YabloG! - Archive - Resenhas

(Sem spoilers)

Wall-E é um filme de Amor.

Todos os anos, pouco antes do lançamento do filme novo da Pixar, críticos do mundo inteiro tentam explicar o porquê do sucesso dos filmes da empresa. Alguns o atribuem ao roteiro, às técnicas de animação, ao carisma dos personagens. Eu não curto esse tipo de análise. Primeiro, porque acho falha: se fosse fácil assim, teríamos dezenas de Pixares surgindo pelo globo cada vez que uma crítica fosse publicada. Segundo, porque desconstruir filmes como se eles fossem relógios descarta os componentes intangíveis presentes – a magia, para os que ainda acreditam – em todo trabalho artístico.

É claro que existe a técnica, o compasso e a maestria do roteiro, e falar deles é invariavelmente cair na mesmice dos críticos e suas notas quebradas e estrelinhas amarelas. Eu não sou crítico, e sim um homem apaixonado gritando de uma colina que insiste em acreditar que existe algo a mais. Nossa vida precisa de mais! Existe a magia, existe o Amor, e ele não pode ser desconstruído e nem explicado.

Não pode. E é por isso que o robozinho Wall-E é praticamente mudo. Ele só diz o próprio nome e o da amada e, ainda assim, é o personagem mais profundo e apaixonante já criado pela Pixar. Wall-E é uma declaração de Amor, e das mais lindas, não apenas ao cinema, à animação e à história da arte, homenageada de maneira soberba nos créditos finais. Mas também à raça, ao espírito humano, e por que não, ao próprio Amor? Durante o filme, várias questões são levantadas – de onde ele vem? Aonde ele fica? E quem se importa?

Amar é correr riscos – e Wall-E é de longe o filme mais ousado da Pixar. Ratatouille também o é num nível mais sutil, às vezes nem sequer percebido pelo público em geral. Alguém sentiu falta de um gato? Pois é. Mas em Wall-E o nível é outro, e as críticas ao consumismo, à alienação, até mesmo à alimentação e sedentarismo que estão transformando uma certa nação imperialista numa terra de obesos são atiradas para todo o lado. Agora sim, os adultos vão ter com o que se identificar num desenho animado. E também se envergonhar e refletir. Em uma de suas múltiplas camadas, Wall-E escancara o apelo ambiental de forma tão brutal que lembra “Uma verdade Inconveniente”, de Al Gore.

Wall-E é um filme de Amor, pelo qual me apaixonei perdidamente. Como todo apaixonado, não vi defeitos. Nem quero. Talvez daqui a alguns anos eu leia essas palavras e ria da minha ingenuidade, da minha inocência, mas ao contrário do carnal, o Amor por filmes como Wall-E está condenado à eternidade.

Hulk Versus O Incrível Hulk

junho 18th, 2008 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (12 Comments)

(Sem spoilers, acho)


“CALÇAAAAAAAAAAAS!”

Eu sou um tipo raro de pessoa: eu sou fã do Hulk. Sempre achei o personagem riquíssimo, ainda que a maioria das suas histórias beire o incompreensível. O grande problema dele é que, por mais rico que ele seja, o coitado não dá muito pano pra manga, especialmente num universo povoado por outros heróis. É paradoxal querer tratar o Hulk como um herói no naipe do Homem-Aranha ou dos X-Men. O bicho é um monstro de pura raiva, burro pra cacete e que só quer ficar sozinho! Não dá pra escrever 30 anos de histórias com isso, muito menos tentar posicioná-lo como uma figura heróica ou inspiracional. O Hulk é por definição, uma doença mental.

Por isso as melhores histórias dele são aquelas que ignoram completamente baboseiras como o Universo Marvel ou a cronologia e se concentram exclusivamente na maldição, no conflito entre homem e monstro. Era assim na série de TV, nas primeiras histórias dos quadrinhos e na fase mega-boga escrita pelo Peter David, onde o Dr. Banner tentou se curar fazendo terapia psiquiátrica.

Aí veio o filme de 2003, que tanta gente meteu o pau. Eu não acho que o filme seja ruim, pelo contrário, eu acho um dos melhores filmes de herói simplesmente porque, assim como Superman Returns, não é um filme de herói comum! Não segue aquela fórmulinha definida de: herói é alguém normal – herói ganha poderes – vilão, que era alguém que o herói já conhecia, também ganha poderes – herói e vilão se pegam na cena de luta final – gancho pro segundo filme.

No filme do Ang Lee, apesar de ter o diabo da luta final, o desenvolvimento é totalmente diferente, é muito mais psicológico, mais lento, onde você vê toda aquela tensão crescendo, todo aquele conflito interno do Banner até que ele finalmente explode e vira o Hulk. Eu acho que o filme inteiro foi brilhante, mas reconheço que derrapou e muito no final. Outro problema gravíssimo do filme foi o diabo do Hulk ser GATINHO! Pô, se eu fosse mulher e verde bem que eu dava meu telefone pra ele. O Hulk não tem que ser gatinho, ele é um badass huge mothafocker que dá um couro no Galactus! Tem que ser grotesco, feio, desajeitado, não gatinho com o peito depilado.


