YabloG! - Author Archives

Author Archives: Fábio Yabu

Bambi 2 – O grande príncipe da floresta

fevereiro 16th, 2006 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

poster.jpg

O grande barato de ser criança está no olhar. Ver absolutamente tudo o que está ao redor com surpresa e curiosidade. Walt Disney sabia disso. Sua genialidade nunca esteve no roteiro, nem mesmo no traço, que, segundo reza a lenda, não era lá grandes coisas. Mas sem dúvida foi o homem certo na hora certa, que aproveitou seu momento e reciclou velhas fábulas infantis em clássicos do cinema, reinventando-os com sons e cores até então jamais vistos.

Bambi, de 1942, foi o quinto longa-metragem de Walt Disney para a telona. A história, totalmente circular, causa encanto e nostalgia até hoje justamente por mostrar o mundo, com tudo o que tem de bom e ruim, pelos olhos de uma criança, no caso, um filhote de cervo. Os primeiros passos, a primeira chuva, as estações do ano, a perda de um ente querido e, finalmente, a idade adulta e a chegada dos filhos (parte do filme estranhamente esquecida por todos).

Nos dias de hoje, Bambi pode parecer uma aberração para os padrões quadradinhos da indústria. Sua mãe morre a tiros, seu pai parece pouco se lixar para ele e o filme não traz nenhum discurso ressaltando a importância do diálogo entre pais e filhos. Nada disso é um defeito a ser corrigido; trata-se apenas do retrato de uma época, uma indústria, um criador e, é claro, da própria história original, publicada em 1923.

Mais de seis décadas depois, resolveu-se consertar o que não estava quebrado. Não existe um propósito claro para a existência de Bambi 2. Trata-se de um remendo desnecessário, que preenche a lacuna entre a infância e a adolescência do personagem mostrados no original. A seqüência também passa por uma “malufização” e refaz a imagem do pai. Antes totalmente frio, incapaz de dizer uma palavra ao filho que acaba de perder a mãe, ele é transformado em uma figura terna, um herói. É a atual obsessão estadunidense de se discutir a relação com os próprios filhos.

A animação, apesar de a rigor ser bem feita, tem erros crassos e cenas preguiçosas, com personagens sem sombras e animais correndo em loop ao fundo. Os recursos digitais usados para fazer os cenários parecem não ter aproveitado os mais de 60 anos de vantagem e conseguem ser inferiores aos do original. Anos que também trataram de contaminar o roteiro com toda a “contemporaneidade” hollywoodiana e seus clichês obrigatórios como o reencontro em sonho com a mãe morta, uma piada sobre flatulência e até um vilão que faz piada sobre a sexualidade de Bambi (!!!). Morte e ressurreição causada por uma lágrima? Pode apostar!

O novo filme é ideologicamente antagônico ao primeiro. Nada mais tem cheiro de novo, nem para adultos nem para crianças, hoje muito mais espertinhas do que há sessenta anos. Com motivos de sobra, Bambi 2 entra com todas as glórias para o hall das sequências constrangedoras e caça-níqueis da Disney.

Bambi II – O grande príncipe da floresta
Direção: Brian Pimental
Vozes no original: Patrick Stewart, Alexander Gould, Andrea Bowen, Anthony Ghannam

Lost – O que esperar da primeira temporada

fevereiro 7th, 2006 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Como todos devem saber, a GloBBBo está exibindo a primeira temporada da minha série dramática favorita, Lost. Para ajudar a situar a vindoura legião de fãs, preparei um pequeno guia sobre a série e seus personagens, sem spoilers. Quando a segunda temporada for exibida pelo AXN, tratarei de fazer o mesmo.

Bom, vamos lá:

O que é?
Lost é uma série dramática diferente de tudo o que você já viu na TV, a começar pelo número de personagens: são ao todo 48 sobreviventes de um desastre de avião, dos quais conhecemos a fundo por volta de 10.

