Pelo menos não é lupus
Como muitos de vocês viram, estou com pneumonia. Pneumonia, cara! Eu nem sabia quantos Ns tinha essa palavra. Os sintomas começaram na terça-feira passada, com uma febre moderada que depois teve picos de 39.5 graus. De lá até ontem, quando fui diagnosticado, já tinha feito de tudo: trabalhei, dei palestra para os alunos de uma escola, fiz meu voluntariado, fui pra balada, quase coloquei fogo na Vila Olímpia e pedi a garota mais incrível do mundo em namoro. E cortei o cabelo. (O mullets tava classe.)
Enfim, esse tempo todo os germes faziam a segunda edição de sua festa anual nos meus pulmões. Quando saiu a radiografia, o médico nem precisou colocar contra a luz; até eu que nem sei onde ficam meus pulmões sabia diagnosticar aquilo. Peguei no ar, segundo o médico, naqueles momentos em que o sistema imunológico dá uma vacilada. Felizmente, as pessoas com quem tive contato próximo nos últimos dias, incluindo a garota mais incrível do mundo, estão fora de perigo.
Nada temam, queridos leitores. O médico prescreveu um tratamento de 10 dias, com antibióticos e um xarope que tem aplacado um pouco minha redudante tosse. As recomendações são simples: repousar bastante, me alimentar bem, evitar gelado, correntes de ar, ar condicionado e baladas onde tem muita gente emuvucada. Nada impossível para mim.
Muito obrigado a todos que ligaram, mandaram e-mails e twitters. Em pouco tempo estarei bem de novo. Obrigado à família da minha querida amiga Ana, que me levou pro hospital na marra e cuidou tão bem de mim, obrigado mamãe e papai, e obrigado à garota mais incrível do mundo, por estar sendo tão paciente e cuidadosa. Amo vocês.
P.S.: Eu já falei que ela é incrível?
Coisas que fazem você querer ser alguém melhor
Sabe, eu sei que eu tenho sido um blogueiro relapso e um amigo ausente (o que deixa meus amigos blogueiros duplamente ultrajados!). A galera tem reclamado mesmo do meu sumiço, mas é que os últimos dias, notadamente a semana passada, foram cheios de trabalho e de muitas alegrias.
Pra começar, um rápido anúncio: meu livro “Raimundo, Cidadão do Mundo” entrou na seleta lista do PNBE - Programa Nacional Biblioteca Escola. Ano que vem, milhares de crianças do Brasil inteiro vão poder viajar com o Raimundo e se divertir com sua total falta de noção. É o terceiro programa de leitura que contempla o livro, que já foi adotado pelo Estado de SP e pela Prefeitura de Beagá (já foi pra Beagá?) e por diversas escolas particulares. Dá um orgulho danado e, mais ainda, a sensação de dever cumprido.
Porque eu acho que é pra isso que a gente tá aqui, sabe? Pra fazer o que a gente tem que fazer. A semana passada foi mais uma daquelas em que a vida me mostrou que não existe o cara certo nem a hora certa, e sim que o cara certo é você e que a hora certa é agora. Durante seis dias, eu estive no Acqua Mundo, o mega-boga Aquário do Guarujá, realizando oficinas de desenho para crianças e exibição de episódios das Princesas. Como sempre, eu fui de coração aberto e sem nenhuma expectativa, mas acho que nada poderia ter me preparado para o que vi lá.
Nada poderia ter me preparado para o avassalador carinho das quase duas mil (!) crianças que passaram pelo Aquário. Seus olhinhos admirados (”Ele é o Fábio!“), suas declarações de carinho (“A gente pode cantar uma música pra você?”), suas caretas, seus sorrisos, beijos e abraços. Eu realmente não fazia idéia de que as Princesas eram tão conhecidas e populares, mas em todas as sessões eu pude viver momentos que preencheram meu coração de alegria por mais duas ou três encarnações.
Um dos momentos mais emocionantes do evento foi a visita de duas irmãs, Amanda e Ana Luísa, de 8 e 4 anos. Como se já não fossem encantadoras o suficiente com suas camisetas personalizadas das Princesas, as duas fizeram com que eu me sentisse ainda mais abençoado ao revelar que haviam ido do Rio de Janeiro até o Guarujá só pra me ver. É uma sensação estranha, de bênção, de responsabilidade, um certo peso também. Mas é um peso que me deixa mais leve. Como viver à altura dessa responsabilidade? Como ser merecedor? Eu acho que ninguém é. Talvez por isso, vídeos como esse me fazer querer ser alguém melhor:
Review: Dimensão DC - Lanterna Verde #01

Pois é, faz um tempinho que eu não comento de gibis aqui. Eu não tenho lido quase nada a não ser TPs ou álbuns mais autorais como Persépolis. É triste ver que os lançamentos de qualidade tem se tornado cada vez mais escassos, e, por mais que eu ame quadrinhos e me considere uma pessoa razoavelmente inteligente, eu simplesmente não consigo entender o que se passa nas histórias da Marvel ou da DC. É um samba do crioulo doido, nego morre, desmorre, ressuscita, desressuscita. Acho que nem o Sheldon, do Big Bang Theory consegue entender o que se passa naquelas histórias.
