YabloG! - Archive - Resenhas

 

Scrivener: tem pra Mac e pra PC, pra mim e pra você!

Ao contrário de outras artes, como a escultura ou a pintura, a escrita não depende de ferramenta alguma – apenas a mente de seu criador. Você pode criar uma obra prima com as mãos amarradas dentro de um cativeiro escuro. Se quiser um pouco mais de sofisticação, pode usar um graveto e um chão de terra batida, ou seu próprio dedo e um espelho embaçado. Moleskines são uma modinha charmosa e besta, tem gente com menos de 30 que adora o barulhinho de máquina de escrever (hipsters!), mas a grande, a esmagadora maioria, usa o Microsoft Word.

O Word é quase uma instituição pública, é a Tim dos softwares: todo mundo reclama, sabe que é uma porcaria, que não funciona, que é dinheiro jogado no lixo, que não tem cobertura, não tem suporte decente, que é comandado por duendes e gárgulas demoníacos cuja vida é tornar a sua um inferno, sem falar no 3G, meu Deus, o 3G é uma @$#$@, mas todo mundo usa.

Meu caso de amor e ódio com o Word está mais para ódio e ódio desde os tempos do Windows 3.x, em que eu preferia escrever no imbatível Bloco de Notas ou até mesmo no Pagemaker do que dar um duplo clique na caixa de Pandora em forma de W. Desde então, tenho vez por outra dado uma nova chance ao programa, apenas para me decepcionar com os caminhos burocráticos, a lentidão causada pelos excessos (lembra do clips falante?!), a instabilidade nuclear, sem falar nos cliparts horrorosos.

Tentei usar o Pages, da Apple. É um pouco melhor, mas ainda assim, não é lá aquela maravilha. Um processador de textos não deveria ser pesado, não deveria oferecer atrito entre a ideia e a execução, e sim, ser um portal que traz para a realidade os nossos sonhos e emoções mais profundos. Chegou um ponto da minha vida em que eu estava escrevendo meus textos no Gmail (!), até a chegada do Google Docs. Que também não é nenhuma maravilha, mas pelo menos era estável e oferecia um pouco mais de recursos que o Bloco de Notas (deixado para trás com meu último PC, há sete anos). Eu simplesmente me acostumei às soluções meia-boca criadas por gente que não escreve, que não cria literatura, mas códigos, assim como me acostumei à Tim (provavelmente, criada por gente que NÃO FALA, não manda SMS, não tem 3G e adora receber spam…).

Eu já havia perdido as esperanças, até que, há mais ou menos um ano, o amigo e escritor Tomás Buteler me recomendou um programa chamado Scrivener, que tem em sua concepção uma ideia besta de tão genial: ele não é feito para a dona de casa colar receitas e salvar num lugar onde ela nunca mais vai achar. Não é feito para o estudante que copia os artigos da Wikipedia, não é feito para criar textos em 3D nem para o jornalzinho do condomínio. O Scrivener é um processador de textos feito por escritores, para escritores. Como ninguém havia pensado nisso antes?

Qualquer pessoa que tem em suas ideias e experiências a matéria prima para a produção literária, pode e DEVE usar o Scrivener. Escritores, roteiristas de cinema, teatro, HQ. Poetas, jornalistas, blogueiros. O Scrivener tem uma miríade de soluções e atalhos personalizados para cada tipo de texto que, quando incorporados mentalmente pelo usuário, se transformam numa terceira mão, tamanha a liberdade e agilidade que eles fornecem. Escrever se torna mais rápido, mais eficiente, mais gostoso.

Abaixo algumas características que tornam o Scrivener imbatível. Note que, mesmo usando o programa há algum tempo, não conheço metade de todas as suas funcionalidades.