A história começa com a queda do avião da Oceanic Airlines, partido de Sydney com destino a Los Angeles. Após se partir ao meio em pleno vôo, as partes do avião caem sobre uma ilha e milagrosamente muitos de seus passageiros sobrevivem.

Antes completamente desconhecidos, agora eles precisam se unir para sobreviver e desvendar os mistérios da ilha, que incluem árvores que se contorcem violentamente, seres que gritam e sussurram à noite e toda sorte de bizarrices.

O que não é?
Por mais estranhos que possam parecer os fenômenos, Lost não é uma série de bizarrices inexplicáveis como Arquivo-X. Um dos grandes trunfos são os personagens. Cada episódio trata de um deles, mostrando quem ele é e o que fazia antes da queda do avião. Dessa forma, um intrincado quebra-cabeças vai se formando, quando a uma certa altura você percebe que nada – e nem ninguém – está ali por acaso.

Quem criou?
JJ Abrams, criador de Alias e Tristicity, digo, Felicity, em parceria com Damon Lindelof e Jeffrey Lieber.

JJ Abrams tem um currículo televisivo invejável, pois além de atualmente ser o produtor mais badalado dos EUA, revelou ao mundo Jennifer Garner em Alias. Apesar disso, ele também já deu suas derrapadas na vida. Alguém aí se lembra do final de Felicity? Eu nunca vou esquecer, já que ela simplesmente volta no tempo numa série que até então era tão científica e profunda quanto sua contemporânea Dawson’s Freak. Hoje estou mandando ver nos trocadilhos.

Na verdade esse é meu único medo, certamente compartilhado por milhões de telespectadores ao redor do mundo. Que, no último episódio da série JJ Abrams invente uma desculpa estapafúrdia do tipo “eles estavam mortos desde o primeiro episódio”, “eles estavam no inferno” ou “num reality show perverso exibido por alguma emissora de TV”. Felizmente, essas três hipóteses já foram negadas pelos produtores.

O que são os tais números?
Nunca numa série de TV um elemento teve tanta repercussão quanto os misteriosos números de Lost. 4, 8, 15, 16, 23, 42. É tudo o que você precisa saber.

Quem é quem?
Abaixo, algumas informações sem spoilers de alguns dos personagens principais.

 Jack: um médico bonitão, interpretado por Mattew Fox, de Party of Five. É o líder do grupo, um cara centrado, cético, que às vezes tem uns ataques de histeria. Mas é um bom rapaz.

 Locke: foi considerado pelos americanos o personagem mais sinistro da TV. Fique de olho nele. É um caraquinha estiloso, interpretado pelo famoso Terry O’Quinn, do qual eu nunca havia ouvido falar.

 Kate: mundialmente conhecida como a versão bonita da Alanis Morissette. Evangeline Lilly é um dos melhores motivos para se ver TV hoje em dia. A moça também é engajada e antes de ser atriz era modelo e se dedicava às causas humanitárias como a fome na África. Podia vir fazer uma caridade aqui em casa também…

 Sawyer: tudo o que uma pessoa tem de ruim ele tem: é egoísta, desonesto, salafrário, boca-dura… nenhuma mulher resiste, claro.

 Hurley: o gordinho mais carismático da TV é também peça chave em todo o mistério de Lost. Interpretado por Jorge Garcia, duuuude.

  Jin e Sun: um casal de coleanos que non fala inglês, né? E tem glaaande segledo, né?

 Claire: o sotaque australiano fica quase suportável na voz da bela Emilé de Ravin, uma loirinha tão gracinha que parece que vai quebrar.

 Charlie: interpretado pelo ex-hobbit Dominic Monaghan, é um roqueiro fracassado e caído no esquecimento, quase um Dado Villa-Lobos inglês (maldade).

