janeiro/21/2008

Conforme prometido, eis aqui um resumão, com dicas e preços para quem quer fazer uma viagem como a minha e, ao final do post, uma pequena surpresa. ;)

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Desculpem o mapa tosco, mas tive que usar o Yahoo! Maps porque inexplicavelmente, o Google Maps NÃO MOSTRA a Argentina! Duvida? Olha aqui, ó!

As cidades visitadas foram: Santiago, Viña del Mar e Valparaíso, no Chile, Mendoza e Buenos Aires na Argentina e finalmente Montevideo, no Uruguai. As cidades que mais gostei, na ordem, foram: Mendoza, Buenos Aires e Viña del Mar. Santiago é mega boga, e Montevideo é legal mas um pouco calma demais.

Bom, ainda não somei todos os recibinhos e nem recebi a fatura do cartão de crédito, mas uma viagem dessas pode sair bem baratinha, ainda mais comparando com a Europa ou US and A, devido ao câmbio em favor do Real. Não quer dizer que você vai abrir um comércio em Buenos Aires com uma nota de 50 reais, mas dá pra se divertir muito gastando pouco.

O que saiu mais caro foram as passagens e hospedagem. Você pode conseguir preços bem melhores se fizer um roteirinho via agência de viagens, mas eu preferi organizar tudo sozinho porque sou meio porra louca. Eu queria contar com a possibilidade de de repente enjoar de uma cidade e partir para outra, ou esticar um pouquinho mais nos lugares que eu gostei, decidir, dependendo da minha disposição, pegar um ônibus ou um avião, casar com uma argentina e não voltar mais, sei lá.

Acabei pegando só 2 aviões: a ida para Santiago, via TAM, por R$ 855,35, incluindo taxas, mais ou menos 4 horas de vôo. Não se esqueça de avisar aos funcionários da TAM que a companhia oferece sim, vôos para Santiago. Essa passagem ficou bem carinha (existem pacotes com ida e volta para Santiago por esse valor), é o preço de se mudar os planos em cima da hora. Mas valeu a pena. O vôo de volta foi Montevideo – São Paulo, pela Gol, por R$ 476,00, e durou cerca de 5 horas, com escala em Porto Alegre.

Em Santiago, existem hotéis bacaninhas por preços razoáveis. Coisa de 50 dólares por noite pelo conforto de um quarto com banheiro. Existem albergues da juventude por todas as cidades em que passei, mas como os hotéis não são tão mais caros e eu nem tava a fim de fazer amigos, optei por eles. A cidade é mais legal pela sua geografia do que por suas atrações em si, mas não deixa de ser surpreendente pelos seus restaurantes, organização e limpeza. Ouviu, Kassab?

Para ir a Viña del Mar, basta pegar um ônibus que custa cerca de 20 dólares. A viagem é rápida e bonita, pois vai percorrendo a Cordilheira dos Andes. Por algum bizarro motivo, guarde a sua passagem, pois os fiscais passam para conferir DUAS vezes durante a viagem. E o ônibus não pára nenhuma vez. Vai entender.

Lá as coisas são mais caras que em Santiago, já que se trata de um balneário para bacanas. Mas não chega a ser absurdo. O que realmente pega é a hospedagem, especialmente durante a temporada. Prepare o bolso, e, se tiver restrições orçamentárias, vá de manhã bem cedinho, aproveite a cidade durante o dia e volte para Santiago à noite, pode valer a pena. Ou então fique em Valparaíso, cidade vizinha interligada por uma linha de metrô, que é um pouco mais em conta.

De Viña del Mar parti direto para Mendoza, na Argentina. A cidade tem aeroporto mas optei por ir de ônibus, e a vista do caminho compensa as 7h de viagem. A passagem custa em média 16 dólares, e inclui lanchinho no ônibus. Na fronteira com a Argentina, todos os passageiros devem descer para os trâmites da imigração, então confira seus documentos incluindo o registro de entrada no Chile, que você tem que devolver.

Em Mendoza existem dezenas de opções de hospedagem. É aquele lance: dá pra ficar num hotel de 4 ou 5 estrelas, num albergue ou então num modesto meio termo. Eu achei pela internet um hotel próximo à rodoviária por 30 dólares a noite e com vífe no quarto. Bom, na verdade, o vífe era da lanchonete vizinha, mas pegava que era uma beleza.