Mas tem uma história aqui da qual eu PRECISO falar, e o herói você já sabe quem é: o Lanterna Verde. É uma época de alegria para mim. Pela primeira vez na vida tive a oportunidade de comprar uma revista MENSAL do Lanterna Verde no Brasil. O herói mais cabuloso dos quadrinhos sempre ficou relegado às migalhas das revistas do Super-Homem ou da Liga da Justiça. Agora, a Panini, é, a Panini, a mesma que cancelou meu gibi, me largou na rua da amargura, na fila do desemprego, no leito do SUS e me fez vender um rim e meus três filhos, simplesmente reconquistou meu amor incondicional ao publicar de forma tão caprichosa aquela que é A MELHOR HISTÓRIA DO LANTERNA VERDE DESDE OS TEMPOS DO ALAN MOORE. OH, PANINI, EU TE AMO, PANINI! PEGA EU, PANINI!
Aham. Deixa eu recuperar a compostura.
Pois é. DIMENSÃO DC: LANTERNA VERDE, traz em suas verdes e abençoadas páginas a saga “A Guerra dos Anéis” (The Sinestro Corps War). O que rola? Como eu gosto de tudo explicadinho, vou começar do princípio:
Os Lanternas Verdes são uma espécie de polícia intergalática. Cada setor do universo tem 2 ou mais desses guerreiros, que como arma possuem um anel energético capaz de realizar qualquer desejo, com exceção de criar ou tirar vidas. O maior dos Lanternas Verdes é o terráqueo Hal Jordan, que durante anos lutou contra as forças do mal, ao lado de seus companheiros de tropa, ou da Liga da Justiça.
Seu principal inimigo era o ex-colega SINESTRO, um Lanterna Verde renegado que forjou para si um anel amarelo, com poderes semelhantes ao dos Lanternas. Durante anos, Sinestro tentou em vão destruir Hal Jordan e a Tropa, mas a desvantagem numérica sempre falou mais alto… até agora.
Sinestro resolveu usar um pouco sua cabeça avantajada e saiu recrutando os alienígenais mais sórdidos do universo. Cada um deles recebeu um anel igual ao seu, e o objetivo de aniquilar sem piedade todo e qualquer Lanterna Verde.
E a coisa fica mais divertida ainda: lembra quando você era criança e imaginava o que aconteceria se o Super-Homem tivesse o anel do Lanterna Verde ou o cinto de utilidades do Batman? Pois é: entre os “recrutas” de Sinestro, não estão só alienígenas feios e bobos, mas alguns dos supervilões do primeiro escalão do Universo DC: o Superciborgue, o Superboy Prime, a entidade do medo Parallax e ninguém menos que o ANTI-MONITOR - o grande vilão do clássico Crise nas Infinitas Terras. Juntos, os vilões empunham seus anéis amarelos e DESCEM O SARRAFO não só na Tropa, mas em praticamente todo mundo no Universo DC que usa roupa colante.
A história, de Geoff Johns, é o sonho de todo fã do Lanterna Verde e também do Universo DC. Johns conseguiu juntar os principais elementos de décadas de histórias, passando por Alan Moore, Crise nas Infinitas Terras e até os anabolizados anos 90, numa narrativa envolvente da primeira à última página da saga, sem perder o ritmo. Muito mais do que uma história do bem contra o mal, “A Guerra dos Anéis” é um intenso conflito psicológico entre a força de vontade e o medo, no qual nenhum dos dois está totalmente certo ou errado. Enquanto os heróis fazem a contagem de corpos e pensam em revidar à altura, os vilões riem por terem conseguido tornar a barreira entre os dois lados cada vez mais tênue.
Apenas poucos defeitos permeiam a história, mas não chegam a tirar seu brilho: um deles, é a indefinição dos uniformes da Tropa Sinestro, inicialmente azuis ao invés de amarelos. O símbolo da Tropa também foi criado pouco antes da primeira edição, e antes era mostrado como um simples círculo amarelo. Já uma coisa que me incomodou um pouco na edição brasileira foi o título “A Guerra dos Anéis”, que ao meu ver não traz o mesmo significado que o original ao pé da letra “A Guerra da Tropa Sinestro”. Eu também gostaria de ver mais ação com os vilões principais, mas acontece tanta coisa na história que sobra pouco espaço para tanta vilania.
A arte é de Ethan Van Scrier e do brasileiro Ivan Reis, dois dos desenhistas mais talentosos da atualidade. Simplesmente imperdível!
Confira também o Hotsite feito pela Panini, que explica mais sobre as duas tropas: A Guerra dos Anéis, e também traz HQs online sobre as duas facções.
Dragon Ball - Teaser (atualizado)
Sabe aquele filme que ninguém botou muita fé quando foi anunciado? Que, assim que surgiram as primeiras fotos, nego reclamou, disse que não estava fiel à obra original, que iam estragar a mitologia do personagem, bla bla bla? E que a única coisa boa que o CATASTRÓFICO trailer trouxe foi o sinal verde para todos levantarmos nossas plaquinhas dizendo “EU JÁ SABIA!”?
