YabloG! - Archive - Resenhas

Hello-o?

fevereiro 28th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (4 Comments)

Sabe o que eu estava reparando esses dias? Nos filmes americanos, todo mundo fala inglês. Até aí tudo bem, não me incomoda o fato de que mexicanos, japoneses e chineses falem inglês em hollywood. A única coisa que acho estranha é que, independente do sotaque do cara, e da natureza de sua língua, ele SEMPRE faz as construções gramaticais certinhas. Ele nunca engasga na hora de falar, chega recitando discursos inteiros na lingua do “countre” dele e ai de quem interromper. A única coisa que entrega é o sotaque. Já reparou?

Ele sabem tudo: past participle, perfect, phrasal verbs, irregular verbs, quando é has been, had had, but, however, whereas, therefore, thus, tudo! Pô, se o cara tem uma gramática tão boa, a primeira coisa que ele teria perdido seria o sotaque, não? =P

Whatever…

Espanglês, Peixe Grande e A vida de David Gale

fevereiro 27th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Rápidos comentários sobre os filmes que vi esse final de semana:

Espanglês – com Adam Sandler, Téa Leoni e Paz Vega. Estréia na próxima sexta-feira. Não é “oooh, que filmão”, mas é divertido, ainda mais para um filme com Adam Sandler. A história mostra a família de John (Sandler) e Débora (Leoni), que precisa de uma babá em casa e contrata a mexicana Flor (Vega) para o trabalho. O único detalhe é que ela não fala uma palavra em inglês. As piadas sobre o abismo cultural entre os personagens são boas e, até certo ponto, honestas. O problema é que as vezes o filme se perde um pouco, cai em alguns clichês e sub-aproveita alguns personagens, tornando-os totalmente irrelevantes na trama (eu por exemplo não lembro da cara do filho do casal…). Mas é uma boa diversão. Eu conheço uma pessoa que também trabalhou na casa de americanos que vai adorar esse filme… ^_~

Peixe Grande: gostei, mas esperava mais. É bonito, bem filmado e dirigido, um grande trabalho de Tim Burton mas… esperava mais. A história peca um pouco, tem muitos clichês e é bem previsível. Acho que poderia desafiar um pouco mais a audiência, ser mais ousado. Sabe o que Peixe Grande me lembrou? Um dos meus livros favoritos, “A Casa da Madrinha”, de Lygia Bojunga Nunes. Não leu? Pois deveria.

A vida de David Gale: ah, esperava mais. Meio previsível, meio fácil demais. Vale pelo Kevin Spacey e Kate Winslet, ótimos como sempre. Mas…

O chamado 2

fevereiro 25th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Elenco: Naomi Watts, Simon Baker, David Dorfman, Elizabeth Perkins, Gary Cole, Sissy Spacek, Ryan Merriman, Emily VanCamp, Kelly Overton

Quem não conhece uma boa lenda urbana? São aquelas histórias como a da loira do banheiro, que aparece por todos os colégios do Brasil para qualquer estudante que a invoque ao praguejar três palavrões. O fetiche por esse tipo de conto já rendeu incontáveis conversas por acampamentos e mesas de bar mundo afora. Felizmente (ou infelizmente, no meu caso) a lenda da loira do banheiro jamais foi confirmada.

O Chamado (2002) conta a história de uma dessas lendas, sobre uma fita VHS que leva seu espectador à morte sete dias após tê-la assistido. Nesse tempo, o infeliz ainda é assombrado pela bizarra Samara Morgan, uma menina amaldiçoada que foi morta pela mãe adotiva. Considerado um dos melhores filmes de terror dos últimos anos, trata-se da refilmagem quase literal do japonês Ringu, de Hideo Nakata, 1998.

Nesta versão hollywoodiana, a jornalista Rachel Keller (Naomi Watts) investiga a morte da sobrinha, aparentemente relacionada ao tal VHS. Com a competentíssima direção de Gore Verbinski e a fotografia de Bojan Bazelli, o filme supreendeu o mundo ao apresentar uma atmosfera sinistra e fatos estranhos que não são necessariamente explicados – elementos típicos do horror japonês. A “suspensão temporária da descrença” faz-se primordial para entrar no clima da história. Como em toda lenda urbana, não adianta perguntar ou tentar entender os fenômenos. O bizarro é bizarro e pronto!

E haja suspensão temporária da descrença para assistir a O Chamado 2, agora dirigido pelo criador da franquia: Hideo Nakata. O filme continua a história do primeiro, com Rachel e seu filho Aidan (David Dorfman) recomeçando suas vidas após terem sido assombrados por Samara. Mas como tudo que é bom dura pouco (e, em Hollywood, gera continuações), a tranquilidade deles é logo interrompida.

Um adolescente (sempre eles) acaba morto após assistir a uma cópia da fita amaldiçoada e, para piorar, a terrível Samara continua assombrando Rachel, com o objetivo de possuir o corpo de Aidan. A trama se aproxima superficialmente dos personagens e introduz novos, como a dispensável mãe natural da fantasminha nada camarada.

