O amigo oculto (ou secreto) - YabloG!

O amigo oculto (ou secreto)

dezembro 26th, 2006 | Por Fábio Yabu em Crônicas

Tudo começou quando a gente disse adeus pela primeira vez.

Aquele incompreensível adeus e os dias que se seguiram em que você não estava lá. Os dias de espera, de lágrimas e de dor enquanto você não voltava. Sentado no canto do quarto, vendo as horas passarem como segundos quando tudo o que eu queria era que elas parassem de uma vez. Os olhares preocupados, as opiniões equivocadas de quem teima em falar sobre o coração alheio, que eu sequer ouvia por estar com aquelas últimas palavras ecoando em minha mente, turvando meu pensamento, trazendo lágrimas e destruindo sonhos, até começarem a diminuir de intensidade, até que eu pude voltar a respirar, até que no quarto dia resolvi pegar a mágoa, colocar na mochila e partir para sempre, só para aprender pela primeira vez que o para sempre está no instante.

Hoje me lembro desses quatro dias no escuro com ternura. As coisas ao meu redor começaram a se transformar e, dentro de mim, a dor virou silêncio, que virou saudade, que me tornou invisível. Pra poder ver seu novo corte de cabelo, sua nova gatinha, sua nova vida. Pra cruzar “sem querer” com suas amigas e descobrir com alegria que você continuava seguindo em frente.

Mesmo quando eu não queria, mesmo quando achava que tinha te esquecido, a vida me lembrava, me trazia pessoas que eu jamais achei que conheceria, só pra descobrir que elas também eram suas amigas. Elas se tornaram meus olhos e ouvidos pra ver sua formatura, suas viagens e quando você foi muito além. Invisível, torci por cada passo seu, orei pra que cada tombo não machucasse muito e, quando isso acontecia, corria novamente para te ajudar a se levantar, nos poucos momentos em que sua mão geladinha tocou a minha em tantos anos.

Adeus? Nunca serviu pra nada. Eu estava lá sempre, e Deus, como foi precioso pra mim saber que você também estava. Para sempre juntos, para sempre amigos, ainda que meus amigos mais próximos sequer sabem como é o seu rosto e vice-versa. Não era isso que a gente queria? O mundo deu tantas voltas, giramos junto com ele e fomos parar tão longe, atravessando oceanos, dizendo tantos outros adeuses inúteis, girando e girando só pra cair onde estamos agora: você aí e eu aqui. Como sempre.

Talvez eu seja meio Poliana mesmo, meio Mr. Brightside, mas de todos os presentes que eu poderia receber nesse fim de ano, não tem nada mais maravilhoso do que saber que você está bem e tem quem cuide de você.

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