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Author Archives: Fábio Yabu

Em comemoração ao sucesso da campanha no Catarse, eu e Michel Borges criamos essa pequena história em formato de tiras de jornal, que se passa alguns meses antes do retorno dos heróis.  Preste atenção aos detalhes. É reboot? É continuação? Ambos? As dicas estão aí.

As tiras são publicadas diariamente aqui e no meu Facebook. Como a iniciativa deu super certo, é possível que em breve tenhamos mais histórias do tipo! :)

5 coisas que aprendi com crowdfunding

janeiro 11th, 2013 | Posted by Fábio Yabu in Criações - (12 Comments)

A essa altura do campeonato você já deve saber – em três semanas de campanha no site Catarse, os Combo Rangers arrecadaram mais de R$ 50.000,00, que vão financiar o retorno dos heróis às livrarias, pela Editora JBC, 10 anos após o cancelamento da revista. Melhor ainda: se continuar nesse ritmo, a campanha vai financiar a produção de dois ou até três álbuns, e não apenas um, como foi planejado inicialmente (por isso, se você ainda não ajudou, a hora é agora!).

O mecanismo utilizado foi o crowdfunding: uma nova maneira de financiar ideias, em que autores, fãs e, no meu caso, uma editora, juntam esforços para realizar projetos que antes viviam presos às cruéis masmorras da viabilidade comercial.

Crowdfunding não é apenas compartilhar dinheiro e ideias, mas também aprendizado. Há mais de um ano eu tenho estudado um eventual retorno dos personagens por meio do financiamento coletivo, e, com essa experiência tão bem sucedida eu gostaria de compartilhar também o que aprendi.

Papel e caneta na mão?

1. Produtores culturais têm um novo paradigma

Sonhos custam caro. Sonhos bons então, nem se fala, mas com o advento do crowdfunding, o sonho fica um pouco mais próximo. Até pouco tempo, quem não tinha grana para bancar um curta, a gravação de um CD, ou uma revista em quadrinhos, precisava recorrer a fontes como: empréstimos bancários, incentivos fiscais, concursos ou editais do Ministério da Cultura.

Nessa estrada há mais de 10 anos, tentei todas as opções acima para bancar meus projetos. Não recomendo a primeira de forma alguma. As outras são difíceis. E NENHUMA delas se mostrou tão rápida e eficiente quanto o crowdfunding. O risco é baixo, a burocracia é quase inexistente se comparada à das leis de incentivo, e em no máximo dois meses você sabe se vai conseguir ou não.

Mas peralá:

2. Não é esse oba-oba também.

Eu consigo imaginar o que muita gente daí do outro lado está pensando: “Que molesa, o cara conseguiu 50 mil reais em três semanas!”. Tudo está errado nessa frase, e a grafia do “moleza” é apenas o começo. Não foram 50 mil reais. Descontadas as comissões, o valor das recompensas e do frete, sobra pouco mais da metade disso para financiar o projeto.

Faça bem as contas antes de incluir seu projeto, no Catarse, no Kickstarter ou onde for. Desde já, desconte 13% de comissão + taxas de cartão de crédito. Calcule o valor de cada recompensa, e, em especial, do frete. E se 1000 pessoas ajudarem? Você vai ter grana para mandar recompensa para tanta gente? Seu projeto pode ser bem mais caro do que parece à primeira vista.

3. Seu projeto precisa ser maior que a realidade.

Três máximas que ouvi a vida inteira: a) Brasileiro não lê. b) Quadrinho nacional não dá certo. c) Ninguém paga por conteúdo.

Dependendo do contexto, as três afirmações acima são sim, verdadeiras. Mas se você olhar pelo ângulo certo do prisma, e, o mais importante, se criar um projeto de qualidade, que ressoe nas pessoas certas, você encontrará centenas de indivíduos generosos que a) Sim, leem muito. b) Amam não apenas quadrinhos, mas projetos culturais brasileiros. c) Estão dispostos e se sentem muito felizes em pagar (bem!) por esse conteúdo.

4. Ninguém é obrigado a acreditar em você.

Gravar um vídeo convincente e sincero (e, o mais importante, sê-los!) é parte fundamental na defesa de seu projeto. Eu cansei de ver vídeos no Catarse ou Kickstarter recheados de ironia e cinismo, forrados na derrota. Não por acaso, tais vídeos dificilmente conseguem convencer os apoiadores, ainda que suas metas financeiras sejam baixas.

