Palavras apaixonadas sobre Wall-E - YabloG!

Palavras apaixonadas sobre Wall-E

junho 23rd, 2008 | Por Fábio Yabu em Resenhas

(Sem spoilers)

Wall-E é um filme de Amor.

Todos os anos, pouco antes do lançamento do filme novo da Pixar, críticos do mundo inteiro tentam explicar o porquê do sucesso dos filmes da empresa. Alguns o atribuem ao roteiro, às técnicas de animação, ao carisma dos personagens. Eu não curto esse tipo de análise. Primeiro, porque acho falha: se fosse fácil assim, teríamos dezenas de Pixares surgindo pelo globo cada vez que uma crítica fosse publicada. Segundo, porque desconstruir filmes como se eles fossem relógios descarta os componentes intangíveis presentes – a magia, para os que ainda acreditam – em todo trabalho artístico.

É claro que existe a técnica, o compasso e a maestria do roteiro, e falar deles é invariavelmente cair na mesmice dos críticos e suas notas quebradas e estrelinhas amarelas. Eu não sou crítico, e sim um homem apaixonado gritando de uma colina que insiste em acreditar que existe algo a mais. Nossa vida precisa de mais! Existe a magia, existe o Amor, e ele não pode ser desconstruído e nem explicado.

Não pode. E é por isso que o robozinho Wall-E é praticamente mudo. Ele só diz o próprio nome e o da amada e, ainda assim, é o personagem mais profundo e apaixonante já criado pela Pixar. Wall-E é uma declaração de Amor, e das mais lindas, não apenas ao cinema, à animação e à história da arte, homenageada de maneira soberba nos créditos finais. Mas também à raça, ao espírito humano, e por que não, ao próprio Amor? Durante o filme, várias questões são levantadas – de onde ele vem? Aonde ele fica? E quem se importa?

Amar é correr riscos – e Wall-E é de longe o filme mais ousado da Pixar. Ratatouille também o é num nível mais sutil, às vezes nem sequer percebido pelo público em geral. Alguém sentiu falta de um gato? Pois é. Mas em Wall-E o nível é outro, e as críticas ao consumismo, à alienação, até mesmo à alimentação e sedentarismo que estão transformando uma certa nação imperialista numa terra de obesos são atiradas para todo o lado. Agora sim, os adultos vão ter com o que se identificar num desenho animado. E também se envergonhar e refletir. Em uma de suas múltiplas camadas, Wall-E escancara o apelo ambiental de forma tão brutal que lembra “Uma verdade Inconveniente”, de Al Gore.

Wall-E é um filme de Amor, pelo qual me apaixonei perdidamente. Como todo apaixonado, não vi defeitos. Nem quero. Talvez daqui a alguns anos eu leia essas palavras e ria da minha ingenuidade, da minha inocência, mas ao contrário do carnal, o Amor por filmes como Wall-E está condenado à eternidade.

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