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	<title>YabloG! &#187; Crônicas</title>
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	<description>Blog do escritor Fábio Yabu</description>
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		<title>&#8220;Brasileiro não gosta de ler&#8221; e outras lendas do nosso foclore</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 02:18:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Yabu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[eduardo spohr]]></category>
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		<description><![CDATA[Ilustração © Michel Borges. Brasileiro não gosta de ler? Durante a minha vida inteira, ouvi que brasileiro não gosta de ler. Mas por algum motivo, ao menos no microcosmo em que vivi a infância e a adolescência &#8211; com pai e mãe professores &#8211; aquilo não parecia verdade. Por isso, sempre encarei a afirmação com certa &#8230; <a href="http://www.yabu.com.br/blog/2012/01/30/brasileiro-nao-gosta-de-ler/">Read more <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div><img class="size-full wp-image-5302" title="Saci" src="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/saci.jpg" alt="" width="590" height="262" /><br />
Ilustração <a title="Michel Borges" href="http://michelborges.com.br">© Michel Borges.</a></div>
<div></div>
<h3><strong>Brasileiro não gosta de ler?</strong></h3>
<p>Durante a minha vida inteira, ouvi que brasileiro não gosta de ler. Mas por algum motivo, ao menos no microcosmo em que vivi a infância e a adolescência &#8211; com pai e mãe professores &#8211; aquilo não parecia verdade. Por isso, sempre encarei a afirmação com certa cautela, como uma criança que vê um Papai Noel magrelo distribuindo pirulitos em frente a uma loja de móveis no verão.</p>
<p>De tanto gostar de livros, em 2004 lancei o <a title="Princesas do Mar" href="http://princesasdomar.com.br" target="_blank">meu</a>. Aquilo foi tão bom que em 2006 lancei o segundo, depois não parei mais. E mesmo não sendo nenhum best-seller, ano após ano vi meus lançamentos receberem mais gente e mais abraços, em livrarias cada vez mais lotadas. Se brasileiro não gosta de ler, o que toda essa galera estava fazendo lá?</p>
<p>Hoje, às vésperas de lançar meu <a title="A Última Princesa" href="http://www.yabu.com.br/blog/2011/11/25/a-maldicao-a-princesa-e-o-aviador/" target="_blank">13º livro</a>, acho que entendo um pouco melhor as complicadas estatísticas do mercado editorial brasileiro. Um mar de achismos e nenhuma auditoria que, segundo a FIPE, cresceu 150% na última década. Será mesmo que brasileiro não gosta de ler? Ou será que o velho mantra é a justificativa dos empedernidos para a própria iletralidade?</p>
<p>De acordo com o Insituto Pró-Livro, o Brasil tem cerca de 77 milhões de pessoas que não leem &#8211; e ponto. Nem Turma da Mônica. Não leem porque não gostam, não têm tempo, dinheiro ou mesmo por não saberem como. Em compensação, há 95 milhões de pessoas que leem, em média, 4 livros por ano, até 6 no sul do país. Aparentemente são números modestos, ou até vergonhosos para alguns, frente aos países mais ricos (nem tanto hoje em dia). E é aí que o preconceito começa a disfarçar-se de lógica.</p>
<div></div>
<h3><strong>Pobre não gosta de ler?</strong></h3>
<p>A primeira e precipitada conclusão é que, se a pessoa é mais rica, ela lê mais, certo? Mais ou menos. Segundo o mesmo estudo, embora a classe A consuma mais livros per capita, ela é responsável por somente 5% (!) do total das vendas no país. É a classe C &#8211; em especial, suas mães &#8211; quem leva para a estante de casa nada menos que 47% dos livros vendidos. Se você está lendo esse texto, é provável que tenha o hábito de atualizar seu Twitter num smartphone enquanto aprecia um cappuccino ao som da Adele numa Fnac da vida, antes de dar uma olhadinha nos novos modelos de TV 3D. Talvez você tenha em casa a edição encadernada de &#8220;O Senhor dos Anéis&#8221;. Mas as chances são de que, nesse universo de megastores, boxes luxuosos e leitores digitais, seja justamente você a puxar a média nacional pra baixo.</p>
