O beijo - YabloG!

O beijo

outubro 3rd, 2007 | Por Fábio Yabu em Crônicas

Eu posso falar sobre os beijos que dei por aí. Começou com aquele que dei na minha amiguinha da sexta série, só pra fazer ciúmes na outra que era razão de meu afeto e meus hormônios. Depois desse fiasco, teve muitos outros; alguns doces, outros amargos, muitos sem sal. Beijos que dei no carro ou no ônibus, nunca beijei num avião, mas teve aquele que dei quando estava a pé, esperando o sinal abrir. O bonequinho mudou de cor, ficou verde, vermelho, as línguas dançavam, verde, vermelho, as pessoas desviavam, verde, vermelho, os motoristas corriam, verde, vermelho, o bonequinho ainda não se decidiu o que vai ser e o beijo ainda está lá, há quase sete anos. Os beijos que dei em meus sonhos e aquele que durante um pesadelo, tirava a enfermidade dela e soprava vida em seu corpo que não queria mais viver. O beijo de alívio que dei ao acordar. Os beijos que dei no banho e aquele molhado de lágrimas que sabiam que aquela seria a primeira de tantas últimas vezes. O beijo que dei pra dizer que não iria embora, os que dei pra dizer que ficaria só mais um pouquinho. O beijo errado que dei porque era a coisa certa a se fazer. O beijo que roubei no estacionamento do shopping; eu sei que é cafona, mas ninguém podia ver e foi tão bom. Os beijos que dei em público ou em lugares escondidos, à luz do dia ou no meio de um filme. Os beijos que dei no metrô que deveriam dar direito a assentos especiais, beijos que viraram histórias, posts, que curaram e que hoje são machucados cujas casquinhas eu insisto em arrancar. Beijos com abraços, amassos, mãos bobas e os melhores, aqueles em que elas se entendem e apenas se seguram. Beijos que hoje me deixam feliz, me deixam emo, me deixam em póz. Beijos que posso separar em ordem alfabética, cronológica ou classificação periódica. Dê-me qualquer palavra, qualquer motivo, e eu escreverei sobre o beijo correspondente, talvez até com uma rima pobre e fremente, escancarado em praça pública e via RSS. Falaria de tudo e de todas, com ternura, sem vergonha, mas peralá, acontece que eu nunca, jamais, nevah, falaria do beijo, daquele beijo, que não compartilho com você e nem com ninguém e que é meu, só meu. Foi o beijo que guardei e aguardei, o beijo que eu precisava, Deus, nós, o mundo precisava daquele beijo, que poderia encerrar guerras e colonizar planetas, aquele beijo, maldito beijo, talvez você tenha um parecido no livro da sua vida, todo mundo tem, mas nenhum foi igual àquele, que mudou tudo, que abriu meu coração e meus eager eyes, ainda que eu nunca o tenha dado, eu o sinto até hoje.

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