YabloG! - Blog do escritor Fábio Yabu

Morte, de Neil Gaiman

setembro 29th, 2006 | Por Fábio Yabu sob Sem categoria - (Comentários desativados)

A Conrad continua mandando muito bem nos lançamentos e agora presenteia os leitores com uma edição caprichada da personagem Morte, criada por Neil Gaiman. A coletânea inclui os clássicos O alto preço da vida e O momento da vida, ilustrados por um dos meus desenhistas favoritos, Cris Bachalo. Tem também uma tal de Morte fala sobre a vida, que não li, além de textos e galerias exclusivos. Vale muito a pena, compre no nosso Rojinha que você não vai se arrepender!

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Morte: quem é vivo, compra!

Sebastian Bach em Gilmore Girls

setembro 27th, 2006 | Por Fábio Yabu sob Resenhas - (Comentários desativados)

Para comemorar a reestréia das nossas queridas Gilmore Girls, (re)veja o melhor momento da sexta temporada: Sebastian Bach, ex-Skid Row, cantando Hollaback Girl, de Gwen Stefani. Deliciosamente constrangedor.
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Eu tinha uma camiseta do Sebastian Bach. Mas meu pai me fez jogar fora (pior que é verdade!).

O texto abaixo pode ter spoilers pra quem não viu a segunda temporada de Lost.

Parece que finalmente o jogo Lost Experience chegou ao fim. Além de ter revelado o significado dos números como prometido, o jogo ainda revelou o paradeiro de Alvar Hanso, fundador da Hanso Foundation e sua ligação com a hacker Rachel Blake. Enquanto nerds do mundo inteiro perdiam horas preciosas de suas vidas juntando as pistas, eu ficava em casa cuidando da minha enquanto eles faziam o trabalho sujo. Agora, o resultado está no vídeo abaixo, por enquanto em inglês, encontrado pelo pessoal do blog Dude! We are lost.

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Resumindo: Rachel Blake finalmente encontra Alvar Hanso na Noruega. O velho parece estar bem, dá um migué no segurança vacilão e conta a Rachel que ele está sendo mantido preso por ordem de seu ex-discípulo, Thomas Mittlejerk, digo, Mittlewerk. Ele pede que Rachel denuncie as falcaturas que estão sendo feitas em seu nome, e por algum motivo colocar o vídeo no YouTube pareceu mais razoável do que ir até a delegacia local. No final, Hanso ainda revela que ele é ninguém menos que… pai de Rachel! Ta-da!
Ao que parece, Hanso retomou o controle da Fundação, como pode ser visto em seu site, que agora traz uma mensagem do próprio velhinho.

Em sua declaração, Alvar Hanso diz que vai reconstruir a fundação, longe das pérfidas garras de Mittlewerk, que parece estar por trás de muitas das coisas sinistras vistas na ilha. A pergunta agora é: como isso vai influenciar a série? É difícil saber o quanto os roteiristas vão arriscar nessa jogada; já que Lost é um fenômeno no mundo inteiro como programa de TV, e não dá pra esperar que cidadãos comuns fiquem fuçando o YouTube o dia inteiro à procura de pistas. Eu acho que tudo o que foi visto em The Lost Experience é tipo um plus a mais adicional, como os curtas lançados entre um filme de uma trilogia e outro, afinal a galinha dos ovos de ouro é a audiência da TV, e não os fanáticos sedentos da Internet. Mas sem dúvida foi um jogo divertido, que ajudou a manter o interesse pela série no período da entresafra. Agora vamos ver o que acontece!

Links:

The Hanso Foundation – o site da fundação e a mensagem de seu criador.

Whereisalvar.com – a competição online criada como um plano maluco de Rachel Blake para revelar o paradeiro de Hanso. Milhares de barras de chocolate Apolo foram espalhadas pelo globo, e quando um número suficiente delas foi encontrada (1024 normais e 78 douradas), a verdade veio à tona. Mas não era mais fácil ter ido a um jornal??
Dude! We are LOST! – Blog muito bom, que sempre encontra as novidades sobre a série.

