YabloG! - Blog do escritor Fábio Yabu

… foi acordar às 5:30 da manhã. Estava meio sonolento, mas não o bastante para continuar na cama. Olhei pra fora, ainda estava escuro e o sol começava a pintar de amarelo os espaços entre as nuvens.

Não perdi tempo, escovei os dentes, tomei um copão dágua (faz bem, apesar de não descer direito logo cedo), pus uma blusa e corri pra rua.

A cor das nuvens já estava mudando, indo prum vermelho amarelado. O céu era uma mistura de preto com roxo. O legal também era reparar como essa luz fraquinha reagia com as cores do ambiente. O vermelho era mais brilhante, o azul e o lilás pareciam acender. Eu já estava a três quadras de casa quando começou a acontecer.

O nascer do sol.

Cara, eu adoro ver o sol nascer. Sempre que posso gosto de olhar. Uma vez vi do avião. Era lindo ver ele nascendo por cima das nuvens. Numa hora, estava tudo claro à minha frente, mas era só olhar para trás e ainda era noite.

Todo mundo deveria parar pra ver o nascer do sol de vez em quando. Não é a mesma coisa que o pôr. Não tem barulho, não tem carro, é friozinho (pelo menos em SP), o ar é diferente, a luz é diferente, o som é diferente. É mágico.

Depois que o sol nasceu ainda caminhei por quase duas horas. Fui até a Praça Vinícius de Morais, um lugar cheio de verde aqui pertinho de casa. Dei altas voltas, pensando na vida, pensando em nada, cantando Lisa Loeb, pensando na vida, pensando em nada. Parei na padaria pra tomar um suco, e às 8:30 da manhã, meu dia começou.

Crássicos: Eu contra a felicidade

fevereiro 28th, 2005 | Por Fábio Yabu sob Crônicas - (Comentários desativados)

Ah, essa vida de supervilão…

Já fiz muitas coisas terríveis. Não paguei a taxa do lixo, acabei com os fanzines, com os Superamigos, com o Natal, os sonhos e a Wanessa Camargo. Só não acabei com o Felipe Dylon porque.. bem, eu gosto daquela música “ôoo menina deixa disso…”

A minha próxima grande maldade é acabar com aquilo que a humanidade e os poetas mais querem: a felicidade.

Não quero que ninguém seja feliz. Nem você, nem eu, nem minha mãe, nem ninguém.

No novo mundo, construído à minha imagem, controle e semelhança, todo mundo vai ser japonês, careca, feinho e ninguém vai ser feliz.

A partir de agora, estou substituindo a felicidade pela plenitude.

Enquanto você fica aí, amarradinho, suspenso em cima de um enorme caldeirão incandescente que vai acabar com a sua felicidade, eu vou explicar qual é a diferença entre ser feliz e ser pleno. Pra começar, um segredo:

Essa história de ser feliz para sempre não existe. Ninguém é feliz para sempre ou mesmo por muito tempo. Nem mesmo as crianças. Do contrário, não nos preocuparíamos tanto em fazê-las felizes o tempo todo.

Pois a felicidade é uma coisa passageira, extasiante, gostosa, mas por definição, temporária. É algo que você até consegue se quiser, se buscar. Depois você acaba perdendo-a, e tendo que buscar em outro lugar.

Já a plenitude é diferente. Ela é permanente, serena, é um estado de graça que, por mais que você busque, você nunca alcança. Mas se ao invés disso, você deixar que ele venha até você, ah, pode crer que ele vem.

Tirar férias é ser feliz. Trabalhar com o que você gosta é ser pleno.

Assistir a um bom filme é ser feliz. Assistir ao nascer do sol é ser pleno.

Ler a um bom livro é ser feliz. Viver uma bela história é ser pleno.

Acabar com os Superamigos é ser feliz. Ficar o dia inteiro sentado no alto de uma montanha, tomando uma taça de vinho vendo o Aquaman ser chicoteado é ser pleno.

Ser pleno é ter todas as coisas que Mastercard não pode comprar.

Então, eu, no direito de supervilão e líder da Legião do Mal, revogo permanentemente a felicidade humana. A partir de hoje, todo mundo vai ser pleno. E tenho dito.

Agora, se me dão licença, tenho um homem-peixe para chicotear, ao som de “ôoo menina deixa disso…”.

Hello-o?

fevereiro 28th, 2005 | Por Fábio Yabu sob Resenhas - (4 comentários)

Sabe o que eu estava reparando esses dias? Nos filmes americanos, todo mundo fala inglês. Até aí tudo bem, não me incomoda o fato de que mexicanos, japoneses e chineses falem inglês em hollywood. A única coisa que acho estranha é que, independente do sotaque do cara, e da natureza de sua língua, ele SEMPRE faz as construções gramaticais certinhas. Ele nunca engasga na hora de falar, chega recitando discursos inteiros na lingua do “countre” dele e ai de quem interromper. A única coisa que entrega é o sotaque. Já reparou?

