YabloG! - Blog do escritor Fábio Yabu

QUEM ESCREVE

Esse texto é de autoria de Fábio Yabu, autor desse blog, escritor e ilustrador infantil. Tem 9 livros publicados no Brasil, entre eles, a série “Princesas do Mar“, que deu origem ao desenho animado exibido pelo Discovery Kids. Conheça os livros do autor aqui.

De vez em quando recebo e-mails de pessoas interessadas em publicar seu livro, pedindo dicas sobre o tortuoso caminho até as livrarias e o coração dos leitores. Não tenho todas as respostas para as dezenas de perguntas envolvidas, mas posso compartilhar algumas coisas que aprendi no caminho.

1. A primeira pergunta

A primeira pergunta, e a mais óbvia geralmente é esquecida pelas pessoas, em todas as áreas profissionais. Ela não é “como publicar um livro?” e sim “por que publicar um livro?”. Para ganhar dinheiro? Satisfazer o próprio ego? Levar uma mensagem às pessoas? Deixar seus pais ou filhos orgulhosos? Nenhuma das respostas é melhor do que a outra, mas cada uma influencia diretamente na abordagem do escritor. Por isso, reflita bastante sobre essa pergunta. Será que o livro é a melhor solução? Livro dá trabalho, custa dinheiro, é difícil distribuir… Já pensou em escrever filmes, séries de TV, tiras de jornal, um blog? Vale tudo, menos fanzine.

2. Dá dinheiro esse negócio?

Geralmente essa pergunta deveria ser deixada por último, mas já que as pessoas fazem tanta questão de saber, vamos lá: depende. Depende do seu livro, depende de você, depende do alinhamento dos astros e da sua expectativa. A priori não dá pra largar o seu emprego (ou a busca por um) logo que você fecha um contrato com uma editora. Na grande maioria dos casos os escritores ganham um percentual sobre livro vendido, que varia entre 8 e 10% do preço de capa. Só? Só. O maior percentual (cerca de 50%) cobre os custos de distribuição (livraria) e o resto vai para a editora, que também arca com a impressão.

Tem gente que acha pouco, mas há que se lembrar que a distribuição de livros no Brasil é complicadíssima devido ao tamanho do país. Custos de impressão e papel são absorvidos pela editora, assim como eventuais prejuízos.

3. Escrevi, diagramei e ilustrei meu livro! Posso sair mandando?

Não.

Geralmente as pessoas tendem a querer ser polivalentes, escrever, desenhar e pintar. Não precisa. É melhor fazer uma coisa bem feita do que um monte de coisas mais ou menos. Então, vamos voltar ao básico. Escreva seu livro. Preocupe-se com isso. Viaje, ame, se iluda, conheça pessoas e crie memórias. Esse é o papel do escritor.

Se você ilustra também, beleza, faça alguns esboços para ajudar a materializar seu livro. Mas não queira mandá-lo pronto para a editora que você estará perdendo seu tempo, já que lá já existe um profissional dedicado em procurar a melhor solução exigida pela sua obra, vai da escolha e formato do papel, estilo de ilustração mais adequado, projeto gráfico, etc, etc, etc. Então não se preocupe com o operacional e faça o que você faz de melhor (assim espero!): escrever.

4. Um amigo de um amigo meu desenha que é uma beleza. Até ganhou um concurso da Semana da Pátria. Posso chamá-lo para fazer a capa do livro?

Hmmm eu não me preocuparia com as ilustrações a não ser que se trate de um livro infantil onde elas são peça chave. Geralmente as editoras já possuem uma gama imensa de profissionais pré-selecionados, inclusive o seu amigo aí da Semana da Pátria. Talvez seja sensato deixar que ela faça essa escolha, com a qual você não é obrigado a concordar.

Outro problema em conhecer um amigo desenhista é que às vezes tomamos as pessoas próximas como referencial e nos esquecemos de procurar outras possibilidades. Se a única ferramenta que você tem é um martelo, de repente tudo à sua volta começa a se parecer com pregos.

5. Legal! Agora sim, escrevi e tá campeão! Um novo Memórias Póstumas!!

Sei. Bom, então agora vamos procurar a sua editora. Não adianta sair dando tiro para tudo quanto é lado. O approach correto com as editoras é parte vital para o sucesso do seu livro.

O primeiro passo é saber que tipo de editora tem a cara do seu livro. Cada uma tem sua linha editorial; e isso é muito mais relevante do que a qualidade da sua obra prima. A Editora Cosac & Naify por exemplo não publica auto-ajuda. A Conrad dá preferência a livros com temas ousados que causem reflexão. A Brinque Book só infantis, a ArxJovem só juvenis (note a diferença) e assim por diante.

