YabloG! - Blog do escritor Fábio Yabu

Quem não adora esses vídeos feitos por fãs? Ficou bem bacaninha por sinal!

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Ano Novo

dezembro 9th, 2006 | Por Fábio Yabu sob Crônicas - (8 comentários)

O ano era 1996.

Eu entrei naquela escola como quem estava sendo mandado para a cadeia. Em fila, de uniforme e cabeça baixa, fazia questão de odiar cada detalhe: os ladrilhos amarelo e marrom do chão, os muros cinzas e as grades verdes, a inspetora histéria, o professor de história afeminado, o de matemática bêbado, a diretora gorda, sem dentes e careca (pior que é verdade). Para mim o Inferno de Dante era a riviera francesa perto daquela prisão para onde eu estava sendo mandado pelo crime de não ter falado pra Lígia que eu gostava dela desde a sexta-série e fugido com ela para um país distante.

Logo no primeiro dia de aula, veio a surpresa, de nome Liliane. Ruivinha, cabelos longos e ondulados, o topo de linha em 94. Ainda me recuperando dos estragos pós-Lígia, numa dessas caminhadas até o ponto de ônibus a chamei pra sair. E adivinhe, ela aceitou! Fomos ao cinema, onde os Deuses mandaram aumentar o ar condicionado e ela disse que estava com frio, me dando a desculpa perfeita para pegar na sua mão (que já devia estar gangrenando, tamanha a minha indecisão). E a gente ficou. Uma ou duas semanas depois, ela mudou de cidade, de país, não lembro. Na verdade mal lembro do rosto dela, se é que ela tinha um.

Mas então eu vi que talvez ser mandado para aquela prisão não era de todo ruim. Coisas boas podiam acontecer. Com a atenção dividida entre os hormônios escorrendo pelo canto da boca e a vontade de entender como aquele sistema carcerário funcionava, logo dominei suas regras. Era só conhecer as pessoas certas, jogar o joguinho de poder, aprender a negociar e pronto. Logo eu era o rei da turma. Amigo dos professores, campeão no STOP e passador oficial de cola de metade da sala, eu era intocável. Nesse primeiro ano que passou no colegial, meu coração teve várias senhoras, mas não me atrevo a falar delas aqui porque ao contrário de Lígia e Liliane elas estão no meu orkut.

Quando o ano acabou, o ciclo de poder se inverteu completamente. Fui mandado para o horário diurno, onde não conhecia ninguém. De repente perdi meu poder, que agora pertencia àqueles que já o dominavam naquele horário desde o ano anterior. E o nível intelectual da classe era melhorzinho, o que me dava menos poder de barganha. Se não se pode vencê-los, junte-se a eles. Peguei meu material e mudei para o fundo, e, naquele dia, minha vida mudou.

A turma do fundão no segundo colegial era bem diferente dos tradicionais arruaceiros adolescentes. Éramos como gênios do crime, sabíamos jogar o jogo do sistema, matar aula, jogar truco, fazer guerrinha de papel, clips, latas de lixo e cadeiras, inventar cumprimentos e gritos de guerra sem que nossa devassidão se mostrasse nos boletins. Éramos como aqueles mafiosos que possuem a ficha criminal impecável, contra os quais tudo o que a polícia pode fazer é esperar um deslize na declaração do imposto de renda.

Cada dia era uma festa. O respeito entre os senhores do crime foi crescendo e nos tornamos amigos, irmãos e irmãs. O tempo na sala de aula já não era suficiente e precisávamos nos ver nos fins de semana, feriados e férias, que eu aguardava ansiosamente que passassem logo para que eu pudesse voltar à minha cela e rever meus comparsas.

No último e derradeiro ano, nos tornamos mais unidos do que jamais fui com alguém na vida. A morte havia assombrado um de nós, que reencontrou em nosso grupo uma razão de sorrir novamente. Se não podíamos reparar sua perda, fazíamos o melhor para sermos novos irmãos e irmãs.

E assim o ano foi passando, sem que ninguém tivesse a menor vontade que ele terminasse. Em meio às músicas da Legião Urbana que ouvíamos em nossas fitas cassete, aos planos cada vez menos diabólicos e a uma ou duas novas senhoras de meu coração, 1996 passou como o melhor ano da minha adolescência. Que eu sabia que iria acabar em breve, que precisava ser guardado e lembrado como um tesouro precioso, por isso em segredo registrei junto a um de meus amigos todas as memórias num livro que entregamos ao resto do grupo no dia da formatura. Recebido com lágrimas, gratidão, saudade e a promessa de jamais nos separarmos.

Dez anos me separam do final feliz daquela epopéia adolescente, que mais lembrava um seriado americano mas que, ao contrário deles, acabou na hora certa. Como você deve imaginar, nunca mais nos vimos.

Feliz 1997!

Após três anos de boicote, finalmente um bom motivo para assistir Smallvile! Clark vai formar com o Arqueiro Verde a nova encarnação da Liga da Justiça! Leia mais no Omelete.

Veja abaixo a “evolução” da Liga da Justiça na TV através das décadas.

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Anos 70 e 80 – Super Amigos: Tempos de glória! Pena que eu ainda não era nascido (que mentira)

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Anos 90 – Liga da Justiça da América: constrangedor. A Liga da Justiça sem o Super-Homem e o Batman é a mesma coisa que a Santíssima Trindade sem Deus e Jesus Cristo.

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Anos 2000 – Liga da Justiça: começou bem com o revolucionário Batman de Bruce Timm, depois foi a vez do Super-Homem, da Liga da Justiça até chegar no melhor desenho de heróis de todos os tempos: Liga da Justiça sem Limites.