<p>Porque a classe C gosta sim de ler. Basta ir a uma Bienal do Livro para testemunhar filas infindáveis em praticamente todos os stands. No da Ciranda Cultural, cujos preços começam na casa dos R$ 5, ouvi do presidente da editora: &#8220;Não estamos mais aceitando cartões nos pagamentos porque não dá tempo de processar.&#8221; &#8211; enquanto devolvia troco para uma nota de 10, tentando agilizar uma fila que já invadia os stands vizinhos.</p>
<p>Por incrível que pareça, ainda tem gente que torce o nariz para livro &#8220;barato&#8221;. Eu bato palmas. Porque, ao contrário de todos os outros bens de consumo, o livro não é segmentado por critérios econômicos ou sociais. Dá para comprar Machado de Assis por R$ 1,00 em qualquer sebo, dá para baixar de graça (e legalmente) na Internet e dá pra comprar exatamente o mesmo livro por R$ 50,00 na mais esnobe livraria. Mas a partir do momento em que o livro é aberto, não existem mais páginas amareladas, telas brilhantes ou cheirinho de novo. O objeto torna-se invisível e seu dono torna-se um leitor.</p>
<h3><strong>Jovem não gosta de ler?</strong></h3>
<p>Muito difundido também é o mito de que &#8220;jovem não lê&#8221;. Chega a ser redundante refutar essa afirmação, frente a fenômenos como Stephanie Meyer, Suzanne Collins e Meg Cabot, tão frequentes que já deixaram de ser exceção e posicionaram os jovens de até 24 anos como o maior público leitor do país. E não é só de autor importado que os jovens gostam. Pergunte a <a title="Thalita Rebouças" href="http://www.thalita.com" target="_blank">Thalita Rebouças</a>, que já passa de 1 milhão de exemplares vendidos. Ou então à jovem <a title="Paula Pimenta" href="http://www.paulapimenta.com" target="_blank">Paula Pimenta</a>. Mineirinha que é, segue os passos de Thalita e vai conquistando de mansinho os adolescentes com seus calhamaços de 400 páginas que já venderam mais de 50 mil cópias. Sem falar em <a title="Eduardo Spohr" href="http://filosofianerd.blogspot.com/" target="_blank">Eduardo Spohr</a>, cujo &#8220;<em>A Batalha do Apocalipse</em>&#8221; surgiu como produto de nicho na Internet e hoje pode ser encontrado em caixas de supermercado e catálogos de vendedoras da Avon. Essas simpáticas senhoras, como a sua Tia Sueli, que complementam o orçamento revendendo perfumes e cosméticos, disputam com a Saraiva o posto de maiores vendedoras de livros do Brasil, com faturamento bruto anual na casa dos R$ 360 milhões. É, a Tia Sueli.</p>
<div>
<div></div>
<h3><strong>Quem gosta de ler, afinal!?</strong></h3>
<p>Como veem, &#8220;<em>brasileiro não gosta de ler</em>&#8221; é uma oração cheia de vírgulas, interpretações e sujeitos ocultos. A generalização burra de um universo composto por exceções, repleto de oportunidades para editoras, autores e leitores.</p>
<p>Tem brasileiro que gosta de ler, tem brasileiro que não gosta. Eu gosto. E você?<br />
<strong id="internal-source-marker_0.8357471420895308"><br />
</strong></p>
</div>
<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.yabu.com.br%2Fblog%2F2012%2F01%2F30%2Fbrasileiro-nao-gosta-de-ler%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe><div class="topsy_widget_data topsy_theme_light-blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fwww.yabu.com.br%252Fblog%252F2012%252F01%252F30%252Fbrasileiro-nao-gosta-de-ler%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2Fx7Nv2l%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22%5C%22Brasileiro%20n%C3%A3o%20gosta%20de%20ler%5C%22%20e%20outras%20lendas%20do%20nosso%20foclore%22%20%7D);"></div>

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		<title>Defendendo o uso do gerúndio e da Comic Sans num mundo politicamente correto</title>
		<link>http://www.yabu.com.br/blog/2011/10/10/usando-o-gerundio-e-a-comic-sans-num-mundo-politicamente-correto/</link>
