Americana, muito simpática por sinal, havia ganhado a passagem dos filhos, o mais novo de 40 anos. Foi a minha melhor amiga durante a viagem.
Outro dia me meti a fazer uma aula de Tai Chi. É, eu e a Associação das Professoras de Geografia Aposentadas. No meu curso de filosofia sou o caçulinha da turma… a média de idade da sala é de 60 anos. Outro dia só por curiosidade resolvi ir na outra turma, e sabe o que vejo? Jovenzinhos na casa dos 35. Descobri que tinha algo errado. Alguém estava me mandando sinais.
Hoje fui cortar o cabelo, e o mais bizarro não foi ter levado uma cantada federal do cabeleireiro (”nossa, acho japonês tão liiiindo…”), mas o fato de, no meio dos cabelos que caíam no meu colo, tinha um diferente.
Branco.
YEEEEEEES!
Estou feliz em entrar para o Clube dos Velhinhos. Eu estava ansioso pra esse dia chegar, como uma pré-adolescente ansiosa pelo seu primeiro sutiã. A terceira idade me aguarda, e pode crer que eu vou com tudo!!
Chega de balada. Chega do carinha sem segundo grau na porta olhando pra minha roupa julgando se eu posso entrar ou não, chega das baladas de gente descolada com suas roupinhas descoladas e cabelos que lembram a adolescência mal resolvida, chega dos revivals dos anos 80, Deus, eu sinto vergonha de quem vai nesses lugares, chega dos cigarros que impregnam até minhas meias, do maldito cheiro de maconha, chega de gente suando, pulando, fedendo, se esfregando. Chega das jovenzinhas com pouca roupa, das trintonas desesperadas, dos moleques de 20 e poucos salivantes, dos quarentões mortos de fome. Chega dos barzinhos, repetitivos, sem graça, iguais. Em São Paulo pode-se ir a um bar por dia, sem repetir, durante 8 meses. Deus me livre, eu quero é voltar pra Birigui! Chega das bandas que tocam nas quintas à noite e não deixam a gente conversar, chega de pagar 5, 6, 10 reais numa cerveja que tem gosto de água suja, chega de bêbados no meu caminho para o banheiro, chega de uma porção de fritas com cheddar numa sexta à noite (gordura saturada, tô fora), chega dos “aniversários” em barzinhos em que você só vê o aniversariante quando chega e quando vai, e no meio disso fica com um sorriso amarelo e a cara de bunda a cada convidado que você não conhece e ainda tem que apertar a mão e dar beijinho. Aliás, aperto de mão e beijinho, chega disso também, coisa mais anti-higiênica. “Oi, beleza” já tá ótimo, se não quiser, passar bem!
Chega dessa necessidade desenfreada que as pessoas têm de espalhar sua saliva e seu DNA noite a fora, Deus, o que eles querem, colonizar Júpiter? Chega do xaveco furado pra levar a menina pro motel, chega de levar amigo bêbado pra casa, chega do outro amigo que ficou de levar todo mundo pra casa mas está sem roupa no estacionamento ao lado, chega das mensagens “Onde vocês estão?” no celular, chega de música eletrônica no carro, eu não suporto mais isso, mal ouço heavy metal, só quero saber de jazz e rock com mais de 15 anos. Chega de MPB, chega daquela porra daquele Armandinho, chega da 89, tão decadente, chega desses fenômenos e ondas adolescentes que varrem o mundo universitário e chegam incólumes até a mim, que só quero paz nos meus 27 anos. CHEGA!
Agora, no Clube dos Velhinhos, eu só quero saber de bons restaurantes (acho que vou ficar por São Paulo mesmo) e das sessões de cinema sem adolescentes. De passear com meus sobrinhos, trazer as crianças para dormir em casa, fazer o almoço, obrigar a comer tudo. De jantar na casa dos amigos, ajudar a lavar a louça e fazer fofoca enquanto isso. De comer bolo com biscoitos e café num domingo à tarde, de andar devagar, dormir com a barriga pra cima, falar e ser ouvido, se não, falar de novo e de novo até funcionar. De ouvir música velha, de fazer buracos no CD ou no iPod (sou um velho moderno), de usar o celular ultramoderno como calculadora de troco. Quero pegar ônibus de graça e celebrar cada novo cabelo branco, a conquista de ter passado pelos 20 e poucos sem ter feito nada de que eu me arrependesse. Quero só me preocupar com as coisas que realmente importam, como por exemplo, o que falta pra aprender, pra aproveitar, pra viver? Que idiomas eu não falo, que países quero visitar, que pensadores eu não conheço (todos velhinhos também, pode crer). E o melhor de tudo: sem nenhuma velha chata pra me encher o saco!
