Caramba, será que a minha vida é MESMO um reality show??
Bom, só pra constar, minha manhã em Firenze foi muito melhor do que o dia de ontem. Consegui dar umas voltas pela cidade, nos arredores da Ponte Vecchio e fiquei satisfeito com o que vi. Mas sabe qual é o problema de se visitar a Europa? Nunca, mas nunca mesmo, comece por Paris. Eu tentava evitar, mas por mais que Firenze seja bonita, não tem como comparar com a Cidade Luz. As ruas, os rios e os monumentos são muito mais limpos e bem cuidados por lá. Em algumas partes, Firenze me passou a impressão de desleixo.
De manhã também aproveitei para lavar e secar as roupas acumuladas, e parti para a estação de trem. Foi a primeira vez que andei de trem na Europa, e fiquei encafifado por que é que tem tanta gente andando de avião por aqui. A viagem de trem é mais barata e muito mais agradável (além de menos poluente). Você vê exuberantes paisagens no caminho, pode dormir mais sossegado que no avião porque é bem mais silencioso e até dar um pulinho no vagão restaurante se quiser. Pois é, mistérios da raça humana.
Uma hora e dois minutos depois, cheguei a Bologna, onde a maior encrenca da viagem teve início. Começou com o táxi que eu peguei – um motorista totalmente sem nocinha que não falava nem inglês e acho que nem italiano. Mostrei pra ele o endereço do hotel, que, segundo me informaram, ficava nos arredores de Bologna, a 15 minutos da feira. E o precinho era bem mais convidativo que as diárias de quase 200 euros dos hotéis mais próximos, que estão aproveitando os visitantes desavisados pra enfiar a faca.
Bom… o cara começou a dirigir… e foi… e foi… e foi. Eu comecei a achar estranho, pois os tais dos 15 minutos já haviam passado, Bologna já tinha ficado pra trás e estávamos na autoestrada. Eu achava que a qualquer momento ia desmaiar pra acordar numa banheira de gelo sem um rim, quando vi a plaquinha indicando o que eu pensei que fosse a rua do hotel – mas não! Não era uma rua! Era uma ESTRADA!
E o carro foi… e foi… e foi… o taxímetro lá nas alturas, eu começo a suar frio, pergunto pro motorista se ele sabe o que está fazendo e ele responde “Five minutes, five minutes” parecendo o Borat. Cara, eu comecei a ver plantação de tudo quanto é coisa e nada de civilização. De repente… a estrada acaba!!
O CARA TINHA IDO PRO LADO ERRADO! MÁ QUE CATSO! E toca a voltar, e voltar, e voltar… e não é que o danado nem desligou o taxímetro? Mas beleza. Eu anotei mentalmente o valor que tinha dado antes de ele se ligar que tinha se perdido. Finalmente ele achou o tal do hotel – que era mais uma pousada no meio do nada – e ainda queria me cobrar o preço da corrida inteira!! Ah, bonito, né? Pedi uma descontinha e ele disse que faria por 3 euros a menos – sendo que só o perdido que ele deu tinha dado quase 20!!
Ele falou: “CITY TOO FAR!” e eu falei “I KNOW, BUT IT’S NOT FAIR” sem perceber que tinha até rimado. Chegamos a um acordo e ele foi embora, me deixando lá, naquele bucólico cenário europeu, debaixo de um calor escandante e com mais de 30 kg de bagagem.
Bom… toquei a campainha da pousada, e nada. E nada. E nada. Cara, cê acredita que não tinha ninguém lá, apesar da plaquinha na porta e tudo? Mas na real até achei bom… porque fiquei com medo do lugar. Parecia a casa da Bruxa de Blair. Resolvi fugir e chamar outro táxi e procurar outro hotel, mais perto da feira… melhor perder uns euros do que uns órgãos.
E quem disse que lá passava táxi? Mal passava vento! Andei uns três quilômetros carregando as malas até que encontrei um vestígio de civilização… uma construção grande, arborizada, com vários carros estacionados. Fiquei feliz achando que era um hotel. Bom, de certo ponto de vista, até era, mas eu é que não queria ficar hospedado lá. O lugar era um CEMITÉRIO!!! AAAARGH!
E andei… andei… e aindei, até chegar numa lojinha de material de construção. Lá, o pessoal resolveu me ajudar e chamou um táxi.
Quando o táxi chegou… só faltou descer o Alfred, o mordomo do Batman, de lá de dentro. Era uma BMW preta, com ar condicionado, DVD, GPS, USB, JPG e sei lá mais o quê! Aí é que pensei “Putz, agora que perco o rim mesmo!” mas por incrível que pareça a corrida de volta ficou mais barata que a ida.
Encontrei um hotel pertinho da feira. Fui perguntar o preço da diária e quase caí duro. DUZENTOS E OITENTA EUROS! Putz, eu prefiro dormir na rua! E toca a procurar hotel com um preço menos absurdo. Finalmente encontrei um, ainda caríssimo pela qualidade e só por ser perto da feira, mas é melhor do que dormir na rua ou na casa da Bruxa de Blair.
Devidamente hospedado, resolvo conectar o notebook à rede vífe e sabe quanto custa a brincadeira? 5 euros por 30 minutos! Ah, faça me o favor! Em Barcelona era 10 euros por 24 horas e eu ainda achava caro! Em Cannes era de graça! Fiquei tão desgraçado da minha cabeça que resolvi sair por aí com o bicho nas costas procurando uma rede dando sopa… e quem disse que eu achei?
Mas que espécie de país maluco é esse, que não tem redes vífe??? Nem em restaurante, lanchonete, nem nada! Precisava ver, eu parecia aqueles personagens de filme olhando as pessoas comendo nos restaurantes pela janela. Eu fiz a mesma coisa, mas eu queria é ver quem tava usando a internet.
Bom, acabei desistindo e voltei pro hotel. Vou ter que usar o vífe daqui mesmo, pra acessar meus e-mails e me preparar para as reuniões de amanhã, quando finalmente começa a Feira do Livro Infantil de Bologna.
E esse foi, basicamente, o meu dia.
Olha só onde eu fui parar…

Blog pessoal de Fábio Yabu, desenhista e autor de livros infantis, criador de "Combo Rangers", 







Junior E |
segunda-feira, 23rd abril 2007 at 8:29 pm