Sem os elementos surpresa gastos no primeiro filme – como a expressão assustadora de Samara, o estado em que ela deixa suas vítimas e os apavorantes cinco minutos finais – não há muito o que se fazer a não ser seguir por um caminho seguro. Foi exatamente esta a decisão tomada pelos produtores e, até certo ponto, eles estão certos. A história repete alguns elementos do primeiro, reproduz com fidelidade seu clima sombrio e nos dá alguns sustos aqui e acolá. Se por um lado o filme fica muito aquém de seu predecessor, por outro ele ao menos se salva do constrangimento típico das continuações do gênero. Acredite, se você achar O Chamado 2 ruim, agradeça aos céus por não ter visto o original japonês (Ringu 2), que nos apresenta uma bizarra versão da Samara, mais veloz, mais furiosa… e em papel machê. Isso sim é que é um horror!

Em busca da Terra do Nunca

fevereiro 5th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Oh, boy.

Acabei de chegar do cinema. Fui assistir a “Em busca da Terra do Nunca”, inspirado no livro “The man who was Peter Pan”, que por sua vez é inspirado na vida de James Mathew Barrie, criador da famosa obra.

O que eu achei? Putz, adorei. Achei muito bonito mesmo. O filme tem um roteiro gostoso (embora meio “amarrado” e previsível em alguns pontos), uma direção competente e uma história fascinante. Pena que se trata de uma adaptação, ou seja, muitos fatos foram colocados, tirados ou alterados drasticamente, então não dá pra saber exatamente o que é “real” ou não. Independente disso, o filme é uma delícia.

Minhas ressalvas: acho que Johnny Depp não está em sua melhor performance. Digo, ele está ok, mas não é nenhuma atuação genial como as que ele mesmo se acostumou a nos dar. O filme também usa alguns recursos bem facinhos e banais para fazer você chorar, meio que em detrimento da história. Mas passa.

Eu contra os filmes

janeiro 28th, 2005 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (Comentários desativados)

Tem gente que diz que eu sou chato com filmes, que só sei falar mal. Mas não é isso, em absoluto. Meu problema é com filmes que seguem obsessivamente os tais “três atos”, introdução, conflito e resolução, “gravadas em placas de bronze por Syd Field” (Manual de Roteiro, da Fic, lançado pela Conrad ano passado).

É sempre a mesma coisa, geométrica, milimetrica e entediantemente chata! Nos primeiros 20 minutos, temos o primeiro ato, onde somos apresentados ao personagem principal e seu problema. Junto com o problema temos a tal “sacadinha número 1″. Depois, temos o segundo ato, com talvez uma “sacadinha número 2″ e o personagem partindo para o seu desafio. Depois, temos a resolução, onde o personagem se lembra das “sacadinhas” número 1 e 2, e consegue matar o filme, para o deleite da platéia e desespero da minha parte.

O que eu quero dizer é: por que raios nos últimos momentos do filme o personagem principal tem que se lembrar daquilo que alguém falou pra ele nos primeiros 20 minutos, ou perceber que o vilão tem o mesmo cagüete do seu amigo gago de infância, convenientemente escondido lá no começo da história? Pra quê? Pra você falar “Ahhhh”? Eu não. Eu digo “Méeee”.

É chato. Massante. Não te desafia, não te leva para nenhum lugar novo. Pode analisar, a grande maioria dos filmes é assim. Nem todos são ruins, confesso, como “O Exterminador do Futuro 2″ e “Os 12 macacos”. Mas acontece que esse modelo já deu o que tinha que dar. Hoje em dia não rola assistir a “Piratas do Caribe”, “Demolidor”, “Minority Report”, “Eu, Robô” e tantos outros que só procuram seguir a regrinha sagrada e pronto. Temos um filme ruinzinho, mas que ainda surpreende um ou outro gato pingado.

Por isso prefiro filmes que não seguem essa regra, e por isso mesmo são mais soltos, espontâneos, naturais, honestos. Veja por exemplo o filme da minha vida, “Encontros e desencontros”. Qual é o “desafio dramático” do personagem principal? Aliás, quem é o personagem principal? Cadê as sacadinhas número 1 e 2? Não tem nada disso, e o filme é mágico. Ou então, “Amnésia”, aquela doideira alucinante e muito louca. “O Clube da Luta”, “O Agente da Estação”, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança”, “Pulp Fiction”, “Cidade de Deus”, e tantas outras obras-primas que jogam no lixo a tal fórmulazinha mágica. Mesmo “Homem-Aranha 2″, é genial justamente porque é ousado, não é preso a tantas convenções, o Homem-Aranha só sai na porrada com o Dr. Octopus depois da metade do filme, o filme é lento, não é só porrada, e flui que é uma beleza. Tem é claro uma “sacadinha” ou outra, mas usadas adequadamente para contar a história, não pra arrancar um “Ahhhh” sonolento da platéia.

Aliás, sonolento tô eu. Boa noite, crianças.

Tau!

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