A Maldição, a Princesa e o Aviador - YabloG!

A Maldição, a Princesa e o Aviador

novembro 25th, 2011 | Por Fábio Yabu em Criações

Ilustração: Mathiole
Maldição” significa “mal dizer”, “difamar”, algo que antigamente acreditava-se ser tão poderoso que ser amaldiçoado era muito pior que morrer. Afinal, calúnias e fofocas sobre nós atingem nossos filhos e descendentes, e não cessam nem mesmo com a morte.
Ao final de 2008, eu buscava inspiração para escrever meu novo livro, quando fui tomado por uma epifania, um pensamento que apareceu do nada em minha mente – como se alguém tivesse sussurrado três palavrinhas no meu ouvido. Tais palavras foram “a-última-princesa”. Fiquei com aquele sussurro orbitando meus pensamentos por várias semanas, sem saber o que significava, até consultar um oráculo, o Google, e descobrir que a última princesa que tivemos em nosso país havia sido Isabel. Aquela, dos escravos.

Lembrei-me das ruas, avenidas e escolas que levam o nome da Princesa, que batizou até uma cidade na Paraíba. De todas as vezes que peguei um ônibus identificado com a placa Terminal Princ. Isabel. E então percebi que não sabia onde ficava esse terminal – ou quem havia sido a princesa.

Imediatamente interessei-me pela sua história. E ler sobre sua vida, sua família, seu grande amor e, principalmente, seus inimigos, fiquei abismado ao perceber que ela também sofrera uma espécie de maldição. Um ano após assinar a Lei Áurea, a Princesa foi exilada junto à sua família, perdendo para sempre o trono para o qual foi preparada desde a infância para assumir. No exílio, viu a mãe morrer de tristeza. Pouco tempo depois, perdeu o pai, que mesmo tendo recebido homenagens de governantes de todo o mundo, teve o funeral ignorado em seu país de origem. A Princesa morreu muito tempo depois, sem nunca ter voltado para casa. E talvez o lado mais triste de sua história foi que ela acabou esquecida pelo próprio povo.

Afinal, o que a gente sabe sobre a Princesa Isabel? Sabemos o que ela fez, mas não imaginamos quem ela foi. Não fazemos ideia de sua rica história de vida, repleta de fatos curiosos e até engraçados, como a troca de noivos realizada com a irmã às vésperas de seu casamento. Ou que sua luta pela libertação dos escravos precede em décadas a assinatura da Lei Áurea.

Durante os 30 anos em que viveu na França, a Princesa conheceu outro brasileiro ilustre: Alberto Santos Dumont, um dos homens mais famosos da época. O simples encontro dos dois já é algo inacreditável por si só – pois em geral tem-se a percepção de que a Princesa viveu numa época medieval, enquanto Santos Dumont conviveu com nossos bisavós. Mas o fato é que eles se conheciam, sim – e costumavam se encontrar com outras figuras excêntricas, quase uma “Liga Extraordinária”, como o arquiteto Gustave Eiffel, o relojoeiro Louis Cartier, e – especula-se – o escritor Júlio Verne.

O primeiro encontro dos dois também é digno de uma cena de livro: o inventor literalmente caiu do céu, enquanto realizava os testes de seu balão nº 5 em Paris. Ele ficou preso numa árvore próxima à residência da Princesa, e ao saber do fato, a filha de D. Pedro II pediu que seus criados levassem um suntuoso almoço ao conterrâneo – com queijos, frutas e champagne – enquanto os bombeiros tentavam encontrar uma maneira de resgatá-lo.

E são essas histórias fantásticas que inspiraram meu novo livro, “A Última Princesa“, que considero um “conto de fadas histórico”, pois não se trata de um livro de História (com H maiúsculo). Tomei muitas liberdades no enredo, e os personagens sequer carregam os nomes de suas contrapartes reais. É um conto sobre dois sonhadores, uma princesa que se diz amaldiçoada e um aviador que não acredita em maldições determinado a levá-la de volta para casa. Pessoas que enfrentaram seus medos pelas coisas em que acreditavam, pagaram o preço e jamais olharam para trás.

Em “A Última Princesa”, não pretendo recontar a história do Brasil, mas sim, chamar a atenção das pessoas para essa personagem tão importante que não merecia ter sido esquecida. E, quem sabe assim, quebrar sua maldição.

O livro chega às livrarias no início de 2012, ainda sem data definida, e será minha primeira obra para o público jovem, pela Editora Record (valeu, Dudu!), com ilustrações de Mathiole. Avisarei a todos do lançamento por aqui, pelo Twitter e pelo Facebook. Aguardem!

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