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Author Archives: Fábio Yabu

Batman Versus Super-Homem

julho 18th, 2008 | Posted by Fábio Yabu in Crônicas | Resenhas - (15 Comments)



Todos conhecem bem a história que é quase uma mitologia moderna. Um garoto inocente perde sua família. Cercado por um ambiente hostil, ele faz da tragédia a origem de sua força e se torna o maior defensor de seu mundo. Se estou falando do Batman ou do Super-Homem, é você quem decide.

É interessante refletir sobre os dois personagens. Uma análise equivocada é achar que ambos são opostos. À primeira vista, pode até parecer, já que o Batman é um avatar da escuridão e faz da noite o sua maior arma, enquanto o Super-Homem recebe seus poderes do sol. O Batman tem apenas seu treinamento físico e intelecto para lutar contra o crime, o Super-Homem desconhece a verdadeira extensão de seus poderes mitológicos. O Batman sempre foi rico, o Super-Homem foi criado numa fazenda. A identidade secreta do Batman é um empresário mulherengo, a do Super-Homem, um repórter atrapalhado.

Indo um pouco além das primeiras impressões, começam a surgir semelhanças interessantes. Dizem que a história do Batman é muito mais trágica já que ele perdeu os pais, mas o Super-Homem perdeu não só a família mas o seu planeta inteiro! Gotham, onde o jovem Bruce Wayne cresceu é fétida e corrupta, mas a Terra onde o jovem Kal-El foi criado é um inferno dantesco perto da sociedade superavançada de Krypton. Ambos são frutos de dores que não podem ser mensuradas ou comparadas, profundas até o infinito. Crianças desorientadas, foram reconfortados pelos braços de pais adotivos; o Batman pelo fiel mordomo Alfred e o Super-Homem pelo gentil casal Kent. E, ainda que salvem a mocinha no final, nenhum dos dois pode encontrar a ternura em seus braços após um dia de luta pelo bem.

Enfim, numa terceira meditação, é possível ver como quem tem visão de raio-x, além das roupas colantes, dos cintos de utilidade e identidades secretas. Por baixo dos músculos, está o propósito, a razão de ser de cada um, junto com a supreendente, simples e inexorável verdade: a vida é uma tremenda duma sacana.

Essa danada distribui de maneira igualmente injusta anos, cores, super-poderes, felicidade, Amor, grana, gordura, bunda. Tem gente que recebe demais, outros de menos, muitos nada. Ninguém recebe opção senão viver tudo e com tudo isso. E não adianta nem reclamar, pode levar o código do consumidor, o segredo ou os 9 passos para a felicidade que for.

As pessoas acabam achando ruim – normal – e sempre olham pro prato alheio, pra grama do vizinho, mas o que tem debaixo dela? Acho que, no fundo no fundo, todos recebem na sua cumbuca uma porção de miséria, sejam de Gotham City ou Krypton. Só que, independente de quanto e do quê distribuiu, a maior sacanagem da vida é justamente o que a torna uma grande aventura. No final das contas, com poderes ou sem, com tudo que lhes foi dado de bom e de ruim, o Batman e o Super-Homem precisam simplesmente salvar o mundo.



P.S.: É, era para eu ter escrito uma crítica sobre Batman – O Cavaleiro das Trevas, mas achei que ia ser redundante dizer o quanto o filme é espetacular. Então resolvi partilhar esses pensamentos que sigo como filosofia de vida. ;)

P.S.2: Semana que vem tem Comic-Con! Aguarde toneladas de novidades direto de San Diego, California sobre nossas séries, quadrinhos, filmes e games favoritos, escritas com esse meu jeitinho todo especial. :P

Um ano de alegrias

julho 11th, 2008 | Posted by Fábio Yabu in Crônicas - (21 Comments)

Eu lembro como se fosse ontem. Eu e o Marcelo chegamos juntos na casa do Érico. Orgulhoso, ele abriu a porta com um sorriso desse tamanho. “Ele chegou?” – eu perguntei – e ele apenas sorriu, virou levemente o corpo e, lá na sala, vi sua esposa Silmara e todo mundo em volta daquela coisinha fofa. Dei um forte abraço no casal – “Parabéns, parabéns!” e corri para vê-lo pela primeira vez.