“Me deixa em póz!”

São muitos prós e alguns contras bem pesados. Agora, esse filme novo é meio morno demais, fica muito em cima do muro. Seguiu totalmente à risca a fórmula básica, e caiu nas armadilhas que o próprio personagem possui, começando pela simples verdade de que NINGUÉM peita o Hulk. Não dá, o cara é o mais forte do universo. A solução mais fácil para isso é colocar um cara mais forte que ele pros dois se baterem, e o único final possível para essa história é o Hulk ganhar no muque. Não tem como ele vir com uma sacadinha genial, vencer na inteligência ou surpreender ninguém. Vai ganhar é na porrada mesmo, e é exatamente isso que acontece (ao contrário do filme do Ang Lee, que aliás possui uma cena memorável do Hulk brigando na tempestade com seu pai-elétrico).

Eu achei uma pena, porque pelo que eu li por aí, o Edward Norton queria fazer um filme mais cabeça, que pra mim é a verdadeira essência do Hulk. É legal ver o Dr. Banner morando numa favela, pedindo esmola na rua, passando um perrengue danado, porque ele é um cara que já perdeu tudo, inclusive a humanidade. Só isso já daria um filme legal. Mas as cenas foram tão poucas e pareciam querer mostrar tanto o Hulk o tempo inteiro que o filme acabou ficando meio vazio pra mim. Não vou dizer que desprovido de qualidades, a atuação do Edward Norton carrega o filme nas costas, a computação gráfica está melhor (mas MUITO longe de ser perfeita – algumas cenas pareciam saídas direto do Playstation 3), e a trilha sonora e referências foram bem legais. Ainda assim, acho que não foi dessa vez que o Hulk teve o filme que merecia.

Já que é pra comparar, fiz uma tabelinha com os prós e contras de cada filme:



Hulk – 2003
O Incrível Hulk – 2008
Vencedor
Computação gráfica
Hulk “gatinho”
Hulk Badass
O Incrível Hulk
Estilo do roteiro
Filme cabeça
PORRADA!
Hulk
Dr. Banner
Eric Bana
Edward Norton
Edward Norton
Betty Ross
Jennifer Connely
Liv Tyler
Jennifer Connely
Vilões
Pai do Hulk / Poodles radioativos
Abominável
Pai do Hulk, mas eu dispenso os poodles
Nota Rotten Tomatoes
61%
66%
O Incrível Hulk
Nota YabloG!
8
5
Hulk

Veja que as opiniões no Rotten Tomatoes (que compara críticas de diversas fontes) estão praticamente empatadas. Enfim, sugiro que se você ainda não viu o novo, vá ao cinema e tire suas próprias conclusões. E se você é daqueles que não gostaram do primeiro filme, tente dar uma chance daqui a alguns anos, quando a febre de filmes de super-heróis (finalmente) passar. Você vai ver que ele vai ser um dos poucos que realmente vão destoar como diferentes e originais. ;)

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“Kate… tu é mó irmão pra mim!”

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“TU É MÓ IRMÃO PRA MIIIIM!”

Conforme prometido, aqui estão meus comentários a respeito da melhor temporada de LOST até agora, que fez narizes sangrarem, apêndices romperem e cabeças explodirem!

Como vocês sabem, eu sou mesmo um porco chauvinista! O que eu digo não se escreve! Eu sei que eu fiquei grilado, bodeado, falei mal, resmunguei, esbravejei, praguejei muito com a terceira temporada, que teve altos e baixos. Mas voltei como um cãozinho abandonado, um bezerro desmamado, com o rabinho entre as pernas, depois daquele final animalesco, o maior plot twist da história da TV, no qual, eu admito, caí como um patinho! Quantos animais eu consegui colocar nesse parágrafo?

A PARTIR DAQUI, TEM SPOILERS!

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Pois é, believers e não believers! Jacob, cuja misericórdia é tão grandiosa que é capaz de perdoar até mesmo ovelhas desgarradas como eu, que se perderam no meio do caminho por causa de falsos profetas superpoderosos, trouxe de volta a série mais mega-boga da TV… LOOOOST!

Sabe como é, eu vou rasgar a seda. Então, a partir daqui, tem SPOILERS de montão!

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No Angenipples for you!!!

Assisti ontem à mega-boga pré-estréia de Beowulf, exclusiva para 300 omeletenautas sortudos, e, é claro, a nossa boa e velha panelinha. Quer saber o que achei?? Não? E quem se importa, o blog é meu mesmo e eu escrevo o que eu quiser, tá? >_<

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