A prima do Super-Homem - YabloG!

A prima do Super-Homem

dezembro 17th, 2007 | Por Fábio Yabu em Crônicas

supergirl.jpg

Tenho mais em comum com o Super-Homem do que a absoluta falta de jeito com o sexo oposto e a capacidade de ouvir tudo o que não quero. Esses dias estava passando o desenho da Liga da Justiça em que ele confidenciava para o Arqueiro Verde o quanto ele se orgulhava de sua prima, a Supergirl, que completou 21 anos antes de viajar para o futuro em busca de seu lugar no universo.

Tipo assim, eu sempre achei primo um negócio esquisito. Primo não é irmão, não é alguém que você é necessariamente obrigado a ver, amar ou odiar. Primo é como você seria se tivesse sido criado por outra família, é a sua versão que deu mais certo, ou mais errado. Minha família sempre pareceu meio desesperada para espalhar nossos genes pelo planeta, já que tenho 19 (!) primos de primeiro grau, alguns eu nunca vi, e outros só vejo em enterros.

Minha prima caçula tem a mesma idade da Supergirl. Andamos meio afastados durante alguns anos, essas coisas que acontecem entre primos, sabe? Você passa as férias juntos mas de repente vem a adolescência, o vestibular e quando você vai ver, páaaa, aquela coisinha fofa que brincava de andar de cavalinho nas suas costas é uma mulher feita.

Os rostos mudaram, os caminhos se desencontraram mas por algum motivo, dentre tantos primos que nunca mais vi, a minha “Supergirl” sempre ocupou um lugar especial no meu coração, onde eu quis mantê-la aquecida e protegida, principalmente de vagabundo que só quer passar a mão nela. Acho que ela sempre soube, e por isso, um dia enquanto lavávamos a louça ela me contou em segredo que em breve a família iria aumentar. Como de praxe, ela morria de medo da reação dos pais (que estavam no Japão), dos amigos, o que vão falar, puta que pariu, e agora, o que eu vou fazer, tô fodida, eu tentei acalmá-la, calma, vai dar tudo certo, isso deve ter acontecido por algum motivo. Pode ser a mãe de todos os clichês, mas eu não fazia idéia do quanto estava certo.

A notícia do novo membro da família caiu como um meteoro no meio de Smallville. Foi aquele chororô danado, mas ela é tão novinha, o que vai fazer, quem vai cuidar, todo mundo desesperado enquanto eu só pensava em brincar com o moleque, trocar fralda, dar banho, levar pra passear, desenhar junto, ler historinha. O dia mais feliz da minha vida foi quando a Supergirl me ligou para dizer “hoje eu ouvi o coraçãozinho dele”, eu perguntei, “como foi” e ela disse “foi lindo”.

Foi lindo.

Meus tios voltaram do Japão para dar à Supergirl todo o apoio, carinho e puxões de orelha de que ela precisava, e também para tratar de uma estranha dor que meu tio sentia. Ele estava magro e abatido, e me disse com uma ternura que nunca vou esquecer, “obrigado por ter cuidado da minha filha enquanto eu não estava aqui”. Poucos meses depois, ele já havia ido embora. Foi em paz, feliz por ter pegado o netinho no colo. Hoje, Supergirl e seu filhinho voam juntos em direção ao futuro, trazendo alegria para a família e enchendo esse primo coruja de orgulho.

super.jpg

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 Both comments and pings are currently closed.

11 Comentários



  • Twitter
  • Facebook
  • YouTube