  1. Você vê o texto como um todo. Não importa se é um post de um blog, ou um romance de 500 páginas. Seu material de pesquisa, seus rascunhos, seus capítulos, tudo fica organizadinho numa pasta para cada projeto. Quer relembrar como começa o capítulo 59 (de 120?). Você chega lá em um clique (em vez de 200 mil pagedowns no Word ou Pages).
  2. Snapshots: você pode salvar uma versão de um capítulo específico, ou do texto todo, reescrever tudo e, se não gostar, simplesmente voltar com a versão anterior. Sem precisar salvar um novo arquivo.
  3. O texto final é COMPILADO: não é o “Save as” porco do Word. Ao final do seu trabalho, o Scrivener compila as porções de texto que você quer, no formato que você quer. Quer compilar só um capítulo? Você pode fazê-lo sem traumas, direto em PDF, epub, Kindle. Até Word, veja você.
  4. Estatísticas para o seu projeto: todo escritor tem seus “cacoetes” – expressões ou palavras que ecoa ao longo do texto. E isso incomoda demais, porque tais cacoetes são virtualmente invisíveis para o escritor e acabam deixando o texto deselegante. O Scrivener cria uma relação com as palavras mais usadas, para que você perceba se está ou não repetindo velhos hábitos.
  5. Atalhos, muitos atalhos. Especialmente para quem escreve roteiro. Escreveu uma cena de ação? É provável que ela seja seguida por um diálogo, então, basta dar um TAB. Digite a primeira letra do nome do personagem, e uma lista já aparece na tela. Todo o esforço desnecessário é removido, para que você se concentre no sopro de vida de sua história.
  6. Templates para quadrinhos. Isso é realmente incrível. Com um TAB, você diz ao programa que mudou de painel numa página de quadrinhos. Ele numera tudo automaticamente, não importa quantas vezes você mexa na ordem das páginas ou quadrinhos.
  7. Arquivos minúsculos. Não existe sentido no tamanho de arquivo gerado pelo Word, ou mesmo, o Pages. O Scrivener deixa tudo compactadinho, leve para carregar rapidinho numa nuvem como um Dropbox da vida.
  8. Metas: seja do tamanho final do texto, ao número de páginas do livro impresso, ou a produção diária de páginas: defina o quanto você quer escrever, e o Scrivener te mostra o quanto você ainda tem pela frente.
  9. Preço: custa apenas US$ 45,00 – metade do Word.

Enfim, o programa oferece muito mais do que isso, e como todo bom software, ele se adapta ao usuário, não o contrário.

Melhorias

Nem tudo, porém, é perfeito. Existe espaço para melhorias, mas infinitamente mais estreito que nos outros processadores de texto. São elas:

  1. Suporte à nuvem: o programa não tem suporte nativo ao iCloud. Quem usa vários computadores, como eu, pode sentir falta de ter seu arquivo seguramente salvo numa nuvenzinha de maneira automática. Contudo, isso é facilmente contornável salvando-se o arquivo no Dropbox. Agora, por exemplo, nem mesmo a fúria de Deus seria capaz de f
  2. Versão em português: por enquanto, ainda não há versão em português, mas qualquer um com um semestre de Cultura Inglesa pode dominar o programa.

Baixe AGORA!

Enfim, nada que não vá ser melhorado nas próximas versões. Interessou? Depois de tudo isso, é claro, né? Então não perca tempo e baixe lá. A versão trial dura 30 dias de uso (e não de tempo corrido), mais do que suficiente para você se apaixonar como eu: http://www.literatureandlatte.com/

Já conhece o Scrivener? Diga lá como você usa essa pequena jóia.

 

Resenha: Lanterna Verde

agosto 18th, 2011 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (24 Comments)

“E aí, o que você achou do Lanterna Verde?” foi a pergunta que mais ouvi essa semana. Os amigos, a esposa, os seguidores do twitter, até a imprensa, todos queriam saber qual era a minha opinião sobre o filme que esperei a vida toda para assistir. Ainda mais depois da crítica americana tê-lo esculhambado até os limites do setor espacial 2814.

