YabloG! - Blog do escritor Fábio Yabu

(Sem spoilers, acho)


“CALÇAAAAAAAAAAAS!”

Eu sou um tipo raro de pessoa: eu sou fã do Hulk. Sempre achei o personagem riquíssimo, ainda que a maioria das suas histórias beire o incompreensível. O grande problema dele é que, por mais rico que ele seja, o coitado não dá muito pano pra manga, especialmente num universo povoado por outros heróis. É paradoxal querer tratar o Hulk como um herói no naipe do Homem-Aranha ou dos X-Men. O bicho é um monstro de pura raiva, burro pra cacete e que só quer ficar sozinho! Não dá pra escrever 30 anos de histórias com isso, muito menos tentar posicioná-lo como uma figura heróica ou inspiracional. O Hulk é por definição, uma doença mental.

Por isso as melhores histórias dele são aquelas que ignoram completamente baboseiras como o Universo Marvel ou a cronologia e se concentram exclusivamente na maldição, no conflito entre homem e monstro. Era assim na série de TV, nas primeiras histórias dos quadrinhos e na fase mega-boga escrita pelo Peter David, onde o Dr. Banner tentou se curar fazendo terapia psiquiátrica.

Aí veio o filme de 2003, que tanta gente meteu o pau. Eu não acho que o filme seja ruim, pelo contrário, eu acho um dos melhores filmes de herói simplesmente porque, assim como Superman Returns, não é um filme de herói comum! Não segue aquela fórmulinha definida de: herói é alguém normal – herói ganha poderes – vilão, que era alguém que o herói já conhecia, também ganha poderes – herói e vilão se pegam na cena de luta final – gancho pro segundo filme.

No filme do Ang Lee, apesar de ter o diabo da luta final, o desenvolvimento é totalmente diferente, é muito mais psicológico, mais lento, onde você vê toda aquela tensão crescendo, todo aquele conflito interno do Banner até que ele finalmente explode e vira o Hulk. Eu acho que o filme inteiro foi brilhante, mas reconheço que derrapou e muito no final. Outro problema gravíssimo do filme foi o diabo do Hulk ser GATINHO! Pô, se eu fosse mulher e verde bem que eu dava meu telefone pra ele. O Hulk não tem que ser gatinho, ele é um badass huge mothafocker que dá um couro no Galactus! Tem que ser grotesco, feio, desajeitado, não gatinho com o peito depilado.


“Me deixa em póz!”

São muitos prós e alguns contras bem pesados. Agora, esse filme novo é meio morno demais, fica muito em cima do muro. Seguiu totalmente à risca a fórmula básica, e caiu nas armadilhas que o próprio personagem possui, começando pela simples verdade de que NINGUÉM peita o Hulk. Não dá, o cara é o mais forte do universo. A solução mais fácil para isso é colocar um cara mais forte que ele pros dois se baterem, e o único final possível para essa história é o Hulk ganhar no muque. Não tem como ele vir com uma sacadinha genial, vencer na inteligência ou surpreender ninguém. Vai ganhar é na porrada mesmo, e é exatamente isso que acontece (ao contrário do filme do Ang Lee, que aliás possui uma cena memorável do Hulk brigando na tempestade com seu pai-elétrico).

Eu achei uma pena, porque pelo que eu li por aí, o Edward Norton queria fazer um filme mais cabeça, que pra mim é a verdadeira essência do Hulk. É legal ver o Dr. Banner morando numa favela, pedindo esmola na rua, passando um perrengue danado, porque ele é um cara que já perdeu tudo, inclusive a humanidade. Só isso já daria um filme legal. Mas as cenas foram tão poucas e pareciam querer mostrar tanto o Hulk o tempo inteiro que o filme acabou ficando meio vazio pra mim. Não vou dizer que desprovido de qualidades, a atuação do Edward Norton carrega o filme nas costas, a computação gráfica está melhor (mas MUITO longe de ser perfeita – algumas cenas pareciam saídas direto do Playstation 3), e a trilha sonora e referências foram bem legais. Ainda assim, acho que não foi dessa vez que o Hulk teve o filme que merecia.