Vale a pena dar uma olhada na livraria para saber o que cada um está publicando. Veja também se a editora em questão tem no catálogo autores brasileiros, se ela tem site e se possui alguma política de avaliação de originais. Se sim, pimba! Pode mandar e cruzar os dedos.

6. Mas peraí. Não vão roubar minha idéia, não? Malditos editores!!

Eu acho difícil. Editoras sérias não precisam correr o risco de roubar uma idéia genial de um escritor de primeira viagem (lembre-se da pequena porcentagem que fica para o autor). Não faz muito sentido.

As pessoas tendem a achar que o mundo é cheio de super-vilões querendo acabar com as Meninas Superpoderosas. Todo mundo tem um amigo bêbado que teve uma idéia maravilhosa roubada pelo Spielberg. Sei.

Mas enfim, o seguro morreu de velho. Caso se interesse em registrar sua obra, procure a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. O site é www.bn.br

7. Mandei pra editora. E esperei. Esperei. Esperei.

Então espera mais um pouquinho, e sentado! Demora mesmo. Imagine o quanto de originais uma editora recebe. Vale a pena ficar ligando lá? Eu acho que não, além de soar antipático. Possivelmente eles lhe darão uma resposta em até seis meses, nem que seja um NÃO na cara dura. Mas se for um SIM…

8. SIM! Vão publicar meu livro!

Legal, parabéns! Mas pera lá.

Dificilmente (leia-se: impossivelmente) a editora vai publicar seu livro tal qual foi escrito. É bem provável que ele passe por um crítico literário, que o avaliará de acordo com a linha editorial, fará observações e sugestões pontuais que você deverá seguir ou não. O trabalho do crítico literário é essencial, e suas considerações devem ser refletidas. Ao contrário da sua mãe e dos seus amigos, ele vai analisar seu trabalho friamente não poupará críticas construtivas.

O trabalho do crítico leva de duas semanas a um mês. Após essa primeira leitura, você altera o texto e reenvia para a editora, que o reavalia e, se estiver tudo ok, envia para revisão. Então, você revisa a revisão, ou como dizem, rerevisa.

Finalmente o texto vai para a diagramação e ilustração, se for o caso. Nessa etapa do processo é criado o projeto gráfico, que envolve capa, escolha de fontes, papel, etc. Seu envolvimento não é necessário e, em muitos casos, indesejado. Saiba dar espaço para as pessoas trabalharem, ninguém está interessado no seu fracasso e toda a ajuda nesse começo é bem-vinda.

O livro está pronto? Foi para a gráfica? Voltou, ficou lindo? Então…

9. O livro publicado

Vamos a mais uma etapa crucial no processo: a livraria.

Entender como funciona a distribuição de livros é essencial para entender o que acontece com o seu livro após a publicação.

As livrarias funcionam em locais com limitações físicas. Não dá pra ter todos os livros do mundo num único lugar. Então, o meio é naturalmente concorrido. Os lugares de maior destaque então, chamados de “ilhas” são para poucos mortais. Corre à boca pequena que algumas editoras precisam pagar para ter seus títulos lá. Mas não entremos nesses méritos.

Algumas livrarias trabalham com consignação, outras compram os livros diretamente para revendê-los, a maioria faz um pouco de cada. Se o autor é conhecido, espera-se que a livraria compre uma boa quantidade de livros, se não, não dá pra querer milagre.

Não se desanime se esta ou aquela livraria não tiver o seu livro e o vendedor fizer cara de bunda quando você perguntar sobre o danado. Não é nada pessoal. Se você nunca publicou nada, tenha muita paciência e saiba ver as coisas a longo prazo. Nenhum autor que se leva a sério começou de cima. O sucesso é saboroso, mas ele deve ser elaborado ano a ano, com paciência e dedicação, senão desanda.

Então, por favor, não me venha com presepada. Tem autor que sai na Bienal com megafone anunciando seu livro, literalmente agarrando leitor, jogando xaveco em jornalista. Eu pessoalmente acho que não tem nada a ver. Autor não tem que vender o livro, esse é o papel da editora. O papel do autor, como eu disse antes, é escrever, e só. Não queira precipitar as coisas. Se o seu livro for bom, uma hora ele vai vender e se tornar conhecido. Se não for, você ainda tem outros talentos, é uma pessoa honesta e escreveu uma história bonita. Então está no lucro.

10. Acabou?

Escrever é um vício, uma compulsão. Apesar de todas as dificuldades, que convenhamos, são inerentes a qualquer profissão, escrever é uma atividade extremamente recompensadora. Então, se você realmente aprecia o que está fazendo, é provável que você queira lançar o seu segundo livro, terceiro, quarto… para todos valem os passos anteriores, que a essa altura você já conhece de cor e salteado. Com a vantagem de que você já possui um relacionamento saudável com a sua editora.