Mendoza acabou sendo minha parada favorita. Ande pelas belas ruas, tome muito sorvete, jante nos agitados happy hours e beba muito, mas muito vinho. Beba como se não houvesse água potável no mundo. Tome banho com Cabernet Savignon e lave a cara com Malbec pelas manhãs. É bom, é barato e faz bem pro coração! Existem mais de 1000 bodegas para visitar, mas sem carro não rola. Por isso, se estiver a pé, compre um pacote numa agência por uns 20 dólares. Vale a pena tentar ir mais de um dia se você curte vinhos.

De lá, fui para Buenos Aires. Eu estava na dúvida se iria de avião ou ônibus. Aí vai depender do seu espírito aventureiro, pois são 2h contra 14 de viagem. Mas o ônibus tem suas vantagens: é mais barato, razoavelmente confortável, você viaja à noite e por isso acaba economizando uma noite de hotel. Sai por uns 40 dólares. Eu fui de ônibus e acho que valeu a pena, pois descansei durante a viagem e de manhã cedinho estava em Buenos Aires.

Agora é a dica que vale ouro; anote num papel e depois me agradeça. Não vale a pena ficar em albergue e muito menos em hotel, o que pega é alugar um apartamento. A empresa ByT Argentina é superprofissional e oferece contratos de uma semana por a partir de 170 dólares! Dividindo por três pessoas fica pouco mais de 50 dólares por semana! Tem que ser muito mão de vaca pra ficar em albergue assim, vai.

Ah, e mais uma dica: quando for a Buenos Aires, vá pelado. Se for pelada, melhor ainda! As pessoas podem estranhar um pouco alguém pelado no aeroporto ou mesmo no avião, eu sei. Mas vale a pena, porque em Buenos Aires é muito barato comprar roupas. Tem outlets de montão, e, mesmo as lojas comuns costumam oferecer preços bacanas. Como todo brasileiro, você pode comprar aqueles tênis escandalosos da Nike bem mais baratos que aqui, ainda que eles sejam… Made in Brazil. Enfim.

Não dá pra falar de Buenos Aires sem usar nenhum clichê, por isso não vou me prolongar muito. Mas a cidade é tudo o que dizem e mais um pouco. Eu fiquei 5 dias e teria ficado mais. Me encantei por Puerto Madero, passeei pela Recoleta, pelo belo e politizado centro, comi como um rei em Palermo e gastei como um sacoleiro nos outlets da Córdoba com a Scalabrini. Ou seja, tem opções para todos os gostos e bolsos. Ah, e não se esqueça de tratar muito bem os argentinos, pois eles são muito gente boa.

De lá, peguei o BuqueBus por 70 dólares para Montevideo. A viagem, de barco, dura cerca de 3 horas e meia. Montevideo não é assim um lugar “oooh, que mega boga”, mas é sem dúvida interessante. Parece que Punta del Este é mais legal, o que eu não duvido. Acho que a cidade pode ser considerada como a prima pobre de Buenos Aires, ou ainda, a Belo Horizonte da América Latina. Lá tudo é calmo e tranquilo, relativamente seguro, e em alguns momentos você acha que voltou no tempo. Tem velhinhos sentados em todas as inúmeras praças da cidade, onde crianças brincam nos carrosséis e os poucos jovens que se vê estão tomando chimarrão. Vá mas não fique muito mais do que um ou dois dias não.

Enfim, foram 17 dias de uma viagem muito legal. Deu pra fazer tudo o que eu queria com calma, sem ter que ficar fazendo maratona nas cidades, descobrir coisas novas dentro e fora de mim. Muito obrigado a todos que acompanharam mais essa aventura, espero em breve poder narrar mais uma em algum lugar diferente do mundo.

E, pra quem teve saco de acompanhar tudo, aqui está a surpresa: a capa do meu quarto livro, em primeira mão: Raimundo, Cidadão do Mundo, chega às livrarias em poucas semanas e, além dos meus textos e das ilustrações da mega-boga Ana Terra, tem prefácio de ninguém menos que… Marcelo Tas, twitteiro, blogueiro, apresentador de rádio e TV e eterno Professor Tibúrcio!!

Aguardem novidades sobre o Raimundo, que vai ganhar um post só pra ele em breve! Fiquem com a capa, e até a próxima aventura! ;)

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Releia todos os episódios de Um maluco na América Latina aqui.


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