Já que é pra comparar, fiz uma tabelinha com os prós e contras de cada filme:



Hulk – 2003
O Incrível Hulk – 2008
Vencedor
Computação gráfica
Hulk “gatinho”
Hulk Badass
O Incrível Hulk
Estilo do roteiro
Filme cabeça
PORRADA!
Hulk
Dr. Banner
Eric Bana
Edward Norton
Edward Norton
Betty Ross
Jennifer Connely
Liv Tyler
Jennifer Connely
Vilões
Pai do Hulk / Poodles radioativos
Abominável
Pai do Hulk, mas eu dispenso os poodles
Nota Rotten Tomatoes
61%
66%
O Incrível Hulk
Nota YabloG!
8
5
Hulk

Veja que as opiniões no Rotten Tomatoes (que compara críticas de diversas fontes) estão praticamente empatadas. Enfim, sugiro que se você ainda não viu o novo, vá ao cinema e tire suas próprias conclusões. E se você é daqueles que não gostaram do primeiro filme, tente dar uma chance daqui a alguns anos, quando a febre de filmes de super-heróis (finalmente) passar. Você vai ver que ele vai ser um dos poucos que realmente vão destoar como diferentes e originais. ;)

Como diria o Faustão, quem sabe faz ao vivo! Por isso, nesse fim de semana você vai ter duas oportunidades de vir me dar aquele abraço, tirar aquela foto comigo ou então trazer o seu bebê para eu dar aquele beijo! Vamos lá:

Sábado: são dois eventos pelo preço de um! Ou melhor, de nenhum, porque é de graça! Na faixa! O primeiro é uma palestra/bate-papo descontraído sobre Princesas do Mar. Tô ligado que vai ter gente perguntando por que eu parei de fazer os Combo Rangers, mas isso já é quase uma piada recorrente. Então cola lá:

Palestra: Princesas do Mar
Data: 21/06
Horário: 13h às 14h
Local: Auditório Artes do Pop
Rua Olavo Fontoura, 1209 – Parque Anhembi – Santana – São Paulo

Logo depois, vou ter meu dia de Simon Cowell: vou ser jurado (de morte?) no WCS 2008, concurso onde os malucos fãs se vestem como personagens de anime. E meu pai que achava ruim quando eu andava com uma camiseta do Skid Row.

WCS 2008
Data: 21/06
Horário: 17h às 22h 30
Local: Auditório Elis Regina
Rua Olavo Fontoura, 1209 – Parque Anhembi – Santana

E não perca, na próxima semana… vou me encontrar com ninguém menos que…

O PREFEITO!

Aguardem! :D

A boa crítica

junho 10th, 2008 | Por Fábio Yabu sob Crônicas - (17 comentários)

Esse ano, faz exatamente 10 (!) anos que resolvi dar a cara pra bater e sair por aí, mostrando quem eu era e o que eu tinha a dizer, através dos meus desenhos e histórias. Nunca foi fácil, não é fácil e eu não quero parar tão cedo. Nesses 10 anos, aprendi a lidar com a crítica alheia, ainda que eu tenha recebido poucas construtivas. Dá pra contar nos dedos da mão de um Teletubbie. No começo eu ficava chateado, depois comecei a perceber um estranho padrão nas críticas, que traziam sempre mais ou menos os mesmos ataques com igual falta de embasamento.

Uma das mais disparatadas (e repetitivas) que eu recebi ao longo dos anos é que meu trabalho não gera empregos no Brasil. Primeiro, com Combo Rangers, que foi publicada por uma editora japonesa (JBC), depois uma italiana (Panini). Agora, com Princesas do Mar, que é co-produzida por uma produtora australiana (Southern Star) e uma espanhola (Neptuno Films).

Essa falácia soa como se meus personagens fossem máquinas a vapor tirando o emprego de operários oprimidos na revolução industrial. Mas, apesar de precipitada e quase caluniosa se a verdade não fosse tão evidente, eu a considero essa uma boa crítica, algo que eu gosto de ler/ouvir.