Meu vídeo pode não ter ficado perfeito. Eu gravei com um iPhone equilibrado sobre um porta-retrato. Tive que parar a gravação várias vezes porque moro do lado de Congonhas. E porque quase chorei umas duas ou três.

Cada palavra ali é verdadeira. Se você quer que outros apoiem seu projeto, o primeiro a acreditar nele tem que ser você… e nós saberemos se você não estiver sendo sincero.

(A não ser que você seja sei lá, um baita ator).

5. E o mais importante: você precisa dar antes de receber

Não foram 3 semanas para arrecadar o dinheiro. Foram mais de 10 anos criando conteúdo de qualidade, de graça, para quem quisesse ler. Agora vejo que todo o esforço empregado durante anos tão difíceis da minha vida voltaram através do carinho e apoio financeiro de leitores, hoje adultos, que me acompanham desde a infância.

Isso é muito poderoso e, por mais que reflita uma convicção pessoal, eu acho que exemplifica de maneira perfeita o espírito do crowdfunding: você precisa entregar algo nas mãos das pessoas antes de pedir a ajuda delas: uma história, um projeto, uma derrota, um abraço, um mísero sorriso. Eu dei tudo isso. E depois de dez anos, o círculo se fechou.

Muito obrigado, cinquenta mil vezes obrigado. :)

Um sonho de dez verões

janeiro 4th, 2013 | Posted by Fábio Yabu in Crônicas - (12 Comments)

(Ou: “Como previ meu próprio futuro numa história dos Combo Rangers)

Em 2001, eu escrevi uma das minhas histórias favoritas dos Combo Rangers: “Um sonho de dez verões“, em que o vilão Cardman rouba os sonhos de todas as pessoas do mundo, incluindo os dos nossos heróis. Surge então uma nova realidade, em que todos, incluindo os Combo Rangers, seguem os sonhos de outras pessoas e vivem sofrendo por conta disso.

Com esse terrível plano, o vilão consegue aquilo que nenhum outro havia conseguido até então: derrotar os Combo Rangers. Ele parte da Terra, vitorioso, e deixa os heróis completamente sem rumo e sem lugar no mundo.

Eis que eles então elaboram um plano para trazer a realidade de volta ao normal. A equipe se vê pela última vez em 2001 e se despede. Durante os 10 anos seguintes, os Combo Rangers deixam de lado os supervilões e percorrem o mundo, levando sua mensagem de otimismo e esperança, lembrando as pessoas do quanto é importante não desistir de seus sonhos. E depois de exatos 10 anos, eles finalmente se reencontram, mais velhos e experientes, de cabeça erguida, concluindo:

“Levou muito tempo. Dez anos. Dez verões. Quando tudo começou, a gente tinha vivido um pouco mais que isso. Depois de tanto tempo, depois de dez anos… nós podemos voltar a sonhar!”

Eu nunca imaginei que, de certa forma, estivesse escrevendo meu próprio futuro.

Dois anos depois, em 2003, sem ter como pagar o aluguel do apartamento muito menos os salários dos desenhistas, e ainda estar devendo mais de 20 paus no banco (20 paus de 2003, que na época devia equivaler a tipo 2 milhões de dólares), tomei uma das decisões mais difíceis da minha vida, a de aposentar os Combo Rangers, depois de tanto tempo de luta e sacrifícios. Nos dez anos seguintes, me reinventei, cresci e cai várias vezes. Rodei o mundo. Escrevi 15 livros, fiquei meio famosinho com as Princesas do Mar. Daí tentaram roubar meu sonho igualzinho o vilão dos Combo Rangers. Me levantei. De novo. Encontrei a mulher da minha vida, a Gica. E hoje temos a Luna, minha pequena princesa que adora desenhar e contar histórias.

Levou dez anos, dez verões. Hoje, graças à ajuda dos fãs que ainda se lembram da mensagem dos Combo Rangers… “nós podemos voltar a sonhar!“. A história (em duas partes) está abaixo, na íntegra. Esse papo maluco de prever o próprio futuro está bem no começo na parte 2. Veja – e ouça – por si mesmo (a) e me diga que não estou delirando.

P.S.: os botões para acessar outros episódios ou links não funcionam.
P.S.2: MUITO obrigado a todos que contribuíram. Se você ainda não ajudou, não tem problema: ainda dá tempo de participar da campanha e garantir seu exemplar. Vai lá: http://catarse.me/comborangers

Um sonho de dez verões, parte 1. Publicado em junho de 2001.