 Boone: aparentemente não tem muitos mistérios além de como ele faz para manter a sobrancelha levantada daquele jeito. Interpretado por Ian Sommerholder, que vivia fazendo pontas em séries como Smallville, onde interpretou um jovem problemático (e quem não é naquela cidade?) que namorou Lana Lang (e que não namorou?) que teve muitos problemas com Lex Luthor (e quem não teve?). Obviamente foi ajudado por Clark (e quem não foi?) antes de morrer (e quem não morre em Smallville???). Acho que ele fez Dawson’s Creek também… ah, não. Foi aquele filme com o Dawson, “The Rules of Atraction”.

 Shannon: parece que está provado, ser loira e gostosa aumenta suas chances de sobreviver a uma queda de avião. O que não é ruim de forma alguma, Maggie Grace é uma… graça. Esse trocadilho foi péssimo.

 Michael: polivalente, o ator Harold Perrineau já fez papel de travesti e de operador da Nabucodonossor em Matrix Reloaded e Revolutions em interpretações que achei medianas. Também já interpretou um presidiário (como todo ator negro) em Oz e um ser meio andrógino em Romeo + Julieta. Como Michael, ele interpreta um arquiteto que nunca teve contato com o filho de 10 anos, que agora começa a conhecer na ilha. Bom, tempo eles vão ter de sobra.

 Walt: criança que não faz papel de meiga faz papel de louca ou de assombração. Qual deles Walt é? Brrrrr, esse moleque me dá medo.

 Sayid: um iraquiano no meio de um avião repleto de americanos, dá pra imaginar? Apesar do sotaque carregado, Sayid manda muito bem nos phrasal verbs e em umas conjugações verbais bem loucas que nem minha professora de inglês sabia fazer. É, outro mistério da ilha… Interpretado pelo excelente Naveen Andrews, é um dos personagens mais queridos da série.

French Chick: a voz ouvida no primeiro episódio. Éeeeee… essa é sinistra! Sem mais detalhes nem foto.

Episódios-chave:
Em geral, todos os episódios de Lost são bons. Alguns são fracos, e tem uns que são simplesmente sensacionais. Esses são os que você não pode perder de jeito nenhum, pois além de serem muito bem escritos, contém pistas do mistério envolvendo a ilha:

1-2: O piloto da série. Sem trocadilhos, é o piloto mesmo!!

4: Walkabout: Sobre Locke.

9: Solitary: Sobre Saiyd.

10: Raised by another: Sobre Claire.

11: All the best cowboys have daddy issues: Sobre Jack

14: Special: Sobre Michael e Walt. Brrrr…

15: Homecoming: Sobre Charlie.

18: Numbers: Sobre Hurley e os MALDITOS NÚMEROS! Esse é genial.

23, 24 e 25: Exodus, episódios finais da primeira temporada, que junto com o CSI de Tarantino foram a melhor coisa que passou na TV em 2005.

Livro novo

dezembro 28th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Criações - (Comentários desativados)

Mais algumas do livro novo, já que devo ficar uns dias sem postar:

Harry Potter e Nárnia

dezembro 28th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Bom, já que fiquei devendo comentários sobre dois dos maiores blockbusters da temporada, resolvi falar de ambos e fazer algumas comparações.Pra começar, eu esperava mais de ambos. Primeiro, Harry Potter.

Veja bem, todo mundo sabe que eu não sou nenhum adorador fervoroso da série. Acho tudo comercial demais, grandioso demais, ambicioso demais. Não acredito em clássicos que nascem da noite para o dia, que viram febre e depois tendem a entrar em declínio para serem substituídos como massa de tomate numa prateleira de supermercado.

Porém confesso que gostei bastante do terceiro filme, porque mesmo não tendo lido o livro, consegui acompanhar a história, me envolver e sentir como se estivesse sim, assistindo a um FILME e não um livro filmado, como é o caso do primeiro.

Infelizmente esse deslize é cometido no quarto filme. Não, não li o livro, nem tenho vontade de ler. Por isso acho que o filme tinha a obrigação de me agradar. Mas é longo demais, dá voltas demais, enrola demais. Entendo que seja uma história adaptada de um livro longo, mas adaptar é isso mesmo, cortar, aparar, decepar. Eu tiraria facilmente uns 40 minutos do filme.