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Anos 2000 – Smallville: Fab 5?

Matthew Fox no SNL

dezembro 5th, 2006 | Por Fábio Yabu sob Resenhas - (4 comentários)

Hilário! E ainda teve a participação da melhor banda do mundo… TENACIOUS D!

Monólogo inicial
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Por esse motivo jurei nunca mais falar de Lost em público:
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O Clube dos Velhinhos

novembro 28th, 2006 | Por Fábio Yabu sob Crônicas - (9 comentários)

Esse foi um ano estranho.

Em todo o lugar que eu ia, encontrava um velhinho. Na padaria, no café, na livraria, no restaurante, no avião, no templo. Quando fui pra Paris fiquei 10 dias e não conheci ninguém a não ser… uma velhinha. Americana, muito simpática por sinal, havia ganhado a passagem dos filhos, o mais novo de 40 anos. Foi a minha melhor amiga durante a viagem.

Outro dia me meti a fazer uma aula de Tai Chi. É, eu e a Associação das Professoras de Geografia Aposentadas. No meu curso de filosofia sou o caçulinha da turma… a média de idade da sala é de 60 anos. Outro dia só por curiosidade resolvi ir na outra turma, e sabe o que vejo? Jovenzinhos na casa dos 35. Descobri que tinha algo errado. Alguém estava me mandando sinais.

Hoje fui cortar o cabelo, e o mais bizarro não foi ter levado uma cantada federal do cabeleireiro (“nossa, acho japonês tão liiiindo…”), mas o fato de, no meio dos cabelos que caíam no meu colo, tinha um diferente.

Branco.

YEEEEEEES!

Estou feliz em entrar para o Clube dos Velhinhos. Eu estava ansioso pra esse dia chegar, como uma pré-adolescente ansiosa pelo seu primeiro sutiã. A terceira idade me aguarda, e pode crer que eu vou com tudo!!

Chega de balada. Chega do carinha sem segundo grau na porta olhando pra minha roupa julgando se eu posso entrar ou não, chega das baladas de gente descolada com suas roupinhas descoladas e cabelos que lembram a adolescência mal resolvida, chega dos revivals dos anos 80, Deus, eu sinto vergonha de quem vai nesses lugares, chega dos cigarros que impregnam até minhas meias, do maldito cheiro de maconha, chega de gente suando, pulando, fedendo, se esfregando. Chega das jovenzinhas com pouca roupa, das trintonas desesperadas, dos moleques de 20 e poucos salivantes, dos quarentões mortos de fome. Chega dos barzinhos, repetitivos, sem graça, iguais. Em São Paulo pode-se ir a um bar por dia, sem repetir, durante 8 meses. Deus me livre, eu quero é voltar pra Birigui! Chega das bandas que tocam nas quintas à noite e não deixam a gente conversar, chega de pagar 5, 6, 10 reais numa cerveja que tem gosto de água suja, chega de bêbados no meu caminho para o banheiro, chega de uma porção de fritas com cheddar numa sexta à noite (gordura saturada, tô fora), chega dos “aniversários” em barzinhos em que você só vê o aniversariante quando chega e quando vai, e no meio disso fica com um sorriso amarelo e a cara de bunda a cada convidado que você não conhece e ainda tem que apertar a mão e dar beijinho. Aliás, aperto de mão e beijinho, chega disso também, coisa mais anti-higiênica. “Oi, beleza” já tá ótimo, se não quiser, passar bem!

Chega dessa necessidade desenfreada que as pessoas têm de espalhar sua saliva e seu DNA noite a fora, Deus, o que eles querem, colonizar Júpiter? Chega do xaveco furado pra levar a menina pro motel, chega de levar amigo bêbado pra casa, chega do outro amigo que ficou de levar todo mundo pra casa mas está sem roupa no estacionamento ao lado, chega das mensagens “Onde vocês estão?” no celular, chega de música eletrônica no carro, eu não suporto mais isso, mal ouço heavy metal, só quero saber de jazz e rock com mais de 15 anos. Chega de MPB, chega daquela porra daquele Armandinho, chega da 89, tão decadente, chega desses fenômenos e ondas adolescentes que varrem o mundo universitário e chegam incólumes até a mim, que só quero paz nos meus 27 anos. CHEGA!

Agora, no Clube dos Velhinhos, eu só quero saber de bons restaurantes (acho que vou ficar por São Paulo mesmo) e das sessões de cinema sem adolescentes. De passear com meus sobrinhos, trazer as crianças para dormir em casa, fazer o almoço, obrigar a comer tudo. De jantar na casa dos amigos, ajudar a lavar a louça e fazer fofoca enquanto isso. De comer bolo com biscoitos e café num domingo à tarde, de andar devagar, dormir com a barriga pra cima, falar e ser ouvido, se não, falar de novo e de novo até funcionar. De ouvir música velha, de fazer buracos no CD ou no iPod (sou um velho moderno), de usar o celular ultramoderno como calculadora de troco. Quero pegar ônibus de graça e celebrar cada novo cabelo branco, a conquista de ter passado pelos 20 e poucos sem ter feito nada de que eu me arrependesse. Quero só me preocupar com as coisas que realmente importam, como por exemplo, o que falta pra aprender, pra aproveitar, pra viver? Que idiomas eu não falo, que países quero visitar, que pensadores eu não conheço (todos velhinhos também, pode crer). E o melhor de tudo: sem nenhuma velha chata pra me encher o saco!

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