YabloG! - Archive - Resenhas

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Atenção! Vou dividir esse texto em três partes: a primeira para quem já terminou de ver a primeira temporada, a segunda para quem ainda não terminou, ambas SEM SPOILERS. A terceira parte é COM SPOILERS sobre os personagens da segunda temporada e só é recomendada para… bem, não é recomendada para ninguém que não tenha assistido à segunda temporada, ou seja, não serve pra nada. Eu devia é estar escrevendo meu terceiro livro ao invés de perder tempo com essa bobagem… mas enfim.

Preparados? Então vamos lá!

Pra quem já viu a primeira temporada:

A chamada da AXN não poderia ser mais bem acertada: TUDO MUDARÁ. Se você acha que já tem mistérios o suficiente sobre a escotilha, os números, os outros e o monstro Lostzilla prepare-se: vem muito mais por aí.

Muitas respostas são reveladas logo nos primeiros capítulos da segunda temporada, inclusive o que há dentro da escotilha. Descobrimos mais coisas sobre “os outros”, mas eles talvez não sejam bem o que esperamos. Em dado momento da série, alguns se perguntam se não há muitas respostas num período muito curto de tempo, só para descobrir que mais e mais perguntas surgem a cada episódio. Ô seriado porreta!

E a qualidade? Cai?

Felizmente, Lost não sofre da síndrome da segunda temporada, à qual muitas séries acabam sendo canceladas pois não conseguem prender seus telespectadores. Nesse quesito, Lost é um verdadeiro calabouço. A segunda temporada começa de forma genial, mantém-se muito bem nos três primeiros capítulos depois dá uma caída na qualidade por uns dois ou três episódios antes de voltar à velha forma. Atualmente no décimo quarto episódio, assistí-la é um vício compulsivo para milhares de fãs.

O grande mérito dos produtores foi ter dado uma nova direção à série antes mesmo que ela começasse a dar sinais de cansaço. Ainda muito ligada aos personagens, principalmente Locke e Jack, a série agora traz desafios psicológicos tão grandes para eles que sobreviver na ilha passa a ser, definitivamente, o menor de seus problemas.

E a **** dos números?

Você vai continuar ouvindo falar MUITO neles.

Teremos novos personagens?

A segunda temporada aumenta consideravelmente o universo de personagens da primeira. Teremos novos e importantes personagens esporádicos e alguns fixos que injetam sangue novo na história.

Alguém morre?

A contagem de corpos continua com um personagem muito querido dando adeus ao elenco.

Pra quem não viu a primeira temporada:

Prepare-se e não perca um só episódio: os primeiros episódios da segunda temporada fazem TUDO valer a pena. Sem mais por enquanto para não estragar surpresas.

Pra quem quer spoilers de montão!!

Só para quem já está vendo a segunda temporada. Eu avisei, hein? Para ler, marque o texto em branco abaixo:

Ana Lucia

Interpretada pela mulher-macho Michelle Rodriguez, de Swat, Resident Evil e Velozes e Furiosos, filmes em que fez exatamente o mesmo papel. Latina durona, cheia de frases de efeito e um rostinho que… ai, ai. E o sorriso então? E as pernas? E a…?

Ah, Ana Lucia… encheu o Sawyer de porrada, manda até no Mr. Eko e tem frases de efeito que deixariam as Gilmore Girls sem fala. Mais durona que ela, só Chuck Norris.

Frase de efeito: “Quando eu mandar você fazer algo, você faz. Eu digo ande, você anda. Eu digo pare, você para. Eu digo pule, o que você diz?”

Mr. Eko, Zé Pequeno, Jesus Stick

Simplesmente a melhor coisa da segunda temporada. Mr. Eko é interpretado magistralmente por Adewale Akinnuoye-Agbaje (duvido você falar três vezes, aliás, uma vez só tá bom), de Oz e A Identidade Bourne.

Frase de efeito: “Mr. Eko é o c*****! Meu nome é Zé Pequeno, p***!” (ok, ele não fala isso, mas bem que poderia)

Desmond

Esse sim é meu BROTHA!! O resto é colega! Interpretado pelo filho um escocês com uma peruana, Henry Ian Cusick era bem desconhecido até interpretar o sinistro personagem ligado ao passado de Jack que chama todo mundo de brotha. Dizem que ele vai voltar em episódios futuros.

