agosto/1/2008

Amanhã já pego meu vôo de volta, e San Francisco novamente vai deixar saudade, ainda que eu tenha conseguido ver mais coisas dessa vez. Vai ser uma viagem longa e cansativa: daqui volto para San Diego. De lá, vou pra Houston, onde fico 4 horas bundando. Depois, serão mais 10 horas de vôo até São Paulo. Pra passar o tempo, estou levando o livro novo do Amit Goswami, que relaciona física quântica com criatividade. Bem Sheldon (The Big Bang Theory) mesmo, falaí. Mas a diferença entre eu e ele é que eu preciso ler 4 ou 5 vezes a mesma página pra começar a entender alguma coisa. :/

San Francisco tem contrastes muito curiosos. Três bondinhos operam da mesma forma há mais de 100 anos, e dividem espaço nas ruas com SUVs gigantescas e seus motoristas pequeninos. Andar de bondinho é viajar no tempo. Eles são barulhentos e desconfortáveis, mas muito charmosos e em perfeito estado de conservação. São feitos de madeira e metal, e todos os seus textos são pintados cuidadosamente à mão. Ao final de cada curta viagem de 15 minutos, o operador posiciona o bonde em cima de um enorme disco de madeira giratório, desce e empurra pro lado oposto, pra poder voltar. Afinal, pra que inventar a marcha-ré se você pode girar um bonde com as próprias mãos?

San Francisco Cable Car
Bondinho de San Francisco


5 dólares pra ficar pendurado do lado de fora por 15 minutos!

Algumas ruas têm subidas cruéis, para as quais os bondinhos são uma mão na roda, enquanto outras são planas e equipadas com ciclovias. As leis californianas são rigorosas; atravessar fora da faixa dá multa e uso de maconha dá cadeia. Ainda assim, é possível encontrar gente puxando um baseado na rua, e pior, atravessando fora da faixa, veja você!

Lombard Street
Essa subida é estaile! Lombard Street

No pier de Embarcadero, velhinhos chineses (e mal humorados) pescam sossegados alheios à metrópole que os rodeia, sem falar uma única palavra de inglês. Ontem vi um brigando pra tirar um peixe enorme da água, ninguém conseguiu vê-lo mas, pela envergadura da vara e pelo tempo que levou para a linha arrebentar, devia ser um dos tubarões que povoam a baía de San Francisco. Bem feito pro velhinho, que começou a xingar todo mundo em chinês. Acho.

Sea Lion
Leões marinhos descansando sossegados em Fisherman’s Wharf

Market Street, San Francisco, CA, 94102
De um lado da Market St., peruas gastam dinheiro na Bloomingdale’s. Do outro, tiozinhos jogam xadrez.

Mas nem tudo é festa. Ainda que seja uma cidade muito segura, com câmeras e policiais para todo lado, San Francisco foi o lugar nos US and A com mais mendigos que conheci. Mas muitos MESMO, tipo em toda esquina tinha um ou dois. Muitos empurrando seus carrinhos de supermercado abarrotados de coisas. A Market Street, que tem as lojas mais chiques da cidade, tem muitos deles pedindo moedas em seus copos do Starbucks, alguns com cartazes engraçados como “Preciso de dinheiro para uma prostituta“.

My name is Fabio

É sempre assim: eu conheço um nativo, ele se apresenta, eu digo meu nome e ele fala: “Oh, Fabio? Like the actor?”. Yes, like the actor:


O outro Fabio

Eu, terrorista?

Mas eu não sou só confundido com atores cafonas. Como aqui em San Francisco venta pra diabo, um ventinho gelaaado, eu sempre andava na rua de capuz. Eis que entro numa loja, o segurança vem atrás de mim e pede pra eu tirar o capuz. Eu pergunto: “Por que?” e ele respondeu com todas as letras: “Porque com esse capuz você parece um terrorista”, e apontou para uma plaquinha na parede proibindo os clientes de usar capuz dentro da loja. Como vi que não era nada pessoal, concordei em tirar. Até porque, vai saber o que ia acontecer se eu não fizesse isso, né?

É estranho ver as novas atitudes que a paranóia anti-terrorismo tem trazido. Que diferença faz um capuz ou não se eu quisesse explodir uma loja? No aeroporto, além do incômodo de ter que tirar o sapatos para o raio-X, agora têm me pedido pra esvaziar os bolsos mesmo que não haja nada de metal neles. Em San Diego, pra tentar aliviar um pouco a tensão dos passageiros, alguns seguranças usam camisas floridas. Nos telões, um vídeo de como proceder no raio-x é exibido, com atores vestidos de coelhos e bonequinhos de Lego. Todos potenciais terroristas como eu.

(Update: estou no aeroporto de Houston agora, e o risco de ameaça terrorista foi aumentado de amarelo para laranja. Toda hora ficam anunciando no auto-falante e as telas de check-in ficam mostrando o tempo todo: CODE ORANGE – CODE ORANGE. Tô até com medo de digitar a palavra TERRORISMO e o Jack Bauer aparecer pra chutar a minha bunda.)


3 Comments

  • Que paranoia desse pessoal…
    Em um capuz não dá pra esconder nenhum tipo de artefato explosivo. Palavra de quem sabe (não minha, de esquadrões anti-bomba!)

     
  • Paranóia é pouco, eles já tão ficando é maluco. Mas imagina só o Yabu fazendo escândalo pra não tirar o capuz na loja, íamos ver no jornal nacional “Brasileiro, criador do desenho princesas do mar, faz escândalo em uma loja por causa das rigorosas medidas anti-terroristas”. Eu ia ri.

     
  • Ahahaha Muito bom sua visao de como funciona a cabeça e o cotidiano dos Americanos de cima…muito boa a cobertura da comic con ..estou gostando muito…como sempre parabens pelo otimo trabalho!!

     

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