Após quase 4 meses, o BBB 2 finalmente chegou ao fim. Apesar de eu ter achado que a história superou e muito a do primeiro, algumas pessoas não concordaram e tal. Reconheço que o desenvolvimento da trama ficou muito prejudicado por causa dos hiatos que tive que dar; eu não imaginava que o meu começo de ano, com a estréia de Princesas do Mar na TV, fosse ser tão atribulado. Tinha dias que eu dava 4, 5 entrevistas, mas enfim, não estou aqui para justificar nada nem explicar a piada, e sim para comentar o processo de desenvolvimento da história, e principalmente, do meu personagem favorito, JINN FARAH.
Quem não leu o final do BBB 2 é melhor ler agora ou parar por aqui.
A história
Desde o final do BBB 1 eu já sabia mais ou menos como seria o 2. Eu queria mostrar a decadência de um herói (o He-Man) e como os nossos medos e mágoas acabam nos tornando aquilo que mais odiamos. Na verdade, esse é um dos meus maiores medos; e criar uma história dessas me ajuda a exorcizá-los.
Eu sempre gosto de colocar uma mensagem mais “séria” dentro dos meus trabalhos mais escrachados. Não apenas por idealismo, mas também por achar que uma piada fica muito mais engraçada quando oposta a uma colocação séria.
Então pensei no lance do He-Man entrar no ciclo infinito da sua própria destruição, quando ele mata a ele mesmo vindo do futuro na forma do Esqueleto. Sim, desde o começo eu já tinha planejado que ele era o Esqueleto transformado em zumbi pelo Homem-Aranha Zumbi. Aliás, esse Homem-Aranha Zumbi deu um trabalhão pra encontrar, revirei Nova York inteira atrás dele até que encontrei numa Comic Shop.
Essa era a premissa inicial da história, e mais ou menos tudo o que eu tinha quando o primeiro episódio foi ao ar. Eu também sabia que Chun-Li (na verdade Shang Tsung ) Homem-Aranha, Batman e Franjinha dariam as caras. O Franjinha seria pivotal para a história, pois ele seria o responsável pelo transporte do He-Man/Esqueleto para o passado. Mas quem disse que tinha boneco do Franjinha?
Surge Jinn Farah