Acredito que você não esteja aqui para saber detalhes técnicos do filme, número de estrelas ou nota de 0 a 10. Por isso, tentarei me prender ao essencial. Sem mais delongas: o filme começa muito bem, é irretocável durante todo seu primeiro ato. Depois, começa a apresentar falhas, que vão do sutil ao grotesco estapafúrdio. Algumas coisas saltaram quase a ponto de dilacerar as lentes 3D e perfurar meus olhos. Revendo o filme em minha mente, fica óbvio que ele foi mexido diversas vezes depois de pronto. É como a chegar em casa e ver seu armário revirado, e sentir a agonia de não saber o que está faltando.

Mas enquanto eu estava no cinema, reparei numa pessoa que tinha uma reação diferente do resto do público. Ela cerrava os punhos e dava socos no ar, suspirava ao identificar cada membro da Tropa. Para ela, os seis minutos em OA, com Kilowog, Tomar-Re e Sinestro foram como férias na casa da avó. Cada construto verde que saía do anel se tornava seu novo brinquedo favorito. A pista de Hot Wheels gigante a levou ao delírio. Essa pessoa não se importava com as erros na edição, não percebia os pixels avacalhados por toda a tela, não reparou nas crateras jurássicas no roteiro, vibrou com o juramento, bateu palmas e gritou WHUHUUU quando subiram os créditos finais.

Essa pessoa é a mesma que assistia o Lanterna Verde e os Superamigos enfrentando Sinestro e a Legião do Mal, em roteiros tão ou mais esburacados que o do filme de 2011. A mesma que achava os monstros do Jaspion assustadores, Transformers um desenho bem-feito e as roupas da Xuxa pudicas. E que hoje dança na sala com a filha no colo ao som de Balão Mágico.

Devo muito a essa criança. Ela me fez sobreviver aos momentos mais difíceis da minha vida e ser quem eu sou. Talvez você tenha uma dessas em si também, que está louca para ouvir a história do mocinho que ganha um anel mágico capaz de dar vida à sua imaginação, que vai para outro planeta e volta como super-herói. Se tiver, leve-a ao cinema. Senão, é melhor ficar em casa. Juro que não vou te culpar.

Explicando o Maria Bethânia Gate

março 16th, 2011 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (97 Comments)

Disclaimer:

1. O autor desse post não possui qualquer relação com Maria Bethânia ou as empresas envolvidas.
2. O autor desse post já participou de diversos editais promovidos pelo MinC, em especial nas áreas de cinema e TV, apesar de nunca ter sido contemplado. Sem ressentimentos, juro.
3. Assim sendo, o único intento desse post é explicar COMO funciona a lei e esclarecer o assunto para quem não conhece, sem fazer juízo de valores, nem dizer se concordo ou não com o projeto do blog da Maria Bethânia.

Ok?

Então vem comigo!

[ATUALIZADO ÀS 19H14]: O Minc publicou em seu site uma nota de esclarecimento, corroborando o que eu já havia explicado aqui e justificando seus critérios.

Desde hoje cedo a internet brasileira está em polvorosa a notícia dada por Mônica Bergamo de que Maria Bethânia teria conseguido autorização do MinC (Ministério da Cultura) para captar R$ 1,3 milhão e criar um blog. As manifestações, vindas de diversos setores da sociedade, começando pela mídia, passando pela classe artística até chegar aos miguxos da internê, são carregadas de revolta e, infelizmente, muita desinformação. O cantor Lobão teria afirmado no Twitter: “DEVOLVE A GRANA, BETHÂNIA!“.

Nunca é demais repetir, e estou tentando ser o mais didático possível: não estou aqui para defender Maria Bethânia, confesso que não sou seu admirador ou público alvo, e que a única memória que tenho da cantora é a inesquecível personificação do Didi.

Mas como produtor de conteúdo e cidadão, acho que cabe um esclarecimento a quem não conhece direito os (complexos) mecanismos de incentivo fiscal: o fato do MinC ter, conforme a nota afirma, “AUTORIZADO A CAPTAÇÃO“, não quer dizer que os bolsos das calças largas de Bethânia estejam R$ 1,3 milhão mais gordos – e sim, que ela tem autorização para, junto a patrocinadores privados, ralar para conseguir essa quantia. Se ela merece, ou se vai ou não conseguir, são outros méritos.