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		<pubDate>Mon, 10 Oct 2011 19:15:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Yabu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[comic-sans]]></category>
		<category><![CDATA[gerundio]]></category>
		<category><![CDATA[politicamente correto]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto por Azaghal Acho estranho quando pessoas do bem &#8211; com curso superior e de boa família &#8211; de repente vestem carapuças brancas, assustam seus pais e filhos, montam em alazões negros e saem às ruas com tochas à caça de vítimas que sequer sabem o motivo de sua perseguição. Num minuto, estão enxugando a &#8230; <a href="http://www.yabu.com.br/blog/2011/10/10/usando-o-gerundio-e-a-comic-sans-num-mundo-politicamente-correto/">Read more <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/OR1U6.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-5213" title="OR1U6" src="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/OR1U6.jpg" alt="" width="483" height="300" /></a><br />
Foto por <a href="https://twitter.com/#!/azaghal">Azaghal</a></p>
<p>Acho estranho quando pessoas do bem &#8211; com curso superior e de boa família &#8211; de repente vestem carapuças brancas, assustam seus pais e filhos, montam em alazões negros e saem às ruas com tochas à caça de vítimas que sequer sabem o motivo de sua perseguição. Num minuto, estão enxugando a louça, no outro, açoitam seus vizinhos, sob o pretexto de que estão combatendo pragas, tão terríveis que mereceriam capítulos à parte em qualquer livro sagrado.</p>
<p>O pobre gerúndio, por exemplo. Esses dias vi na Internet a foto da fachada de um restaurante, com um simples e eficiente aviso de que &#8220;estamos atendendo&#8221;. Fui direto para os comentários da foto para confirmar uma certeza: lá estava a inevitável acusação de &#8220;gerundismo&#8221;. Alheio às tochas erguidas por inquisitores internet afora, o gerente &#8211; Armando &#8211; estava atendendo seus clientes, e, se Deus quiser, está atendendo a uma hora dessas e também <strong>vai estar atendendo amanhã, SIM</strong>, em horário comercial e com o português<strong> im-pe-cá-vel</strong>.</p>
<p>Vítimas de semelhante perseguição são as padarias, pet shops e pequenas pizzarias de bairro que <strong>OUSAM</strong> usar <span style="font-family: 'Comic Sans MS';"><strong>Comic Sans</strong></span> em seus logotipos e cardápios. Designers e diretores de arte ficam de cabelo em pé ao ver tamanha aberração, tamanho atentado à estética perpetrado por esses criminosos que sequer têm grana para pagar uma fonte melhor e não entendem coisa alguma de<em> &#8221;</em>designer<em>&#8220;</em>! Nem sei como esse tipo de gente consegue fazer pãozinho quente, dar banho no meu cachorro e entregar a minha pizza.</p>
<p>E aquele outro tipo de gente, que não vê graça em piada sobre assuntos &#8220;leves&#8221; como estupro, homofobia e pedofilia? E são acusados pelos inquisitores de serem &#8220;politicamente corretos&#8221;, praga que, segundo afirmam, está tornando as coisas chatas e acabando com o mundo. É só olhar pela janela e ver a zona que esses malucos estão fazendo: a essa hora, tem alguém &#8220;politicamente correto&#8221; parando o carro para um pedestre, recolhendo o cocô do cachorro, não bebendo porque vai dirigir e, valha-me Deus, comprando alimentos orgânicos. Talvez devêssemos voltar agora mesmo para o mundo dos crioulos, das bichas, dos mongolóides, dos pediatras fumantes. Com cocô de cachorro petrificado na rua e sem cinto de segurança. Tudo bem que era mais fácil morrer, mas pelo que dizem os detratores do &#8220;politicamente correto&#8221;, era menos chato viver.</p>
<p>Assim, a verdadeira &#8211; e mais terrível &#8211; das pragas vai se espalhando, com métodos vis e amplamente difundidos. Disfarçada de um comentário jocoso ou exposta na reação exarcebada a um deslize cotidiano, a discriminação vai encontrando o seu caminho nos corações das pessoas de bem como eu e você.</p>
