YabloG! - Blog do escritor Fábio Yabu

Tá quase! As primeiras cenas do filme do LANTERNA VERDE acabam de ser divulgadas pelo ET – apenas 30 segundos do trailer que será exibido essa semana antes de Harry Potter e o Segredo de Whatever.

Bom, se já é arriscado julgar um filme pelo trailer, o que ser dirá de apenas 30 segundos. Ainda é cedo para emitir qualquer opinião, e é lógico que já tem nerd esperneando, reclamando da roupa, do ator, do roteiro que ninguém conhece ainda.

Eu, parcimonioso e evoluído que sou, vou  manter minha expectativa controlada sobre essa OBRA PRIMA ENVIADA PELOS CÉUS DESTINADA A SALVAR A RAÇA HUMANA E SER O MELHOR FILME DE SUPER-HERÓI TODOS OS TEMPOS!

Comento, abaixo, algumas coisas que me chamaram a atenção nesses maravilhosos 30 segundos:

O uniforme parece funcionar bem na tela. Ele realmente parece de energia, e não somente um tecido verde, como é nos gibis. Faz todo o sentido. Repare que a bateria está sobre a mesa. Ou você achou que era uma Heinekken?

O anel não tinha muito segredo, e vai ser bem fiel ao da Tropa dos quadrinhos, sem o círculo que envolve alguns anéis como o de Hal.

Me chamou a atenção o fato do voo do Hal ser meio tremido, como se ele estivesse aprendendo a dominar o anel. Também curti a aura de energia ser meio esfumaçada.

SINESTRO. Atrás dele, um anel gigante, talvez usado por Mogo em uma montanha.

KILOWOG, POOZERS! Achei simplesmente perfeito. Repare como o tom de verde do uniforme dele difere do de Hal.

OA?

Aqui, Hal Jordan ensina aos desenhistas de quadrinhos como o punho realmente se parece em perspectiva.

Aqui um ponto polêmico: a máscara. Ainda não estou 100% convencido, e acho que teremos uma impressão mais definitiva quando o trailer for divulgado.

Assista às cenas abaixo:

Essa semana fez 12 anos que registrei o domínio www.comborangers.com.br. Desnecessário dizer tudo o que aconteceu depois, ou como tudo terminou. Mas fuçando aqui uns arquivos antigos, encontrei algo que acho que vai deixar alguns fãs felizes: uma história inédita de 10 páginas estrelando o Tio Combo, escrita e ilustrada pelo mega-boga Michel Borges em meados de 2003. Hoje ele desenha (e escreve) muito melhor, como pode ser visto em seu 1º álbum, Anarriê. Não deixe de prestigiar o trabalho desse meu querido e talentoso amigo, e ver o quanto ele evoluiu em apenas 7 anos.

Estou disponibilizando as páginas da HQ abaixo. Se preferir, pode baixar nos formatos CBZ e ZIP.

Gostaria de lembrar que NÃO HÁ PLANOS de retomar os Combo Rangers por enquanto. Atualmente, estou trabalhando com outros personagens e histórias, em especial, meu primeiro longa-metragem, “A Última Princesa“, de quem vocês ouvirão falar no ano que vem!

E, pelos velhos tempos, não se esqueça de deixar seu comentário depois de ler! ;)

Estou muito feliz em anunciar que, segunda-feira dia 12, minhas queridas filhinhas Princesas do Mar estreiam na TV Cultura. De segunda a sexta, às 11h30! :)

E tem mais: acabo de lançar mais dois novos livros pela Panda Books: Princesas do Mar – O monstro no Fundo do Mar e Princesas do Mar – O desafio dos tubarões. Nas melhores livrarias!

Lost – The End

maio 26th, 2010 | Por Fábio Yabu sob Resenhas - (33 comentários)


Imagine que você está numa ilha deserta. Não tem fome, mas comeria, nem sede, mas tomaria um suquinho. A brisa acaricia seu rosto e o barulho das ondas aquece seus ouvidos. Em sua mão, está uma garrafa de vinho, como a de Jacob. Você a gira, gira, gira, vira de cabeça pra baixo e, graças à uma rolha, o precioso líquido não sai.

Agora, imagine que o vinho é algo menos vil que o mal encarnado. Trata-se apenas dos lugares comuns, do marasmo criativo, dos pontos de virada, dos casamentos em final de novela, Syd Field. E a rolha é a ilha de Lost – que durante seis anos, impediu que esses males tocassem nossas vidas.

Aí vem um desgramadumafiga e me quebra a garrafa.

Quase tudo já foi dito sobre o final de Lost. Não vou ficar aqui contando quantas horas da minha vida gastei assistindo às seis temporadas (85), exigindo respostas que eu já sabia que nunca viriam, nem discutindo os méritos dos criadores. Vou me limitar a dar a minha opinião, que reflete as dicotomias da série.

Amei o final de Lost. Foi bonito e tocante. Encerrou de maneira digna a jornada de seus personagens, nos deu algum conforto e uma boa dose de reflexão. Em termos narrativos, foi perfeito, satisfez a todos que acreditam no velho papinho de que “é sobre os personagens”, satisfez a quem, como eu, já tinha desencanado dos mistérios, satisfez a dona-de-casa que há em cada um de nós.