Como a nota não esclarece e ainda não houve manifestação do MinC, não é possível saber quais serão os mecanismos legais (leis de incentivo) utilizados – mas como regra geral, o patrocinador tem o direito de abater seu investimento de cerca de 4% do imposto de renda devido. Ou seja, uma empresa que paga R$ 100,00 de IR por ano pode dar R$ 4,00 para o blog da Bethânia, e pagar R$ 96,00 pro governo. Simples assim.

Ou seja, NÃO HÁ, diretamente, investimento de dinheiro público. O dinheiro da isenção poderia ser usado para outros fins? Poderia, bem como para financiar outras obras culturais. A minha, ou a sua. Achar que o dinheiro poderia ser usado para construir creches, bibliotecas ou hospitais é nobre, mas não funciona na prática: essas áreas já contam com recursos próprios, diga-se de passagem, muito superiores aos da cultura. Se são bem usados ou não, não cabe a mim dizer, estou apenas explicando, o mais didaticamente possível, como as coisas funcionam. Ok? Então continua lendo antes de jogar esse leito hospitalar na minha cabeça!

Qualquer cidadão pode inscrever um projeto cultural (seja de cinema, literatura, TV, música, teatro ou mesmo, blog) junto ao MinC para obter recursos de isenção fiscal. Como o dinheiro eventualmente captado não sai do orçamento público, ninguém vai deixar de construir escolas, creches ou hospitais por causa disso. É um mecanismo legal, de acesso teoricamente democrático, utilizado em obras como Cidade de Deus e… Xuxa e os Duendes.

Se você busca uma forma mais simples de financiar sua obra, existem os editais públicos, disponibilizados no próprio site do Minc, que aí sim, fornecem verba para a realização de projetos, mas com regras claras e amplamente divulgados pela imprensa. Confira aqui os editais em andamento.

No site do MinC: entenda a renúncia fiscal.

ANTES DE COMENTAR, LEIA. POR FAVOR. É IMPORTANTE. TE PEÇO DE JOELHOS:

Muita gente tem manifestado sua insatisfação quanto ao projeto aqui. Salvo comentários de baixo calão, todos serão expostos para que possamos ter uma discussão saudável e democrática – mesmo os que tentam me agredir pessoalmente, sei lá eu por quê. Mas se você acha que teve seus direitos de cidadão violados, por Maria Bethânia, por Gil, por Caetano ou sei lá mais quem, acesse o site do MinC e manifeste lá a sua indignação. A MINISTRA NÃO VAI ENTRAR AQUI PARA LER, ENTENDE??!?!?

E por favor, antes de comentar, LEIA O POST TODO, em especial, a parte em que digo QUE NÃO ESTOU DEFENDENDO MARIA BETHÂNIA, Gil, Caetano e sei lá mais quem, e apenas e UNICAMENTE EXPLICANDO TIM-TIM POR TIM-TIM como funciona o incentivo fiscal.

Deus, eu me sinto como uma professora primária.

Pre-teaser do Lanterna Verde

novembro 14th, 2010 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (8 Comments)

Tá quase! As primeiras cenas do filme do LANTERNA VERDE acabam de ser divulgadas pelo ET – apenas 30 segundos do trailer que será exibido essa semana antes de Harry Potter e o Segredo de Whatever.

Bom, se já é arriscado julgar um filme pelo trailer, o que ser dirá de apenas 30 segundos. Ainda é cedo para emitir qualquer opinião, e é lógico que já tem nerd esperneando, reclamando da roupa, do ator, do roteiro que ninguém conhece ainda.

Eu, parcimonioso e evoluído que sou, vou  manter minha expectativa controlada sobre essa OBRA PRIMA ENVIADA PELOS CÉUS DESTINADA A SALVAR A RAÇA HUMANA E SER O MELHOR FILME DE SUPER-HERÓI TODOS OS TEMPOS!

Comento, abaixo, algumas coisas que me chamaram a atenção nesses maravilhosos 30 segundos:

O uniforme parece funcionar bem na tela. Ele realmente parece de energia, e não somente um tecido verde, como é nos gibis. Faz todo o sentido. Repare que a bateria está sobre a mesa. Ou você achou que era uma Heinekken?