Frase de efeito: “See ya in another life, BROTHA!”

Barba, Mendigo do Pânico, Zeek, Mr. Friendly

Esse sinistro personagem ainda não teve seu nome revelado e só participou rapidamente de dois episódios. Aparenta ser o líder dos Outros. Sequestrou Walt, botou Jack, Locke, Sawyer e Kate pra correr e ainda conhece todos os sobreviventes pelo nome… isso sem tomar um único banho!

Frase de efeito: “Essa não é a sua ilha. É a nossa ilha.”

Rousseau, French Chick

A dona da sinistra voz ouvida no primeiro episódio ainda não deixou claro se é inimiga ou aliada, e aparece esporadicamente para ajudar nossos heróis. É uma espécie de Power Ranger Verde.

Frase de efeito: “Ele é um deles!” (ela só fala isso…)

Bambi 2 – O grande príncipe da floresta

fevereiro 16th, 2006 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

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O grande barato de ser criança está no olhar. Ver absolutamente tudo o que está ao redor com surpresa e curiosidade. Walt Disney sabia disso. Sua genialidade nunca esteve no roteiro, nem mesmo no traço, que, segundo reza a lenda, não era lá grandes coisas. Mas sem dúvida foi o homem certo na hora certa, que aproveitou seu momento e reciclou velhas fábulas infantis em clássicos do cinema, reinventando-os com sons e cores até então jamais vistos.

Bambi, de 1942, foi o quinto longa-metragem de Walt Disney para a telona. A história, totalmente circular, causa encanto e nostalgia até hoje justamente por mostrar o mundo, com tudo o que tem de bom e ruim, pelos olhos de uma criança, no caso, um filhote de cervo. Os primeiros passos, a primeira chuva, as estações do ano, a perda de um ente querido e, finalmente, a idade adulta e a chegada dos filhos (parte do filme estranhamente esquecida por todos).

Nos dias de hoje, Bambi pode parecer uma aberração para os padrões quadradinhos da indústria. Sua mãe morre a tiros, seu pai parece pouco se lixar para ele e o filme não traz nenhum discurso ressaltando a importância do diálogo entre pais e filhos. Nada disso é um defeito a ser corrigido; trata-se apenas do retrato de uma época, uma indústria, um criador e, é claro, da própria história original, publicada em 1923.

Mais de seis décadas depois, resolveu-se consertar o que não estava quebrado. Não existe um propósito claro para a existência de Bambi 2. Trata-se de um remendo desnecessário, que preenche a lacuna entre a infância e a adolescência do personagem mostrados no original. A seqüência também passa por uma “malufização” e refaz a imagem do pai. Antes totalmente frio, incapaz de dizer uma palavra ao filho que acaba de perder a mãe, ele é transformado em uma figura terna, um herói. É a atual obsessão estadunidense de se discutir a relação com os próprios filhos.

A animação, apesar de a rigor ser bem feita, tem erros crassos e cenas preguiçosas, com personagens sem sombras e animais correndo em loop ao fundo. Os recursos digitais usados para fazer os cenários parecem não ter aproveitado os mais de 60 anos de vantagem e conseguem ser inferiores aos do original. Anos que também trataram de contaminar o roteiro com toda a “contemporaneidade” hollywoodiana e seus clichês obrigatórios como o reencontro em sonho com a mãe morta, uma piada sobre flatulência e até um vilão que faz piada sobre a sexualidade de Bambi (!!!). Morte e ressurreição causada por uma lágrima? Pode apostar!

O novo filme é ideologicamente antagônico ao primeiro. Nada mais tem cheiro de novo, nem para adultos nem para crianças, hoje muito mais espertinhas do que há sessenta anos. Com motivos de sobra, Bambi 2 entra com todas as glórias para o hall das sequências constrangedoras e caça-níqueis da Disney.

