YabloG! - Author Archives

Author Archives: Fábio Yabu

Lições de uma parede laranja

julho 28th, 2004 | Posted by Fábio Yabu in Crônicas - (5 Comments)

A pedido da Diana, que sei lá como lembrou desse capítulo infeliz da minha vida.

Esses dias resolvi pintar o apartamento. Foi uma experiência MUITO legal e enriquecedora, de verdade. Acho que dá pra aprender coisas legais em cada ato humano… vou tentar partilhar com vocês alguma coisa do que aprendi, mas primeiro, deixa eu contar das cores que escolhi: a sala pintei de uma cor meio salmão, meio creme. Ficou bem legal. O banheiro pintei a parede do espelho de ROXO, hahaha. E ainda coloquei um tapede azul com flores coloridas, e uma lata de lixo roxa. Tá, tá, ficou meio “Queer eye for the straight guy”, confesso. Meu escritório ficou o mais estáile, pintei três paredes de azul claro e uma de azul marinho, para que eu fique literalmente imerso nos meus novos personagens, que como você já deve saber, vivem no fundo do mar… ou não.

Bom, tudo ia bem, até que resolvi pintar uma das paredes da sala de… laranja, o que eu defino como a maior estupidez que já fiz na vida.

Pois é, ficou HORRÍVEL! Mas, como eu aprendi no programa “Minha casa, sua casa”, sobre dicas de decoração, resolvi pintar uma parede inteira e esperar secar, pra ver qual que era…

Putz… sabe um outdoor do Terra? Pois é, minha sala ficou parecendo isso.

Daí, corre pra lavar a parede antes que a tinta seque totalmente. Limpa daqui, lixa dali, repinta tudo de branco, e consegui reverter a CAGADA com 5 horas de lavagem e umas 10 demãos de tinta branca. Mas foi uma experiência MUITO legal. Vamos as lições que aprendi:

1. “Há uma diferença entre saber o caminho e trilhar o caminho.” Não dá pra comparar o que os decoradores do “Minha casa, sua casa” fazem com soluções domésticas mambembes. Quando estiver na dúvida sobre que cor pintar sua sala, chame alguém mais experiente. O que não quer necessariamente dizer que você mesmo não possa fazê-lo, aliás, quebrar a cara é a melhor forma de aprender QUALQUER coisa.

2. “Lixar parede é lixar parede.” E, como TUDO, requer concentração e FOCO. Quando eu estava lixando a parede, resolvi fazer que nem o Daniel-san em Karate Kid, com movimentos circulares com a mão, tentando me concentrar ao máximo para não me distrair. Não consegui muito bem, às vezes pensava numa música, numa pessoa especial ou mesmo em bobagens. NESSAS HORAS, a tinta saía com mais dificuldade. No final, ao olhar para a parede, eu soube dizer EXATAMENTE em quais partes eu estava realmente concentrado naquilo, ou não. E foi muito bacana perceber isso. Você sabia que você tem em média 60.000 pensamentos inúteis por dia? Pois é!

3. E, o mais importante: a não ser que você seja dono do Terra ou da Nickelodeon, NÃO PINTE SUA PAREDE DE LARANJA. É ESTÚPIDO, DE PÉSSIMO GOSTO E DÁ UM TRABALHÃO PRA TIRAR!!!!!

Minha casa da madrinha

janeiro 28th, 2004 | Posted by Fábio Yabu in Crônicas - (2 Comments)

A Casa da Madrinha, de Lygia Bojunga Nunes é um livro que conheci tarde, quando muito do meu pensamento já havia sido atrasado e cristalizado pelo mundo em que vivemos e pela vida adulta que veio tão de repente.

Mas felizmente, ainda há algo em mim capaz de entender pelo menos uma parte dessa obra tão importante e complexa.

A história fala de um menino, Alexandre, e seu pavão, que partem em busca da casa da madrinha, um lugar mágico, onde todos os seus sonhos podem ser realizados. Não quero falar muito do livro, pois só mesmo lendo para entender.

Me perguntei como seria a minha casa da madrinha… como seria um lugar mágico de onde eu não precisaria sair nunca mais.

É uma casa, não muito grande, não. É maior em comprimento do que em largura, e tem quatro quartos, uma sala grande, uma cozinha e um quintal enorme, com uma parte coberta e uma descoberta. Nesse quintal, apelidado de “barracão”, tem bicicletas, alguns quartinhos para guardar tranqueiras e um onde ficam livros e gibis de todo tipo. É pequeno, mas lá cabe tudo o que já foi escrito e o que ainda não foi.

No barracão também tem uma árvore, alta e formosa, que dá frutas de todo tipo. É. É só subir e pegar. Bom pra dias em que você está indeciso sobre o que comer. Debaixo dessa árvore, fica a casinha do cachorro, que não tem nome. É um filhote de pastor alemão, lindo, que nunca cresce, nunca deixa de brincar e nunca fica doente.

Os quartos são confortáveis, com camas macias e quentinhas, perfeitas para aconchegar quem a gente ama e quer bem. Parece que é o seu coração que esquenta a cama, pro seu pai, pra sua mãe. É legal.

