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Resenha: Lanterna Verde

agosto 18th, 2011 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (24 Comments)

“E aí, o que você achou do Lanterna Verde?” foi a pergunta que mais ouvi essa semana. Os amigos, a esposa, os seguidores do twitter, até a imprensa, todos queriam saber qual era a minha opinião sobre o filme que esperei a vida toda para assistir. Ainda mais depois da crítica americana tê-lo esculhambado até os limites do setor espacial 2814.

Acredito que você não esteja aqui para saber detalhes técnicos do filme, número de estrelas ou nota de 0 a 10. Por isso, tentarei me prender ao essencial. Sem mais delongas: o filme começa muito bem, é irretocável durante todo seu primeiro ato. Depois, começa a apresentar falhas, que vão do sutil ao grotesco estapafúrdio. Algumas coisas saltaram quase a ponto de dilacerar as lentes 3D e perfurar meus olhos. Revendo o filme em minha mente, fica óbvio que ele foi mexido diversas vezes depois de pronto. É como a chegar em casa e ver seu armário revirado, e sentir a agonia de não saber o que está faltando.

Mas enquanto eu estava no cinema, reparei numa pessoa que tinha uma reação diferente do resto do público. Ela cerrava os punhos e dava socos no ar, suspirava ao identificar cada membro da Tropa. Para ela, os seis minutos em OA, com Kilowog, Tomar-Re e Sinestro foram como férias na casa da avó. Cada construto verde que saía do anel se tornava seu novo brinquedo favorito. A pista de Hot Wheels gigante a levou ao delírio. Essa pessoa não se importava com as erros na edição, não percebia os pixels avacalhados por toda a tela, não reparou nas crateras jurássicas no roteiro, vibrou com o juramento, bateu palmas e gritou WHUHUUU quando subiram os créditos finais.

Essa pessoa é a mesma que assistia o Lanterna Verde e os Superamigos enfrentando Sinestro e a Legião do Mal, em roteiros tão ou mais esburacados que o do filme de 2011. A mesma que achava os monstros do Jaspion assustadores, Transformers um desenho bem-feito e as roupas da Xuxa pudicas. E que hoje dança na sala com a filha no colo ao som de Balão Mágico.

Devo muito a essa criança. Ela me fez sobreviver aos momentos mais difíceis da minha vida e ser quem eu sou. Talvez você tenha uma dessas em si também, que está louca para ouvir a história do mocinho que ganha um anel mágico capaz de dar vida à sua imaginação, que vai para outro planeta e volta como super-herói. Se tiver, leve-a ao cinema. Senão, é melhor ficar em casa. Juro que não vou te culpar.

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