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Alvar Hanso: Foi horrível! Eu fui mantido prisioneiro numa mansão chiquérrima na Noruega, a jacuzzi estava quebrada e eu só consegui escapar porque o segurança me deixou a sós na sala recebendo uma visita!!

O Presente

setembro 26th, 2006 | Por Fábio Yabu sob Crônicas - (9 comentários)

Quantas vezes uma coisa assim pode acontecer na vida?

Eu havia ido para Santos passar meu aniversário com minha família. Ao chegar ao prédio onde cresci, olhei para a janela da sala e vi um vulto acenando para mim. Meu irmão, que estava ao meu lado disse “Putz, quem é?“. Porque, convenhamos, alguém acenando para você na janela da casa dos seus pais não pode ser coisa boa. Nunca é.

Subimos apreensivos. Entrei em casa correndo, evitando a sala, e puxei minha mãe pro meu quarto. “Mãe, quem tá aí??“. “Vai lá ver!”. “Não, mãe! Não brinca com essas coisas!“. “Vai lá ver, bobo!“. “Não, mãe! Não faz isso comigo, vai que é uma tia que eu não lembro o nome, aí ela vai ficar constrangida e eu também“. Meu argumento venceu e minha mãe disse: “É a Dulcelina“.

Putz.

Meu coração desmontou na hora.

Dulcelina teve um papel fundamental no início da minha vida. Durante sete anos, ela trabalhou na casa da minha família, cuidando de mim e dos meus irmãos. Trocou fraldas, levou para a escolinha, fez comida, limpou a bagunça, viajou conosco, até que, aos  cinco anos eu a vi na cozinha dando um forte abraço na minha mãe. Não lembro se elas choravam, lembro só da minha mãe agradecendo muito e dando a ela um maço de notas da moeda vigente na época. Um pequeno agradecimento pelos anos de dedicação. Então, Dulcelina chegou para mim, abaixou-se e disse “Tchau, Fábio” e tudo o que eu pude dizer foi “Tchau“.

Eu nunca esqueci esse “tchau”. Logo depois chegou o que chamo de “Dulcelina Genérica”, tanto que se chamava “Dulcinéia” (podia ser “Dulcinérica”). Mas ela não durou nem um mês, não se adaptou e meu irmão morria de medo dela. Ela foi a última moça a trabalhar em casa. E desde então eu me perguntava, “mas cadê a Dulcelina?”

A Dulcelina estava lá aquele dia, para me ver no meu aniversário, 21 anos depois daquele “tchau”. Vinte e um anos depois, os rostos mudaram muito, e ela perguntou “Esse aí é o Fábio?”. Antes de abraçá-la as palavras saíram na frente e disseram “Eu lembro do dia em que você foi embora…“, um jeito improvisado de pedir desculpas por aquele “tchau” tão desajeitado.

Memórias desenterradas, tesouros descobertos. Dulcelina falava, ria, tirava sarro dos cabelos brancos do meu pai, contava com orgulho o quanto aqueles tempos haviam sido difíceis. Era uma época terrível para se ser professor e ter três filhos “o cabeça branca aí (meu pai) demorava mas pagava!“. Ela ainda está jovem (42 anos, começou lá em casa com 17), com a mesma energia e bom humor de sempre, e enquanto ela falava e ria eu ia vendo os primeiros anos da minha vida serem reconstruídos na minha frente.

Minha mãe estava impressionada com o quanto de memórias eu guardei daquela época. Mas como seria diferente? As crianças são ótimas em guardar no coração as coisas que realmente importam, e pelo visto a Dulcelina também. Perguntei a ela “Você não tinha um colchão cor de rosa, com flores brancas no seu quarto?” e ela fez um “sim” com a cabeça, sorrindo. Aquele colchão durou muitos anos, e sempre que eu o via lembrava dela. Um dia ele ficou manchado, provavelmente de tão velho, e pensei “mas quem sujou o colchão da Dulcelina??“.