Todo mundo dizia como ele era lindo. Mas as minhas palavras simplesmente sumiram na hora. Incrível como essas coisas mudam a vida de uma pessoa, de uma casa. Todos estavam transbordando de felicidade. Aquela coisinha frágil e delicada no meio da sala fez com que desavenças se tornassem sorrisos. Todo mundo quis pegar, brincar, tirar foto.

Então lá pelas tantas o Marcelo virou pra mim e disse: “Vamos ter um também?

Confesso que na hora fiquei em dúvida. Quer dizer, a gente já se conhecia há anos. Tínhamos uma história juntos e um carinho muito grande um pelo outro. Os dois tinham uma condição estável, não devíamos nada para ninguém e não íamos fazer nada de ilegal. Ainda assim, deu um medinho. Até hoje muita gente tem preconceito com essas coisas. O novo choca, assusta. Tanto que não me atrevo a contar nada disso para a minha avó. Ela nunca entenderia. Nunca.

Pedi um tempo pra pensar. Conversei com alguns amigos, com meu irmão, e graças a Deus todos me deram o maior apoio. Pensei em como minha vida seria diferente se aceitasse a proposta. Me senti meio egoísta, mas pensei sim nas coisas que teria que abrir mão. Não ia mais poder sair toda hora, balada até tarde então nem pensar. Teria que passar muitas noites em claro, encarar muitos sacrifícios, choros e lágrimas. Mas então lembrei da minha própria infância e percebi o quanto tudo isso é pequeno perto de um único sorriso de criança.

Dane-se o que os outros poderiam pensar. Aceitei a proposta com um “sim”, e, de todas as coisas que o Marcelo poderia ter falado, ele disse apenas “Legal”. Eu disse “Legal” também, mas por dentro, estava gritando de alegria os nomes de todos os deuses do cosmo. Nossa vida iria mudar.

É claro que não foi só decidir. Muita gente faz as coisas assim e acaba sofrendo depois. Conversamos com algumas pessoas, nos planejamos, fizemos as contas dos gastos que teríamos, como dividiríamos as responsabilidades.

Então, aconteceu. Ao voltar das suas férias nos Estados Unidos com a esposa, meu amigo e irmão Marcelo Forlani trouxe nosso amado Nintendo Wii.

Já faz um ano que dividimos o Wii. Nesse ano, tive experiências magníficas com The Legend of Zelda – Twilight Princess, Metroid Prime 3, Super Smash Bros. Brawl, Super Paper Mario, Mario Kart Wii, Mario Party, Wario Smooth Moves, Guitar Hero 3 e Okami. Todos jogaços. Também matei a saudade de jogos antigos como Sonic, Super Mario World e Super Street Fighter ll Turbo. E até hoje ainda jogo Wii Sports com meus amigos, como se fosse a primeira vez na casa do Érico e da Silmara. Ah, Wii… obrigado por esse ano de alegrias!

E a voz mais aveludada da internet está de volta, na continuação do mega-boga podcast sobre a quarta temporada de LOOOOOST!

E NÃO É SÓ ISSO! Veja agora o teaser do Radarpop #46, que acaba de ir ao ar em algum ponto do futuro, e que foi gravado em frente a milhares de telespectadores através do Yahoo! LIVE! Comigo, Cris Dias, Baunilha e Carlos Merigo, aquele blogueiro!

Sexta-feira, dia 27, em Santos

junho 25th, 2008 | Posted by Fábio Yabu in Criações - (9 Comments)

Como diria nosso presidente, “NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESSE PAÍS” eu fui chamado para a reinauguração de uma obra pública!! Mas isso está prestes a mudar! Fui convidado pela Secretaria de Cultura da terrinha para participar da solenidade de entrega da novíssima GIBITECA DE SANTOS (Posto 5 – Boqueirão), ao lado de ninguém menos que… O PREFEITO, João Paulo Papa.