<p>Nunca foi tão fácil.</p>
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		<title>Quando o pirateado é você</title>
		<link>http://www.yabu.com.br/blog/2010/02/18/quando-o-pirateado-e-voce/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 14:11:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Yabu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Criações]]></category>
		<category><![CDATA[copyright]]></category>
		<category><![CDATA[pirataria]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto por @fagnerfey E eis que a pirataria chega ao Mundo de Salácia. Minhas queridas Princesas do Mar já estão sendo vistas em camelôs Brasil afora, sob a forma de produtos de qualidade duvidosa. Mas não são todos, visse? Alguns produtinhos até são simpáticos, como peças artesanais que eu nem considero pirataria. Já outros têm &#8230; <a href="http://www.yabu.com.br/blog/2010/02/18/quando-o-pirateado-e-voce/">Read more <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p><img class="alignnone size-full wp-image-4216" title="x2_b29b55" src="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/x2_b29b55.jpg" alt="" width="438" height="329" /><a href="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/x2_b29b55.jpg"><br />
</a>Foto por <a href="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/x2_b29b55.jpg"><strong>@fagnerfey</strong></a></p>
<p>E eis que a pirataria chega ao Mundo de Salácia. Minhas queridas Princesas do Mar já estão sendo vistas em camelôs Brasil afora, sob a forma de produtos de qualidade duvidosa.</p>
<p><a href="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/51.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-4217" title="51" src="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/51.jpg" alt="" width="280" height="210" /></a>Mas não são todos, visse? Alguns produtinhos até são simpáticos, como peças artesanais que eu nem considero pirataria. Já outros têm escala industrial, e até peça de teatro rolou no Rio de Janeiro. E num típico clichê de como a vida imita a arte, vieram risadinhas de todos os cantos dizendo: &#8220;<em>Ah, tu baixou LOST, agora toma!</em>&#8220;.</p>
<p>Pra começo de conversa, como diz a minha sábia avó: &#8220;<em>Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!</em>&#8220;. Baixar um seriado da internet (cujas razões <a href="http://www.yabu.com.br/blog/2010/02/03/lost-e-a-salvacao-da-tv/" target="_self">já elucidei aqui</a>) e produzir bonequinhos na China e mandar pra cá por container são coisas bem  diferentes.</p>
<p>Mas, se quer mesmo saber, eu pouco me importo com qualquer uma das duas.</p>
<p>Não, eu não acho pirataria uma coisa ruim, não estou muito preocupado se estão me copiando na Alemanha ou na 25 de março.</p>
<p>Dizem que a pirataria tira empregos. Deve tirar, mesmo. Mas pra mim, o que é muito mais perigoso que a pirataria e que realmente tira empregos é gente morrendo de medo de perder o seu. Gerentes, diretores e produtores escondidos atrás de planilhas e livros de auto-ajuda empresarial, que não arriscam, não criam, não vivem, enquanto as massas fogem de seus produtos e métodos de distribuição engessados e preguiçosos. Emburrados, fazem bico e nos chamam de criminosos porque assistimos nossas séries de TV pela internet.</p>
<p>Veja os DVDs de Princesas do Mar. Alguns podem achar que, onde tem DVD tem pirataria &#8211; mas é justamente o contrário! Os únicos países que pirateiam os episódios de Princesas do Mar são aqueles onde NÃO tem o DVD: Alemanha e Austrália. Na França, já estamos no sexto volume, encontrado facilmente em qualquer loja. A América Latina, o temor dos donos de copyright, tem o DVD há mais de 2 anos, vendido baratinho em bancas na Argentina e no México e até agora, não tem nem sinal de DVD pirata. Uma hora vai chegar? É provável, mas o original vai ganhar de lavada, seja em qualidade ou distribuição.</p>