Eu comecei com 17 para 18 anos. Como o sucesso veio cedo, tive que me virar como podia e dar uma de empresário. Manja? Alugar escritório, contratar gente, lidar com contabilidade, pagamento de salários, etc. Pra pagar as contas, que não fechavam só com os quadrinhos que eu produzia, comecei a vender meu trabalho, fazendo quadrinhos, desenhos, personagens, sites, embalagens e ainda trazia de volta a pessoa amada em sete dias. Por algum tempo deu certo, eu ganhei um dinheirinho, gerei os empregos que tanto cobram de mim, paguei impostos pro governo, que viraram as escolas e hospitais dos quais nos orgulhamos tanto.

Mas depois encheu o saco. Sabe, é bem legal ter a sua própria empresa, ser seu próprio chefe e tal, mas com o passar do tempo eu vi que aquilo não era bem o que eu sabia fazer. Não sei liderar, eu nem sequer me levo a sério o suficiente pra isso. Outra coisa pra qual eu não tenho o menor talento é lidar com clientes. Não quero, não gosto, me mata. Hoje não faço, mas já fiz muito, já vi meus desenhos em anúncios de revistas, comerciais de TV e bandejas do Mc Donald’s, e esse é um dos motivos pelos quais eu não virei publicitário: às vezes eu sentia um certo asco em ver aquilo. Na minha antiga empresa, a gente tinha uma piada interna sempre que o cliente dava uma sugestão (ordem) descabida: “o cliente mandou dar uma ‘excrementada’ no trabalho…”.

É claro que o negócio fechou. Nenhum negócio vai pra frente sem paixão. E eu não só acho bom, como dou graças a Deus. Tem gente que acha feio perder ou falhar, eu acho que foi lindo. Não, não estou tentando passar um pano e dar um lustro em momentos difíceis. Não estou dizendo: “valeu a pena, eu faria tudo de novo”. Faria o cacete! Eu FALIA tudo de novo, isso sim! Mas é nas derrotas que a gente aprende quem realmente é.

Nada contra quem vende seus desenhos, cria campanhas publicitárias ou escreve anúncios engraçadinhos. Mas eu descobri que eu não sou esse cara. E é isso nos traz ao ponto da crítica infundada de que eu não gero empregos no país. Ao ouvir isso, por incrível que pareça eu sinto um alívio, quase um êxtase.

Cada um é o que é, cada um tem a sua contribuição a dar pra esse mundo. Quem tem que gerar empregos não sou eu, é o governo. Eu tenho é que votar com consciência, viver de acordo com o que eu acredito, pagar meus impostos, investir bem meu dinheirinho, comprar de empresas sócio-ambientalmente responsáveis, dar passagem pro pedestre, andar a pé ou de ônibus, economizar energia, comer verduras e vegetais folhosos, cuidar de quem eu amo e ter a coragem pra dizer isso. Além, é claro, de escrever minhas histórias e desenhar meus personagens, que geram empregos sim,  em vários países no mundo inteiro. Mas eu não estou muito preocupado com quantos e nem onde, e sim em fazer a minha parte. Não é o que todo mundo deveria fazer? ;)

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Salut!! Je m’appelle Fabio, je suis célibataire, je suis brasilien et je suis trés contant, parce que mes Princesses des Mers en DVD sont en pré-commande a la Fnac de la France! Haut cinqs!! _o/

(Olá, eu me chamou Fábio, eu sou solteiro, sou brasileiro e estou muito contente, porque minhas Princesas do Mar em DVD estão em pré-venda na Fnac da França! High fives!! _o/) :D

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“Kate… tu é mó irmão pra mim!”

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“TU É MÓ IRMÃO PRA MIIIIM!”

Conforme prometido, aqui estão meus comentários a respeito da melhor temporada de LOST até agora, que fez narizes sangrarem, apêndices romperem e cabeças explodirem!

Como vocês sabem, eu sou mesmo um porco chauvinista! O que eu digo não se escreve! Eu sei que eu fiquei grilado, bodeado, falei mal, resmunguei, esbravejei, praguejei muito com a terceira temporada, que teve altos e baixos. Mas voltei como um cãozinho abandonado, um bezerro desmamado, com o rabinho entre as pernas, depois daquele final animalesco, o maior plot twist da história da TV, no qual, eu admito, caí como um patinho! Quantos animais eu consegui colocar nesse parágrafo?

A PARTIR DAQUI, TEM SPOILERS!

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