As frases de efeito de Horatio Caine
Melhor vídeo do YouTube de todos os tempos!! Veja sete minutos de muita canastrice com as introduções dos episódios de CSI Miami, lar no nosso amado Horatio Caine. Alguém sabe onde encontro um do Grissom? Não perca no final… “We are going to Bresél“, com bandeira nacional, Cristo Redentor e tudo! Maravilhoso!! YAAAAAH!
Quem precisa fazer piada depois disso?
Ah, e quem como eu curte séries americanas, não pode deixar de ouvir o Podcast do Séries Etc., que já está em sua terceira edição. Como disse a Ana Letícia, é o Jornal Nacional dos seriados! Não perca e fique por dentro das coisas que realmente importam nesta vida maledeta! Aqui, ó.
Profissão: Menino
Eu não era do tipo de criança que queria ser astronauta, jogador de futebol, ator de Hollywood, super-herói e presidente quando crescesse. Me lembro da primeira vez que me fizeram a infame pergunta: “O que você vai ser quando crescer?”. O negócio me pegou de sopetão, mas que pergunta idiota, então respondi com a lógica de uma criança de 5 anos: “Vou ser menino, ué!”. Alguém riu, meu pai deve ter respirado aliviado, e a vida seguiu em frente.
Os anos foram passando e vez por outra vinham me perguntar de novo. O que tinha de errado em querer ser só um menino? Parecia que todo mundo queria que eu fosse alguma coisa, então resolvi pensar a respeito. Como o tal do “quando crescer” parecia muito subjetivo, aos oito anos fiz as contas e descobri que no ano 2000 eu já seria gente grande, o que me deu com o que trabalhar pelos anos vindouros. Até teria funcionado se eu não estivesse ocupado demais jogando Alex Kidd e vendo Changeman.
Nas vésperas do colegial, no longínquo 1994, a pressão começou a aumentar, porque o “crescer” já estava chegando. “Já sabe o que vai fazer?”, “Vai dar pra passar no vestibular?” perguntavam os engraçadinhos. E eu ficava puto da vida. Como assim, escolher profissão? Eu nunca peguei um ônibus sozinho na vida e vocês querem que eu escolha uma profissão?
Empurrei a questão com a barriga que eu ainda não tinha até o final do colegial. Prestei uns 2 ou 3 vestibulares, nem lembro mais do que, passei em todos mas não me matriculei em nenhum curso. Ainda não havia decidido o que queria. Numa sexta-feira à noite minha mãe me disse: “Vi uma faixa na rua, amanhã tem vestibular pra Publicidade na faculdade aí do lado, quer ir?”. Aí eu falei “Por que não?”.
(Não é à toa que a faculdade de PUBLICIDADE era ruim, veja como a minha mãe ficou sabendo do vestibular)
Fui. Dormi na prova. E passei. Fiquei um ano e meio e depois já havia largado o curso. Estava em casa de novo perguntando o que eu queria fazer da minha vida maledeta. Tentei de novo, entrei na faculdade de Desenho Industrial em São Paulo e em seis meses já havia trancado a matrícula e jogado a chave fora.
(Acredite, até hoje tenho sonhos em que estou na sala de aula da faculdade me perguntando três coisas: como fui parar ali, como faço para escapar e do que era a prova mesmo? A última vez foi semana passada.)
Ano passado eu fui padrinho em um casamento civil e o juiz me perguntou “Profissão do padrinho?” eu olhei pro noivo, pra noiva, pro juiz e falei desesperado “EU NÃO SEEEI!”. Ficou aquele silêncio, alguém falou “ele faz gibi”, “não faço mais”, “ele tem uma empresa”, “fechei”, “você não escreve livros? então é escritor!”, “mas só lancei um livro, não sei se conta”, “claro que conta”, “Augusto dos Anjos também só escreveu um livro”, “ah, é?”, “aham, profissão do padrinho..?”, “põe escritor aí”, “você desenha também, né?”.
