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Author Archives: Fábio Yabu

Mãe e filha

maio 5th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Criações - (Comentários desativados)

Esboço e arte-final de um desenho para o Dia das Mães. Dizem que a relação humana mais próxima que existe é a de mãe e filha, então tentei fazer um desenho muito sincero, como se as duas fossem grandes confidentes. Por isso as roupas brancas e simples. E a mãe da Polvina é “gordenha” mesmo. Até o dia das mães tem mais!

No coração do mar

abril 25th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Depois das 117 páginas iniciais, que mais pareciam uma provação digna de um náufrago de tão chatas, devorei as 244 páginas seguintes de “No Coração do Mar” em menos de uma semana.

Livrão, ó!

Pra quem não sabe, o livro traz o relato verídico sobre o naufrágio do navio baleeiro Essex em 1820. A tripulação se dividiu em 3 botes, e por três meses foi exposta a sacrifícios e provações inimagináveis.

O que mais me marcou no livro foi o devastador relato do autor sobre a sede e seus efeitos sobre o corpo. Segundo os náufragos, nada, nem a fome, nem o medo de estarem perdidos no meio do oceano ou as terríveis tempestades que eles enfrentaram se comparavam com a dor da sede e da desidratação que seus corpos passaram. Os lábios murcham e se tornam apenas pele solta, a língua seca, incha e gruda no céu da boca, tornando a fala e a respiração quase impossíveis. A pele fica cinza e cheia de rachaduras, enquanto os órgãos internos vão murchando e encolhendo de tamanho até levar à morte do sujeito.

Afe!! Nunca mais vou olhar para um copo d’água do mesmo jeito.

O livro também traz uma verdadeira aula sobre geografia, história, navegação e, principalmente, disciplina. O desastre só pôde ser contado pelos seus sobreviventes devido à sua extraordinária determinação em sobreviver, que os obrigou a consumir diariamente durante três meses apenas uma bolacha de 80 calorias e um gole d’água de 300ml (equivalentes a uma maçã e uma latinha de refrigerante). Mas as provações perseguiram, o que os obrigou a incluir no cardápio os cadávares dos amigos mortos pela fome e desidratação.

Quem tiver interesse (e estômago, principalmente, o livro é superpesado) pode achar o livro no Submarino.

Outra história de náufragos: Alexander Holmes

abril 23rd, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Em março de 1841, o navio americano William Brown partiu de Liverpool em direção à Philadelphia, nos EUA. Trinta e cinco dias após sua partida, o navio contendo 17 tripulantes e 65 passageiros, bateu num iceberg e, menos de uma hora e meia depois, já havia afundado completamente levando mais de 30 passageiros consigo.

Os sobreviventes se dividiram em duas embarcações: um barco à vela, e um bote salva-vidas, com 33 passageiros, sob o comando do capitão Alexander Holmes.

O barco do capitão Holmes havia sido projetado para no máximo 15 pessoas, e continha alimentos e água já escassos para esse número. Nenhum sinal de SOS havia sido enviado, e, devido ao peso de seus 34 passageiros, o barco enchia d’água rapidamente. Para piorar, o tempo também estava muito ruim, anunciando a chegada de uma tempestade.

Então, o capitão Holmes tomou uma difícil decisão: jogar ao mar aqueles que estavam feridos ou incapacitados de remar. Eventuais motins vieram a ser controlados sob a mira de um revólver, e imediatamente os escolhidos começaram a ser jogados para fora do barco.

Entre eles estavam duas mulheres (uma ferida e uma de idade) um casal, cujo filho pequeno foi salvo, e um senhor que havia ingerido uma grande quantidade de óleo na explosão. Todos foram “entregues nas mãos de Deus”, e deixados para trás com nada além de um colete salva-vidas.

O barco enfim pôde atravessar a tempestade, e seguir a longa viagem prevista pelo capitão Holmes, equivalente a mais de 1000km em mar aberto até a África.

Porém, no dia seguinte após o abandono dos passageiros, o barco foi avistado por um navio e logo em seguida resgatado.

O capitão Holmes foi julgado e condenado culpado pelas mortes dos 14 passageiros jogados ao mar, ainda que sua decisão tivesse salvado a vida de todos os outros. Mesmo com os apelos populares pelo perdão presidencial, sua pena (extremamente benevolente dadas as circunstâncias) foi de 6 meses de prisão além de uma multa, que veio a ser cancelada em seguida.

Essa é uma história verídica. Há um filme muito bom de 1957 passando no Cinemax, não sei como ficou o nome em português mas o original se chama “Abandon Ship!” (Abandonar o navio). Parece que houve uma refilmagem em 1975 com Martin Sheen, mas não descobri muitas informações sobre ela.