Bambi II – O grande príncipe da floresta
Direção: Brian Pimental
Vozes no original: Patrick Stewart, Alexander Gould, Andrea Bowen, Anthony Ghannam

Lost – O que esperar da primeira temporada

fevereiro 7th, 2006 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Como todos devem saber, a GloBBBo está exibindo a primeira temporada da minha série dramática favorita, Lost. Para ajudar a situar a vindoura legião de fãs, preparei um pequeno guia sobre a série e seus personagens, sem spoilers. Quando a segunda temporada for exibida pelo AXN, tratarei de fazer o mesmo.

Bom, vamos lá:

O que é?
Lost é uma série dramática diferente de tudo o que você já viu na TV, a começar pelo número de personagens: são ao todo 48 sobreviventes de um desastre de avião, dos quais conhecemos a fundo por volta de 10.

A história começa com a queda do avião da Oceanic Airlines, partido de Sydney com destino a Los Angeles. Após se partir ao meio em pleno vôo, as partes do avião caem sobre uma ilha e milagrosamente muitos de seus passageiros sobrevivem.

Antes completamente desconhecidos, agora eles precisam se unir para sobreviver e desvendar os mistérios da ilha, que incluem árvores que se contorcem violentamente, seres que gritam e sussurram à noite e toda sorte de bizarrices.

O que não é?
Por mais estranhos que possam parecer os fenômenos, Lost não é uma série de bizarrices inexplicáveis como Arquivo-X. Um dos grandes trunfos são os personagens. Cada episódio trata de um deles, mostrando quem ele é e o que fazia antes da queda do avião. Dessa forma, um intrincado quebra-cabeças vai se formando, quando a uma certa altura você percebe que nada – e nem ninguém – está ali por acaso.

Quem criou?
JJ Abrams, criador de Alias e Tristicity, digo, Felicity, em parceria com Damon Lindelof e Jeffrey Lieber.

JJ Abrams tem um currículo televisivo invejável, pois além de atualmente ser o produtor mais badalado dos EUA, revelou ao mundo Jennifer Garner em Alias. Apesar disso, ele também já deu suas derrapadas na vida. Alguém aí se lembra do final de Felicity? Eu nunca vou esquecer, já que ela simplesmente volta no tempo numa série que até então era tão científica e profunda quanto sua contemporânea Dawson’s Freak. Hoje estou mandando ver nos trocadilhos.

Na verdade esse é meu único medo, certamente compartilhado por milhões de telespectadores ao redor do mundo. Que, no último episódio da série JJ Abrams invente uma desculpa estapafúrdia do tipo “eles estavam mortos desde o primeiro episódio”, “eles estavam no inferno” ou “num reality show perverso exibido por alguma emissora de TV”. Felizmente, essas três hipóteses já foram negadas pelos produtores.

O que são os tais números?
Nunca numa série de TV um elemento teve tanta repercussão quanto os misteriosos números de Lost. 4, 8, 15, 16, 23, 42. É tudo o que você precisa saber.

Quem é quem?
Abaixo, algumas informações sem spoilers de alguns dos personagens principais.

 Jack: um médico bonitão, interpretado por Mattew Fox, de Party of Five. É o líder do grupo, um cara centrado, cético, que às vezes tem uns ataques de histeria. Mas é um bom rapaz.

 Locke: foi considerado pelos americanos o personagem mais sinistro da TV. Fique de olho nele. É um caraquinha estiloso, interpretado pelo famoso Terry O’Quinn, do qual eu nunca havia ouvido falar.

 Kate: mundialmente conhecida como a versão bonita da Alanis Morissette. Evangeline Lilly é um dos melhores motivos para se ver TV hoje em dia. A moça também é engajada e antes de ser atriz era modelo e se dedicava às causas humanitárias como a fome na África. Podia vir fazer uma caridade aqui em casa também…

 Sawyer: tudo o que uma pessoa tem de ruim ele tem: é egoísta, desonesto, salafrário, boca-dura… nenhuma mulher resiste, claro.

 Hurley: o gordinho mais carismático da TV é também peça chave em todo o mistério de Lost. Interpretado por Jorge Garcia, duuuude.

  Jin e Sun: um casal de coleanos que non fala inglês, né? E tem glaaande segledo, né?