Achei também que os atores estavam melhor dirigidos no terceiro filme. Basta comparar as cenas da Hermione, que vez por outra solta uns grunhidos totalmente desnecessários que deixam a personagem ainda mais chata.

Mas o filme tem sim seus méritos, vai. Eu não compraria o DVD, mas acho que a ida ao cinema valeu a pena pelos efeitos e pela boa história que acabou se perdendo na direção e roteiro confusos. É também curioso notar a verdadeira ode à puberdade que o filme se transformou. Aquele Krum está mais para The O.C. do que Harry Potter, mas enfim.

Bom, já As Crônicas de Nárnia tem exatamente o mesmo problema de Harry Potter. Não é porque é “Disney” como adoram dizer pejorativamente. É porque é como se fosse um livro filmado. Passagens longas demais, personagens literais demais, e ainda com uma enorme desvantagem chamada Senhor dos Anéis, que transformou qualquer cena de batalha que veio depois em lugar comum. Mesmo tratando-se de uma história completamente diferente, o “cheiro” do filme já é meio velho, datado. Apesar dos efeitos soberbos, a direção de arte e fotografia deixam muito a desejar, deixando o filme sem personalidade, comum, normal. Achei bem fraquinho.

Um filme que acho que fez um trabalho soberbo na adaptação de um livro foi “Desventuras em Série“. Esse sim deveria ser o referencial e divisor de águas para as adaptações infantis. O filme corta o que tem que cortar, afinal são três livros em duas horas, é contado de uma maneira sucinta e sem exageros e ainda tem uma direção de arte que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Sem dúvida dá um banho em Harry Potter e Nárnia juntos.

Juliana

dezembro 9th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Crônicas - (1 Comments)

Esses dias eu estava na Saraiva Megastore do Shopping Morumbi quando me vi numa dessas situações das quais até tentamos tirar uma lição, mas no fundo, a própria experiência, no momento em que ocorreu e somente nele, nos leva a patamares mais confortáveis de consciência. Como se, naquele momento, tivéssemos um pequeno lapso e pudéssemos ver uma pequena explosão acontecendo bem diante dos nossos olhos, para então sumir e nos deixar sem palavras, apenas com um sorriso. Desse sorriso tiramos conclusões, precipitadas, inúteis, que em nada se comparam à beleza daquele momento especial.

Eu olhava os livros infantis quando de repente ouço a voz de uma menina chamando pela atendente, bem ao meu lado. Não sei se ela ouviu ou não, prefiro acreditar que não, pois ela simplesmente saiu andando, e a garota ficou sem atendimento. Como eu estava ali do lado, falei “Olha, eu não trabalho aqui, mas se você quiser eu posso te ajudar!”.

Então ela perguntou: “Sobre o que é esse livro?”. Folheei, falei por alto o que era, e ela seguiu “e esse?”, “pra que serve esse?”, “e esse”?, até que vimos uns seis ou sete livros antes de sua vó vir buscá-la. As perguntas não cessaram, e lá pelo nono livro, ela pegou na minha mão e não quis largar mais, por mais que sua avó estivesse com pressa, prometendo voltar ali no Natal para comprar os livros que ela quisesse.

Após muita insistência, “deixa o moço, ele está com pressa!”, “tô não, senhora!”, respondi, “vamos embora, Juliana!”, ela finalmente largou. Me deu um gostoso abraço, um beijo no rosto e disse “tchau”.

Juliana não queria voltar ali para o Natal, apenas alguém que visse os livros com ela. Talvez a atendente não a tivesse ouvido, talvez a tivesse ignorado mesmo ou fechado os olhos para o fato daquela menina de 13 anos ser deficiente mental. Qualquer que tenha sido o seu motivo, ela me deu um a mais para sorrir naquele dia.

  • Twitter
  • Facebook
  • YouTube