
Pois é, faz um tempinho que eu não comento de gibis aqui. Eu não tenho lido quase nada a não ser TPs ou álbuns mais autorais como Persépolis. É triste ver que os lançamentos de qualidade tem se tornado cada vez mais escassos, e, por mais que eu ame quadrinhos e me considere uma pessoa razoavelmente inteligente, eu simplesmente não consigo entender o que se passa nas histórias da Marvel ou da DC. É um samba do crioulo doido, nego morre, desmorre, ressuscita, desressuscita. Acho que nem o Sheldon, do Big Bang Theory consegue entender o que se passa naquelas histórias.
Mas tem uma história aqui da qual eu PRECISO falar, e o herói você já sabe quem é: o Lanterna Verde. É uma época de alegria para mim. Pela primeira vez na vida tive a oportunidade de comprar uma revista MENSAL do Lanterna Verde no Brasil. O herói mais cabuloso dos quadrinhos sempre ficou relegado às migalhas das revistas do Super-Homem ou da Liga da Justiça. Agora, a Panini, é, a Panini, a mesma que cancelou meu gibi, me largou na rua da amargura, na fila do desemprego, no leito do SUS e me fez vender um rim e meus três filhos, simplesmente reconquistou meu amor incondicional ao publicar de forma tão caprichosa aquela que é A MELHOR HISTÓRIA DO LANTERNA VERDE DESDE OS TEMPOS DO ALAN MOORE. OH, PANINI, EU TE AMO, PANINI! PEGA EU, PANINI!
Aham. Deixa eu recuperar a compostura.
Pois é. DIMENSÃO DC: LANTERNA VERDE, traz em suas verdes e abençoadas páginas a saga “A Guerra dos Anéis” (The Sinestro Corps War). O que rola? Como eu gosto de tudo explicadinho, vou começar do princípio:
Os Lanternas Verdes são uma espécie de polícia intergalática. Cada setor do universo tem 2 ou mais desses guerreiros, que como arma possuem um anel energético capaz de realizar qualquer desejo, com exceção de criar ou tirar vidas. O maior dos Lanternas Verdes é o terráqueo Hal Jordan, que durante anos lutou contra as forças do mal, ao lado de seus companheiros de tropa, ou da Liga da Justiça.
Seu principal inimigo era o ex-colega SINESTRO, um Lanterna Verde renegado que forjou para si um anel amarelo, com poderes semelhantes ao dos Lanternas. Durante anos, Sinestro tentou em vão destruir Hal Jordan e a Tropa, mas a desvantagem numérica sempre falou mais alto… até agora.
Sinestro resolveu usar um pouco sua cabeça avantajada e saiu recrutando os alienígenais mais sórdidos do universo. Cada um deles recebeu um anel igual ao seu, e o objetivo de aniquilar sem piedade todo e qualquer Lanterna Verde.
E a coisa fica mais divertida ainda: lembra quando você era criança e imaginava o que aconteceria se o Super-Homem tivesse o anel do Lanterna Verde ou o cinto de utilidades do Batman? Pois é: entre os “recrutas” de Sinestro, não estão só alienígenas feios e bobos, mas alguns dos supervilões do primeiro escalão do Universo DC: o Superciborgue, o Superboy Prime, a entidade do medo Parallax e ninguém menos que o ANTI-MONITOR – o grande vilão do clássico Crise nas Infinitas Terras. Juntos, os vilões empunham seus anéis amarelos e DESCEM O SARRAFO não só na Tropa, mas em praticamente todo mundo no Universo DC que usa roupa colante.
A história, de Geoff Johns, é o sonho de todo fã do Lanterna Verde e também do Universo DC. Johns conseguiu juntar os principais elementos de décadas de histórias, passando por Alan Moore, Crise nas Infinitas Terras e até os anabolizados anos 90, numa narrativa envolvente da primeira à última página da saga, sem perder o ritmo. Muito mais do que uma história do bem contra o mal, “A Guerra dos Anéis” é um intenso conflito psicológico entre a força de vontade e o medo, no qual nenhum dos dois está totalmente certo ou errado. Enquanto os heróis fazem a contagem de corpos e pensam em revidar à altura, os vilões riem por terem conseguido tornar a barreira entre os dois lados cada vez mais tênue.
Apenas poucos defeitos permeiam a história, mas não chegam a tirar seu brilho: um deles, é a indefinição dos uniformes da Tropa Sinestro, inicialmente azuis ao invés de amarelos. O símbolo da Tropa também foi criado pouco antes da primeira edição, e antes era mostrado como um simples círculo amarelo. Já uma coisa que me incomodou um pouco na edição brasileira foi o título “A Guerra dos Anéis”, que ao meu ver não traz o mesmo significado que o original ao pé da letra “A Guerra da Tropa Sinestro”. Eu também gostaria de ver mais ação com os vilões principais, mas acontece tanta coisa na história que sobra pouco espaço para tanta vilania.
A arte é de Ethan Van Scrier e do brasileiro Ivan Reis, dois dos desenhistas mais talentosos da atualidade. Simplesmente imperdível!
Confira também o Hotsite feito pela Panini, que explica mais sobre as duas tropas: A Guerra dos Anéis, e também traz HQs online sobre as duas facções.


Fábio Yabu é escritor, criador de "Combo Rangers", 