E ficou por isso mesmo. Virei escritor. Mas na verdade até hoje não sei direito o que sou, não consigo me rotular de nada. Nem escritor, nem desenhista, nem roteirista, nem vegetariano, nem budista, nem esquerda, nem direita. Na real eu tenho um pouco de medo dessas pessoas que se rotulam tão facilmente sobre o que são e o que querem ser, e esquecem das infinitas possibilidades que a vida oferece. No final das contas, estou satisfeito em ser apenas um menino, exatamente como queria aos cinco anos.
O alcance das mãos
Por que é tão difícil as pessoas fazerem o que é certo? É preciso tão pouco para se fazer a diferença, mas pouca gente parece se importar, e como diria o Alborghetti, eu fico desgraçado da minha cabeça com isso.
Qual é o nosso dever? O que devemos fazer para impedir que o aquecimento global não seja a nossa trágica herança para as gerações futuras? Segundo Pascal, nosso dever é simplesmente “fazer aquilo que está ao alcance das mãos“. Ninguém precisa salvar o mundo sozinho. Basta fazer aquilo que as mãos alcançam. Apagar luzes, fazer escolhas e compras conscientes, desligar o ar condicionado, estender a mão a quem precisa. Todo esse potencial mágico e transformador que temos está sendo perdido numa nuvem de ignorância e descaso, enquanto vidas se perdem ano a ano vítimas de doenças derivadas da poluição, Katrinas e tragédias que ainda sequer conhecemos o tamanho.
(Pausa para respirar e chutar a parede)
Conheci um livro muito bacana chamado 365 ways to save the Earth. O título é auto-explicativo; a obra traz dicas de mudanças simples de atitude que podem ajudar a salvar o planeta e garantir que nossos filhos possam viver além dos 30 anos. Aqui no Bresél o livro é bem carinho (R$ 215,00 no Submarino), mas lá fora é bem mais em conta (sai por 25 dólares na Amazon - 4 vezes mais barato).
Transcrevo aqui algumas dicas, resumidas, selecionadas e adaptadas de acordo com o que acredito que seja a nossa realidade. Ou seja, é tudo relativamente fácil de fazer. Para saber mais, acesse o site http://www.365earth.com, que possui mais algumas dicas. Acesse, leia e salve o mundo!! (Depois de salvar a Cheerleader, lógico!)
Heroes: os codinomes
Como os Heróis de Heroes se chamariam se tivessem codinomes? Veja a seguir! BTW, eu preciso dizer que o episódio 9 foi do pipoco? Preciso mesmo? Não vou comentar muito essa semana, já rasguei muita seda nos posts anteriores. Mas só pra reforçar: se você não vê Heroes você não é feliz. (Continua abaixo)

Ainda bem que ela me odeia
Pareceu muito legal na época.
A gente se conheceu assim, nesses momentos bem clichês. Era uma terça-feira, dia de meditação, seguida de um solitário cafézinho na padaria. Tudo o que eu não queria era conversar com alguém, e ela ainda teve a manha de perguntar, “você vem sempre aqui?”. Eu só não ri porque ela era bonitinha. Conversa vai, conversa vem, ela gostava de Lost e estava mudando de apartamento. Caminhamos até o carro dela, e tudo ficou por isso mesmo.
Na terça-feira seguinte nos encontramos de novo. Eu ainda resistia, ela parecia estar a fim, eu só queria acabar meu café e ir pra casa, mas o papinho inocente e clichê dela acabou me segurando. Ficamos.
Trocamos telefone, MSN, orkut, Deus me livre. As primeiras vezes até foi bacana, você sempre encontra algo em comum em 5 minutos de conversa com qualquer pessoa; e felizmente depois que você fica velho aprende que não é tão raro assim. Algumas semanas depois, tudo o que eu queria era voltar a tomar meu café sozinho, e sem dó nem piedade foi a minha vez de soltar um clichezão: “queria que a gente fosse só amigo”.
Rá, ela não esperava por essa. Foi o maior chororô, um tal de liga em casa, liga no celular, manda SMS, MSN, orkut, código morse, um horror. Eventualmente ela acabou desencanando, mas só por garantia passei a evitar aquela padaria onde nos conhecemos (droga, já é a segunda em SP que não posso frequentar).
Esses dias fiquei sabendo que ela me odeia.
E não tem nada mais tranquilizante do que isso.
Eu agradeço aos céus pelo ódio dela. Por cada palavra (injustificada, garanto) que ela disse sobre mim para os amigos que eu sequer conheci. Fale mesmo. Mete a boca, invente, calunie, xingue todas as gerações da minha família até chegar em Adão e Eva. Faça um bonequinho vudu de mim, perfure com espeto de churrasco, me faça assistir filme dublado, use a criatividade, arranque meus braços e me golpeie com eles.