 Claire: o sotaque australiano fica quase suportável na voz da bela Emilé de Ravin, uma loirinha tão gracinha que parece que vai quebrar.

 Charlie: interpretado pelo ex-hobbit Dominic Monaghan, é um roqueiro fracassado e caído no esquecimento, quase um Dado Villa-Lobos inglês (maldade).

 Boone: aparentemente não tem muitos mistérios além de como ele faz para manter a sobrancelha levantada daquele jeito. Interpretado por Ian Sommerholder, que vivia fazendo pontas em séries como Smallville, onde interpretou um jovem problemático (e quem não é naquela cidade?) que namorou Lana Lang (e que não namorou?) que teve muitos problemas com Lex Luthor (e quem não teve?). Obviamente foi ajudado por Clark (e quem não foi?) antes de morrer (e quem não morre em Smallville???). Acho que ele fez Dawson’s Creek também… ah, não. Foi aquele filme com o Dawson, “The Rules of Atraction”.

 Shannon: parece que está provado, ser loira e gostosa aumenta suas chances de sobreviver a uma queda de avião. O que não é ruim de forma alguma, Maggie Grace é uma… graça. Esse trocadilho foi péssimo.

 Michael: polivalente, o ator Harold Perrineau já fez papel de travesti e de operador da Nabucodonossor em Matrix Reloaded e Revolutions em interpretações que achei medianas. Também já interpretou um presidiário (como todo ator negro) em Oz e um ser meio andrógino em Romeo + Julieta. Como Michael, ele interpreta um arquiteto que nunca teve contato com o filho de 10 anos, que agora começa a conhecer na ilha. Bom, tempo eles vão ter de sobra.

 Walt: criança que não faz papel de meiga faz papel de louca ou de assombração. Qual deles Walt é? Brrrrr, esse moleque me dá medo.

 Sayid: um iraquiano no meio de um avião repleto de americanos, dá pra imaginar? Apesar do sotaque carregado, Sayid manda muito bem nos phrasal verbs e em umas conjugações verbais bem loucas que nem minha professora de inglês sabia fazer. É, outro mistério da ilha… Interpretado pelo excelente Naveen Andrews, é um dos personagens mais queridos da série.

French Chick: a voz ouvida no primeiro episódio. Éeeeee… essa é sinistra! Sem mais detalhes nem foto.

Episódios-chave:
Em geral, todos os episódios de Lost são bons. Alguns são fracos, e tem uns que são simplesmente sensacionais. Esses são os que você não pode perder de jeito nenhum, pois além de serem muito bem escritos, contém pistas do mistério envolvendo a ilha:

1-2: O piloto da série. Sem trocadilhos, é o piloto mesmo!!

4: Walkabout: Sobre Locke.

9: Solitary: Sobre Saiyd.

10: Raised by another: Sobre Claire.

11: All the best cowboys have daddy issues: Sobre Jack

14: Special: Sobre Michael e Walt. Brrrr…

15: Homecoming: Sobre Charlie.

18: Numbers: Sobre Hurley e os MALDITOS NÚMEROS! Esse é genial.

23, 24 e 25: Exodus, episódios finais da primeira temporada, que junto com o CSI de Tarantino foram a melhor coisa que passou na TV em 2005.

Harry Potter e Nárnia

dezembro 28th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Bom, já que fiquei devendo comentários sobre dois dos maiores blockbusters da temporada, resolvi falar de ambos e fazer algumas comparações.Pra começar, eu esperava mais de ambos. Primeiro, Harry Potter.

Veja bem, todo mundo sabe que eu não sou nenhum adorador fervoroso da série. Acho tudo comercial demais, grandioso demais, ambicioso demais. Não acredito em clássicos que nascem da noite para o dia, que viram febre e depois tendem a entrar em declínio para serem substituídos como massa de tomate numa prateleira de supermercado.

Porém confesso que gostei bastante do terceiro filme, porque mesmo não tendo lido o livro, consegui acompanhar a história, me envolver e sentir como se estivesse sim, assistindo a um FILME e não um livro filmado, como é o caso do primeiro.