Pois é. Dragonball é esse filme. Veja por si mesmo(a)
UPDATE: Veja o trailer legendado (não que isso o torne mais interessante, mas enfim…) - via Smellycat
Se os trailers costumam mostrar as melhores partes de um filme, a coisa aqui tá bem feia, já que só conseguiram colocar umas cambalhotas, um cara pulando uma fogueira e outro levando um chute na orelha. Nem o trailer do Demolidor, da mesma FOOOX, era tão desanimador. O filme então, fala por si.
Olha, é uma pena, viu. Eu sou fã de Dragon Ball e Dragon Ball Z, não só vi todos os episódios como li a maior parte dos mangás. Pode ser que meu preconceito esteja enganando meus olhos e que, diante de mim, esteja o novo Matrix. Mas acho que as chances disso acontecer são as mesmas da Soninha ser a próxima prefeita de São Paulo.
É assim que vou me lembrar de Dragon Ball. Uma história divertida, original, com personagens mágicos. Quem não lembra do Mestre Kame destruindo a Lua? Ou da luta de Goku contra Freeza e da ajuda indispensável de Mister Satan na vitória contra Majin Buu? Dragon Ball é isso, é ação desenfreada com uma comédia quase pueril. Não é esse LIXO que a FOOOX teve a pachorra de apresentar.
Então fica aqui um apelo, para aqueles que possuem em seu poder uma das esferas do dragão: vamos juntar as 7 e pedir a Sheng Long que impeça esse filme de ser lançado!!!
SAI DAÍ SHENG LONG, PARA REALIZAR O NOSSO DESEJOOOOOOOO!!!
(Pule até os 3:50 para relembrar essa cena antológica, é genial)
A vida em Fricovila

Como você deve ter reparado, ando meio sem tempo para postar. A vida está bem atribulada e outubro, que começa hoje, é um mês bem agitado para mim por conta da Semana das Crianças. É convite para participar de evento em tudo quanto é lugar. Semana que vem vou estar praticamente todos os dias no Acqua Mundo, aka Aquário do Guarujá, conversando com as crianças e ministrando oficinas de desenho das Princesas do Mar. Na semana seguinte, tem visita à Escola Internacional, que adotou meu livro “Raimundo, Cidadão do Mundo” e, finalmente, no final do mês, eu, Jovem Nerd, Azaghal e mais uns malucos aí vamos participar de um evento sobre a morte de um super-herói muito famoso. Ainda bem que não é o Lanterna Verde!!
Enfim, pra não deixar o blog parado, resolvi postar aqui um texto que escrevi há algum tempo, antes de “Raimundo, Cidadão do Mundo”. É uma história sobre duas coisas que crianças gostam: cachorros e… zumbis. Achei super bonitEnha. Afinal, que criança não gosta de cachorro e zumbi? Talvez eu publique algum dia, talvez eu faça um curta, sei lá. O importante é não deixá-lo cair nas garras do Monstro da Gaveta, que consome sonhos e condena à mediocridade.
A VIDA EM FRICOVILA
Em Fricovila, ou é cachorro ou é zumbi
Duas raças bem diferentes
alguns viram parentes
e outros não estão nem aí
Tudo começou anos atrás
numa terra de gente estressada
Viviam em guerra, perturbando a paz
E fizeram uma grande burrada
Uma bomba alguém explodiu
quem foi, ninguém sabe ninguém viu
mas depois que a poeira baixou
a guerra enfim terminou
Os vivos só queriam morrer
Os mortos, foram expulsos do cemitério
Andando a esmo, se perguntando o porquê
Ninguém explicou, nem George Romero
Não havia mais preto nem branco
Nem amarelo, azul ou marfim
Os mortos vivos se olharam com espanto
E normal virou ser assim
Andar por aí, sem sinais vitais
Com a pele caindo, apodrecida
Comiam miolos e nada mais
E choravam a vida perdida
Foram embora sem esperança
E os pobres cachorros lamentaram o fim
Da raça humana ficou só a lembrança
Talvez seja melhor assim
Os cachorros mudaram de vida
Construíram casa, plantaram comida
Fizeram uma pequena vila
Batizaram-na de Fricovila
Um lugar de paz e de bem
Seus cidadãos eram nota 100
Cachorrada educada e muito cordial
Faziam cocô e xixi só no jornal
Cachorro é irracional?
Quem disse isso é o verdadeiro animal
Fricovila era uma cidade acolhedora
Que respeitava a mãe natureza, sua protetora
Um dia, os miolos acabaram
E no mundo, só Fricovila restou
Logo os zumbis retornaram
E a guerra recomeçou
Mas dessa vez, foi diferente
Pois animal não é como a gente
Os cachorros resolveram ajudar
E os zumbis puderam ficar
Os cachorros fizeram acordo
“Aqui ninguém come ninguém;
restaurante para magro e para gordo
nessa cidade há mais de cem”
Os zumbis enfim concordaram
E a paz finalmente reinou
zumbis e cachorros então celebraram
O dia em que o mundo mudou
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