Muita gente me pergunta de onde eu tiro as idéias para as minhas histórias, como eu pensei nisso, como eu pensei naquilo. Acho que a criação do Jinn Farah é um bom exemplo de como a minha cabeça funciona, e como eu acho que é o processo criativo. Eu realmente acredito que tem boas histórias escondidas em todo lugar, mas acho que o segredo para encontrá-las é justamente não procurar. Pra não soar muito Caetano, vou contar tintim por tintim como o Jinn surgiu:
No começo o Franjinha não seria o Jinn Farah. Seria apenas o Franjinha, mas aí aconteceu um daqueles pequenos milagres que costumo testemunhar durante o processo criativo, quando por falta de uma solução ideal, outra melhor ainda acaba aparecendo quando você pensa fora da caixa. Eu vasculhei a cidade inteira atrás do boneco do Franjinha, fui até o aeroporto de Guarulhos na loja da Turma da Mônica e nem lá tinha. Então perguntei pra vendedora onde poderia encontrar um, e para a minha surpresa, ela me disse que o Franjinha NÃO tinha boneco. Absurdo. O Franjinha sempre foi o personagem mais rico da Turma, afinal ele era o mais inteligente, e poderia derrotar a Mônica de olhos fechados. Estranhamente ele nunca teve revista própria, quando até a TINA tem. Fala sério. Que espécie de maluco lê as histórias da Tina? Eu sempre pulei.
Então voltei pra casa decidido a criar o meu próprio Franjinha, que agora tinha até mesmo uma motivação. De mocinho submisso a mentes inferiores, ele virou um vilão badass, que fez fortuna vendendo seus inventos. Comecei a bolar o enigma de sua identidade, escrevi cada letra do seu nome num pedaço de papel e comecei a rir sozinho ao ler JINN FARAH, um nome que até parecia de verdade.
Na hora de pensar no logo, percebi que a franja do personagem tinha 5 pontas, mesmo número de letras de FARAH. Era bom demais pra ser verdade, a piada estava pronta e ninguém nunca tinha visto! Fui numa loja de brinquedos e lá encontrei o KEN MODA PRAIA, que era loiro e tinha uma… franjinha! Aí foi só pedir pra minha mãe costurar uma camiseta vermelha e uma calça preta e pronto! Nascia Jinn Farah e todo o resto da trama do BBB 2.
ARG – O que o BBB não mostrou
Foi realmente uma pena eu não ter podido me dedicar mais ao ARG do BBB 2. Ele contaria detalhadamente toda a queda do Franjinha, e o destino dos outros personagens da Turma. O blog ainda está no ar, e agora sabendo quem está escrevendo tudo faz sentido. Aqui por exemplo eu revelo o que aconteceu com a Mônica:
Ela
Engraçado como tudo sempre girou em volta dela. Aquele sorrisinho engraçado, os cachos negros de seus cabelos, seu espírito e corpo fortes. Lembro-me com ternura dos planos que fazíamos, tudo era ela, ao redor dela, para ela.
Lembro que no começo as coisas eram muito diferentes, mas o tempo mudou meu olhar. Mesmo que ela estivesse por perto durante tantos anos, eu nunca a havia visto daquela maneira. Demorou, mas finalmente percebi que ela estava lá o tempo todo, para me dar a força que eu precisava para seguir em frente e vencer os duros desafios que a vida me preparara.
Ela se foi, mas nunca será esquecida.
Pois até hoje, ela vive em mim.
Por causa da minha escassez de tempo, resolvi encerrar a história sem os outros elementos que eu havia pensado. Mas para não deixar ninguém na mão, conto aqui o que ainda iria aparecer e as peças que faltavam no quebra-cabeça:

A Brigada Amarela – a resistência que havia sido formada pelo Bugu, também falecido. Após a morte de Bidu, Bugu quis aproveitar para finalmente se lançar ao estrelato, mas ele já estava velho demais pois eles envelheciam como cachorros. Seus discípulos queriam impedir a todo custo a ressurreição de Bidu. Sua assinatura, A.M.F., era nada menos que “Alô Mamãe Forever”.
Marina – a ex-namorada o Franjinha havia espalhado pela internet seus quadros, que davam pistas sobre sua verdadeira identidade. Infelizmente não rolou de produzí-los, mas que ia ficar legal ia, falaí.
O melhor personagem, entretanto, não apareceu: O Senhor da Lua. Sim, ele seria o Cebolinha também crescido e único cuja “alma” seria capaz de derrotar Jinn Farah. Todos os seus diálogos seriam formados por palavras sem o R, que dariam a pista de sua identidade até que ela seria entregue quando ele pronunciasse “Flanjinha”. Droga, onde vende um dia com 48 horas?!?
Outro elemento que foi fornecido no ARG através do post do Brainstorm#9 foi a data 18 de julho de 1959. Eu não esperava que ninguém fosse descobrir o que ela significava, até porque essa data não está registrada em lugar algum da internet. A quem interessar possa, esse foi o dia em que a revista BIDU #01 foi lançada. Como eu sei disso? Infelizmente não posso revelar todos os meus segredos.
Ou seja, no final das contas o BBB seria uma grande história da Turma da Mônica. Bom, como a identidade do Jinn já é conhecida, não dá mais para utilizar essas piadas numa outra história. Mas fica aí pra quem tinha curiosidade.
Jinn Farah e o futuro
Na boa, eu me apaixonei pelo personagem. Por isso, Jinn Farah certamente será visto em outros trabalhos meus, e terá um papel de destaque no meu próximo livro (Princesas do Mar 4) com franja, camiseta vermelha e tudo! E o legal é que só os leitores do YabloG! vão entender a piada.

Blog pessoal de Fábio Yabu, desenhista e autor de livros infantis, criador de "Combo Rangers", 







JM |
quarta-feira, 30th abril 2008 at 6:35 pm