Ele sabem tudo: past participle, perfect, phrasal verbs, irregular verbs, quando é has been, had had, but, however, whereas, therefore, thus, tudo! Pô, se o cara tem uma gramática tão boa, a primeira coisa que ele teria perdido seria o sotaque, não? =P

Whatever…

Espanglês, Peixe Grande e A vida de David Gale

fevereiro 27th, 2005 | Por Fábio Yabu sob Resenhas - (Comentários desativados)

Rápidos comentários sobre os filmes que vi esse final de semana:

Espanglês – com Adam Sandler, Téa Leoni e Paz Vega. Estréia na próxima sexta-feira. Não é “oooh, que filmão”, mas é divertido, ainda mais para um filme com Adam Sandler. A história mostra a família de John (Sandler) e Débora (Leoni), que precisa de uma babá em casa e contrata a mexicana Flor (Vega) para o trabalho. O único detalhe é que ela não fala uma palavra em inglês. As piadas sobre o abismo cultural entre os personagens são boas e, até certo ponto, honestas. O problema é que as vezes o filme se perde um pouco, cai em alguns clichês e sub-aproveita alguns personagens, tornando-os totalmente irrelevantes na trama (eu por exemplo não lembro da cara do filho do casal…). Mas é uma boa diversão. Eu conheço uma pessoa que também trabalhou na casa de americanos que vai adorar esse filme… ^_~

Peixe Grande: gostei, mas esperava mais. É bonito, bem filmado e dirigido, um grande trabalho de Tim Burton mas… esperava mais. A história peca um pouco, tem muitos clichês e é bem previsível. Acho que poderia desafiar um pouco mais a audiência, ser mais ousado. Sabe o que Peixe Grande me lembrou? Um dos meus livros favoritos, “A Casa da Madrinha”, de Lygia Bojunga Nunes. Não leu? Pois deveria.

A vida de David Gale: ah, esperava mais. Meio previsível, meio fácil demais. Vale pelo Kevin Spacey e Kate Winslet, ótimos como sempre. Mas…

O chamado 2

fevereiro 25th, 2005 | Por Fábio Yabu sob Resenhas - (Comentários desativados)

Elenco: Naomi Watts, Simon Baker, David Dorfman, Elizabeth Perkins, Gary Cole, Sissy Spacek, Ryan Merriman, Emily VanCamp, Kelly Overton

Quem não conhece uma boa lenda urbana? São aquelas histórias como a da loira do banheiro, que aparece por todos os colégios do Brasil para qualquer estudante que a invoque ao praguejar três palavrões. O fetiche por esse tipo de conto já rendeu incontáveis conversas por acampamentos e mesas de bar mundo afora. Felizmente (ou infelizmente, no meu caso) a lenda da loira do banheiro jamais foi confirmada.

O Chamado (2002) conta a história de uma dessas lendas, sobre uma fita VHS que leva seu espectador à morte sete dias após tê-la assistido. Nesse tempo, o infeliz ainda é assombrado pela bizarra Samara Morgan, uma menina amaldiçoada que foi morta pela mãe adotiva. Considerado um dos melhores filmes de terror dos últimos anos, trata-se da refilmagem quase literal do japonês Ringu, de Hideo Nakata, 1998.

Nesta versão hollywoodiana, a jornalista Rachel Keller (Naomi Watts) investiga a morte da sobrinha, aparentemente relacionada ao tal VHS. Com a competentíssima direção de Gore Verbinski e a fotografia de Bojan Bazelli, o filme supreendeu o mundo ao apresentar uma atmosfera sinistra e fatos estranhos que não são necessariamente explicados – elementos típicos do horror japonês. A “suspensão temporária da descrença” faz-se primordial para entrar no clima da história. Como em toda lenda urbana, não adianta perguntar ou tentar entender os fenômenos. O bizarro é bizarro e pronto!

E haja suspensão temporária da descrença para assistir a O Chamado 2, agora dirigido pelo criador da franquia: Hideo Nakata. O filme continua a história do primeiro, com Rachel e seu filho Aidan (David Dorfman) recomeçando suas vidas após terem sido assombrados por Samara. Mas como tudo que é bom dura pouco (e, em Hollywood, gera continuações), a tranquilidade deles é logo interrompida.

Um adolescente (sempre eles) acaba morto após assistir a uma cópia da fita amaldiçoada e, para piorar, a terrível Samara continua assombrando Rachel, com o objetivo de possuir o corpo de Aidan. A trama se aproxima superficialmente dos personagens e introduz novos, como a dispensável mãe natural da fantasminha nada camarada.

Sem os elementos surpresa gastos no primeiro filme – como a expressão assustadora de Samara, o estado em que ela deixa suas vítimas e os apavorantes cinco minutos finais – não há muito o que se fazer a não ser seguir por um caminho seguro. Foi exatamente esta a decisão tomada pelos produtores e, até certo ponto, eles estão certos. A história repete alguns elementos do primeiro, reproduz com fidelidade seu clima sombrio e nos dá alguns sustos aqui e acolá. Se por um lado o filme fica muito aquém de seu predecessor, por outro ele ao menos se salva do constrangimento típico das continuações do gênero. Acredite, se você achar O Chamado 2 ruim, agradeça aos céus por não ter visto o original japonês (Ringu 2), que nos apresenta uma bizarra versão da Samara, mais veloz, mais furiosa… e em papel machê. Isso sim é que é um horror!

  • Twitter
  • Facebook
  • YouTube