
Uma graça esse metrô com bancos de madeira. Mas é quente pacas.
Os últimos dias em Buenos Aires e o fim de semana em Montevideo foram bem corridos, e não sobrou muito tempo para escrever. Pra piorar, o vífe em Montevideo era podre, por isso os episódios estão atrasados. Estou de volta às terras brasileiras, mas as aventuras continuam durante essa semana, com direito a season finale e tudo! Acompanhe agora as últimas emoções de UM MALUCO NA AMÉRICA LATINA!
Depois de 10 dias na Argentina, fiquei absolutamente encantado com o país, esse estranho meio termo entre a Europa e a América do Sul. Me apaixonei por Mendoza e Buenos Aires e pelos pequenos rituais argentinos herdados dos espanhóis e ingleses como a ode ao à gastronomia, ao chá e ao vinho. Mas sem dúvida o que mais me surpreendeu foram as pessoas. Acho tremendamente injusta a imagem que os brasileiros de uma forma geral fazem desse povo tão gentil.
Nunca fui tão bem tratado em nenhum país que visitei. Era só abrir o mapa na rua que eu sabia que em questão de segundos, um argentino apareceria para perguntar se eu estava perdido ou precisava de ajuda (geralmente era as duas coisas). Alguns até já chegavam em português, sei lá como sabiam que eu era brasileiro. Acho que eles iam por estatística mesmo, já que 99% das pessoas em Buenos Aires são brasileiras.
Em Buenos Aires, conheci um gentil jornaleiro chamado Omar, que arriscou o japonês (!), e depois mandou ver num português quase perfeito, aprendido com os nossos turistas. Eu estava perdido (a duas quadras do apartamento que aluguei), Omar saiu de sua banca, veio me cumprimentar e me ajudou a encontrar a minha rua. Sem ele eu provavelmente estaria perdido na savana africana a essa hora.
Omar puxou papo, perguntou como estavam as coisas no Brasil e no governo Lula. Essa é outra característica dos potenhos, eles são muito politizados; algo que só é possível quando se tem informação. E já é fato conhecido que o argentino lê muito mais que o brasileiro.

Associação das Mães da Praça de Maio, fundada pelas célebres mães que tiveram seus filhos desaparecidos durante a ditadura argentina.

Praça do Congresso com Av. de Maio
Outra coisa que achei bonita nos argentinos é a devoção aos seus ídolos nacionais, como Maradona, Jorge Luiz Borges, Che Guevara e Evita Perón. Esses são os quatro que mais vi estampados por lá. Interessante que sejam figuras tão diferentes, amadas tão intensamente por todo o povo. Num chute sem qualquer embasamento científico, eu diria que Evita é ainda mais querida que Che ou Maradona. Em Buenos Aires você vê retratos dela por todo lugar, em restaurantes, mercados, lojas, postes, praças. Milhares de pessoas visitam sua tumba no cemitério da Recoleta todos os anos e, olhando de relance para as janelas dos prédios, não é difícil encontrar retratos ou posteres dela dentro dos quartos.
Isso é algo que não se vê no Brasil, nem mesmo no futebol. Enquanto o time está ganhando, os jogadores são heróis, mas se está perdendo eles se tornam indignos de suas vidas – vide a última copa. E quando morre alguém então? No dia seguinte já tem lista de piadas circulando por e-mail. Acho isso meio triste, morar num país que não tem lá muito respeito pelos poucos heróis que tem…
O que me leva a outra questão, que sempre penso quando viajo: o quanto as pessoas se dão conta de que vivem em lugares incríveis ou ordinários. Será que alguém que mora em Roma é mais feliz do que alguém que mora em Birigui? Eu sempre gostei de morar em São Paulo, mas toda vez que chego de viagem me pergunto que diabos estou fazendo aqui. Paro pra pensar no porquê estou na cidade, e vejo que tenho não tenho mais tantos motivos como há 5 ou 6 anos… acho que tem um monte de lugares no mundo que eu conseguiria chamar de lar, e sem dúvida Buenos Aires é um deles…

“Você viaja no coletivo. Ele viaja no tempo.” Dã-ã. Tem publicitários ruins em todo lugar.

Blog pessoal de Fábio Yabu, desenhista e autor de livros infantis, criador de "Combo Rangers", 






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terça-feira, 15th janeiro 2008 at 12:36 pm