Naquele dia, tudo naquele apartamento mudou de cor e forma. Os móveis que resistiram ao tempo ficaram muito mais altos do que eu; a mesa da cozinha ficou mais fina e mais simples, o chão cobriu-se do famigerado carpete marrom que ela tanto odiava limpar. E lá no cantinho da sala eu estava com meus irmãos, brincando e vendo os desenhos da Xuxa com ela.

Eu não sei quantas vezes um momento desses pode acontecer na vida; mas acredito que sejam poucas. Por isso mesmo são tão especiais.

Depois da “festinha”, foi a minha vez de levá-la para casa. Era o mínimo que eu podia fazer depois de ter sido levado tantas vezes por ela. Mas dessa vez ao nos despedirmos, não fui nem um pouco sucinto. Fiz questão de dizer o quanto ela havia sido especial para mim e para minha família, e que gostaria muito de vê-la em breve e conhecer sua filha adolescente. Dulcelina pos a mão no meu rosto, acariciou a barba que não existia há 21 anos e disse: “Fábio… que saudade eu senti de você, meu menino… que saudade…

Eu também, Dulcelina…

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Com mais de um ano de atraso, Menina má.com (Hard Candy, 2005) chega aos cinemas brasileiros. Rodado em apenas 18 dias, o filme foi inspirado em situações verídicas ocorridas no Japão (onde mais??), onde garotas adolescentes preparam emboscadas para homens que procuram encontros com menores de idade pela Internet.

O título em português pode trazer uma expectativa errada em relação ao filme. Não se trata de personagens bons ou malvados; visto que a história fala de uma menina psicótica e um suposto pedófilo. Já o cartaz de divulgação faz uma brincadeira com a Chapeuzinho Vermelho servindo de armadilha para o Lobo Mau. A mocinha em questão é Hayley (Ellen Page), de 14 anos, e o suposto vilão é Jeff (Patrick Wilson), um fotógrafo trintão. Ao se conhecerem numa sala de bate-papo online, eles decidem marcar um encontro numa cafeteria, logo estendido para a casa de Jeff.

Começa então um sádico (e um tanto improvável) plano de Hayley, disposta a descobrir se Jeff é ou não um pedófilo, através de uma longa sessão de torturas que lhe renderiam o prêmio de “melhor vilã juvenil do cinema”. Além de articulada – quase uma Gilmore Girl diabólica – Hayley é extremamente criativa em seu plano, o que pode divertir a alguns mas desanimar quem estava esperando algo mais verosssímil. Estranha também é a aparição relâmpago de Sandra Oh (Grey’s Anatomy), no papel da vizinha de Jeff. Além do dono da cafeteria, ela é única personagem a dividir a tela com os dois protagonistas, mas sua participação é irrelevante, tornando seu nome do cartaz um mero chamariz para os desavisados.

A direção soberba do novato David Slade sobrepõe os buracos do roteiro de Brian Nelson, mas não há como esconder o fato de que o filme não se propõe em momento algum a discutir a polêmica que levantou. Não há espaço para discussão, o que vale aqui é o show de horror promovido por Hayley. E lá pelo meio do filme até o fato de Jeff merecer ou não o castigo deixa de ser importante – que venha a próxima tortura.

Ellen Page aproveita para se consagrar na tela – se em X-Men: O confronto final (2006) ela já havia roubado a cena como a mutante Kitty Pryde, em Menina Má.com ela deixa de ser a protagonista para se tornar o próprio filme, reinando absoluta. Vai ser interessante acompanhar sua carreira nos próximos anos e ver seu potencial desabrochar. Seu próximo trabalho será em An American Crime, novo filme sobre torturas hediondas ocorridas nos EUA em 1965, dessa vez no papel da vítima.

Menina Má.com
Hard Candy
EUA, 2005
Drama – 103 min
Direção: David Slade
Roteiro: Brian Nelson
Elenco: Patrick Wilson, Ellen Page, Sandra Oh, Jennifer Holmes, Gilbert John
Publicado originalmente no Omelete

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Como diz a Lia, “A Sandra Oh é o ó!”

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