A família da noiva

abril 21st, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

A família da noiva
Guess Who?
EUA – 2005
Comédia – 106 min.

Direção: Kevin Rodney Sullivan
Roteiro: David Ronn, Jay Scherick, Peter Tolan

Elenco: Bernie Mac, Ashton Kutcher, RonReaco Lee, Gus Lynch, Phil Reeves, Zoe Saldana, Sherri Shepherd, Amanda Tosch

Falar sobre questões raciais é pisar em ovos. Qual é o termo certo? Negro? Preto? De cor? Moreno? E qual é a tal “questão do negro”, de que tanto falam? Como terminologias e eufemismos nunca agradam a todos, vamos aos fatos: nos EUA, onde 12% da população é formada por negros, há 800 mil deles em prisões contra 460 mil em universidades. Já no Rio de Janeiro, 66% da população negra vive encarcerada, enquanto no resto do país, 70% da população miserável é formada por negros, ainda que eles sejam 45% da população total.

Com tais dados à mão, o mínimo que se espera de uma comédia sobre o tema é que se trate o assunto com um pouco de sensibilidade ou, ao menos, inteligência.

A família da noiva (Guess who, 2004) é um desastre em ambos os sentidos.

O filme é uma releitura do clássico de 1967, Adivinhe quem vem para jantar, em que a branca Joanna (Katherine Houghton) apresenta seu namorado negro Jon (Sidney Poitier) à família, e levanta profundas questões raciais que renderam ao filme 9 indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, diretor e roteiro.

A versão 2005 inverte a situação, colocando Simon (Ashton Kutcher) como o namorado branco de Theresa (Jöe Saldaña), negra e filha de Percy (Bernie Mac), um bem sucedido executivo de uma organização financeira. Possessivo, controlador e racista, Percy inicia uma verdadeira cruzada para mostrar à filha que seu novo companheiro caucasiano não é digno de seu amor.

A partir daí, seguem-se tediosas cenas “cômicas” de rivalidade entre os futuros sogro e genro, incluindo uma inexplicável seqüência de cinco piadas sobre negros contadas por Simon, o eventual rompimento dos dois pombinhos e seu previsível final feliz. Além de passar a centenas de quilômetros de questões que poderiam trazer o mínimo de reflexão para a audiência, o filme ainda insiste em assuntos bizarros como o dote sexual do rapaz branco, piadinhas sobre masturbação e homossexualidade.

Como se não bastasse, ainda somos obrigados a ver uma desastrosa tentativa de flerte com a inteligência, com direito a frase de efeito e uma compenetrada troca de olhares entre Simon e Percy: “Um homem tem que decidir seu caminho… não importa o que seu pai fez” (?).

Racismo, fome, desigualdade social e Ashton Kutcher no lugar de Sidney Poitier. Realmente, o mundo está se tornando um lugar perigoso…

O Clã das Adagas Voadoras

abril 12th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (2 Comments)

Fiquei embriagado, desnorteado, apaixonado por “O Clã das Adagas Voadoras”, de Zhang Yimou, que também nos presenteou com o fantástico “Herói”.

Tudo o que você tem que fazer é entrar na sala, sentar e se deixar levar por um dos filmes mais bonitos dos últimos anos.

Interessante notar como o oriente e ocidente estão se fundindo, principalmente com obras como o Clã. Já faz muitos anos que as pessoas e o cinema flertam com o oriente, desde os filmes de Kurosawa, passando pela importância do Dalai-Lama, o fetiche pelo budismo, as terapias alternativas, o advento de “Matrix” e a bizarrice juvenil disseminada pelos mangás e animes.

Já no Clã, vi exatamente o contrário. Não que o filme tenha devolvido o troco com a bizarrice “ocidental”, como os school shooters americanos, o consumo desenfreado e a fascinação pela vida alheia em reality shows. O que realmente chama a atenção no filme é o jeito com o qual é tratado o Amor entre homem e mulher, tema que nunca teve grande relevância no oriente. Triângulos amorosos então, nem se fala. Ou você se lembra de algum Romeu e Julieta de olhos puxados?

Aquele quê de Shakespeare que senti vendo “Herói” se tornou escancarado assistindo o Clã. Amor, paixão, tragédia, traição, está tudo lá, não do jeito chato e clichê que estamos acostumados a ver, mas de um jeito novo, carregado de valores um tanto quanto desconhecidos desse lado do globo como honra (no sentido literal da palavra, não aquele proferido pelos Thundercats) e lealdade (idem).

Pra completar, uma direção fantástica, coreografias soberbas e uma fotografia que só perde para “Herói”.

“Wow” é a palavra ocidental para definir “O Clã das Adagas Voadoras”. Será que significa alguma coisa em chinês? =P

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