O anel não tinha muito segredo, e vai ser bem fiel ao da Tropa dos quadrinhos, sem o círculo que envolve alguns anéis como o de Hal.

Me chamou a atenção o fato do voo do Hal ser meio tremido, como se ele estivesse aprendendo a dominar o anel. Também curti a aura de energia ser meio esfumaçada.

SINESTRO. Atrás dele, um anel gigante, talvez usado por Mogo em uma montanha.

KILOWOG, POOZERS! Achei simplesmente perfeito. Repare como o tom de verde do uniforme dele difere do de Hal.

OA?

Aqui, Hal Jordan ensina aos desenhistas de quadrinhos como o punho realmente se parece em perspectiva.

Aqui um ponto polêmico: a máscara. Ainda não estou 100% convencido, e acho que teremos uma impressão mais definitiva quando o trailer for divulgado.

Assista às cenas abaixo:

Lost – The End

maio 26th, 2010 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (33 Comments)


Imagine que você está numa ilha deserta. Não tem fome, mas comeria, nem sede, mas tomaria um suquinho. A brisa acaricia seu rosto e o barulho das ondas aquece seus ouvidos. Em sua mão, está uma garrafa de vinho, como a de Jacob. Você a gira, gira, gira, vira de cabeça pra baixo e, graças à uma rolha, o precioso líquido não sai.

Agora, imagine que o vinho é algo menos vil que o mal encarnado. Trata-se apenas dos lugares comuns, do marasmo criativo, dos pontos de virada, dos casamentos em final de novela, Syd Field. E a rolha é a ilha de Lost – que durante seis anos, impediu que esses males tocassem nossas vidas.

Aí vem um desgramadumafiga e me quebra a garrafa.

Quase tudo já foi dito sobre o final de Lost. Não vou ficar aqui contando quantas horas da minha vida gastei assistindo às seis temporadas (85), exigindo respostas que eu já sabia que nunca viriam, nem discutindo os méritos dos criadores. Vou me limitar a dar a minha opinião, que reflete as dicotomias da série.

Amei o final de Lost. Foi bonito e tocante. Encerrou de maneira digna a jornada de seus personagens, nos deu algum conforto e uma boa dose de reflexão. Em termos narrativos, foi perfeito, satisfez a todos que acreditam no velho papinho de que “é sobre os personagens”, satisfez a quem, como eu, já tinha desencanado dos mistérios, satisfez a dona-de-casa que há em cada um de nós.

Porém, como num flash-sideway, odiei o final de Lost. Com a garrafa quebrada, não teve rolha que segurasse a enxurrada de clichês que atingiu o mundo. Teve beijo, teve “eu te amo”, “eu também”, teve luta (na chuva!) do mocinho contra o bandido, teve reencontro com o pai, não teve casamento, mas teve igreja.

E teve o diabo do purgatório, a verdadeira natureza dos flash-sideways (se você é daqueles que acham que todos morreram no primeiro episódio, por favor, assista de novo). O problema pra mim não foi a saída criativa em si, mas o fato de que qualquer outra série poderia ter terminado com os personagens se dando conta de que estão mortos.

E Lost nunca foi uma série qualquer. Lost transformou palavras como “constante”, “números”, “escotilhas” e “candidatos” em histórias. Bastava um 23 ou um nome riscado aparecerem na tela, para que teorias incendiassem as redes sociais – fenômeno aliás, indissociável da série.

Durante seis anos, Lost ousou em temas como fé, ciência, religião, amor, viagens no tempo, vida após a morte. Palavras que parecem se acotovelar quando colocadas numa mesma frase, usadas para contar uma história. Que pode não ter tido nem pé nem cabeça, mas que nos fez pensar, chorar e, acima de tudo, nos divertir.

Por isso, encerro a jornada grato e satisfeito. Lost terminou sem um final à altura. Mas como disse o próprio Jacob (o maior perdido de todos, cá entre nós), qualquer coisa que acontece antes, é apenas progresso.

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