Muitos autores só começam a ganhar algum dinheirinho lá pelo quarto, quinto livro. Se você considerar que escreve um livro a cada dois anos (uma média excelente), pode esperar algum retorno do seu investimento para a próxima década.

Difícil, né? Então por que diabos tem tanta gente fazendo?

Essa, meu caro, minha cara, é a pergunta mais importante! Saiba respondê-la e nada disso vai fazer a menor diferença!

O melhor boato do ano

setembro 1st, 2006 | Por Fábio Yabu sob Resenhas - (9 comentários)

Segundo o site Sobrecarga, Katharine McPhee, sim, a MINHA Katharine McPhee, segunda colocada no American Idol 5 está cotada para interpretar ninguém menos que a MULHER-MARAVILHA no cinema! Deus, faça ser verdade, faça ser verdade, faça ser verdade, faça ser verdade, faça ser verdade, faça ser verdade,…

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“Eu queria agradecer ao Fabinho, que sempre me apoiou desde que cantei God Bless the Child…”

Agradecimentos ao ere, que mandou a notícia, e a Deus por ter mandado tão bem quando fez a moça.

Hard Candy

setembro 1st, 2006 | Por Fábio Yabu sob Resenhas - (1 comentário)

Hard Candy, um dos melhores thrillers dos últimos anos finalmente vai estrear no Brasil dia 22 de setembro. A péssima notícia é que o filme recebeu o infeliz nome de “Menina má.com”, provável invenção do mesmo cara que dá nome às operações da Polícia Federal.

Apesar do nome remeter a algum filme adolescente com Paris Hilton como protagonista, Menina Má.com (sic) traz um tema forte e indigesto: a pedofilia. Hayley é uma menina de 14 anos vivida Ellen Page (a gracinha que fez a Kitty Pride em X-Men 3). Ela suspeita que o fotógrafo Jeff é um pedófilo, e passa as duas horas de filme o torturando física e psicologicamente.

O grande barato do filme é a impressionante atuação de Ellen Page. Se em X-Men 3 ela já havia roubado a cena nos poucos minutos que apareceu, em Hard Candy a atriz mostra que pode ser a Natalie Portman da nova geração. Sua atuação é tão soberba que acaba sobrepondo a discussão sobre o filme ou o tema; ela se torna o próprio filme, é impossível desgrudar os olhos da tela enquanto Hayley executa suas torturas.
Não se deixe enganar com o nome de Sandra Oh no cartaz (como se alguém fosse ao cinema por causa dela). Sua participação é de apenas uma cena que ela deve ter gravado enquanto ia ao banheiro em Grey’s Anatomy. Mas do jeito que ela é queridinha nos EUA, é capaz que ela ganhe o Oscar por isso. ;P

Não deixe de ver o trailer no Omelete.

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Menina má.my.ass

Silêncio

agosto 30th, 2006 | Por Fábio Yabu sob Crônicas - (8 comentários)

Já reparou no cheiro do vento naqueles dias em que faz sol o dia inteiro e a noite esfria de repente? É difícil descrevê-lo, eu diria que é uma mistura de grama e terra seca com orvalho da manhã, embalados em ar seco. Talvez você se lembre desse cheiro, já eu nunca vou esquecê-lo.

Naquela noite a gente resolveu ir para a varanda, como fizemos tantas outras vezes. Pra conversar, ouvir a voz do outro, dar risadas.

Ficamos sentados lá por meia hora, quarenta minutos. Mas daquela vez foi diferente. Nenhuma palavra foi dita, nenhuma comunicação verbal foi estabelecida, enquanto o silêncio preenchia toda aquela varanda e se extendia para o mundo. E não havia incômodo, não havia urgência em falar, trocar opiniões, discutir. Tudo o que nos interessava era o silêncio; a mágica que se manifesta quando você para de falar e começa a ouvir.

Ouvir o coração. Ouvir com o coração. Não é poesia, as palavras são desajeitadas mesmo, isso é o mais próximo que se consegue com elas. Por isso é tão bom calar.

Silêncio. Bolinhas pretas cobriam o galho de uma rosa num vaso, mas naquele dia eu resolvi não tirá-las. Carros e motos passavam na rua tentando nos atrapalhar, mas nada no mundo poderia interromper uma conversa tão importante. Uma luz se acendeu numa janela próxima, e pude ver alguém sentando em frente ao computador.

O cheirinho do vento me lembrava do quanto o dia havia sido quente; a brisa geladinha trouxe alívio e virou uma lembrança gostosa daquela noite estrelada. Alguém tentou sujar o vento com um cigarro fedido, mas o cheiro logo sumiu. Vez por outra nos dávamos as mãos, quietos, e a luz da janela apagou. Nem vi o moço sair.