Portanto, apareça lá, meu caro amigo, minha cara amiga santista! Com o seu apoio, prometo fazer a melhor reinauguração de gibiteca do Posto 5 – Boqueirão que a cidade já viu!!! Vou distribuir sorrisos, autógrafos e santinhos! Pode me cobrar depois!

Ah, e um favor pra quem mora na terrinha: na semana passada, foi divulgado na mídia local que a reinauguração seria no sábado, dia 28. MAS ACONTECE QUE A SOLENIDADE FOI ANTECIPADA PRA SEXTA, DIA 27, ÀS 18H, então quem puder ajudar a espalhar a notícia eu agradeceria de coração. Pros amigos que vão aparecer por lá, já peço desculpas adiantado, porque logo depois do evento vou ter que voltar pra São Paulo. Não é frescura não, é que sábado é minha prova final no francês e não posso faltar de jeito maneira!

JÁ ANOTA AÍ PRA NÃO ESQUECER:

REINAUGURAÇÃO DA GIBITECA DE SANTOS
Presença do prestimoso Fábio Yabu
Posto 5 – Boqueirão
Sexta-feira, dia 27, às 18h

Palavras apaixonadas sobre Wall-E

junho 23rd, 2008 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (37 Comments)

(Sem spoilers)

Wall-E é um filme de Amor.

Todos os anos, pouco antes do lançamento do filme novo da Pixar, críticos do mundo inteiro tentam explicar o porquê do sucesso dos filmes da empresa. Alguns o atribuem ao roteiro, às técnicas de animação, ao carisma dos personagens. Eu não curto esse tipo de análise. Primeiro, porque acho falha: se fosse fácil assim, teríamos dezenas de Pixares surgindo pelo globo cada vez que uma crítica fosse publicada. Segundo, porque desconstruir filmes como se eles fossem relógios descarta os componentes intangíveis presentes – a magia, para os que ainda acreditam – em todo trabalho artístico.

É claro que existe a técnica, o compasso e a maestria do roteiro, e falar deles é invariavelmente cair na mesmice dos críticos e suas notas quebradas e estrelinhas amarelas. Eu não sou crítico, e sim um homem apaixonado gritando de uma colina que insiste em acreditar que existe algo a mais. Nossa vida precisa de mais! Existe a magia, existe o Amor, e ele não pode ser desconstruído e nem explicado.

Não pode. E é por isso que o robozinho Wall-E é praticamente mudo. Ele só diz o próprio nome e o da amada e, ainda assim, é o personagem mais profundo e apaixonante já criado pela Pixar. Wall-E é uma declaração de Amor, e das mais lindas, não apenas ao cinema, à animação e à história da arte, homenageada de maneira soberba nos créditos finais. Mas também à raça, ao espírito humano, e por que não, ao próprio Amor? Durante o filme, várias questões são levantadas – de onde ele vem? Aonde ele fica? E quem se importa?

Amar é correr riscos – e Wall-E é de longe o filme mais ousado da Pixar. Ratatouille também o é num nível mais sutil, às vezes nem sequer percebido pelo público em geral. Alguém sentiu falta de um gato? Pois é. Mas em Wall-E o nível é outro, e as críticas ao consumismo, à alienação, até mesmo à alimentação e sedentarismo que estão transformando uma certa nação imperialista numa terra de obesos são atiradas para todo o lado. Agora sim, os adultos vão ter com o que se identificar num desenho animado. E também se envergonhar e refletir. Em uma de suas múltiplas camadas, Wall-E escancara o apelo ambiental de forma tão brutal que lembra “Uma verdade Inconveniente”, de Al Gore.

Wall-E é um filme de Amor, pelo qual me apaixonei perdidamente. Como todo apaixonado, não vi defeitos. Nem quero. Talvez daqui a alguns anos eu leia essas palavras e ria da minha ingenuidade, da minha inocência, mas ao contrário do carnal, o Amor por filmes como Wall-E está condenado à eternidade.

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