A cozinha é como qualquer outra, com fogão, panelas e tal. Os armários estão sempre cheios, você nunca precisa fazer supermercado.

Na sala, tem uma mesa grande, que não é muito usada, porque se come no sofá mesmo, a não ser quando tem visita. A mesa é mais usada por mim mesmo, para desenhar e escrever. Se bem que, quando estou a fim, pego o notebook e vou escrever no quarto, ou no barracão.

Mas o mais legal da minha casa da madrinha, é que, apesar de você nunca precisar sair de lá. de vez em quando você pode ir dar uma volta num ENORME campo com um lago que fica bem em frente à casa. Lá é um lugar lindo, ensolarado, onde bate um vento geladinho. Dá pra ler, brincar, correr, nadar, pescar. Dá pra fazer quem você ama feliz. Quando não tem ninguém na casa, estão todos lá. E vice versa.

Você sempre sabe que eles estarão lá. Sempre.

E todos os dias são felizes, na minha casa da madrinha.

Quadrinho é coisa de criança

agosto 8th, 2003 | Posted by Fábio Yabu in Sem categoria - (Comentários desativados)

Houve um tempo em que não ligávamos para essa colocação. Era a época em que líamos a Turma da Mônica. Aquela idade dourada em que paramos de apenas olhar para aquele monte de desenhos coloridos e letras sem sentido e começamos a juntá-las e formar palavras. Descobrimos que não precisávamos mais inventar os diálogos em nossas mentes pueris: havíamos aprendido a ler.

Nossos pais certamente estavam felizes, e, quando o plano econômico vigente permitia, vinham para casa com uma “revistinha” de algumas centenas de cruzados, cruzeiros, cruzeiros reais, etc.

Líamos incansavelmente. Dos “inovadoles” planos do Cebolinha, a histórias magníficas como “Romeu e Julieta”. Começávamos no primeiro balão e só parávamos na derradeira tirinha na última página da revista.

Era uma época mais simples. Em que nossa TV pegava poucos canais, que chamávamos por números. Em que desenhos animados, só no programa da Xuxa, e em que o Sérgio Mallandro era o ídolo de milhares de capetinhas, como meu irmão.

Porém, como bem sabem, as crianças crescem rápido.

Chegou o dia em que a Mônica não servia mais. O recém-descoberto prazer da leitura mostrava-se insaciável e clamava por material mais apropriado para nós – homens e mulheres feitos, no auge dos nossos… 9 ou 10 anos de idade.

Vieram então os super-heróis. Gibis e mais gibis, milhares de cruzeiros gastos em revistas do He-Man, Bravestar, Changeman, Jaspion, Marvel e DC. A grande maioria era de qualidade duvidosa e feita aqui no Brasil. Talvez, venha desta época o preconceito que as novas publicações nacionais sofrem hoje em dia. Mas este papo fica para outro dia.

Continuando, dentre aquelas toneladas de papel jornal, havia algo que nos fascinava, não é? Aquelas histórias mais sombrias, demarcadas com litros de nanquim, cores fortes e enredos complexos. Elas fizeram milhares de jovens se aventurar naquele novo universo que estava ali, esperando para ser decifrado com o mesmo afinco que nosso primeiro gibi da Mônica.

E qual não foi a nossa surpresa, senhoras e senhores, quando vimos que aquele gibi do Capitão América ou do Super-Homem, nos trazia um desafio ainda maior que o da alfabetização?

Tínhamos ali o desafio da compreensão!

Era uma época de crises… No Brasil e nas Infinitas Terras.

Perseveramos. Continuamos a ler e a tentar compreender. De certa forma, conseguimos. Seja lá o que aqueles gringos estavam tentando nos ensinar, nós conseguimos.

E foi aí que erramos.

Nos anos que se passaram, continuamos nossa aventura entre sagas e mais sagas. Mortes e ressureições nos aguardavam pela década a seguir, juntamente com hormônios e Psylockes em biquínis minúsculos. Tivemos sim, histórias memoráveis como aquelas dos X-Men de Chris Claremont, LJA de Keith Giffen, Hulk de Peter David, entre outros clássicos.

Assim como histórias ruins, como a nefasta Saga dos Clones do Homem-Aranha, a Morte do Super-Homem, Batman aleijado, etc.

Continuamos lendo. E continuamos errando.

Seguimos em frente (provavelmente por falta de opção), encarando um produto que por definição já estava fadado ao fracasso. Um produto que ao invés de se adaptar às épocas, se adaptou aos indivíduos consumidores. Por isso hoje temos revistas voltada às mesmas pessoas que as cresceram lendo e não permitiram que elas fossem renovadas para a chegada de novos consumidores, novas crianças tão sedentas por novidades como nós fomos um dia.

Enquanto o mundo mudou, e hoje nossas TVs pegam mais de 100 canais, os quadrinhos vêm, ano a ano, se afundando num caminho sem volta. Cada vez mais as HQs são feitas para um público menor: nós, antigos leitores, que mantemos este velho hábito desde a época da Mônica.