<p>&#8220;A pirataria é sinal de sucesso&#8221;, diz o senso comum polianesco. Não exatamente. A pirataria é sinal de que alguém não está trabalhando tão bem quanto deveria. Alguns dos produtos piratas de Princesas do Mar chegaram ao mercado meses ou até ANOS DEPOIS de muitas fábricas terem se negado a produzí-los. A pirataria não é algo mágico que simplesmente brota nos semáforos da cidade em forma de um balão gigante do Barney, muito menos algo que acontece debaixo dos panos.</p>
<p>De um lado, temos o pirata: um cara que não é bem informado, não é um gênio com bola de cristal. Ele é mais lento, tem menos instrução, muito menos recursos e valha-me Deus, tem muito mal gosto. Mas ele simplesmente escuta o que o público quer, corre atrás e lança o produto. Do outro lado, temos o executivo que fica enfurnado numa sala fazendo powerpoint, tirando caquinha do nariz, esperando a próxima feira ou seminário da <em>firma</em>. Que perde oportunidades, engessa e, lentamente, mata a indústria por medo de mudar. A pirataria tira empregos? Graças a Deus!</p>
<p>Em tempo, você pode comprar os produtos de Princesas do Mar, todos lindos e originais, <a href="http://princesasdomar.uol.com.br/lojinha/" target="_blank">aqui</a>. <img src='http://www.yabu.com.br/blog/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.yabu.com.br%2Fblog%2F2010%2F02%2F18%2Fquando-o-pirateado-e-voce%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe><div class="topsy_widget_data topsy_theme_light-blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fwww.yabu.com.br%252Fblog%252F2010%252F02%252F18%252Fquando-o-pirateado-e-voce%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Quando%20o%20pirateado%20%C3%A9%20voc%C3%AA%22%20%7D);"></div>

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		<title>Lost e a salvação da TV</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 17:21:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Yabu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[LA X]]></category>
		<category><![CDATA[Lost]]></category>
		<category><![CDATA[s06]]></category>

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		<description><![CDATA[TEXTO SEM SPOILERS SOBRE A SEXTA TEMPORADA DE LOST - Aguarde um review completo para essa semana Nunca antes na história desse país uma temporada foi tão aguardada! A contagem regressiva começou ainda na terceira temporada, quando os produtores anunciaram que Lost chegaria ao fim em 2010. Agora, depois de ver os dois primeiros episódios &#8230; <a href="http://www.yabu.com.br/blog/2010/02/03/lost-e-a-salvacao-da-tv/">Read more <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/lost_s06.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-4198" title="lost_s06" src="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/lost_s06.jpg" alt="" width="500" height="177" /></a></p>
<p><strong>TEXTO <span style="color: #ff0000;">SEM SPOILERS</span> SOBRE A SEXTA TEMPORADA DE LOST -<br />
Aguarde um review completo para essa semana</strong></p>
<p>Nunca antes na história desse país uma temporada foi tão aguardada! A contagem regressiva começou ainda na terceira temporada, quando os produtores anunciaram que Lost chegaria ao fim em 2010. Agora, depois de ver os dois primeiros episódios dessa jornada final, e refletir sobre o caminho já trilhado, deixo aqui algumas impressões.</p>
<p>A nova temporada começou com a mesma dinâmica das anteriores &#8211; acontecimentos passados, que pareciam pivotais, agora são tão importantes quanto a bombinha de asma da Shannon. Trata-se de uma temporada completamente diferente, com sua pergunta central e as consequências que ela traz aos personagens. Sim, algumas respostas são dadas &#8211; mas não espere nenhuma revelação a là Sexto Sentido. Mistérios que pareciam milenares são respondidos de maneira quase trivial &#8211; como um guarda de trânsito fazendo transeuntes curiosos desviar de um acidente, circulando, circulando!</p>