Um sonho de dez verões, parte 2. Publicado em junho de 2001.

 

 

Novo livro: As coisas vistas de cima

agosto 13th, 2012 | Posted by Fábio Yabu in Criações - (Comentários desativados)

Quando tinha 6 anos, Olívia Muniz teve uma daquelas ideias que os pais precisam anotar para um dia se recordar da genialidade que os filhos têm durante a infância.

O Neto, pai dela, não só fez isso como mostrou para minha esposa, que mostrou pra mim, e eu simplesmente me apaixonei pela ideia. Hoje, depois de 5 anos e muito vai e vem, o livro, feito a quatro mãos, está chegando às livrarias pela Publifolha.

Parabéns, Olívia! Obrigado por compartilhar com a gente essa maneira tão bonita de ver o mundo. Espero que tenha gostado do livro. E que seja o primeiro de muitos!

O lançamento será no dia 26 de agosto. Venha comemorar com a gente!

As 22 regras da Pixar

junho 13th, 2012 | Posted by Fábio Yabu in Amenidades - (13 Comments)


Li hoje no iO9 um excelente post sobre o processo de criação de histórias dentro da Pixar, compilados de twitts da artista Emma Coats. Como o texto é quase de utilidade pública, resolvi traduzí-lo. Pra imprimir e colar na testa dos filhos:

  1. Você admira um personagem mais pelas tentativas dele do que pelos seus sucessos.
  2. Você precisa ter em mente aquilo que é interessante para você como público, não aquilo que o diverte como escritor. São coisas BEM diferentes.
  3. Tentar escrever sobre um tema é importante, mas você só vai saber do que a história realmente trata quando chegar ao final dela. Agora, reescreva.
  4. Era uma vez ___. Todo dia, ___. Um dia, ___. Por causa disso, ___. Por causa daquilo, ___. Até que, finalmente ___.
  5. Simplifique. Foque. Junte personagens. Pule os desvios. Vai parecer que você está perdendo algo valioso, mas isso vai te libertar.
  6. No que seus personagens são bons? Jogue-os na direção oposta. Desafie-os. Como eles reagem?
  7. Crie o final antes de escrever o meio. Sério. Finais são difíceis, deixe o seu funcionando desde já.
  8. Quando terminar sua história, entregue-a ainda que não esteja perfeita. Num mundo ideal ela estaria, mas siga em frente. Faça melhor da próxima vez.
  9. Quando você estiver bloqueado, faça uma lista do que NÃO aconteceria a seguir. Muitas vezes o material para te desbloquear vai aparecer.
  10. Lembre das histórias que você gosta. O que gosta nelas é parte do que você é; e você precisa reconhecer isso antes de usar.
  11. Colocar no papel te ajuda a executar. Se a ideia perfeita ficar só na sua cabeça, você nunca vai poder compartilhá-la com ninguém.
  12. Descarte a primeira coisa que te vier à mente. E a segunda, a terceira, a quarta, a quinta… tire o óbvio do caminho. Surpreenda-se.
  13. Dê opiniões aos seus personagens. Passível e maleável pode parecer agradável conforme você escreve, mas é veneno para o público.
  14. Por que você precisa contar ESTA história? Qual a crença queimando dentro de você que mantém a história acesa? Esse é o coração dela.
  15. Se você fosse seu personagem, nessa situação, como você se sentiria? Honestidade empresta credibilidade a situações inacreditáveis.
  16. O que está em jogo? Dê-nos uma razão para torcer pelos personagens. O que acontece se ele não conseguirem? Dificulte a vida deles.
  17. Nenhum trabalho é desperdiçado. Se não está funcionando, desencane e siga em frente, até que ele volte e seja útil mais tarde.
  18. Você precisa se conhecer, saber a diferença entre dar o seu melhor e encher linguiça. Uma história é feita de tentativas, não refinamentos.
  19. Coincidências que colocam os personagens em apuros são ótimas, coincidências que os tiram delas são trapaça.
  20. Exercite-se: pegue os blocos que constróem filmes que você odeia. Como você os montaria de forma que você AMASSE?
  21. Você precisa se identificar com as suas situações/personagens, não apenas escrever coisas legais. O que faria você agir da mesma maneira que eles?
  22. Qual é a essência da sua história? A maneira mais econômica de contá-la? Se você souber isso, pode partir daí em diante.
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