Porém, como num flash-sideway, odiei o final de Lost. Com a garrafa quebrada, não teve rolha que segurasse a enxurrada de clichês que atingiu o mundo. Teve beijo, teve “eu te amo”, “eu também”, teve luta (na chuva!) do mocinho contra o bandido, teve reencontro com o pai, não teve casamento, mas teve igreja.

E teve o diabo do purgatório, a verdadeira natureza dos flash-sideways (se você é daqueles que acham que todos morreram no primeiro episódio, por favor, assista de novo). O problema pra mim não foi a saída criativa em si, mas o fato de que qualquer outra série poderia ter terminado com os personagens se dando conta de que estão mortos.

E Lost nunca foi uma série qualquer. Lost transformou palavras como “constante”, “números”, “escotilhas” e “candidatos” em histórias. Bastava um 23 ou um nome riscado aparecerem na tela, para que teorias incendiassem as redes sociais – fenômeno aliás, indissociável da série.

Durante seis anos, Lost ousou em temas como fé, ciência, religião, amor, viagens no tempo, vida após a morte. Palavras que parecem se acotovelar quando colocadas numa mesma frase, usadas para contar uma história. Que pode não ter tido nem pé nem cabeça, mas que nos fez pensar, chorar e, acima de tudo, nos divertir.

Por isso, encerro a jornada grato e satisfeito. Lost terminou sem um final à altura. Mas como disse o próprio Jacob (o maior perdido de todos, cá entre nós), qualquer coisa que acontece antes, é apenas progresso.


Foto por @fagnerfey

E eis que a pirataria chega ao Mundo de Salácia. Minhas queridas Princesas do Mar já estão sendo vistas em camelôs Brasil afora, sob a forma de produtos de qualidade duvidosa.

Mas não são todos, visse? Alguns produtinhos até são simpáticos, como peças artesanais que eu nem considero pirataria. Já outros têm escala industrial, e até peça de teatro rolou no Rio de Janeiro. E num típico clichê de como a vida imita a arte, vieram risadinhas de todos os cantos dizendo: “Ah, tu baixou LOST, agora toma!“.

Pra começo de conversa, como diz a minha sábia avó: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!“. Baixar um seriado da internet (cujas razões já elucidei aqui) e produzir bonequinhos na China e mandar pra cá por container são coisas bem  diferentes.

Mas, se quer mesmo saber, eu pouco me importo com qualquer uma das duas.

Não, eu não acho pirataria uma coisa ruim, não estou muito preocupado se estão me copiando na Alemanha ou na 25 de março.

Dizem que a pirataria tira empregos. Deve tirar, mesmo. Mas pra mim, o que é muito mais perigoso que a pirataria e que realmente tira empregos é gente morrendo de medo de perder o seu. Gerentes, diretores e produtores escondidos atrás de planilhas e livros de auto-ajuda empresarial, que não arriscam, não criam, não vivem, enquanto as massas fogem de seus produtos e métodos de distribuição engessados e preguiçosos. Emburrados, fazem bico e nos chamam de criminosos porque assistimos nossas séries de TV pela internet.

Veja os DVDs de Princesas do Mar. Alguns podem achar que, onde tem DVD tem pirataria – mas é justamente o contrário! Os únicos países que pirateiam os episódios de Princesas do Mar são aqueles onde NÃO tem o DVD: Alemanha e Austrália. Na França, já estamos no sexto volume, encontrado facilmente em qualquer loja. A América Latina, o temor dos donos de copyright, tem o DVD há mais de 2 anos, vendido baratinho em bancas na Argentina e no México e até agora, não tem nem sinal de DVD pirata. Uma hora vai chegar? É provável, mas o original vai ganhar de lavada, seja em qualidade ou distribuição.

“A pirataria é sinal de sucesso”, diz o senso comum polianesco. Não exatamente. A pirataria é sinal de que alguém não está trabalhando tão bem quanto deveria. Alguns dos produtos piratas de Princesas do Mar chegaram ao mercado meses ou até ANOS DEPOIS de muitas fábricas terem se negado a produzí-los. A pirataria não é algo mágico que simplesmente brota nos semáforos da cidade em forma de um balão gigante do Barney, muito menos algo que acontece debaixo dos panos.

De um lado, temos o pirata: um cara que não é bem informado, não é um gênio com bola de cristal. Ele é mais lento, tem menos instrução, muito menos recursos e valha-me Deus, tem muito mal gosto. Mas ele simplesmente escuta o que o público quer, corre atrás e lança o produto. Do outro lado, temos o executivo que fica enfurnado numa sala fazendo powerpoint, tirando caquinha do nariz, esperando a próxima feira ou seminário da firma. Que perde oportunidades, engessa e, lentamente, mata a indústria por medo de mudar. A pirataria tira empregos? Graças a Deus!

Em tempo, você pode comprar os produtos de Princesas do Mar, todos lindos e originais, aqui. :)

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