<p>Mas quem se importa? As perguntas de Lost sempre foram mais importantes do que as respostas, então qual a diferença se elas são verdadeiras ou falsas, se é que elas existem? Em seu emocionate depoimento ao TED, o criador <strong><a href="http://www.ted.com/talks/j_j_abrams_mystery_box.html" target="_blank">JJ Abrams</a></strong> conta um pouco como funciona sua mente, e o quanto o mistério de uma caixa deixada pelo seu avô é mais importante do que o conteúdo em si. É provável que até essa história seja inventada &#8211; um homem não tem o direito de escrever a sua própria? &#8211; mas a metáfora não deixa de ser inspiradora.</p>
<p>Um dos aspectos mais importantes sobre Lost, que deveria ser analisado por toda a indústria, é como o fenômeno mudou a cara do entretenimento em apenas seis anos. Como num legítimo embate ciência vs. fé, de um lado tivemos os canais se reinventando, à beira do desespero, vendo toda uma geração deixar de lado a TV e aderir aos sites de compartilhamento, torrents e megauploads da vida. Do outro, temos essa mesma geração, acusada de pirataria, ameaçada de multas e prisão a cada DVD ou Blu-Ray assistido, sedenta por conteúdo de qualidade, por TV inteligente. No meio dessa guerra, a natureza humana nos faz procurar um Messias, como o Avatar, de James Cameron, e sua promessa de &#8220;salvar&#8221; o cinema. Mas que cinema, que TV são esses que precisam tanto ser salvos do desinteresse de seu séquito?</p>
<p>Nos últimos seis anos, assisti a Lost das mais diversas formas, talvez algumas até extintas agora. Na TV a cabo, TV aberta, via CDs gravados por amigos e distribuídos &#8220;na firma&#8221;, pendrives, aluguei, comprei, baixei, joguei o jogo (horroroso), vi no avião (deu medo), assisti no exterior, baixei no exterior, fiz o diabo. Nas últimas semanas revi as temporadas em blu-ray, experiência que supera de longe todas as anteriores. A TV? Vai muito bem, obrigado. Pago via débito automático uma cacetada de canais que chegam por um conversor que foi desconectado da tomada por falta de espaço: tem que concorrer com a própria TV, o subwoofer, o DVD, o Wii, PS3, o modem, o roteador e um abajur. E AINDA ASSIM, vi religiosamente todos os episódios, muitos deles repetidas vezes. Agora, me responda: quem é que precisa ser salvo?</p>
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		<title>A Dança do Ciclope</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Apr 2009 23:22:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Yabu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[dança do ciclope]]></category>
		<category><![CDATA[gica]]></category>

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		<description><![CDATA[Às vezes eu acho que tenho a melhor profissão do mundo. Escrever para crianças é mais que um privilégio, é uma dádiva. Só que ela não me ajuda muito a me dar bem na balada: &#8220;Oi, eu sou o Fábio e escrevo livros para crianças&#8220;. Sério. Não tente, porque o máximo que vai ouvir é &#8230; <a href="http://www.yabu.com.br/blog/2009/04/17/a-danca-do-ciclope/">Read more <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><img class="alignnone size-full wp-image-3868" title="cyclops" src="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/04/cyclops.jpg" alt="cyclops" width="550" height="212" /></p>
<p>Às vezes eu acho que tenho a melhor profissão do mundo. Escrever para crianças é mais que um privilégio, é uma dádiva. Só que ela não me ajuda muito a me dar bem na balada: &#8220;<em>Oi, eu sou o Fábio e escrevo livros para crianças</em>&#8220;. Sério. Não tente, porque o máximo que vai ouvir é &#8220;<em>Aaai que bonitinho!</em>&#8220;. Também nunca fui de ficar contando vantagem na hora de chegar nas meninas. Acho isso bem patético. Mas enfim, como não posso ficar falando muito do meu trabalho, não sou de contar vantagem, e dizer como eu me dou bem com a minha mãe está fora de cogitação, eu acabo tendo que improvisar.</p>
