O Erico definiu muito bem a Comic-Con: é um grande parque de diversão para nerds – no melhor e no pior sentido da palavra. Tem filas enormes para todas as atrações principais; no dia anterior ao painel de Heroes e Lost já tinha gente dormindo na fila! Na verdade, estou nesse momento do lado de fora do centro de convenções, nessa mesma fila, cercado por toda sorte de maluco: do meu lado, tem um senhor que não larga seu Blackberry, com seu filho de 10 anos que por sua vez brinca com seu iPhone. Vieram ver Heroes. Atrás de mim, tem um maluco jogando Mario Kart DS, que diz ter batido o recorde na Rainbow Road. Ali na frente tem uma menina que tem a metade da minha idade, o triplo do meu peso, ingerindo as calorias que consumo em um dia num só copo do Starbucks.
Ainda vou ter que esperar nessa fila por muitas horas. Então, vou contar como foi o dia de ontem que, adivinhe, teve muitas filas. A maior delas foi para uma trinca de painéis que seriam realizados na mesma sala: 24, Prison Break e a série da Nickelodeon, Avatar. Posso estar enganado, mas tive a impressão que a maioria das pessoas não estava lá pra ver o Jack Bauer ou o Michael Scofield, e sim, o carequinha Aang, o Avatar. Esse foi o grande problema, já que os auto-intitulados “avatardos” estavam na sala desde o começo da tarde, ainda que o painel só fosse às 18h30. Ou seja, muita gente que foi pra ver 24 ou Prison Break perdeu o lugar.
Ainda que eu tivesse chegado duas horas antes, perdi o painel de 24 mas felizmente consegui entrar no Prison Break. Que foi bem legal, por sinal. Estavam presentes o produtor Matt Olmstead, o diretor, Dominic Purcell (o Lincoln) e Sarah Wayne Calles (minha doce Sara Tancredi). Eles mostraram o comecinho da quarta temporada, que deu uma mega-boga acochambrada para dizer como Sara voltou da morte. Se não quer saber, não leia o próximo parágrafo. Ah, mas que diabos, quem se importa?
O preview começa com Michael recontando os eventos das três primeiras temporadas. O gentil engenheiro que conhecemos no começo da série já não existe mais. Scofield agora é um homem obcecado pela vingança contra a Companhia. Se antes Scofield era incapaz de descer ao nível de seus companheiros de prisão mesmo que em em auto-defesa, agora tudo o que ele quer é matar Gretchen, a assassina de sua amada.
Logo no comecinho do episódio ele chega perto disso, emboscando a morena e seu ex-colega de cela Whistler, que estão trabalhando juntos novamente. Michael aponta a arma para Gretchen, diz “Isso é pela Sara” e Gretchen revela que Sara ainda está viva. Como? Uma desculpa pra lá de esfarrapada, claro. Sara havia fugido de seu cativeiro e Gretchen teve que improvisar, decapitando uma coitada qualquer e mandando a cabeça para Lincoln.
Convenceu? Mezzo, mas tudo em Prison Break é assim, e os fãs parecem não se importar. A decapitação da personagem de Sarah Wayne Calles foi um jeito improvisado que os roteiristas deram para lidar com a demissão da atriz. Após o nascimento de sua filha, ela se negou a voltar a filmar e acabou tendo seu contrato rescindido. Depois da greve dos roteiristas e com a série na berlinda, os produtores resolveram fazer as pazes e tudo voltou ao normal. Dominic Purcell, o Lincoln, não perdeu a chance de debochar da situação durante o painel: “Eu tenho família e preciso trabalhar para sustentá-los. Não posso sair quando quiser, ao contrário de certas pessoas.” Depois do cruzado de direita, a platéia soltou um sonoro “uuuuuuhh” e Sarah Wayne Calles se limitou a dar um sorriso amarelo.
Então tá, né? Masoquista que sou, vou ter que assistir pra ver no que dá. Agora vou economizar um pouco de bateria, mas volto a postar depois do painel de Heroes: Villains. High fives! _o/

Blog pessoal de Fábio Yabu, desenhista e autor de livros infantis, criador de "Combo Rangers", 







Fenyang |
domingo, 27th julho 2008 at 7:32 am