Ainda hoje, a dentuça continua líder em seu mercado, mas não deixou de ser atingida pelos novos tempos. Suas vendas – bem como de todo o mercado editorial, seja de revistas masculinas, ou de DVDs que vêm com uma cartela de papelão grátis – vêm experimentando um amargo declínio nos últimos anos.

Some a essa enorme crise histórias ininteligíveis, que só servem para afastar leitores (tanto velhos quanto novos) e pronto… eis um retrato da atual condição do mercado. Quando eu digo ininteligíveis, não me refiro a mim ou você. Nós sabemos o que é Quartzo-Rubi e pulso eletromagnético. Eu digo para aqueles seres humanos que nasceram em 1993 (sim, assusta saber, mas isso existe).

A discrepância das atuais histórias é enorme e muito fácil de ser exemplificada. Tente imaginar como seriam os desenhos do Scooby-Doo se eles fossem produzidos até hoje, mas focados nas mesma pessoas que tinham de 6 a 10 anos quando os primeiros episódios foram criados (hoje pais de família, ou jovens adultos). Teríamos um Fred “bad boy”, sarado e de óculos escuros, uma Daphne de colant preto e o Scooby seria um rotweiller babão?

Estranho, não? Será que um produto que sempre fez sucesso entre crianças, como o Homem-Aranha, precisa de uma histórias que lhes seja totalmente incompreensível? Será que a capa dessa revista precisa de um selo Marvel: PG (denominação para conteúdo inapropriado para crianças)?

Com os atuais preços dos quadrinhos, que diminuem o nosso poder de compra, e ainda a concorrência da TV a cabo, videogames e Internet, como vencer essa difícil batalha? Como conseguir novos leitores, e mostrar às crianças que ler quadrinhos é um prazer único? Como voltar a afirmar que “Quadrinho é coisa de criança”, e não de um bando de nerds privilegiados?

O leitor um pouco mais apressado pode achar que não gosto dos quadrinhos atuais. Meia-verdade. Há sim, coisas boas saindo. Porém, você há de convir que hoje, um sujeito quase precisa de um currículo atestando que ele pode ser um leitor de HQ de heróis.

É triste, mas quadrinho deixou de ser coisa de criança e virou coisa de nerd. Por favor, guardem suas pedras. A afirmação não é minha, mas certamente já foi ouvida por muitos.

Enquanto isso, as crianças se perdem. Preferem ler volumes quilométricos de Harry Potter a gibis de 52 páginas com Super-Homem e cia. Será que isso está certo? Até quando o mercado continuará perdendo leitores para as outras mídias, mantendo as mesmas panelinhas enquanto afunda ano a ano? E quando todos os leitores de quadrinhos arranjarem algo melhor pra fazer ou morrerem?

O mercado acaba?

Talvez seja hora dos quadrinhos, novamente e talvez pela primeira vez, serem “coisa de criança”.

“Podemos fazer qualquer coisa. Os fãs vão comprar mesmo.”
(Grant Morrison)

O Corvo

abril 29th, 2003 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (4 Comments)

Mal dá pra acreditar que faz 11 anos que entrei num cinema em Santos para assistir a um filme sobre o qual sabia muito pouco, e que acabou sendo um dos mais marcantes da minha adolescência.

“O Corvo”, de Alex Proyas (que dirigiu a bomba “Eu, Robô”), é simplesmente um dos filmes mais estilosos da década de 90. Ele praticamente “inventou” todos os filmes de ação/super-heróis que vieram depois dele (inclusive teve uma cena descaradamente copiada em “Demolidor”, aquela outra bomba com o Ben Affleck: aqueles dois Ds em fogo no chão). O Corvo fez primeiro, além de um monte de outras coisas como por exemplo as roupas pretas, usadas como se fossem uniforme de super-herói.

A história é super simples. Não é fenomenal e até previsível. Mas é uma mistura tão bem feita, elegante, de elementos como rock and roll, super-herói, violência e poesia que acaba tornando o filme um dos meus favoritos de todos os tempos.

“O Corvo” conta a história do roqueiro Eric Draven, que é assassinado juntamente com Shelly, sua namorada. Um ano depois, sua alma é trazida de volta por um corvo, e Eric tem o poder e a força para levar a justiça a seus assassinos. Além de uma trilha sonora maravilhosa (rock and roll na veia!), um clima dark-gótico pra lá de estiloso, copiado, mas nunca igualado, e personagens muito cativantes, “O Corvo” detona e sempre vai ter um lugar na minha prateleira de filmes.

Nem perca tempo indo atrás das continuações. São sofríveis. A série de TV, com o loser do Marc Dacascos é praticamente um laxante em forma de seriado.

Frases marcantes do filme: “Prédios queimam, pessoas morrem, mas o amor verdadeiro é para sempre.”

“Mãe é o nome de Deus nos lábios e corações das crianças.”

“Não pode chover o tempo todo…”

Saiba mais sobre o filme aqui.

  • Twitter
  • Facebook
  • YouTube