Uma hora o esquilo resolveu sair da sua caixinha. Ele veio até meu pé, mordeu a minha meia e dei risada. Ao ver que não tinha nada interessante, ele resolveu continuar sua ronda noturna depois de ganhar dela uma semente de girassol. Ele não agradeceu, e nem poderia, mas quem disse que precisa? Os homens é que inventaram essa tal de expectativa, que frustra e magoa quem depende dela para viver. Esperto é o esquilo, que a essa hora já juntou um monte de semente de girassol no seu cantinho. Não pediu por favor e nem disse obrigado uma só vez.

Essa foi mais uma lição que aprendi naquela noite. O silêncio continuava falando, nos dizia muitas coisas importantes. Dizem que a gente tem que encontrar pessoas com quem possamos conversar; eu acho legal, mas também é ótimo encontrar gente com quem a gente possa ficar quietinho.

Andar pela rua, sentar na varanda, viajar de carro falando pouco e aprendendo muito. “Olha“. “Legal“. “Viu?” já bastam para horas e horas de discussão silenciosa e filosófica.

Uma hora resolvemos entrar. Com um beijo geladinho no canto dos lábios, ela me disse “Obrigada por existir. Eu sempre estarei aqui” e eu respondi “Eu também“. Tudo sem uma única palavra.

O futuro

agosto 28th, 2006 | Por Fábio Yabu sob Crônicas - (13 comentários)

Quando escrevo meus textos e livros procuro não pensar muito no que vai acontecer depois que eles forem publicados; porque as possibilidades são tão vastas que é inútil tentar prevê-las. Diria até que isso atrapalha o andamento do trabalho já que, se um livro é a visão que o escritor tem do mundo, não faz o menor sentido ele ficar olhando para os lados enquanto escreve.

É claro que tem aquela partezinha dentro de mim que espera que o livro faça o mínimo de sucesso. Que ele venda o mínimo para se manter no competitivo e canibalizado mercado literário. Que, ao final de dois anos, a modesta primeira tiragem tenha sido vendida. Mas procuro manter essa expectativa baixa, e vejo que essa prática fez muito sentido após ter publicado dois livros e vinte e tantas revistas em quadrinhos. Independente do “sucesso” de cada um, tudo sempre surgiu de uma fagulha espontânea e sincera de algo que eu queria expressar. E o resto foi consequência.

Não que meus livros sejam blockbusters, o novo Harry Potter e tal. Nem quero que sejam, na verdade. Prefiro trilhar meu caminho devagarzinho no coração das crianças, sem pressa nem grandes expectativas. Aos poucos meu plano tem dado certo.

Semana passada, estive em Aguaí, interior de SP, visitando o Colégio Deltha, que adotou meus dois livros. Sabe, quando pegam um tema e a escola inteira trabalha durante meses? Fazem cartazes com purpurina, lantejoulas, trabalhos em grupo discutindo o livro e respondendo perguntas. Eu ainda me lembro de quando tinha que fazer a mesma coisa há poucos anos e de repente, pá. Lá estou eu, no meio de um pátio vendo um mural repleto de cartolinas coloridas com desenhos, frases e lições tiradas dos meus livros. Um pouco acima, uma cartolina branca escrita a “canetão”: Bem vindo, Fábio Yabu. E dezenas de crianças no pátio olhando para mim enquanto caminho com a diretora, que me contou uma história curiosa:

“Você não imagina o que os seus livros fizeram aqui. Até mãe já teve que vir aqui na escola por causas deles! É, as crianças pegaram a mania de chamar aquelas que são mais mandonas de “Tubarina”. Aí uma menina invocou e a mãe dela teve que vir perguntar porque chamavam a filha dela de Tubarina!”

Veio então o momento de conversar com as crianças, desde o pré até a sétima série. Quietinhas, atentas, competindo por um olhar e um sinal de “positivo” que eu fazia para todas. Vieram as perguntas, sempre deliciosas, às vezes surpreendentes como “Como é o mar?“. O prézinho também me premiava com pérolas como “Fabyabu, minha mãe não leu o seu livro pra mim!” e “Fabyabu, ontem eu engoli shampoo!“.

Uma menininha de 6 anos ficava correndo pelo pátio, pulando e cantando uma musiquinha inventada na hora, cuja letra era apenas “Fabyabuuuuu… Fabyabuuuu“. Outra veio, e sem dizer uma palavra, me entregou um papel, me deu um beijo e saiu correndo. “Fábio Yabu, eu não te conheço mas sei que você é legal.” Coisa mais linda.

Foi demais. Voltei para casa com dezenas de trabalhos e cartinhas, lembranças gostosas e a maravilhosa sensação de não saber o que o futuro reserva. Melhor assim, né?

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Meu segundo livro pelos olhos de crianças da quinta série: Luana, Lucas, Ana Lívia, Tuany e Anne.
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Um presente da primeira série
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Polvina

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