Porque um dia o ódio passa. Um dia ela vai esquecer a mágoa, ver que a gente não tinha nada a ver, que tem gente muito mais legal do que eu por aí. Vai ver que a vida é muito mais do que um casinho de quatro semanas e meia, vai queimar meus livros e esquecer que eu existo. E finalmente vai ficar em paz. A raiva é um fardo leve pra quem tem bom coração; por pior que seja, uma hora ela passa.
O problema é quando o que sobra de um relacionamento é aquele restinho de amor. Aquela dorzinha no coração, aqueles pensamentos que invadem a nossa cabeça numa tarde de faxina, aquele “e se…?”, que muita gente carrega pro resto da vida, tudo isso multiplicado por cada vez que se amou de verdade. Sentir esse restinho que parece não acabar nunca é a pior das torturas, perto dela o ódio alheio passa a ser uma benção.
Google Earth… ao vivo?
Esse sim é digno de um Momento Jessica Simpson! Ainda tenho muito a aprender…

Heroes! Seven minutes to midnight
(Contém spoilers!)
Ahhh, que delícia têm sido as minhas terças-feiras! Acordo cedinho para assistir ao episódio da semana de HEROES e é só alegria! Temos uma nova heroína (quantos ainda vão aparecer??), que já está sendo chamada por aí de Google Girl, hahaha! Já sabemos mais coisas sobre o pai da Claire, que aparentemente será a chave para o próximo episódio, quando finalmente vamos descobrir porque de umas semanas pra cá a frase “Save the cheerleader, save the world” tomou nossas vidas por completo. Sylar também dá as caras (ou algo próximo disso) e continua sua matança de seres superpoderosos. Desse jeito não vai sobrar ninguém até o final da temporada!
Também gostei do novo slogan da série: “Don’t hear about it in the morning… be there at monday night!” (algo como “Não ouça falar sobre (a série) pela manhã… assista na segunda à noite! “) Hahaha, muito bom! Me fez lembrar os tempos do colégio, onde os papos da manhã eram sempre sobre o que passou na Terça Nobre ou Tela Quente na noite anterior… e hoje, ao invés de comentar com os amiguinhos na escola, faço isso num blog. Isso é tão… Jetsons!! Tururururu (barulho na navinha do George).

“Sabe o que as pessoas fariam se descobrissem do que sou capaz?? JOGOS MORTAIS CINCO!!”
Mea culpa: Motoboys
Tomei uma decisão: não vou mais pedir comida por telefone ou qualquer serviço que utilize motoboys. Nunca. Ever again. Jamás!As pessoas adoram reclamar como “motoboy é tudo maluco”, alguns motoboys também certamente fazem por merecer a alcunha. Mas a verdade é que as ruas de São Paulo viraram um verdadeiro abatedouro de motociclistas. Morre em média um por dia. Aumenta-se a fiscalização, colocam-se radares, criam-se faixas exclusivas como na Avenida Sumaré, mas o problema nunca é resolvido. Na minha humilde opinião, porque nada disso ataca o verdadeiro problema: a mentalidade das pessoas.
Em São Paulo, tudo é pra ontem. Isso enche o saco. Anos atrás eu cheguei a ter um motoboy exclusivo, para atender a prazos afobados de clientes histéricos. Todo mundo tem pressa, sem se perguntar exatamente por quê. Para parecerem mais competitivos, para fingirem que estão trabalhando? Cansei de ver gente enviando documentos de word e excel via motoboy, contas de banco que poderiam ser pagas via Internet ou débito automático, pedidos de comida gordurosa e pouco saudável quando se trabalha ou mora a uma quadra de um restaurante. Só aqui na minha rua tem quatro pizzarias, e neguinho insiste em pedir por telefone. Redes de fast food vendem conveniência e prometem prazos de entrega suicidas ou seu dinheiro de volta. Já parou para pensar quantos motoboys morreram tentando entregar sua maldita esfiha em 28 minutos?
É triste, mas todo mundo tem culpa. Por isso estou tirando o meu da reta. Quer que eu te mande algo? Gmail, ftp ou correio. Se eu passar por aí um dia desses deixo na portaria. Tá com pressa? Vem buscar, mas se mandar motoboy é o dobro do preço!