<p>Naquela noite eu estava no último lugar onde você me encontraria numa sexta à noite &#8211; uma fila de balada. O segurança me revistou que nem o nariz dele, a hostess conferiu meu nome na lista e me deu uma pulseirinha de neon vermelho. Tipo um mini-sabre de luz que você enrola no pulso &#8211; coisa que gente descolada gosta, sei lá por quê.</p>
<p>Cumprimentei os amigos enquanto procurava minha máscara de oxigênio, pra me proteger da fumaça de cigarro que até hoje impregna minha cueca. E <em>ela</em> estava também&#8230; conversando animadamente com outro cara. O que foi meio triste, porque eu bem que era a fim dela, viu. Já nos conhecíamos da casa da nossa amiga Baunilha, mas nunca tínhamos conversado com mais profundidade.</p>
<p>Ela ficou lá, ouvindo o xaveco daquele <span style="text-decoration: line-through;">corno desgraçado dos infernos</span> rapaz simpático, e eu fiquei do outro lado da pista de dança, meio sem ter o que fazer. Foi quando vi a pulseirinha de neon que eu havia ganhado na entrada e comecei a pensar numa música. Ficou engraçada até. Cantei pra galera &#8220;<em>meu, escuta essa música, acabei de inventar, chama Dança do Ciclope!</em>&#8221; &#8211; e todo mundo morria de rir enquanto eu inventava as estrofes.</p>
<p>Olhei de longe e vi que ela também estava rindo, só que não era de mim, mas de alguma piada sem graça daquele outro mané. O papo parecia estar interessante, e antes que ficasse interessante demais, resolvi fazer meu movimento. Sabe como é, virar o macho alfa, brigar pela fêmea, mostrar quem é que manda na matilha. Bufei nervosamente, e meus feromônios fizeram a fumaça dos cigarros desejar que ali houvesse uma janela. Tomei um gole de vodka, amassei a garrafa (de vidro) com as mãos e lambi o sangue que escorreu por entre meus dedos. Eu era um homem das cavernas, um Clive Owen, um<em> fóckin caveman</em>, e ia mostrar isso nem que tivesse que dar uma tacapada na cuca dela. Cheguei chegando e disse:</p>
<p>- Oi, Gica. Quer ouvir a Dança do Ciclope? Acabei de inventar.</p>
<p>Ela sorriu. Queria. E eu comecei a cantar aquela música, misturando funk com os X-Men.</p>
<p>Ela riu alto. Eu não sei se foi da minha cara, ou da minha dancinha ridícula, segurando um bastão de neon na altura dos olhos. Só sei esse foi o primeiro momento bonito que tivemos nos últimos seis meses, é desse momento que a gente sempre fala quando nos perguntam como tudo começou. Foram seis lindos meses, os seis melhores meses, que começaram na balada com a Dança do Ciclope. Seis meses em que a gente escreveu, desenhou, dançou e viajou juntos, seis meses que passaram voando. Seis meses em que aprendi a gostar de Björk, ela de PS3, desaprendemos a dormir sozinhos e esquecemos como era não ter um ao outro. Até hoje tem gente que diz que estamos indo &#8220;rápido demais&#8221;, mas eu não sei o que esse povo aprendeu nas aulas de física, não sabem que o tempo é relativo? Nesses seis meses, precisei de apenas 1 dia pra ver que estava apaixonado, 3 para dizê-lo e, no décimo, ela resolveu passar o Ano Novo comigo na Argentina, levando na mala um presente: a cópia da chave do nosso apartamento. Faça as contas, e verá que foram 180 dias, que podem ser resumidos em uma única frase de três palavras, ao som de uma música que improvisei durante aquela balada:</p>
<p>&#8220;<em>Na dança do Ciclope<br />
Você vai arrasar<br />
Com seu poder mutante<br />
Uma rajada ocular</em></p>
<p><em>Nessa dança muito louca<br />
Entra homem e mulher<br />
Fera, Tempestade, DJ Charles Xavier</em></p>
<p><em>Em Terra de Cego<br />
quem tem um olho é rei<br />
Já chega abalando<br />
Na gostosa da Jean Grey&#8230;</em>&#8221;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-3870" title="cyclops_jean_grey1" src="http://www.yabu.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/04/cyclops_jean_grey1.jpg" alt="cyclops_jean_grey1" width="400" height="367" /></p>
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