Infelizmente esse deslize é cometido no quarto filme. Não, não li o livro, nem tenho vontade de ler. Por isso acho que o filme tinha a obrigação de me agradar. Mas é longo demais, dá voltas demais, enrola demais. Entendo que seja uma história adaptada de um livro longo, mas adaptar é isso mesmo, cortar, aparar, decepar. Eu tiraria facilmente uns 40 minutos do filme.

Achei também que os atores estavam melhor dirigidos no terceiro filme. Basta comparar as cenas da Hermione, que vez por outra solta uns grunhidos totalmente desnecessários que deixam a personagem ainda mais chata.

Mas o filme tem sim seus méritos, vai. Eu não compraria o DVD, mas acho que a ida ao cinema valeu a pena pelos efeitos e pela boa história que acabou se perdendo na direção e roteiro confusos. É também curioso notar a verdadeira ode à puberdade que o filme se transformou. Aquele Krum está mais para The O.C. do que Harry Potter, mas enfim.

Bom, já As Crônicas de Nárnia tem exatamente o mesmo problema de Harry Potter. Não é porque é “Disney” como adoram dizer pejorativamente. É porque é como se fosse um livro filmado. Passagens longas demais, personagens literais demais, e ainda com uma enorme desvantagem chamada Senhor dos Anéis, que transformou qualquer cena de batalha que veio depois em lugar comum. Mesmo tratando-se de uma história completamente diferente, o “cheiro” do filme já é meio velho, datado. Apesar dos efeitos soberbos, a direção de arte e fotografia deixam muito a desejar, deixando o filme sem personalidade, comum, normal. Achei bem fraquinho.

Um filme que acho que fez um trabalho soberbo na adaptação de um livro foi “Desventuras em Série“. Esse sim deveria ser o referencial e divisor de águas para as adaptações infantis. O filme corta o que tem que cortar, afinal são três livros em duas horas, é contado de uma maneira sucinta e sem exageros e ainda tem uma direção de arte que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Sem dúvida dá um banho em Harry Potter e Nárnia juntos.

Chicken Little

novembro 18th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Acho que as pessoas andaram pegando muito no pé do pobre do Chicken Little. Assisti ao filme esse final de semana, meio à contragosto, mas tudo pelas crianças.

Olha, não achei ruim, não. Tudo bem que a minha expectativa já não era daquelas, mas confesso que não entendi a enorme onda de críticas ranzinzas que o filme recebeu, e que de forma alguma se refletiram nas bilheterias. As crianças estão sim, gostando do filme, que superou as expectativas mais otimistas em relação a público e faturamento.

Talvez seja aquele hábito esquisito e mórbido que leva as pessoas a sorrir com a queda de golias como a Disney, ainda mais quando os davis em questão são jovens e queridos como a Pixar.

A principal crítica que o filme recebeu é que sem a Pixar, ele é “apenas” um tradicional filme da Disney. Ora, mas isso não é óbvio? A Pixar é uma coisa, a Disney é outra completamente diferente. São e sempre foram estruturas separadas, como é deixado claro em todo começo de filme com “Disney apresenta um filme da Pixar Animation Studios…”. Uma se preocupa em criar e realizar os filmes, a outra em vendê-los e transformá-los em todo tipo de objeto de consumo irracional. Simples assim.

Os filmes da Pixar são realmente mais ousados, mas não se engane, essa “ousadia” é tão milimetricamente traçada quanto o “tradicionalismo” da Disney. São empresas com propostas diferentes, mas destinadas ao mesmo público: famílias brancas com dinheiro para ir ao cinema e comprar DVDs e brinquedos. Acredite, quem quer que esteja fora desse público não interessa a nenhum dos dois estúdios. Me incomoda a percepção e até a torcida contra a Disney em favor da Pixar, dando a impressão de que se trata de uma luta de mocinho e bandido quando as duas são essencialmente farinha do mesmo saco.

Sobre o filme? Ah. É Disney, ué. Família. Músicas. Roteirinho básico, bonitinho, quadradinho, inofensivo. Daqui a 5 anos ninguém vai se lembrar, destino que fatalmente recairá também sobre Procurando Nemo.

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